Dos compartilhamentos

A vida em 2013 é muito mais social que antigamente.

Tudo está no Facebook. No Twitter. No Instagram. O Linkedin também divide com o mundo sua história. E aqui outra ferramenta para isso: um blog.

Todo o mundo tão conectado, tão próximo, tão sabedor das angústias e aflições da cabeça de cada um. Amigos no “feice” que nunca se viram “face a face” sabem segredos que seus mais próximos não conhecem. Ou não.

Porque no fim de tudo os melhores momentos da vida não estão no Instagram. Nem no Twitter. Nem em qualquer outra rede social.

Os melhores momentos da vida são flashes que só nosso íntimo captura. E não há câmera que consiga lidar com essa resolução.

É o olhar do melhor amigo que não se vê há tempos. É a lágrima que molha o rosto quando toca aquela música que te faz lembrar alguém que já se foi. É aquele minuto em que você para tudo o que está fazendo para refletir. É o olhar agradecido do mendigo que recebe um pão. É o sorriso de uma criança na fila do ônibus. É aquela história que você descobriu num livro empoeirado na prateleira.

O melhor da vida só é registrado por uma câmera, equipada com dupla objetiva e a melhor resolução do mercado: seus olhos.

Não deixar de viver cada dia com o melhor é uma arte a ser seguida.

Somos Tão Jovens – por um Renato Russo que a gente tenha vontade de lembrar…

Somos Tão JovensEm primeiro lugar, se você quer ler uma resenha menos apaixonada, clique aqui.

Agora que você já sabe que essa resenha vai ter amor, vou começá-la com raiva. Porque “Somos Tão Jovens”, filme que conta a história de Renato Russo antes da fama, me deu raiva. Sai do cinema com uma sensação de vazio muito grande, que foi além de todas as minhas expectativas positivas. Não é um filme arruinado, ruim de tudo, não é “Tempo Perdido”, como a piadinha do Sensacionalista sugeriu. Mas tem trechos que simplesmente incomodam. Muito.

Boa parte dos primeiros 30 minutos de filme foram feitos para as pessoas que conhecem muito bem a história do Renato e não para aqueles fãs de primeira viagem que provavelmente vão lotar os cinemas. Beleza, o cara tá lá andando de bike, leva um tombinho e já tem que por um pino na perna? O médico menciona a doença assim, do nada, sem que os pais demonstrem nenhuma grande preocupação? Renato fica tempos e tempos na cama tocando violão porque é um adolescente estranho ou porque não consegue se levantar? Em cinco minutos ele aparece tentando muletas, tropeçando, andando torto e depois correndo, andando normalmente… ô galera, cadê o contexto?

Eu li “O Filho da Revolução” e acho que a minha expectativa estava alta por saber que a produção teve como base o livro. Por mais que não me lembrasse de alguns momentos, como a influência que o meu amado Clube da Esquina exerceu nos meninos de Brasília (essa com mais contexto, vista tanto no próprio Renato quanto em sua turma tocando numa rodinha de violão  a incrível “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e outras do Durango Kid Milton, do moleque travesso Lô e CIA LTDA.). Mas há alguns momentos em que Renato parece apenas um menino mimado que por sorte se interessou por música e começou a sonhar uma banda.

Por favor, não venham me dizer que o Renato Russo ficava citando frases do que viriam a ser suas músicas em conversas informais com os amigos, em discursos inflamados nos bares e em devaneios porque ele não era esse tipo de boçal tá difícil de acreditar. Em determinadas partes do longa tem-se a ligeira impressão de que Renato era um adolescente babaca que todo mundo odiava e que se achava a última Coca-Cola do deserto. É essa a imagem que a gente tem do Sr. Manfredini? Acho que não.

O filme também tem suas razões de ser e são esses momentos que valem a ida ao cinema: a atuação de Thiago Mendonça fica incrível quando ele começa a cantar e mais ainda quando o trovador solitário aparece. A relação com Ana, grande amiga de Renato dos tempos da adolescência não poderia ter sido representada com maior perfeição, o tipo de relacionamento adolescente que a gente vê todo dia por ai e que não reconhece. Alguns clássicos da Legião orquestrados e que davam movimento ao filme tocam nos momentos certos e as versões ficaram simplesmente perfeitas, do tipo que dariam uma trilha sonora de filme que venderia milhões.

Outras partes que merecem a citação ficam a cargo da fotografia e o jogo de luzes de algumas cenas de palco, que fazem Thiago realmente se parecer ainda mais com Renato, e em alguns momentos é realmente possível acreditar que é o Manfredini que está sendo gravado e não o ator. Um desses momentos é a cena em que Renato toca “Eduardo e Mônica” em uma apresentação do “Trovador Solitário”, em que anuncia que o “punk morreu” e que boa educação faz a diferença quando o público nada receptivo joga papeizinhos e moedas no cantor e há poucos aplausos ao final do som. Os shows, em que a fúria do adolescente Renato é vista em sua voz, em seu jeito visceral de declarar suas verdades em músicas. A bissexualidade assumida para a mãe no momento mais improvável e a reação da dona mãe (ainda que aqui apareça novamente uma idiota menção à “Meninos e Meninas” que a gente pode ter quase certeza absoluta que não aconteceu). A reconciliação com Ana e “Ainda É Cedo”. E é claro, a atuação de Nicolau Villa-Lobos, na pele do próprio pai, quando a Legião Urbana buscava um homem para a guitarra. Além de a semelhança entre os dois ser tão explicável quanto genética, o carinha tem talento. E o guitarra que ia ficar uma semana na banda porque tinha uma viagem para a França ajudou a história musical do nosso país a ganhar um marco inigualável.

O filme tem seus altos e baixos, mas é uma homenagem e como tal, tem falhas e pontos memoráveis. Fãs de carteirinha podem amar e odiar a representação de Renato das telonas, novos fãs podem ter impressões positivas e negativas. Vale a pena ver mas, se um conselho puder ser dado, é este: leia sobre Renato. Ouça suas músicas, desde o primeiro álbum até suas aventuras solo, quando a AIDS já definhava sua voz e corrompia sua mente. Renato Manfredini Jr. tem muito mais a oferecer ao mundo do que os poucos e não tão bem aproveitados minutos deste filme.

Oh, Minas Gerais!

BHBom, como eu já disse por aqui, Abril foi um mês lindo. E uma das coisas que o fez mais lindo foi uma viagem que fiz para Minas Gerais.

Ok querido um leitor, você me conhece um pouco. Sabe que quando se trata de Minas Gerais eu sou uma completa apaixonada, certo? É a música (que vai quilômetros além de Skank), é a história, é a cultura. É o jeitinho lindo do povo de ser incrivelmente receptivo e companheiro, é a história por baixo daquela terra, é o cheiro do campo e das folhas que você sente até na Afonso Pena, em BH, a Av. Paulista deles. São as deliciosas comidas, o tradicional queijo, o pão de queijo, o doce de leite. E aí eu decidi conhecer melhor esse pedaço de chão que tanto me inspira e que tanto me faz bem. E não foi surpresa voltar de lá querendo ser mais e mais mineira.

Belo Horizonte foi meu destino inicial. E que cidade linda! Ela tem todas as qualidades e os defeitos da São Paulo da loucura, mas tem uma beleza não explicável. Sua Praça da Liberdade é tão simples e tão bela que não dá para descrever: tem que ir ver. O centro, as pequenas pracinhas e igrejas ao redor de escolas, a mistura do clássico com o moderno de Niemeyer, o Museu de Artes e Ofícios. Os encantos do Mercado Central e os lugarzinhos escondidos na infinita Rua da Bahia, que cruza a do Espírito Santo, a do Rio de Janeiro. O borbulhante comércio local e a barulheira do trânsito infernal estão lá. Mas a tranquilidade de uma vista para toda a cidade, o ar puro e a beleza também.

Fui recebida com um stand-up. Fui à Esquina do Clube, ao Bolão, ao Museu de Artes e Ofícios e a diversos pontos turísticos. Recomendo demais a visita ao Museu das Minas Gerais, que conta a história do Estado de um jeito que eu nunca tinha visto. Dá para passar um dia inteiro por lá e ainda assim não ver tudo (eu tentei!). É claro que fui ao Estúdio Máquina e, obrigada de novo Equipe Skank, por sempre me receber e me tratar tão bem, mesmo sabendo o quão pé no saco eu posso ser! Enfim, me despedi de BH com uma taxista achando que ia levar um “rack” no porta-malas e concluí que só lá eu passaria dias tão lindos.

Mas a viagem ainda não tinha acabado.

Ouro PretoDepois de BH o plano era conhecer parte das cidades histórias. Ir a Ouro Preto, Mariana, passar por Congonhas e Tiradentes no mínimo e se desse, ir à Diamantina. Tudo isso ficou para outra viagem no momento em que pus os pés em Ouro Preto. Eu já sabia que seria amor à primeira vista desde o planejamento do roteiro. Mas não dava para prever a emoção de pisar ali.

A cidade é inteira um museu. Todas as belezas de suas ladeiras, morros, casinhas e igrejas pode ser contemplada de qualquer lugar em que você esteja. É como se você estivesse pisando num gigante cenário de um filme de época, vivendo 1800, 1700 de novo. A beleza e o cuidado das construções restauradas, as casinhas com formato antigo, o “museu vivo”, que em pequenas plaquinhas explica a história da cidade para os turistas desprevenidos. A igreja do Carmo, a de São Francisco, a do Pilar, todas elas (visitei quase todas). Não dava para “só dormir” por ali. Eu precisava conhecer o comércio, os habitantes, as igrejas, os museus, os pontos turísticos e a vida da cidade, as pessoas, as árvores que escondem da paisagem a Universidade Federal de Ouro Preto (que tem arquitetura moderna e que “não combina” com a histórica fachada. Fiz apenas o passeio de Maria Fumaça até Mariana e, antes mesmo de o trem chegar para voltarmos já estava com saudade de Ouro Preto. Assim como estou até agora.

Terei mil outras viagens à Minas para fazer e tenho certeza que as cidades históricas estarão lá, lindas, me esperando. Mas Ouro Preto, ah e o café do Puro Cacau, a cerveja de menta, o Barroco, as ladeiras, a São Francisco, a feirinha de artesanato, a Praça Tiradentes… ah, vocês sempre me receberão quando eu voltar à Minas. Porque eu nunca vou cansar de ver toda a beleza que há ali.

Quem te conhece não esquece jamais. A música não está errada mesmo.

As flores de Abril

flores A1

Abril é geralmente um mês lindo.

Sim, é o mês em que faço aniversário, por isso é bonito de qualquer forma, porque eu adoro celebrar aniversários. Mas desde abril de 2010 isso tem sido um pouco diferente porque, por mais que eu tente celebrar e fazer as coisas ficarem bonitas, sempre havia uma razão, mas forte que todas as outras, para que houvesse um quê de dor intransponível por aqui.

Mas neste mês eu decidi que tudo seria diferente.

Eu me programei para que cada dia de abril de 2013 tivesse uma coisa boa pra lembrar, uma celebração. Eu decidi que eu não ia ver as coisas ruins que acontecessem, só o que tivesse o bem, só o que fosse bom. Decidi que faria tudo dar certo.

E fiz.

Fiz milhares de coisas que eu tinha muita vontade de fazer e um pouco de receio, fiz uma viagem incrível, tirei férias, busquei fazer só o que eu gosto, busquei pensar que tudo o que pudesse me deixar triste não existiria, e que só coisas positivas poderiam acontecer. E eu percebi que foi exatamente assim.

Sem autoajudismos, mas quando a gente quer, a gente faz acontecer. E foi exatamente o que eu fiz. Escolhi abril para ser um mês perfeito e todos os dias dele só tiveram flores, coisas belas, canções e sorrisos.

E foi aí que eu me dei conta da melhor parte: o bom e o ruim é aquilo que você quer, que você carrega consigo. Não é um mês de pensamentos positivos, não é um dia de coisas belas, não é um acontecimento feliz: é você.

Tudo o que você deseja vai acontecer, se for do fundo do coração e se for bom.

E pra mim não vai ser só abril: vai ser a vida inteira.

Desafio: olá “um leitor”, encontre todas as referências musicais presentes neste post e ganhe uma colher de doce de leite!

Steve Jobs: um gênio (in)compreendido

Steve-JobsA biografia autorizada de Steve Jobs, escrita pelo jornalista Walter Isaacson, traz revelações agradáveis e desagradáveis a respeito do criador da Apple, uma das maiores empresas de tecnologia de nossos tempos. O autor, que foi convidado pelo próprio Jobs para escrever o livro, revela durante a redação pedaços da vida e obra de Steve que são alvo de críticas, mas que também remetem a uma personalidade única – mas nem por isso fácil – de se encontrar.

Jobs nunca foi um garoto conformado. Também nunca foi um exemplo a ser seguido. Mas foi muito amado. A rejeição por parte dos pais biológicos e a adoção por parte de Paul e Clara Jobs foram determinantes para sua personalidade: ele sempre precisava provar para si mesmo que era querido e que podia fazer o que quisesse, sem limites, por ter essa recusa em memória. E muitas vezes ele conseguia.

O jovem Steve fazia dietas preocupantes, se interessava por tecnologia e queria mudar o mundo, por meio de sua concentração em ritos espirituais e por meio de uma “caixa azul”, que faria tudo ser diferente. Foi por meio da tal caixa que um Steve conheceu o outro e a parceria Jobs x Wozniak mudaria de vez todo o ramo da tecnologia.

A visão empreendedora de Jobs e a genialidade eletrônica de Woz fizeram os dois garotos se tornarem donos da Apple Computers em 1976. Foi esse compartilhamento de ideais que fez com que a empresa criasse os primeiros computadores realmente pessoais do mundo e se destacasse pela beleza e facilidade na utilização de seus produtos. Mas também nesta época mostrou-se cada vez mais vivo o chamado “Campo de Distorção da Realidade”, termo utilizado em 1981 por um dos funcionários da Apple, para definir o carisma de Jobs, seu poder de convencimento e o impacto que causava nas pessoas, simplesmente fazendo-as acreditar em suas verdades e determinações. Esta mostrou-se uma ferramenta de trabalho indispensável para ele e também algo muito  perigoso, tanto para si como para os outros.

Se Steve queria uma coisa, ela funcionaria e ponto. Não havia cronograma que não pudesse ser cumprido, peça que não pudesse ser entregue e prazo que não fosse atendido. Isso o fazia criar realidades paralelas para fazer os negócios funcionarem e era particularmente perigoso quando se tratava de um lançamento de produto: por mais ajustes que pedisse e por mais tempo que estes demandassem, a entrega deveria ser feita na data agendada, pois ela seria “a próxima revolução industrial” ou “o próximo equipamento a mudar o mundo”.

O poder de convencimento dele era tão grande que por vezes equipes inteiras se deixavam entrar em seu “campo de distorção” e ficavam semanas trabalhando sem descanso, de casa, durante a madrugada, aos fins de semana, para cumprir o prazo. Isso fez com que a Apple lançasse grandes produtos, mas ao mesmo tempo garantiu muitos problemas de saúde aos funcionários.

Quando este seu “jeito de fazer as coisas” começou a trazer mais problemas que soluções à Apple, ele foi expulso da empresa, em 1985. Após esse período, trabalhou na criação da NeXT, uma empresa de hardware e sofware para criação de computadores para universidades e se dedicou a um outro trabalho pelo qual se apaixonou perdidamente: ser dono da Pixar Studios, empresa responsável pela criação de grandes sucessos do cinema mundial como “Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Up Altas Aventuras”, “Carros”, entre outros clássicos. Jobs comprou a Pixar da Lucasfilms em 1986 pela quantia de U$S 10 milhões e, 10 anos depois, a transformou na mais lucrativa empresa a abrir capital na bolsa de Nova York, uma semana após o lançamento de “Toy Story”. Não dá para dizer que, ele não tinha tino para os negócios.

Só em 1997 que a Apple percebeu a falta que um de seus criadores e principal incentivadores fazia. Em meio a lançamentos de produtos catastróficos, diversos fracassos comerciais e uma quase falência, a empresa convidou Jobs para voltar ao time, como conselheiro. Este aceitou o cargo contanto que não fosse pago por isso. Assim se iniciou o processo de reconstrução da marca e do conteúdo da Apple, que deixou de ser “Computers” para ser uma das maiores empresas de tecnologia de nossos tempos.

Inicialmente Jobs procurou mostrar aos clientes Apple que eles poderiam voltar a acreditar na empresa e lançou a campanha “Think Different”, em 1998, que mostrava por meio de ícones da cultura, música, ciência, esportes e diversas outras áreas, como quem havia “pensado diferente” podia mudar o mundo. A campanha reposicionou a Apple como uma empresa que “inovava”, lançando equipamentos diferentes. O lançamento do primeiro iMac, também em 1998, veio corroborar com essa visão inovadora: ele foi o primeiro computador com monitor e CPU integrados, o primeiro computador “colorido” frente aos tradicionais “beges” da época e uma máquina que trazia um espírito mais jovial, mais “amigável” para aquele “intruso” que estava cada vez mais presente na vida das pessoas.

O lançamento do iPod, em 2001, foi outra de suas grandes façanhas. Jobs percebeu que o mercado de Mp3 ainda ia crescer muito e posicionou a Apple no centro dessa “avalanche”, ajudando a criar não só o mais bonito e potente tocador de música da época, mas todo um mercado de compra legal de músicas que permeia até os dias de hoje, com o lançamento da iTunes Store. A próxima grande revolução mercadológica que a Apple causaria já estava sendo projetada nesta época, mas só foi lançada em 2007.

O ano do iPhone foi aquele que mostrou ao mundo o resultado do que é uma equipe de executivos de uma empresa que trabalha a engenharia e o design juntos, e que está insatisfeita com seus telefones celulares. A criação do iPhone começou em conversas paralelas sobre o que fazer com uma tecnologia que permitia criar uma tela multitouch e como fazer para gostar mais dos aparelhos celulares que havia no mercado na época. Steve não gostava de seu celular e percebeu que ninguém da Apple estava realmente satisfeito com o produto que adquirira. Então, eles resolveram criar seu próprio aparelho, que foi uma revolução no mundo das telecomunicações.

Mas a tela multitouch era para ser usada mesmo no lançamento que viria depois. O mundo já tinha visto muitos e muitos tablets, mas ainda não havia nenhum que fizesse alguém pensar em não ter um computador para fazer tudo ou em ter a necessidade de ter um tablet para algumas atividades em específico. Os notebooks e netbooks dominavam o mercado de micro-computadores, mas em 2010 o iPad veio se juntar ao “time” de equipamentos inovadores da Apple e se tornar outro sucesso infalível.

A cooperação e criação de tantos e tantos sucessos não deixou Steve imune. Em outubro de 2003, dois anos após o lançamento do iPod e quando a Pixar lotava os cinemas de todo o mundo com a animação “Procurando Nemo”, Steve foi diagnosticado com câncer de pâncreas. Em mais uma demonstração de seu “campo de distorção da realidade”, ele se convenceu de que poderia curar a doença apenas com suas dietas e caminhadas. Passou seis meses insistindo que seu tratamento natural era o suficiente antes de fazer um novo exame e diagnosticar que o câncer havia evoluído. Só aí aceitou fazer o tratamento com profissionais.

Essa teimosia, além de poder ter sido uma das causas da morte, ainda o levou a ter muitos problemas familiares. Casado desde 1991 com Laurene Powell, Jobs não foi o melhor pai do mundo para seus três filhos Reed, Erin e Eve, muito menos para Lisa-Bressan, sua filha de um relacionamento anterior. Entretanto, Jobs mantinha uma relação muito afetuosa com seus pais adotivos e, após conhecer a mãe biológica e a irmã, passou a ter com elas uma relação amistosa. Outro grande problema familiar foi sua recusa insistente em relação ao pai biológico, mesmo quando o câncer avançava a passos largos e ele sabia que tinha pouco tempo de vida. A doença realmente o pegou em cheio e em 5 de outubro de 2011 o levou, deixando milhares de fãs e diversos amigos com saudades irrecuperáveis.

Apesar de não ser um exemplo de ser humano em muitos sentidos, Steve Paul Jobs deixou uma marca no universo, justamente por não se ajustar a um “padrão social”: ele queria ser o jovem da contracultura, o representante da liberdade e da inovação, o teimoso. É essa imagem, de que “tudo é possível quando o que você quer pode realmente mudar o mundo que ele carrega e que o faz presente em todos os bate papos sobre tecnologia que acontecem por aí. É essa a imagem que ainda vai brincar com a lembrança de filhos e netos de uma geração que aprendeu a “precisar” de equipamentos que nem sabia que existia. É essa a imagem que vai surgir em nossas mentes daqui há 50 anos, quando alguém mais jovem nos perguntar como foi o lançamento do primeiro iPad.

As Horas

Salvador-Dali-2Há horas em que tudo parece novo

Fácil, certo

Em que a coragem parece nunca ter deixado de ser

Em que há passos firmes

 

Horas em que tudo é seguro

Simples, direto

Em que palavras são ditas

Em que histórias são contadas

Em que não há segredos

 

Horas sem fantasias ou medos

Com certezas boas, certezas ruins

Ou com apenas certezas

 

Horas em que o pé no chão é tudo o que tem que haver

Em que tudo se torna claro

Em que o sol brilha dentro da mente

Em que a vida é um caminho certo a se trilhar

 

E há horas porém

Em que tudo o que se poderia querer ser

São essas outras horas

Por pelo menos 24 horas

 

Papinho

Raquelline: E aí?

Rakky: E ai o quê?

Raquelline: Até quando isso, caralho?

Rakky: Poxa, pra quê essa ignorância?

Raquelline: Porque você tá precisando, só isso. Vai ficar aí com essa cara de bunda até quando?

Rakky: Não sei. Tô triste, arrependida, confusa. Normal do ser humano né?

Raquelline: Sim, claro, desde que você não fique fazendo das coisas um problema maior do que elas realmente são.  

Rakky: Do que você tá falando?

Raquelline: Cai na real, garota! Tá na hora de você parar de achar que é a única pessoa do mundo que tem problemas e pensar que os seus nem são tão graves assim. Olha ao redor… ou por acaso você quer se transformar no seu pai?

Rakky: Agora já deu! Pode parar de me falar merda! Eu não tenho nada a ver com o meu pai, nunca tive, não vou ter… tomanocú você também, caralho, para!

Raquelline: Uiiiiii! Merda mesmo? Ficou ofendidinha é? Então para e pensa: você tá culpando os outros pelos seus problemas. Exatamente do jeito que ele gosta de fazer. Se fazendo de boba enquanto o mundo gira, se atrasando e responsabilizando os outros pelos seus erros.

Rakky: Tomanocú!

Raquelline: Verdade doi né?

Rakky: —

Raquelline: Em primeiro lugar, você já tá pagando um analista. Não precisa discutir seus problemas com mais ninguém. Segundo, você tava indo muito bem até fevereiro… o que aconteceu?

Rakky: Entrei na terapia, ué. O médico disse que eu ia ficar zuada.

Raquelline: Zuada sim, louca não. Póparacompóaê que você já é muito grandinha pra essas coisas…

Rakky: Eu sei… mas ele disse que eu ia ficar esquisita e que eu sou madura demais pra umas coisas e infantil pra outras…

Raquelline: Desculpa de cego é muleta!

Rakky: Poxa, porque você tá me ofendendo assim?

Raquelline: Para ver se você cria vergonha nessa sua cara de anta! Escuta aqui uma coisa: vcê não é vítima, nunca foi vítima, sabe se resolver e sempre soube. Não importa o seu passado, para de olhar para lá como se você fosse morrer por causa disso… não vai.

Rakky: Mas eu podia ter feito as coisas serem diferentes…

Raquelline: Podia? É mesmo? Mas não fez! E porque não fez? Porque não pensou nisso, ô idiota. Agora você vai cair na real que aquele vira-tempo é da Hermione e parar de se arrepender por besteira?

Rakky: Besteira?

Raquelline: É, besteira. No fim das contas, a ordem dos tratores não altera o viaduto. E para de cú doce que eu já cansei das suas lamúrias.

Rakky: O que isso significa?

Raquelline: Que é pra frente que se olha, caralho! Agora qual é? Vai continuar guardando pra você o que te incomoda ou vai tirar essa bunda gorda da cadeira e fazer alguma coisa a respeito?

Rakky: Que opção que eu tenho?

Raquelline: E que opção que você não tem?

Rakky: Acho que continuar né?  

Raquelline: É! Boa garota!

Rakky: No fim das contas, eu sou né?

Raquelline: É sim meu. Cadê toda aquela autoconfiança? E aquele brilho nos olhos?

Rakky: Tô procurando, péra!

Raquelline: Não começa, que hoje eu não to boa!

Rakky: Tá bom, tá bom, uma injeção de otimismo daquelas que só a Rakky consegue dar em si mesma… é isso que eu to precisando…    

Raquelline: Isso! Você não precisa achar que tudo vai dar errado, porque não vai, cacete! Vai lá, manda seu melhor sorriso pro mundo e foda-se o resto! Tudo vai dar certo e a única pessoa que comanda isso é você!

Rakky: Tá bom!

Raquelline: Assim que eu gosto, menina!

 Livremente inspirado nos bate papos Maristelianos.