Das vontades do espírito

Por vezes, a boa intenção e a vontade de ajudar são nossas maiores qualidades e as dádivas mais incríveis do espírito.

Mas há vezes em que não é bem assim. Há vezes em que por mais que você tente entrar no coração do outro para entendê-lo, oferecer apoio, carinho, cuidado, atenção, o outro não está muito aí para o seu esforço. A compreensão não é algo que o mundo quer ter em mente mesmo.

Aí você se sente um lixo por tentar fazer o melhor por alguém que você gosta. E pensa que o seu conselho pode não ser exatamente o que esse ser está precisando.

Aí você volta atrás e tenta falar de novo. E não recebe nenhum retorno.

E a vida segue.

Desiste de ajudar. Desiste de ser legal. O meu nariz é o mais importante. A minha vida é a que tem que dar certo, a dos outros não. Eu tenho que correr todos os dias, tenho que fazer as coisas acontecerem para mim, por mim, meu umbigo.

Mas isso não tem nada a ver com você…

E todas as conclusões anteriores voltam. E se desfazem.

Afinal, conselho se fosse bom, não se dava, se vendia.

O que me faz ser nerd / geek?

O título do post é uma pergunta mesmo. E é uma pergunta para a qual eu não sei a resposta mesmo. Mas a dúvida mais cruel apareceu mesmo na semana passada, enquanto eu fuçava o Facebook no celular.

É que eu fui indicada para dar uma entrevista sobre “O Universo Geek” e contar um pouco do que eu penso a respeito. Pois é, achei super estranho, comecei a pensar em várias coisas, descobri que foi uma amiga minha que me indicou, fiquei pensando no sentido da vida,  até que cheguei na interrogação maior: porque eu sou considerada uma pessoa que tem domínio suficiente do assunto para falar sobre geeks / nerds? O que faz com que eu, do alto dos meus recém completados 24 anos tenha os culhões para defender uma geração super cheia de representatividade, atitude e bom humor como a geração nerd / geek?

Será que já ter visto Star Wars várias vezes e saber o suficiente sobre a população vulcaniana me faz ser menos normal? Será que meus conhecimentos básiquinhos sobre hardware e software me fazem ser uma menina diferente das normais? Ter um curso de manutenção de computadores e ajudar a galera da firma com os problemas do Windows é um diferencial competitivo? Já ter lido tudo do Douglas Adams pode ser considerado uma qualificação especial?

Acho que ser nerd na minha infância era uma coisa muito mais difícil do que é ser hoje. A Maristela sabe bem, só fui falar direito com algum ser humano na escola depois da 4ª série e só me tornei o que a galera chama de “popular” depois da 7ª. A porra toda é que antes ser antissocial era horrível, porque você sofria por ser um dos mais inteligentes da sala, por tirar algumas das melhores notas, por se esforçar para aprender. Era feio ser nerd. Era estranho saber o que estava acontecendo com um HD enquanto uma criança desenha no Paint. Era muito estranho.

Hoje é legal, maneiro, todo mundo quer ser. Mas ninguém tem exata noção do que quer ser na real. Acho que geeks e nerds têm suas diferenças em particular, mas têm algo em comum que os faz ser únicos: são pessoas apaixonadas. Apaixonados por jogos, por livros, por músicas, por assuntos, por tecnologia, por conhecimento, por novidades. Aquele cara que é capaz de esperar numa fila gigante pra comprar o novo lançamento da Apple, o ser que consegue programar uma nova solução em minutos porque não vê a hora de ver aquilo funcionando ainda que não vá ganhar nenhum centavo pelo trabalho, aquela pessoa que fala com paixão e loucura sobre seus filmes favoritos ainda que esteja numa roda de pessoas em que ninguém tem noção do que é aquilo. Um cara que coleciona, que é discreto, que vai ao cinema na pré-estreia com a fantasia do ídolo. Ou aquele cara mega racional que espera a euforia passar pra ver o lançamento no cinema.

Ser nerd é ser apaixonado por conhecimento /cultura. Ser geek é ser apaixonado por tecnologia. Se é isso mesmo, acho que sou um desse bichos novos aí sim…

PS: se a gravação realmente sair (pensando bem acho que não, fui muito mal) eu posto por aqui. Mesmo.

Porque as cotas raciais são um erro miserável

Todo mundo viu que essa semana o STF decidiu que as cotas raciais são constitucionais. Aí vem aquela galera monstra aplaudindo a decisão, achando o máximo, falando que tá certo e os carambas. Mas meu, isso tá muito errado! MUITO ERRADO, gente!

O Brasil é um país que historicamente tem uma dívida eterna com negros e índios e isso é inegável. Porém, a lei das cotas não vai pagar isso e muito menos é algo que deveria fazer muitos por aí terem orgulho e sim matar essa gente de vergonha. Pow, será que ninguém percebe que essa é a forma mais clara de dizer que nós somos um pais racista e filho da puta? Será que ninguém vê que isso é só provar que somos incapazes de aceitar o nosso passado e estamos sempre tentando “tapar o sol com a peneira”?.

Aos defensores da decisão, me expliquem, por favor: quem é que foi que falou que a cor da pele de alguém pode dizer se ele é ou não é capaz de fazer algo na vida? Quem foi que falou que o negro pobre e o branco pobre são diferentes em suas necessidades e capacidades de ver a vida, o universo e tudo mais? Quem foi que disse que o índio não pode passar num vestibular usando apenas o que aprendeu na escola? Aliás, vamos além, quem foi que disse que não tem negro nem índio rico nesse país? Quem foi que disse que não tem branco pobre aqui? Dizer que a Lei de cotas é legal, que protege o negro e dá a ele condições de ter um futuro melhor é no mínimo medíocre. É só uma prova a mais de que temos muito mais gente racista por aqui do que seria possível prever e eu já falei isso antes.

Investir na educação pública de qualidade ninguém quer né? Fazer com que o ensino desde os tempos da tenra infância seja de qualidade em todas as escolas do país é difícil, tem que investir muito dinheiro, tem que capacitar muita gente e exige um bom tempo de esforço, muito mais do que um presidente pode fazer em quatro anos.  Perde-se o interesse, porque não vai garantir a reeleição de ninguém. Aí, claro, é muito mais fácil favorecer uns, deixar outros satisfeitos e o assunto está resolvido. Porque no fim das contas a Lei das Cotas é só um paliativo mesmo. A decisão definitiva não é fácil porque a galera não tem culhões pra isso.

A Rakky Recomenda – Rosie and Me

Rosie-and-MeTodo mundo sabe que eu amo folk né? Que Mallu Magalhães é uma das minhas estrelas favoritas num céu de acordes bonitos e que tudo o que tiver um banjo me faz bem, não é verdade?

Pois bem, graças à linda Jay, minha irmã que não tem meu sangue, fui na última terça feira ao show de lançamento do CD Arrow of My Ways da banda Rosie and Me. Confesso, quando recebi o convite, ouvi duas ou três canções, reconheci o banjo e o estilo um pouco folk um pouco country e fiquei ali. Só que aí eu vi a banda no palco.

Rosanne Machado nos vocais, violões e banjo, Ivan Camargo também no violão, Guilherme Miranda no baixo, Thomas Kossar na guitarra e Tiago Barbosa na bateria e percussão conseguem fazer a música fluir nas nossas veias. É uma coisa mágica bater os pés, balançar o esqueleto e se encantar a cada novo acorde com a voz meiguinha da vocalista e o ritmo sempre certeiro do banjo,  do baixo e da percussão, da bateriaaaaa, da emoção da guitarra compassando… Sei que fiquei encantada.

Se você quiser ler alguma coisa menos paga pau a respeito da banda, fique a vontade pra ver a resenha séria (e quase imparcial) que fiz para o site Tenho Mais Discos que Amigos (tá bonita, sério mesmo!). Se só ficou curioso e quer se encantar também, acesse o site da banda:www.rosieandmemusic.com

Jorge, Amado e Universal

Jorge Amado e UniversalA partir de hoje, 17/4 e até 30/6  o visitante do Museu da Língua Portuguesa poderá entrar em contato com a vida e a obra de um dos mais queridos e universais escritores brasileiros. Jorge Amado teve o dom de escrever sobre sua gente bahiana, seu cotidiano no interior do sertão e de encantar o mundo todo com suas mais diversas personagens, fosse o bebarrão Quincas Berro D´água, que até depois de morto foi tomar seu “mé” com os amigos, ou a D. Flor em seu impasse entre a fidelidade e a felicidade, ou ainda os meninos da praia imortalizados em Capitães da Areia.

Jorge Amado e UniversalA exposição não traz nada disso e mostra muito mais da vida e do dia a dia de Jorge Amado, que além de jornalista, foi romancista, dramaturgo e até político. Numa mistura de costumes e tradições bahianas com a história do autor, a mostra reúne um pouco da história não conhecida do autor, além de suas principais obras, curiosidades, cartas escritas para ele (de Monteiro Lobato à Yoko Ono), uma linha do tempo com as principais atividades do escritor e até peças de seu vestuário.

Jorge Amado e Universal

A preparação para transformar o primeiro piso do Museu da Língua Portuguesa com a cara de Jorge Amado não foi nada fácil. Foram usadas 8 mil fitas do Nosso Senhor do Bonfim personalizadas com nomes de personagens criados por Amado, 1.800 garrafas de 2 litros de azeite de dendê, 4 sacas de cacau, além de mais de 600 imagens, 80 documentos originais, 110 livros e 243 placas de cronologia.  A curadora da exposição, Ana Helena Curti, explicou o excesso da obra em entrevista ao Portal IG: ”Jorge Amado foi quem mais escreveu, mais foi traduzido, mais foi premiado. Se ele é superlativo, então a mostra também é. A maioria das pessoas já assistiu a alguma adaptação audiovisual da obra de Jorge Amado. O visitante trará essas impressões consigo, mas esperamos que ele possa somar novas informações e imagens a essas que já possui”, declarou.

A visita vale a pena não só para conhecer um pouco mais de Jorge: é pra conhecer um pouco mais da Bahia, é pra conhecer um pouco mais do Brasil que ela realmente vale.

Jorge Amado e Universal

Museu da Língua Portuguesa (Praça da Luz, s/nº) – tel: (11) 3326-0775
Data e horários: De 17/4 a 22/7 – 10h às 17h
Ingresso: R$ 6 (entrada gratuita aos sábados) 

12 de abril de 2012

Bolo da GrifinóriaYeah! Hoje eu faço 24 aninhos!

E o que mudou do aniversário passado para o novo? Não muita coisa…

Continuo trabalhando, fazendo meus textos por aí, estudando inglês, amando música e Skank como nunca e um pouco mais Beatlemaniaca do que antes… Agora tô escrevendo pra o Tenho Mais Discos Que Amigos, minha relação com o meu pai continua não existindo, os amigos de Caieiras estão mais distantes, os amigos de São Paulo mais perto, a vida na casa nova perfeita, o Gú a coisa mais linda da vida… sem novidades.

♥ Presentinho de 2006 ♥

♥ Presentinho de 2006 ♥

O que eu quero para esse ciclo que começa hoje? Mais emoção!

Talvez eu precise de um novo desafio. Talvez de mais tempo para os que já tenho na mão. Talvez de ambas as coisas. Ou coragem para fazer coisas diferentes, sair da “zona de conforto” e enfrentar o mundo. Não sei…

Só acho um pouco desagradável a sensação de ficar parada. Não que eu não esteja feliz, mas a gente sempre quer mais né?

De qualquer forma, meus 23 anos foram um período muito bom em que fiz muitas coisas importantes e que se esvai… que venham os 24 anos! =)

 

A música como forma de expressão

Você já parou para pensar em quantas vezes aquela música que toca no rádio já disse por você todas as palavras que você queria dizer? Ou quando uma simples frase consegue fazer todo o sentido ainda que você não acredite que o resto da letra tem nada a ver com o que você sente ou pensa? E como é que uma composição consegue ser tão singular a ponto de te completar ainda que o autor daqueles versos não saiba absolutamente nada a seu respeito?

Esse para mim é um poder exclusivo da música. Música é como folha onde se escreve uma vida no tom da melodia. Não dá para dizer que visualizar um quadro dá a mesma sensação de se ouvir uma música ou ler uma poesia tem sentido parecido. Não tem. Só a junção perfeita de uns acordes com outros numa letra certa é que promovem esse bem estar ou essa sensação de fluidez, de plenitude, de realização.

Música é um tipo de mágica. Pode curar dores, amores, sentimentos ruins e fazer passar uma febre, uma raiva, diluir um sofrimento, destruir uma dor. Música é um tipo de droga que te leva pra mil mundos, acompanhando uma melodia e de acordo com os acordes te leva pras direções mais singulares.

Música é um tipo de paixão. E eu sou completamente apaixonada…

Música Ruim, a análise – Parte I

Todo mundo gosta de falar mal de música que não gosta né? É, eu também gosto muito de fazer isso, mas procuro ter argumentos para tal. Gosto de ouvir atentamente tudo quanto é tipo de música, as que acho lindas e as que acho horríveis, porque gosto mesmo de tocar o barraco de ter argumentos quando falo que não gosto de alguma coisa. Para mim, o principal argumento que me faz gostar ou não de alguma música é o seu significado, o que quer dizer pra o mundo. E aí é que entra esse desafio que me impus hoje: analisar letras de músicas que não gosto, para pôr a galera pra refletir no que anda ouvindo por aí. E porque essa é a “Parte I”? Tem tanta música nesse mundo que eu detesto que acho que se eu não chegar no “Parte CCCCLXXXIV” vai ser uma vantagem…

Começando com um clássico que escutei esses dias, Peraê! da Banda Beijo:

Para de sorrir se não te agarro, se te pego assim sorrindo não te largo
Peraê, peraê, peraê, tá pensando o que, tá pensado o que (2x)

Já vi muita gente falando por aí que bahiano é vagabundo, mas que não pode dar um sorrisinho na rua que se não vem alguém e te agarra é pesado né gente? Tipo assim, tô atravessando a rua conversando com um amigo e ele me conta uma piada. Eu ri e pronto! Vem um louco tarado de lugar nenhum, pula na minha frente e me agarra. Punk né? Mas aí, continua…

No meu travesseiro de areia, vem a lua cheia e me incendeia

Então não é o Dragão de São Jorge que bota fogo pelas ventas gente, é a LUA que pega fogo e incendeia todo mundo. Entendi…

Outra canção impagável do nosso cancioneiro popular é Balada Boa, do Gusttavo Lima

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você
Tchê tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,

Eu não vou falar nada da repetição de onomatopeias, porque boa parte dos fãs dele não vão saber o que é isso mesmo. Agora pensando friamente no tema, o cara convida a mina pra ligar pra ele, logo não tem crédito. Já diz que seu objetivo é “curtir com ela na madrugada”, deliberadamente com segundas intenções. Aí, quando ele chega a dizer o que vai rolar de verdade, é um tchê, tcherere tchê, tchê? O que isso significa? Que ele é gaúcho e vai ficar apontando pras pessoas? E o que o nome do moço tem a ver com o tchê, tcherere tchê, tchê? Não entendo…

Para ninguém dizer que eu não vou até os últimos níveis de sanidade mental analisando letras, eu digo, vou sim. Por isso a próxima canção, dos caieirenses e franco-rochenses  do Cine, mereceu seu lugar de destaque aqui:

Sempre escuta as bandas que eu nunca ouvi
Sempre de vestido pra sair
E quando ela sai, não importa pra onde vai
Sempre com o cartão do pai, compra tudo e se distrai

Te vejo na minha (Te vejo na minha)
Vai ser só minha (Vai ser só minha)
Falo tão sério, é sério você vai
Vai ser só minha (Vai ser só minha)
Vem ser só minha
Vai ser você
Aposto um beijo que você me quer

A mina escuta as bandas que o cara nunca ouviu. Tá, ele pode não escutar muitas bandas, afinal é do Cine, ou ela pode ser um fenômeno hypster…tese confirmada pelo fato de só sair de vestido (se for de bolinha então, vix!). Mas aí é que tá o barato do negócio. Não importa pra onde a mina for, ela vai com o cartão do pai e se distrai. Que tipo de rima é essa? É a mesma coisa que rimar mão com anão, ou xixi com pipi, ou fugir com sair ou rua com rua como o Ira! em Envelheço na Cidade… falando nisso, o povo do Ira! fez umas coisas legais na vida com o clássico Vida Passageira:

Vou dar então um passeio
Pelas praias da Bahia
Onde a lua se parece
Com a bandeira da Turquia…

E aí você acha que não dá, que essa música não existe e tudo o mais porque seria meio absurdo alguém falar que vai dar um passeio nas praias da Bahia só pela semelhança da lua com a bandeira da Turquia… tá, eu sei q ele quis dizer que parece o formato, mas ainda assim é zuado né? E você acha que não conhece essa música? Alguns versos pra frente da beleza acima é possível cantar junto e chorar emocionado:

É quando seus amigos
Te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar…

Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas meu amigo!
Não dá prá segurar…

Agora você pensou “Como foi que eu não vi isso antes?”. Para finalizar, uma música que você nem lembrava que existia, mas que eu não preciso nem comentar né?

Naquela noite encantada
Pedi prá lua dos amantes
Que iluminasse essa hora
Prá esse amor eternizar…

Mas num passe de mágica
Você desapareceu
Um eclipse maldito
O encanto se perdeu
E o meu coração partido
Foi sofrendo e foi sofrendo
Tentando te encontrar
Na madrugada
Fria madrugada!…

A lua me traiu!
Acreditei que era prá valer
A lua me traiu!
Fiquei sozinha
E louca por você…(2x)

Um passe de mágica? Um eclipse maldito? A lua me traiu? A pessoa que escreveu isso sabe o que é um eclipse?

E aí, que música ruim você quer ver aqui na próxima? Comenta aê!!

Tenho Mais Discos Que Amigos =)

Calma gentem! Não tô querendo dizer que vocês lindos amiguinhos que frequentam esse blog não tenham importância pra mim, ou que meus CDs sejam mais significativos que amizades. É que agora eu sou a mais nova colaboradora do site Tenho Mais Discos Que Amigos, um portal de música super legal, com uma galera mó experta escrevendo profissionalmente sobre o mundo da música.

O site foi criado pelo Tony Aiex e tem o objetivo de compartilhar com o mundo como é legal ouvir e consumir música, além de saber o que bandas legais estão fazendo por aí e onde estão as inovações do ramo. Ou seja: é perfeito pra mim né? uhauahua

Encontrei esse achado da internet a pouco mais de seis meses e acompanho diariamente, porque tenho um tique nervoso com música sou extremamente vidrada no mundo musical. Aí, como tava lá sem fazer nada e pans, resolvi me convidar pra colaborar e pra minha surpresa o Tony gostou das besteiras que escrevo por aí e aceitou a colaboração, fazendo essa criança aqui ficar feliz pra caramba!

Enfim, CORRÃO lá agorinha pra conferir meus textos e os dos outros colaboradores, que são fodelões também. Adiciona também o site nos seus favoritos e segue nóis no Twitter e no Facebook pra saber das novidades, beleza?

Bob Dylan se apresenta novamente no Brasil

O grande astro do folk promete agitar a galera em 5 estados brasileiros no mês de abril. Então, se você perdeu a última passagem de Dylan pelo país em 2008 ou apenas quer garantir o seu lugar no show do mestre, é preciso correr e desembolsar uma boa grana.

A turnê, que passará por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e pelo Distrito Federal, tem ingressos vendidos desde 27/2, na pré-venda aos clientes Credicard, Citibank e Diners (para os shows do Rio e de São Paulo) e livre para os demais estados. No próximo dia 5/3, as vendas para fãs de São Paulo e do Rio serão abertas para o público.

Em São Paulo, os shows de 21 e 22/4 têm preços que variam de R$ 150 (na platéia superior do Credicard Hall, sem uma boa vista do palco) a R$ 900 (no camarote, chiquetoso!). Já no Rio, o show do dia 15/4 no Citibank Hall tem ingressos de R$ 500 (na cadeira lateral) a R$ 800 (cadeira VIP). Em BH, o primeiro lote tem preço único de R$ 180 para o show no Chevrolet Hall em 19/4.
Já em Porto Alegre (Pepsi on Stage) e em Brasília (Ginásio Nilson Nelson), os fãs menos abastados fazem a festa: o show de Poa tem ingressos vendidos a partir de R$ 140 na pista e de R$ 180 no mezanino e o show da capital do país tem ingressos a partir de R$ 120 (arquibancada) com preço máximo a R$ 250 (pista premium).
E aí, vai correr pra garantir seu ingresso?

Learning to Drive

Dá pra ver que eu só achei o uso das placas legal e que a imagem tá fora de contexto né?

Eu sempre quis saber dirigir. Acho que é um passo importante para a independência da pessoa de uma maneira geral. Mas pra mim não é só isso. Quero fazer todos os machistas do universo engolirem minha presença como motorista nota 10 em todos os tipos de manobra  conhecer as regras de trânsito e sobreviver bem a todos os testes.

Pois bem. Tirei férias do trampo para me matricular na autoescola. E eu não sabia que era toda essa burocracia, gentem? Tem que ir na autoescola, fazer a matrícula, pagar bonito (ou a vista ou a prazo, você escolhe), depois agenda a ida ao Detran para entregar a documentação e colher as digitais, depois agenda o exame médico e o psicotécnico, depois agenda o CFC (Curso de Formação de Condutores) que pode ou não ser na própria autoescola, faz as aulas todo dia inserindo sua digitalzinha como comprovante de presença, marca a prova teórica, se passar começa a fazer as aulas práticas, marca a aula prática, se passar recebe a certificação e volta no Detran para dar entrada na papelada da carta provisória, passa um ano se comportando direitinho porque qualquer multinha pode te obrigar a fazer tudo isso de novo… vix… cansa né?

Tô na fase do cursinho do CFC. Já passei por gente louca no Detran da Sé, já passei por confusão na autoescola, já passei por uma psicóloga que estava precisando de um psiquiatra, já passei por probleminha pra agendar o CFC e já passei por instrutor que diz que  “A diferença entre Rodovia e Estrada é q Rodovia liga uma cidade a outra e Estrada liga um município ao outro”  entre outras manolagens. Tô vendo que não vai ser tão fácil quanto eu pensava ter a minha autorização para dirigir, mas vou lutar até o fim porque eu tenho a força penso positivo.

Aguardem cenas dos próximos capítulos…

Resenha – Porno Política

Ninguém precisa falar da genialidade de Arnaldo Jabor, principalmente quando o cara fala de política. Em Porno Política ele dá mais mostras de sua elegância na escrita, de seu entendimento do tema e mais que tudo, da coragem de ser alguém que não tem papas na língua para falar de quem quer que seja, custe o que custar.

Jabor já foi comunista, já foi esquerdista, já foi de direita e acredito que hoje prefira mesmo não demonstrar nenhuma expressão partidária, justamente por estar enojado dessa sujeira toda. Em Porno Política, fala  envergonhado, estarrecido, puto da vida, inconformado, indignado e muito mesmo decepcionado com a nossa política, a nossa televisão e a nossa falta de vergonha na cara brasileira por ela só.

Em páginas que misturam experiências pessoais com crônicas extraídas de sua genialidade felina, ele fala de tudo e dita uma nova ordem, que não será seguida, porque brasileiro não tem mesmo vergonha na cara e é um povo que esquece fácil, é muito carente e acima de tudo, sempre tenta dar seu jeitinho.

Jabor é do tipo que eu quero ser quando crescer. Por sua critica viva, cheia de emoção e de verdades, por sua determinação e por sua personalidade marcante. Esse exemplar de sua crítica não é representativo, mas é uma leitura interessante para todos aqueles que assim como o autor não aguentam mais.

Porno Política
Autor: 
Arnaldo Jabor
Editora: Objetiva
Ano:
2006
Páginas: 
236
Nota:
9

Sobre o ódio aos fã-clubes de Twitter

Eu odeio fã-clube de Twitter! Com todas as forças do meu coração, com toda a minha alma, com todo o ódio que pode existir em mim, “pq qdo eu odío eu ódiiiiooo” (a la Tiririca antes de ser político). E não, não venham me dizer que eu sou uma diretora de um fã-clube de Twitter, porque falar isso dos Skankarados é uma ofensa pública inadimissível.

Se você não entendeu ainda, eu explico. Fã-clube de Twitter é um negócio formado por um só virgem mal amado que não tem porra nenhuma pra fazer da vida e vai lá dizer para o mundo que é fã pra caramba de determinado artista só porque ele acha que isso é algo legal pra dizer a respeito de sua própria vida. Fã-clube de Twitter é um perfil que vai te seguir e mandar uma mention dizendo ‘amor, segue de volta?’ ou para os mais atrevidos ‘me segue que eu te sigo também, ok?’ (é claro que ninguém vai escrever certinho como isso, mas vocês estão captando a mensagem né?

Fã-clube de Twitter enche o saco de todo mundo para que o seu artista favorito ganhe todos os prêmios do universo (do Grammy até “Melhor cantor pra se ouvir no banheiro de cuequinha cor de rosa”) porque “porran, ele é lindo, perfeito, maravilhoso, meu tudo e merece pra caramba!” Fã-clube de Twitter é uma coleção de gentinha sem moral que não sabe nem a razão de achar o artista que ama legal, que não entende porra nenhuma de música, que não sabe nada da vida e que faz coisas incrívelmente inteligentes, conforme mostra a imagem abaixo:

Porque  o amor ao seu ídolo é mais forte em você do que o seu amor próprio e não existe nenhuma doença terrível que possa ser transmitida ou se agravar caso a droga que ela usou pra fazer isso estivesse enferrujada…

Enfim, eu odeio fã-clube de Twitter porque esse tipo de fã-clube não representa nenhum tipo de fã que leva a sério ser fã de alguma coisa. O Skankarados é diferente porque nós tentamos reunir fãs pra eventos com ou sem Skank, esses últimos com música que inspira a banda, ou para encontros de lazer mesmo. Somos sérios porque tentamos antecipar as informações e temos contato com a produção da banda em alguns momentos. Somos sérios, porque não cortamos os pulsos por ninguém e entendemos a relação fã x ídolo como a máxima que desejamos (isso mesmo, nenhuma Skankarada dá em cima de qualquer um dos meninos porque nós respeitamos o trabalho profissional dos caras). Temos um blog que na medida do possível é atualizado, estimulamos a participação em promoções da banda, votamos sim nos prêmios aos quais eles concorrem mas não fazemos só isso da vida (trabalhamos, estudamos, temos vida social além Skank) e tentamos estar presentes em todos os shows, porque o trabalho deles é importante para nós, que entendemos sua música e sua representatividade no estilo musical que seguem.

Acho que essas e outras características devem ser inerentes a todo aquele que quiser dizer que faz parte de um fã-clube. Além de tudo isso, somos amigos, porque é fã-clube não se faz sozinho e seria muito egocentrismo dizer que isso é possível. Por isso, temos muito…

A Rakky Recomenda – The Corrs

Eu tenho uma facilidade gigantesca de gostar de bandas de nacionalidades “fora do normal do mainstream”, vamos dizer assim. Sabe aquelas bandas que um monte de gente ouve falar, mas que ninguém diz ao certo de onde vem? Ou aquela banda diferentinha que tem um monte de gente que gosta de uma ou duas músicas e acaba aí? Então. Nessa lista eu coloco os meus queridos portugueses do Clã, meus fofíssimos escoceses do Belle & Sebastian, as metaleiras mais lindas do mundo do Vanilla Ninja, meus adorados canadenses do Billy Talent e do Sum 41 e a banda a que dedido esse post, os irlandeses meigos do The Corrs.

Esses quatro irmãos (sim, eles são irmãos) da família Corrs se juntaram pra fazer música linda na década de 90, mas era só pra gravar um filme (The Commitments). Só que eles deram certo como banda. E muito!

Andrea nos vocais, Sharon na segunda voz e violino, Caroline nas percussões e piano e James na segunda voz e cordas fizeram músicas como “Runaway” e “Breathless” estourarem na Irlanda. Não demorou muito para fazerem sucesso nos EUA, Inglaterra e Suécia, se espalhando pelo mundo todo. Talento nato vindo do papai e da mamãe que eram músicos também e uma ajudinha da Celine Dion, cujos shows da turnê mundial de 1996 foram abertos pela banda. 

Com 4 álbuns de estúdio, 3 ao vivo, mais de 70 milhões de discos vendidos pelo mundo afora e uma coleção de singles incríveis, essa é uma banda que não dá pra deixar de recomendar! Por isso, seguem as minhas favoritas!

Runaway: 

Only When I Sleep: 

What can I Do: 

Breathless:

Memorial da Resistência: visita obrigatória

Lugares da Memória

Já vi muita gente por aí bancando o mártir por alguma nova causa do nosso mundo moderno. Não aquela galera que luta de verdade por uma causa o tempo todo, que eu acho super justo, mas aquela turminha escrota que se acha no direito de inventar que foi injustiçado, que gosta de se achar o rebelde, que gosta de causar. Sim, to falando de você estudante da USP que acha que pode fumar maconha em espaço público e não ser punido por isso, que inventa greves e manifestações por causas sujas e joga fora o dinheiro de milhões de pessoas que estão pagando o seu estudo numa das melhores universidades do país, que depreda o patrimônio público e se diz “da causa operária” mas passa reto pelo lixeiro que varre a sua sujeira. Também estou falando com todos aqueles aos quais esta carapuça serviu.

Celas do DEOPSSP

Recomendo a todos vocês, “mártires do século XXI”, que percam alguns minutos de sua vidinha ocupada para conhecer um pouco da história de alguns outros mártires, só que esses de verdade. Gente que lutou por uma causa de verdade, que lutou pra que você tenha o direito de falar todas as bostas que você quiser sem ser recriminado por isso, gente que deu seu sangue pela nossa democracia. O lugar pra fazer isso é o Memorial da Resistência, antiga sede do DEOPS/SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo),local onde a repressão no nosso período ditatorial aconteceu de fato (não, você não foi reprimido porque ninguém entendeu a sua manifestaçãozinha, repressão de verdade está ali!).

“A tortura começava ali, no barulhinho da grade”

Todos os trabalhos expostos foram desenvolvidos pelo Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo e é um lugar perfeito para conhecer um pouco do que o nosso país já foi. Na entrada, um pouco da história do DEOPS é exposta e em seguida vemos painéis que definem as expressões “Controle”, “Repressão” e “Resistência” no período. Há também um mapa chamado “Lugares da Memória no Brasil”, onde é possível ver locais importantes onde foram registradas ações de controle, repressão e resistência dos regimes Estado Novo (1937 a 1945) e Ditadura Militar (1964-1985).

Outro painel fala do cotidiano nas selas do DEOPS e os lugares mais impressionantes: as celas, adaptadas para a exposição. Cada uma das quatro celas expostas foi adaptada de forma a mostrar um pouco de como funcionava o dia a dia dos presos e contar sua história. A mais impressionante de todas é a terceira cela, onde foi reproduzida exatamente a aparência de uma cela da época, com pixações na parede, colchões de palha (podiam haver até 30 presos e na cela não caberiam mais que 15 colchões), uma imitação do ambiente chamado de banheiro (sem água para tomar banho inclusive e com um buraco que era chamado de privada).

Durma bem...

Na última cela do espaço, gravações de depoimentos de ex-presos põem a gente pra pensar. As histórias de tortura, de sofrimento e de luta ali registradas são histórias reais, de gente da gente, de brasileiros que deveriam ser lembrados com honra, que deram seu sangue pela nossa pátria. Um dos depoimentos mais marcantes é o de uma senhora, que na época em que foi presa no DEOPs viu chegar uma jovem ensanguentada em sua cela, após a tortura. Essa jovem não falava com ninguém e era levada diariamente, no mesmo horário, para tortura. Um dia, a jovem foi jogada na cela desmaiada e a outra achou que esta havia falecido, gritou, chorou pela companheira e fez um escândalo se gerar nas celas, o que fez com que os militares retirassem a jovem desmaiada, que não mais voltou. Mais de vinte anos depois, a senhora viu o nome da jovem que achava ter morrido em uma lista de e-mails e começou a se comunicar com ela. Descobrir que ela estava viva foi uma das coisas mais felizes que aconteceu a essa senhora.

Um último espaço, não menos importante, é o espaço fora das celas que mostra alguns arquivos do banco de dados do DEOPs, além de antigos móveis usados no local. Entre a documentação é possível ler um relatório datado de 23/3/1973 que narra um show de Chico Buarque com Nara Leão no Teatro da PUC onde o cantor teria agido de forma subversiva cantando a música proibida “Apesar de Você”.

É sem dúvida um lugar importante para visitar, tanto para os rebeldes sem causa quanto por aqueles que se interessam pela história do nosso país.

 

Memorial da Resistência
Endereço: Largo General Osório, 66. Estação Pinacoteca – Luz, São Paulo
Entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30.
E-mail: memorialdaresistencia@pinacoteca.org.br
Site:  http://www.memorialdaresistenciasp.org.br
Nota: 10

 

Resenha – O carteiro e o poeta

Eu sempre ouvi falarem bem desse livro, mas nunca tinha entendido muito o porquê. Aí peguei pra ler. O livro conta a história do jovem Mario, morador de uma vila interiorana do Chile que se faz carteiro pressionado pelo pai a arrumar um emprego. Logo, Mario descobre que teria de atender apenas um cliente, e este era nada mais nada menos que o poeta Pablo Neruda. Pobre, com pouca cultura e muita curiosidade, Mario começa a se aventurar nas histórias do poeta com base num velho livro que seu pai tinha em casa na esperança de fazer com que algum dia, de alguma forma, o famoso o autografasse.

A história começa a ficar interessante quando Mario e Pablo se tornam amigos, inexplicavelmente, e o poeta começa a ajudar o carteiro a lidar com sua paixão desenfreada por Beatriz, uma menina que trabalhava com a mãe numa espécie de bar da região. A história dos dois se mescla de uma forma confusa e original e o amor e consideração de um pelo outro dura até o dia da morte do poeta.

É um livro curto e direto, que fala da importância da amizade. E merece muito ser lido.

O carteiro e o poeta
Autor:
Antônio Skármeta
Editora:  Record
Ano:
1985
Páginas:
127
Nota:
8,5

 

Samba, Sambá, Sambô!

 

Dia desses o João de Deus comentou que eu precisava ouvir uma tal banda “Sambô” que faz um trabalho muito legal com samba, pop e rock. Achei estranho, mas fazer o quê né? Sou curiosaaaaaa… achei os caras. Eis uma demonstração do trabalho deles:

O quão estranho para você parece ouvir um clássico do rock tocado em forma de samba? Muito estranho? Para mim também foi. Mas ao mesmo tempo foi ótimo descobrir como músicos de qualidade fazem qualquer coisa. Uma outra demonstração das transformações musicais que são possíveis com talento:

Aqui tem gente que diz que não tem nada a ver rir de “Sunday, Blood Sunday”, mas eu discordo. A música pegou uma nova levada com o ritmo que Daniel (o vocalista com essa voz incrível) e sua turma deram. Claro, a letra continua sendo dramática, mas o ritmo não nega, ficou dançante.

Esse som, assim como vários outros, é um clássico do rock, marcante por guitarras fortes, levadas de baixo e bateria. Os caras do Sambô conseguiram fazer com que um ritmo tão marcante quanto o rock´n´roll ganhasse novas roupagens e se fizesse diferente, sem preconceitos, com qualidade e profissionalismo. Eu adorei.

Pra fechar, uma das minhas favoritas:

Para saber mais: http://www.sambo.com.br

Dicas de etiqueta nos trens e metrôs da vida

Nos últimos dias, logo após a inauguração das estações Luz e República da Linha 4 – Amarela, voltei a frequentar estações de trem e de metrô pelas facilidades que estas me proporcionam em diversos percursos. Nessas pequenas viagens, tenho recordado a experiência de caieirense saindo do fim do mundo para a civilização e comecei a reparar que muitas pessoas são extremamente “sem loção” nesses tipos de transporte. Por isso, me encorajei a redigir essas 10 dicas que, por mais absurdo que pareça, podem ajudar você a ter uma vida mais feliz e tranquila (ou ao menos um pouco menos estressante). Go?

  1.  Ouça a voz suave da CPTM / do Metrô: gente, faz sentido. Quando aquela mulher robotizada diz o nome da estação ou a famosa frase “Se você não for desembarcar nesta estação, se possível, não permaneça na região das portas” ela TEM RAZÃO. Sério, ela tá lá pra o bem de todos e felicidade geral da nação!
  2. Escolha os vagões mais vazios: “ah, tá boua! Não dá!” é o que vocês vão pensar. Mas dá sim. Basta pensar a estação em que você vai descer e escolher o vagão que não fica tão perto assim da saída desta. Explico:  a Est. República tem 3 saídas no sentido Luz – duas para quem vai fazer baldeação com a Linha Vermelha e uma para quem vai descer por lá mesmo. O detalhe é que as três saídas ficam bem próximas umas das outras, na posição “central” da plataforma. Assim, se você for descer na República, o melhor é embarcar nos vagões das pontas do trem (primeiro e último). Assim, você tem mais possibilidade de encontrar um lugar para sentar e mais chance de não ser atropelado ao tentar sair do trem. Essa estratégia se aplica a todas as linhas, tá? Eu conheço quase todas! uhahuauha
  3. Deixe as pessoas saírem: por que é tão difícil entender isso? Quando você estiver num trem lotado, na frente da porta e souber que na próxima estação um milhão de pessoas vão descer (Ex.: qualquer sentido da Linha 9 – Esmeralda se a próxima estação for Pinheiros), desça do trem e espere as pessoas saírem para aí sim embarcar de novo. É muito desagradável tentar sair e ter um monte de gente na porta, te impedindo de fazer isso só porque quer garantir seu lugar no trem. É muito mais fácil ir para longe da porta, não é mesmo?
  4. Deixe as pessoas entrarem: todo mundo já viu aqueles bloqueios de aço de algumas estações, para organizar as pessoas numa quase fila perto da porta do trem, certo? (tipo Barra Funda, Consolação e Sé). Cara, se você quer ir sentado no próximo trem e está no horário de pico, por favor, dê espaço para aqueles que não fazem questão de ir acomodados no conforto de uma cadeira embarcarem. As estações ficam lotadas não só pela falta de trens, ou pelo horário de pico, ou pela quantidade de pessoas nas plataformas minúsculas. Muitas vezes, a lotação também se deve à quantidade de pessoas que ficam amontoadas na porta e às que ficam atrás destas, sem saber que há muito espaço no trem parado bem na sua frente;
  5. Respeite o ritmo do outro: se tem duas coisas que me irritam profundamente são perceber alguém atrás de mim querendo passar na minha frente e tentar ultrapassar uma pessoa que não se toca que eu estou com pressa. É por isso que, por padrão, se você está sem pressa é preferível que você fique do lado direito (da estação, da escada rolante, da escada comum, na estrada / trânsito…). Por mais estúpido que seja, quantas vezes você já não ficou empacado em algum lugar porque dois animais pararam pra conversar, um do lado do outro, na escada rolante? E quantas vezes você já não fez isso sem perceber?

Tá bom que todas as dicas são quase uma repetição da primeira, mas poxa, a minazinha tem razão meu!

Como a miséria nos vê?

Dia desses estava lendo um texto do Jabor em que ele lançava essa pergunta no ar. Fiquei pensando por um tempo, mas vi uma cena que me deu algumas certezas.

Vi três meninos num ponto de ônibus na região da Barra Funda. O mais velho deles devia ter seus doze anos. Os três estavam fumando cigarro e esperando um ônibus qualquer para pegar “carona” e ir pra qualquer lugar. Brincavam de decidir qual dos três ia primeiro. Dois ônibus passaram e dois garotos entraram num enquanto o terceiro foi para o outro. Apagaram os cigarros na porta do “busão” e enfiaram o toco restante no bolso. Mas os dois garotos decidiram não ir naquele e desceram enquanto o terceiro ia embora no carro da frente. Um deles, procurava no chão a brasa para voltar a acender o cigarrinho. 

Eu vi aquilo com choque e indignação. Como pode uma mãe deixar um filho tão à deriva? Como pode um pai não se importar? Como pode uma criança como aquela existir? Depois desses pensamentos, lembrei do Jabor e da sua pergunta. E pensei que minhas referências para família, responsabilidade de pais e mães e criação de filhos é bem diferente da realidade daquelas três crianças, e de suas mães. Pensei que talvez a mãe deles tenha nascido sem esperança, embaixo da ponte, comendo quando tinha o que comer. Que essa menina pode não ter conhecido seu pai porque ele foi só alguém com quem a mãe dividiu um cobertor num dia gelado embaixo do Minhocão e deu o azar de engravidar. Que talvez ela tenha sido criada por ninguém, abandonada para pedir esmola na rua. Que talvez já tenha comido do lixo. Que teve um ou mais filhos na mesma condição miserável que sua mãe, na rua, sozinha, suja, sem futuro. E que aquele mundo talvez seja o mais normal para aquelas três crianças com seus cigarros na mão, se divertindo em procurar a brasa recém caída do cigarro enquanto esperam algum motorista ter um pouco de piedade e parar o próximo ônibus, sem medo de ser assaltado por aqueles pequenos que, podem ainda não ser, mas provavelmente serão marginais.

Cheguei a conclusão que nós vemos a miséria com a mira errada. Julgamos o homem de rua como um vagabundo que prefere pedir esmolas a trabalhar. Julgamos a mãe das crianças, dizemos que é irresponsável. Julgamos o preso que acabou de cumprir sua pena como um bandido que não merece perdão, porque matou dois cidadãos de bem durante um assalto. Mas o que é que se pode esperar para o futuro daqueles três meninos do ponto de ônibus que seja diferente dessa realidade?

Eles nasceram nesse “estado social” e muito dificilmente vão sair dele. Aqueles meninos não olhavam pra mim, mas talvez me vissem como alguém que ganha dinheiro de um jeito que eles nunca vão conseguir, porque ninguém vai lhes dar uma oportunidade. Talvez o ladrão que “bateu” sua carteira ou seu celular no último carnaval também te veja assim. Afinal “você tem um emprego, vai trabalhar mais uns dias e recuperar aquela grana”. Ele não. Ele vai ter que continuar roubando para comer, roubando para vestir, roubando para sustentar o seu vício em drogas ou em bebidas, que talvez sejam suas únicas saídas para essa realidade brutal que lhe bate à porta todo dia. Até que um dia a polícia vai pegá-lo, prendê-lo, ele vai apanhar muito na cadeia e talvez saia vivo de lá, talvez não. Que perspectiva de futuro têm aqueles meninos? Como cobrar deles uma consciência diferente, se ninguém lhes dá uma chance?

Também não estou dizendo que devemos ter a piedade como nossa mira e perdoar o bandido que matou seu irmão mais novo numa saidinha de banco. Só que o nosso jeito de ver o mundo não pode ser comparado com o jeito deles de ver o mundo… afinal não dá pra cobrar consciência de alguém que não teve quem lhe desse qualquer exemplo do que é isso.

Resenha – Hamlet

Estou revendo meu e-mail antigo para excluí-lo definitivamente e tenho achado muitos trabalhos antigos. Um deles é essa resenha, que resolvi publicar aqui só porque ainda não tinha feito isso… 

Hamlet é o jovem príncipe da Dinamarca, revolto com a atual situação em seu lar: seu pai mal completara um mês de falecimento e sua mãe já havia celebrado uma nova união, com seu tio, irmão de seu pai. “Os assados do velório puderam ser servidos como frios na mesa nupcial” registra, revoltado. Mas muito mais que esta união repentina atormentava, e atormentaria o jovem príncipe.

A intrigante aparição do velho rei morto em forma de fantasma aos guardiões do castelo leva Hamlet a querer saber o que atormentava a alma do rei a ponto de aparecer como fantasma. O rei apareceu a seu filho tal como na guarda, e lhe revelou sua “causa-mortis”, um envenenamento causado por seu irmão, Claudius. Aquilo seria o suficiente para dar vida a um dos maiores clássicos do inglês Shakespeare.

O jovem arquiteta um plano para revelar a todo o reino a infâmia da morte de seu pai. A trama tem seu ápice quando o jovem trama uma peça de teatro com enredo parecido com o do fim de vida de seu pai, para verificar a culpa do novo rei da Dinamarca, revelado pelo mal estar de
Claudius ao rever a cena, que lhe era tão familiar. A vingança que o rei Hamlet confiou a
seu filho era por ele tão visada, que foi razão até da renuncia ao amor de Ofélia, sua
amada. Hamlet também passa a ser visto como louco. O enredo se encerra após a vingança
de Hamlet ter acontecido, mas vindo junto a sua morte a de toda a família real.

Hamlet é autor de algumas das principais citações Shakesperianas. “Há mais coisas
entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia” e “Ser ou não ser, eis a questão entre
outras. As dificuldades que se pode haver ao ler teatro são afastadas pelo prazer da grande
obra de Shakespeare, conduzida com a força e a vitalidade do autor. Uma leitura saborosa e
única.

Nota: 10