Resenha: Her (Ela)

herEstamos todos num futuro não muito distante.

Um futuro em que a tecnologia domina tudo ao redor, e em que computadores conversam com humanos seguindo comandos de voz. É nessa realidade que vive Theodore Twombly, um redator que trabalha em uma empresa que “fabrica” cartas escritas à mão, a partir de informações de clientes e fotocópias de suas caligrafias. Ele é um solitário passando por um difícil fim de casamento e foge de encontrar novas pessoas, vivendo uma rotina tranquila e solitária.

É quando conhece um sistema operacional que promete se adaptar à vida e ao dia a dia de seus usuários que a vida de Theodore muda. Seu OS escolhe o nome de Samantha e, a partir de informações do dia a dia, rotina e preferências, começa a fazer parte da vida dele, cada vez mais se parecendo com uma pessoa real, com quem é possível conversar e conviver. Theodore se apaixona por Samantha e começa a viver um amor virtual com seu computador.

Entre tudo o que é possível enxergar a partir da história de Theodore e Samantha, que passa pelos mesmos percalços de um relacionamento comum, está o que é cada vez mais difícil de evitar: temos sido cada vez mais escravos das facilidades que viver em um mundo cada vez mais tecnológico nos impõe. Em diversas cenas do filme, enquanto Theodore conversava com seu celular, interagindo com fotos, músicas, e “mostrando” o mundo para Samantha, outras pessoas faziam exatamente a mesma coisa com seus próprios OSs. E não é necessário ir muito longe para ver que estamos cada vez mais próximos dessa realidade.

No transporte público, quantas vezes você já se pegou olhando para o lado e vendo uma multidão de pessoas interagindo apenas com o celular / tablet? E no bar, com os amigos, entre uma conversa e outra, parar para ver o que está acontecendo com a galera das Redes Sociais? O que é possível não perder no meio de uma festa em que a foto e a localização são quase tão essenciais quanto o momento em si?

A vida é muito mais do que um sistema pré-moldado e a beleza de estar lá, vivendo cada momento, é justamente a de não ser capaz de falar com 8.316 pessoas simultaneamente ou de se apaixonar por 641. E talvez seja essa a principal mensagem do filme: não adianta querermos ser tão velozes, a verdadeira maneira de aproveitar tudo o que está aqui é justamente ter tempo para isso. Consigo e com o resto do mundo. E em carne e osso, sempre que possível for.

PS: a trilha sonora é do Arcade Fire, então, tem que ver e tem que ouvir!

Ano: 2013
Gênero: Drama
Diretor: Spike Jonze
País de Origem: EUA
Duração: 1h26
Nota: 
8

Cuidar da própria vida ninguém quer né?

beijo_gay

Ser diferente é bonito, é legal, é charmoso, é sexy.

Sim, é claro, sempre foi. Até o momento em que essa “diferença” te incomoda, ou mexe com o seu jeitinho de ver o mundo.

Os canhotos, os negros, as mulheres, os pobres, as meninas de cabelo “ruim”, os bolsistas, os desempregados, os deficientes físicos e tantos outros grupos que, com maior ou menor grau, sempre sofreram um pouquinho de preconceito, justamente por suas diferenças. E agora a onda de ataques é aos homossexuais.

Sim, porque é bonito demais ver beijo gay na novela, né? No conto de fadas, todos são bonitos, fortes, nasceram um para o outro e não têm esse sofrimento que é ser olhado torto na rua, ouvir piadinhas no trabalho e no transporte, ser olhado diferente e que agora é ter que “não dar pinta” para não ser espancado na rua ou ter que sair em “bando” para não correr o risco de morrer antes de voltar da balada.

De verdade, você não gosta de gays? Não gosta de lésbicas? Porque? Nunca percebeu que eles são pessoas que, assim como você têm sonhos, projetos, planos e ambições? Não tá ligado de que eles têm o mesmo sangue correndo nas veias, o mesmo polegar opositor, o mesmo cérebro de 1,5 kg, a mesma capacidade de raciocínio? Então, qual a diferença?

Ah, a bíblia tá falando que tá errado, que é pecado? Se você acredita nisso, tem que acreditar também na liberdade que o tal deus deu para cada um cuidar de sua vida, fazendo as melhores escolhas para si e “pagando” por elas no dia do juízo final, logo, não existe desculpa.

Pra mim, quem é violento com qualquer pessoa tem um único motivo: faltou liberdade em si, logo, não existe liberdade para o outro. Você que bate em gays por aí queria beijar uma pessoa do mesmo sexo, mas não tem coragem, então reage com violência à expressão de uma liberdade que você não consegue abraçar. É um covarde.

Tudo seria tão mais simples se cada um simplesmente escolhesse ser feliz com suas próprias rotinas, ideias, planos e frustrações, não é mesmo? Todo mundo tem um dente podre, um amor que não deu certo, um medo insuperável, um desejo proibido, um teto de vidro. Se cada um aprendesse a olhar apenas para o próprio mundo e cuidar para que o que gira ao redor do próprio umbigo fosse feito das melhores escolhas para o umbigo em questão, o mundo teria menos guerras e mais compreensão. Mais tolerância. Mais aceitação.

Porque todo mundo quer levantar a bandeira das igualdades quando tá na moda fazer isso, mas enfrentar o furacão no dia a dia é para poucos. 

 

A Sociedade do Espetáculo

perfeitoLuz. Câmera. Ação.

Você, ser humano perfeito, acaba de acordar. O mundo gira a seu redor e você só precisa se preocupar em ser ainda mais perfeito. Você é uma novela, uma série, uma história sem fim que todo mundo tem que acompanhar e participar. Porque você é o ser mais importante do universo.

E porque você é assim tão importante? Ah, porque nasceu, lindo, maravilhoso e perfeito. Com essa “duck face” que aparece em todas as suas fotos, esse seu bronzeado que deixa todo mundo louco, ou esse cachecol que você usa nos dias de frio só pra fazer charminho. E você é um ser humano cheio de virtudes incríveis, que são as mesmas que estão na moda no momento, porque afinal de contas, você não quer criar polêmica. Você foi às manifestações do ano passado porque sua turminha foi, acha as Diretas Já o máximo mas não sabe em que ano aconteceram, digita #NãoVaiTerCopa por aí porque é statis, achou o beijo gay da novela sensacional, mas faz cara feia quando vê dois rapazes de mãos dadas na rua.

Mas a culpa não é sua. A culpa é dos seus pais, que não conseguiram te dizer um não sequer, seja quando você pediu de Natal o brinquedo da última moda e que eles ficaram pagando o ano inteiro, pra você enjoar em dois dias e chamar o Papai Noel de velho babão em seguida, seja quando você reclamou que a professora era uma idiota, apenas porque ela tinha corrigido sua prova do jeito certo ou porque te deu uma bronca na frente dos seus amigos. A culpa é dos seus amigos, que fizeram você acreditar que ser o machão ou a menina mais bonita te fariam ser bem sucedido (a) para todo o sempre. A culpa é do seu tio, que deixava você trabalhar a hora que quisesse no seu “primeiro estágio”. A culpa é do seu professor da faculdade, que não te disse que o seu diploma não valeria nada se você não trabalhasse duro para ser um bom profissional. A culpa é de todo mundo ao seu redor que não abriu seus olhos para a vida, que não é cor de rosa como o céu fica no final do desenho animado. E a culpa é sua sim, por se manter nesse Show de Truman até agora.

Você é esse ser humano que fica feliz a cada novo comentário te dizendo como você é lindo e que faz cara feia quando aquele seu amigo não dá like na 42ª foto que você postou no “Faice hoje”. Você é aquele que xinga seu chefe cada vez que ele te pede para corrigir um erro que você cometeu 495 mil vezes, que não olha na cara da empregada que te serve café, ou que deixa o banheiro do escritório limpo, ou que faz o almoço da galera. Esse ser humano cheio de virtudes que é você, ultrapassa o sinal amarelo porque “dá tempo”, que paga a habilitação porque “todo mundo paga”, reclama dos políticos que tem, mas sempre vota na mesma gente e se conforma em todos os dias levantar e ir para o trabalho chato, passar horas da vida com pessoas que você não gosta, voltar pra casa, ver novela e dormir. Mas nada disso importa porque você veste roupa de grife, gasta muito nas baladas do fim de semana e está sempre sorrindo nas Redes Sociais. Porque você é feliz.

Ou porque você é um bebê mimado, mal educado e cheio de problemas psicológicos. Que finge que tá tudo bem, afinal, a vida segue e você precisa mostrar sua felicidade pra aquela cambada de invejosos.

Corta!

PS: texto inspirado em um bocado de conversa com duas pessoas incríveis (Wendl e Dri, vocês são demais) e nessa matéria aqui.

Uns dias…

Há dias em que tudo o que você precisa é descansar. Ainda que haja sujeira ao redor, ainda que o caos domine seu lar, seu desktop, sua agenda, sua mochila. Você olha ao redor e está tudo bagunçado, mas você não faz nada a respeito. É como se não houvesse saída senão suportar. E seguir adiante, acumulando todo aquele caos que não se recicla, não vai embora, não se desfaz. Tudo ao redor é pó, trapos, papéis fora de ordem.

E há dias de limpeza. Quando você reúne todas as suas forças para arrumar, limpar, endireitar. Afastar a sujeira das más recordações e limpar o coração, deixando apenas o que é bom. Tirar do guarda-roupa todas aquelas roupas que você não usa mais, mas que alguém pode aproveitar. Rasgar velhas fotos e pôr novas no lugar. Trocar os quadros da sala, reorganizar os discos, organizar as meias por cor, os MP3 do computador por pasta, artista, ano e gênero. Ficar só consigo mesmo e por as ideias no lugar. Limpar a mente para se deixar ouvir.

É claro que aí o caos surge. Quando alguém realmente se deixa ouvir, a voz lá de dentro, tão desacostumada que está a ter espaço, abusa da liberdade e fala, berra, grita. Não ouve quem não quer.

Limpezas são cansativas. São dolorosas. São desgastastes.

Mas são essenciais se é necessário um passo a frente, uma nova maneira de ver, uma escolha., um jeito de agir diferente.

Cada limpeza dura o que tiver que durar. Depois que passam, são só uns dias…

Não se preocupe tanto assim…

screw-up O ano mal começou e já tem gente se arrependendo. Aí, comi aquele chocolate e estraguei minha dieta. Aí, deixei de cumprir duas das minhas metas pro ano no 3º dia. Aí, porque eu sou sempre tão quieta? Aí, tá vendo? Fala demais e sai bosta toda vez…

Cê jura pra mim que cê quer começar mais um ano se arrependendo? De verdade, o quadrinho acima é real: não tem ninguém no mundo preocupado em fazer as contas de quantas vezes você errou, quantas vezes você acertou, quantas vezes você falou bosta ou quantas vezes você fez qualquer coisa. Falando sério, nem você mesmo faz essa conta com precisão, porque tem coisas que simplesmente passam, são esquecidas, apagadas com o tempo. Então, pra quê ficar se preocupando?

Errar é humano. Essa é a máxima mais conhecida do universo, mas tem vezes que não é levada em consideração.  Não dá pra ser 100% incrível o tempo todo e também não dá pra ficar o tempo todo vivendo o passado, pensando no que se podia ter feito e não foi e no que foi feito e não devia ser. Se existe algo ou alguém que tem o poder de tirar o que há de melhor em você é você mesmo. Esse é um dos super-poderes mais perigosos que nós, heróis do dia a dia, possuímos.

Meus Melhores Discos Internacionais de 2013

Conforme prometido ontem, a hora do dever me chama e hoje tá aí a minha lista de melhores discos internacionais do ano. Algumas escolhas óbvias, quando você me conhece um pouco. Outras, nem tanto. Bom, é isso aí que tá aí embaixo!

1.   New – Paul McCartney  

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Devo confessar que a minha expectativa para a chegada desse álbum foi imensa, desde o início das gravações até o dia do lançamento. Mas nada poderia me preparar para o que viria nas 12 (opa, 13!) músicas do disco. São quase 50 minutos em que você pensa coisas do tipo “Ah, isso é Beatles” “Mano, de onde ele tirou isso” “Gente, que incrível” “Ah, isso é do Wings ou é do solo?” e não chega a nenhuma conclusão óbvia. Tudo porque New é criativo, é inovador, é diferente de tudo o que Paul já fez na vida (e são mais de 50 anos de carreira). Enfim, é tudo muito NOVO e não havia nome mais coerente e mais necessário para esse álbum que New. Destaque mais que indispensável para vibrante “Queenie Eye”, para a emocionante (sério, chorei na primeira audição) “Early Days”, para a fofa “Alligator” e, bom, tem que ouvir mesmo pra escolher a favorita porque a tarefa não é das mais fáceis.

2.   Paramore - Paramore 

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Passar por duas perdas em seu elenco, encontrar a própria voz novamente e lançar um bom disco novo: um desafio pelo qual poucas bandas passam de maneira positiva. O Paramore passou por tudo isso e mostrou para o mundo em 2013 as razões de ser uma das bandas mais aclamadas do momento. Com um álbum homônimo cheio de hits e de canções emocionantes, a banda se posicionou com uma das mais competentes da atualidade. Hayley Williams assumiu de vez a liderança do trio, formado por ela, Jeremy Davis e Taylor York e colocou sua voz, sua criatividade e sua alma nas 17 faixas do trabalho. As indispensáveis são, é claro, “Still Into You” “Ain´t it Fun”, mas as ótimas “Now”, “Anklebiters” e a desesperadora “One of those (Crazy Girls)” precisam fazer parte do repertório de melhores músicas do ano.

3.   Random Access Memories - Daft Punk

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Sabe aquele momento em que você reconhece numa banda uma história que você precisa e que quer entender? Geralmente acontece quando alguém te apresenta uma banda nova com um álbum recente e que você fica tão vidrado naquele negócio que sabe que precisa ouvir tudo o que eles tiverem a oferecer. Então, foi essa a sensação que eu tive pós primeira audição do Random Access Memories: minha memória RAM (ah, ah, ah – virando os dedinhos! uhauhahu) precisava de um programinha pra rodar tudo o que eu tinha de informação sobre os franceses do Daft Punk no meu HD. E “Motherboard” estava lá pra me lembrar de mil passados, e “Instant Crush” pra me quebrar no meio, “Fragments of Time” pra me deixar sem palavras e a mais reproduzida de todas as canções de 2013 “Get Lucky” pra me fazer dançar sempre, como se não houvesse amanhã, a cada nova festa em que eu entrava e tocava. Com tudo isso posto, só dá pra dizer que esse é um álbum que vai marcar época. Aliás, já marcou, mas vai ser lembrado por muito tempo ainda como uma das melhores realizações dos anos 2010.   

4.    Like Clockwork –Queens of The Stone Age

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Fazia tempo, fazia muito tempo que Josh Homme não aparecia entre os destaques do ano. Só que aí o cara vai lá, quase morre e pimba! lança o …Like Clockwork, talvez um dos melhores discos da carreira do Queens of The Stone Age. Sombrio, frio, intimista, diferente de tudo o que você conhece da banda, e ainda assim um registro fatal do stone rock da banda, o disco já tem clássicas como “I Sat By The Ocean”, “I Appear Missing” e o primeiro single “My God Is The Sun” como sons que o mundo não vai esquecer.

5.    Adam Green & Binki Shapiro – Adam Green & Binki Shapiro

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Foi no começo do ano que Adam Green, um dos meus cantores favoritos por ser da incrível The Moldy Peaches apareceu, junto com uma das cantoras mais fofas que conheço, a Binki Shapiro, que era do Little Joy, num disco que de cara já tinha tudo para ser meu favorito do ano. E daí que ele não está em nenhuma lista que você já viu? E daí que “Just To Make Me Feel Good” é só uma baladinha indie fofolenta? E daí que “Here I Am” é só mais uma daquelas canções que repetem a fórmula já popularesca dele cantando para ela e vice-versa? O álbum de estréia da dupla cumpriu seu papel no mundo da música em 2013: é uma fofurinha para apaixonados e corações moles escutarem e ficarem felizes. E ele merece destaque, só por isso.

6.    No Blues – Los Campesinos

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Quando você ouve um disco repetidas vezes sem cansar, significa que ele significou algo pra você. Isso aconteceu comigo nesse ano com um outro álbum dos Los Campesinos! que, é claro, me fez correr atrás de toda a discografia da banda e, olha, que sorte minha, um álbum novinho em folha pra eu descobrir. No Blues é um indie rock fofo, dançante, com começo, meio e fim e sem hora pra começar e acabar. Desde “Avocado, Baby” até “Let It Spill”, o trabalho é denso, é um LC! maduro, superado, feliz. E bom, muito bom, obrigada.

7.    Right Thoughts, Right Words, Right Action – Franz Ferdinand 

Franz-Right-Thoughts-Right-Words-Right-ActionsO quarto disco de estúdio de uma banda que demorou quatro anos pra lançar conteúdo inédito, mas mesmo assim todo mundo ama: que difícil seria pra o Franz Ferdinand alcançar muitos lugares de destaque com o Right Thoughts, Right Words, Right Action não é mesmo? O trabalho que não era nada fácil era o de não copiar a fórmula de sucesso dos discos anteriores, o que o Franz fez bem, na medida do possível. O curto novo trabalho agrada desde a dançante e single absoluto “Love Illumination”, a formidável “Right Action”, ácida e direta e a simplesmente indescritível “Sweet Strawberries”. Fica na prateleira por pouco tempo, porque esse é pra por pra rodar e dançar sem parar.

8.    Jake Bugg – Shangri La

jake-bugg-shangri-laUm dos caras mais competentes da nova safra folk que invadiu o mundo nos últimos três anos é o jovem Jake Bugg. Ele é um Bob Dylan da nossa geração, um filho perdido do Paul McCartney compondo pérolas líricas semelhantes à “I´ve Just Seen a Face” e, mais do que tudo, um garoto construindo seu espaço no mundo da música. Shangri La, segundo disco da precoce carreira do músico, conta com a produção de Rick Rubin, referências pop e hip hop, o folk absurdo que fez o garoto conhecido em todo o mundo e canções imperdíveis como “What Doesn´t Kill You” e “Simple Pleasures”. 

9.    The Next Day – David Bowie 

David-Bowie-The-Next-DayBowie é Bowie e se ele lançasse um disco com a Yoko Ono gritando gravado nele ainda assim seria um dos melhores do ano. Mas ainda bem, ele não fez isso. Muito pelo contrário: com pouquíssimo alarde, o camaleão dos camaleões mostrou mais uma vez toda sua competência com The Next Day. O 24º disco de estúdio de Bowie tem obras primas como a faixa título “The Next Day”, “Love Is Lost” e “Dancing Out In Space” e marca presença sendo um dos discos mais criativos do ano.

10. Grinning Streak – Barenaked Ladies 

barenaked_ladies_grinning_streakEu já falei desse disco aqui e vou falar de novo pq eu q mando nessa porra: você precisa ouvir. Não é só porque “Crawl” é uma das músicas dramáticas mais incríveis que eu já ouvi na vida ou porque “Limits” pode ser um dos pontos altos de um disco de pop / rock, mas porque Grinning Steak é muito mais que só um disco bom: ele é necessário.

É claro que se você quiser ver uma lista mais completa e incrível que essa aqui eu tenho uma linda pra te indicar, né? A fofa do
Tenho Mais Discos Que Amigos tá imperdível. Confere aí! 

Meus Melhores Discos Nacionais de 2013

Caro um leitor,

Essa provavelmente será a lista mais atrasada de melhores do ano que você já leu (a não ser é claro pela que vou publicar amanhã, com os discos internacionais). De qualquer forma, o atraso tem razões de: tempo, indecisão e caramba, só tem disco bom esse ano. Enfim, os meus melhores seguem um critério muito simples: o que foi que mais me chamou a atenção nesse ano todin de meu deus. Tá aí, divirtam-se!

1.    O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui – Emicida

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Um cara que tem a sensibilidade de cantar histórias como “Crisântemo” e “O sol de giz de cera” certamente merece destaque entre os melhores do ano. Isso porque não dá pra falar do Emicida sem falar da emoção que ele transmite em cada uma das suas músicas e não dá pra lembrar de 2013 na música sem mencionar o trabalho desse cara. Seja falando do amor que tem por sua Vila, seja contando com seu rap a história de um Brasil que a galera insiste em fingir que não existe, Emicida fez O Glorioso Retorno de Quem nunca Esteve Aqui ser uma obra indispensável para entender a música brasileira dos anos 2010 (se é que já dá pra chamar assim). O rap é a base, tem pop, tem rock, tem forró, tem samba, tem música brasileira e tem poesia desde o primeiro verso. Uma poesia original, mas que ao mesmo tempo não é nenhuma novidade: é só um retrato do que ninguém quer ver.

2.    Muito Mais Que o Amor – Vanguart

vanguart-muito-mais-que-o-amor-capaO Vanguart deixou de ser aquela banda triste que você ouve quando está na fossa. O álbum Muito Mais Que o Amor é exatamente essa declaração: a banda encontrou o amor verdadeiro e canta, em cada uma das 11 músicas do trabalho, a beleza desse sentimento. Os destaques do disco são sem dúvida “Meu Sol” e “A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo”, muito embora “Estive”, single do lançamento e “Eu Sei Onde Você Está” mereçam destaque entre as 11 canções do trabalho. Ninguém duvida do sucesso do trabalho: um lançamento lindo em vinil, uma festa pra celebrar o lançamento do primeiro clipe (também lindíssimo) e o pop intenso de cada canção que contagia até os roteiristas das novelas da Globo estão aí pra resignificar o Vanguart na sua coleção de discos: agora você vai ter um álbum só das músicas bonitinhas, para ouvir com o par e também para sonhar com esse muito mais que o amor que eles encontraram.

3.    De Lá Até aqui – Móveis Coloniais de Acajú

moveis-coloniais-de-acaju-de-la-ate-aquiQuando o novo do Móveis saiu eu comecei a ouvir sem parar, como já havia feito com os discos anteriores, infelizmente não todos na data de lançamento. A evolução da banda é clara ao comparar com os registros anteriores, o investimento em músicas mais lentas, a poesia mais viva nas letras, a transparência e o gosto de cada um dos membros da banda pelo novo trabalho, que está óbvio no show, no disco e na própria capa em que eles dão a cara a tapa pela primeira vez, tudo isso faz dar gosto de ouvir. De Lá Até Aqui reúne 14 músicas muito boas, com referências aos Beatles (gostei!), ao pop, ao soul e à música brasileira dos anos 70 e 80. Destaque para a já sucesso “Sede de Chuva” e seu clipe encantador, a completamente lado B “Campo de Batalha” e a animada (como nos velhos tempos) “Melodrama”.  Impossível não viciar.

4.    Sacode – Nevilton

nevilton-sacodeAgito. Luz. Cor. E muito rock in roll. Esses são alguns adjetivos que você consegue atribuir ao Sacode, do Nevilton, já na primeira audição. Esse balanço que esse garoto e seus dois companheiros de banda possuem faz com que a gente queira que o disco, terceiro trabalho dos caras, não acabe mais, tamanha é a mistura de referências que ele nos faz rever (só coisa fina, de Caetano a Black Keys, tá tudo ali!) e a vontade que a gente tem que o Brasil inteiro conheça e dê valor a esse trabalho.

Aliás, Sacode é um nome muito bem escolhido: todas as músicas, sejam as mais lentas, como “Crônica” e a fofíssima “Friozinho” ou as mais agitadas como a própria “Sacode” e “Espero Que Esteja Melhor” pedem, clamam, quase que imploram: dance. O trabalho de produção de Miranda, a criatividade de Nevilton e o gostinho de quero mais dão o tom:  sacuda o esqueleto. Se mova. Sacode!

5.    Animal Nacional – Vespas Mandarinas

vespas-mandarinas-capa-animal-nacional-1024x1024Os temas urbanos, as ruas de São Paulo e os corações partidos na metrópole podem ser tidos como alguns dos assuntos que resumem o trabalho do Vespas Mandarinas de 2013. Animal Nacional, que também declara amor e ódio ao Brasil, faz a gente sentir que existe uma conexão entre os nossos computadores nervosos baixando MP3 e a beleza da música dos anos 80 e 90, quando tudo era difícil de achar, mas eram essas mesmas guitarras que moviam nosso mundo.

Pra resumir esse disco dando crédito aos seus principais momentos, a incrível “Distraídos Venceremos” consegue se tornar uma trilha sonora de um jovem paulistano, “Não sei O que Fazer Comigo” (Ya No Sé Que Hacer Conmigo), versão da banda uruguaia El Cuarteto de Nos e a quase homenagem “Santa Sampa” dão o tom de um disco que reúne poesia, lirismo e bastante rock in roll. Tão bom que é pra tudo quanto é tempo que já ganhou até indicação ao Grammy. Força, Vespas!

6.    Gaveta – Phill Veras

Gaveta_Phill-VerasPhill Veras teve grande destaque durante o ano de 2013. O cantor se apresentou no Rock in Rio e foi um dos grandes destaques de vários festivais de música ao redor do Brasil, mas deixou o melhor para o final: escolheu dezembro pra tirar da Gaveta as canções que formam seu primeiro álbum. A escolha não podia ser mais adequada. Apesar determos algumas velhas conhecidas no trabalho, como “A Estrada” e “O Velho John Dizia”, saídas dos EPs Valsa e Vapor e A Estrada, Phill mostra todo seu valor em “Faz”, “O Piano” e “Cambota”, entre outras, que merecem um lugar de destaque entre os melhores (e mais fofos) discos que 2013 poderia produzir.

7.    Mustache e os Apaches – Mustache e os Apaches

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Eles são uma banda de rua e estão lançando seu primeiro disco de estúdio. E aí, como faz para deixar as músicas que são tocadas no meio do trânsito de São Paulo fazerem sentido dentro de uma sequência e soarem bem num disco? Os caras do Mustache & os Apaches não só conseguiram o feito, como mostraram o que toda a experiência das calçadas paulistas ou não pode fazer com uma banda.

O jogo de vozes que a banda faz e as experimentações instrumentais (o som daquele washboard sempre vai fazer você reconhecê-los) têm destaque em “O Gato”, (porque nada melhor para uma banda de rua do que contar a história de um gato de rua, não é mesmo?), “O Gigolo”, freneticamente dançante, de um jeito que só seria melhor se você estivesse num bailinho dos anos 70, e é claro, na inexplicável “Twang”, single absoluto, que ganhou um dos melhores clipes de 2013. Difícil, difícil mesmo, não viciar.

8.    Sábado – Cícero

cicero-sabadoUm lançamento muito esperado pode trazer muita alegria e muita decepção. Cícero pode ter decepcionado muita gente que queria que ele repetisse a formula de Canções de Apartamento, mas fez um ótimo trabalho com Sábado. A excêntrica mistura de alegria e de melancolia que o cantor conseguiu fazer em Canções ainda está lá, mas de alguma forma diferentes. Sábado tem canções memoráveis como “Porta, Retrato”, lançada antes do disco e ainda “Sem Nome” no canal do moço no Youtube e momentos em que há dúvidas sobre o garoto do “Apartamento” como “Duas Quadras”. Mas ele aparece nessa lista de qualquer forma por “Fuga No. 4”, “Capim-Limão”, “Pra Animar o Bar” e sem dúvida, pela atitude de ser o que ele queria ser e de se mostrar todo novo para um público que queria mais do mesmo.

9.   O Curioso Caso da Orquestra Invisível – Camarones Orquestra Guitarristica

camarones-orquestra-guitarristica-o-curioso-caso-da-musica-invisivelFaz tempo que o rock nacional instrumental tem nos mandado mostras de que ele é possível, de que faz bem, de que vale a pena. O Camarones Orquestra Guitarrística mostrou, mais uma vez, que isso é possível. O Curioso Caso da Música Invisível, terceiro trabalho da banda potiguar, é uma festa de ritmos e harmonias que fazem a gente pensar, dançar e até querer cantar o som das guitarras dos caras. Destaque para a incrível “Pigmalião”, para “Tony Silverado” e “Corra Bátima”, músicas entre várias outras que te fazem concluir que a banda tem um poder hoje cada vez mais difícil de se alcançar:  fazer você parar para ouvir um disco, do começo ao fim, sem pular de música e se sem conformar com o MP3 de uma ou outra faixa.

10.Monomania – Clarice Falcão

Clarice-Falcão-MonomaniaO disco de estreia da cantora e humorista Clarice Falcão é um poço de fofurices, que chega até a ser exagerado. A engraçadinha “Oitavo Andar”, que lançou a moça para o mundo diretamente do canal da Porta dos Fundos não é nem de longe o ponto alto do trabalho de 14 faixas da que se revelou uma cantora muito séria. O toque irônico de “Eu Esqueci de Você”, o desespero de “Qualquer Negócio” e até a piada pronta de uma história de amor sem muita memória em “Eu Me Lembro” (com o genial Silva) são os grandes momentos de Clarice, que mostrou que pode um grande nome da nossa música folk / MPB mesmo tendo “O Que Eu Bebi”, “A Gente Voltou” e “Macaé” no currículo (e no disco). E não, essas não são ruins. O problema é que ela é muito melhor que isso.

Ah, se você quiser, dá pra ler uma lista com muito mais qualidade editorial que essa. A do Tenho Mais Discos Que Amigos, feita por toda a nossa equipe linda e maravilhosa, está mega completa e espera por você nesse link aí de cima! =)