O amor é justo? Não. Definitivamente não. Ao menos não pra mim.
Eu sempre fui muito acelerada com o amor. Sempre amei demais. Sempre fui intensa, rápida, profunda, acelerada, descontrolada. Louca. Sim, talvez essa seja a palavra. Amores e amores me enlouqueceram durante a minha infância e adolescência conturbada. Na infância, aquela coisa incrível de defender meus pais até que o impossível se tornasse real. Eram meus objetos de amor, muito mais a minha mãe, mas os dois o eram de alguma forma. Meus amiguinhos, os poucos que eu tinha (sempre fui muito tímida) também. A adolescência chegou e eu vi o amor de outro jeito, é claro. No melhor amigo, o primeiro grande amor. Coisa de criança ainda, inocência pura, mas devastadora. E meus pequenos romances de adolescente foram marcados por paixonites graves, dolorosas, que sempre me marcavam profundamente. Eu nunca quis a metade: nunca quis alguém que me amasse mais do que eu amava a pessoa. Eu achava injusto. Também não queria amar mais uma pessoa do que ela me amava. Queria uma mesma proporção, louca, desvairada, devastadora, mas igual. Um empate. O tão desejado empate de almas, algo único, par, proporcionalmente rico, intenso, unido. Algo que fosse mais bonito do que aqueles casais pré-fabricados que vemos em novelas e em filmes.
E não é só esse tipo de amor que eu queria. Buscava támbém me apaixonar de verdade por qualquer coisa que me fizesse sobreviver, ganhar o ‘pão nosso de cada dia’. Pois é. A gente se sente tão feliz quando algo que queremos finalmente se realiza que não conseguimos pensar mais em nada. Talvez não se pense em preservar o que se tem para não se perder, pela certeza de que aquilo não vai se perder. Manter não é uma preocupação constante quando se tem tudo o que se quer.
O amor é leal? A Carolina Molina escreveu no seu blog sobre isso, e eu o achei intenso o suficiente para concordar. É essa lealdade de sentimentos que torna as coisas profundas e eternas. Algo que se acaba frente a poucas dificuldades não pode ser considerado leal. E não pode ser considerado amor também.
E eu não sei me conformar com o pouco, com o confortável, com o aceitável para viver. Eu gostaria de ser normal, de viver bem com o suficiente, com o que as pessoas normais consideram suficiente. Sem considerar injusto que um sinta mais que o outro em qualquer tipo de relacionamento. Sem considerar lembranças mais fortes que fatos. Sem mortos-vivos, sem assombros, sem a necessidade de me sentir extremamente satisfeita com algo, com tudo acontecendo de maneira natural. Não tenho essa capacidade.
Ainda procuro as loucuras, as impossibilidades, a profunda e insustentável leveza, que nos deixa mais intensos e mais profundos em todas as nossas manifestações. Quero o esbanjar, o explodir e o esbaldar de felicidade, escorrendo por meus poros, escapando em meus sorrisos, se fazendo valer em cada explosão minha, considerada apenas uma simples palavra se não for dita intensamente.
É. Eu sou egoísta o suficiente para querer mesmo tanta felicidade junta. Mas justa o suficiente para saber que talvez não seja certo querer tanto.
E sim, tem uma música que retrata mais ou menos tudo isso.
Jolies – Tudo em Um
Corte de cabelo
Roupas novas
Sexo gostoso
São prazeres momentaneos
Gostar de algum
Sentir carinho
Vontade de ficar perto sempre
Isso fica…
Mas até quando dura?
O que eu procuro?
Não sei
Acho que tudo em um
Ser que vou encontrar?
Onde posso te encontrar?
Meu reflexo no vidro do trem
Me vejo assim…
Perdida no meu mundo
Nas minhas frustrações
Meu refúgio imaginário
No canto do meu paraíso
Busco formas e cores
Que já não consigo perceber
E me pego assim
Imaginando teus olhos
Tua boca perto de mim
Meu toque macio
Vai te levar
Te levar… te levar…
Em qual esquina?
Em qual lugar?
Vou te encontrar…
Imagem retirada daqui.
21/10/2009 at 14:28
Pelo menos em um ponto todos somos iguais, eu acho. Creio que ao menos uma vez na vida, todos queremos um empate na intensidade do amor entre os seres. Gostei do texto, profundo e reflexivo. Ah, e a insustentável leveza descrita, foi uma coincidência ou uma referência a Milan Kundera?
Thi
21/10/2009 at 20:22
Thi,
Não existem muitas coincidências possíveis por aqui… rsrsrsrs
21/10/2009 at 15:26
Lindo texto, Rakky. Bem interessante a maneira como você retrata a sua relação com o amor.
Beijo
21/10/2009 at 22:24
Estou muito submisso a frases hoje. Maristela já escreveu um belo texto agora pouco, mas o seu tem aquele questionamento imperativo por saber “quem sou?” e “a que tenho direito?”..
Muito bom! Parabéns.. Me inspirou a pensar sobre escrever algo a respeito.. ;]
Uma verdade irrevogável: “Manter não é uma preocupação constante quando se tem tudo o que se quer.”
22/10/2009 at 13:55
Acho que todos desejam o melhor, mas quem consegue sabe que acaba durando pouco…Belo texto!
Obrigada pelo elogio e sim, estou bem. Fiquei chateada com uma coisa no trabalho, mas está tudo resolvido agora.
Bjs!