12/06/2007
Dez Razões pra Ouvir – O Teatro Mágico

Por que é que não se junta tudo numa coisa só? Isso mesmo. Juntaram. O Teatro Mágico é um novo movimento musical, que comemorou três aninhos de estrada no final do ano passado. Talvez você já os conheça, talvez nunca os tenha visto. Mais é certo que quinze (ou mais) atores fazendo de tudo um pouco em cima de um palco têm algo que possa atrair a curiosidade. Precisa de mais informação não é? Dez razões pra ouvir:
1. A trupe: Não, não é um grupo de teatro. É uma banda! Mas são sim vários atores e atrizes tocando, cantando, dançando, fazendo malabarismo, e até pirofagia. Tudo isso ao vivo, comandado e orquestrado pela voz de certo palhaço, com ares de sonhador: Fernando Anitelli.
2. O Projeto: Tudo começou com a idéia de Fernando Anitelli de reunir partes da música brasileira à elementos do circo, do teatro, da literatura e do cancioneiro popular. A inspiração veio dos saraus de que o jovem estudante de Comunicação Social participava. Ali um malabarista se apresentava. Aqui um artista apresentando técnicas de pirofagia. Na outra ponta algum músico muito amigo de seu instrumento. E a vontade de criar um grande sarau, onde tudo é uma coisa só fez Anitelli reunir uma turma do fantástico mundo de Os-asco e começar a levar o projeto à frente. O nome da trupe vem de um livro de Herman Hesse, O Lobo da Estepe. E daí pra frente são mais de três anos de trabalho, dois álbuns (Voz e Violão e Entrada só para Raros), muitos vídeos no Youtube e milhares de fãs vestidos e pintados como crowns no Brasil inteiro.
3. A música: Nossa, isso é rock? Também. É MPB? É claro que sim. É pop? Sim. É cordel? Lógico. Que tipo de som afinal esse teatro faz? Não tenho a menor idéia! E nem você terá. Acredite, há músicas da mais fina MPB capazes de lembrar Toquinho e Vinícius e outras que podem te remeter a um rap ou a um pop tão dançante quanto qualquer um ouvido numa danceteria. O Teatro Mágico procura levar o popular, o oriundo de nossa terra, o que veio do Brasil. A maioria das músicas é de autoria de Fernando Anitelli, idealizador do projeto, e trazem situações do cotidiano, além de lendas, histórias e até fabulas. Talvez toda esta mistura faça a trupe chamar tanto a atenção do publico jovem em geral. Que seja o que for. É mágico.
4. A facilidade: Digite “O Teatro Mágico” em qualquer site de busca. Além de encontrar várias letras de músicas, fotos, história e membros da trupe você vai encontrar também várias músicas para download. Isso mesmo! Não precisa procurar muito. O Teatro Mágico é uma banda totalmente independente, que depende do que arrecadam em suas apresentações para manter o projeto. Mais não querem de forma alguma investir em uma gravadora que “limite” ou “selecione” quem pode ou não ouvir o seu trabalho. O lema maior do grupo é a busca pela liberdade. A trupe grita em meio as suas apresentações a favor da democratização da cultura, e clama por uma música livre, uma imprensa livre, uma cultura livre, softwares livres. Um dos principais pedidos que Anitelli faz aos fãs é: “Pelo amor de Deus, pirateiem o nosso trabalho!”.
5. Os Shows: Em praça pública, em eventos gratuitos, em salões fechados, em lugares pagos. Mais sempre com a mesma alegria. A atração é a diferença de ser raro e ser único, insubstituível. E para ser raro basta existir. A valorização da existência rara que cada um de nós carrega também é um ponto mágico da trupe. Luz, voz, violão, violino, gaita, flauta, batuque, piano, bateria, baixo… ufa!! Perde-se a conta de quantos instrumentos são visíveis no palco. Tem até um DJ no meio da turma. Tudo numa coisa só mesmo.
6. A literatura: O resgate que O Teatro Mágico faz à literatura é emocionante. Versos de cordel e poemas, frases feitas e cancioneiro popular. Está tudo ali te fazendo refletir e procurando encontrar o que há de melhor em você. A raiz da nossa cultura está em cada um de nós. E é este o resgate que atrai, que contagia e que faz cantar. Afinal todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser, e nenhum predicado será prejudicado, nem tão pouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final.
7. As mensagens: Nos momentos mais inusitados, nos shows ou nos sites e blogs da trupe, há sempre um recadinho de conscientização. Seja pra fazer a galera se ligar no que anda acontecendo na política, ou a revolta que causa cada novo surto de violência ou de injustiça por este Brasil afora, tudo tem o seu espaço. A manifestação pública é bem-vinda, desde que seja bem-feita.
8. Fazer a diferença: Sim, os fãs do Teatro Mágico não somente vêem os shows, acompanham a trupe e coisa e tal. Tem também a galera que faz a diferença. Imaginar grupos que, unidos pelo comum que têm de gostar de uma banda e daí para frente se doar a trabalhos voluntários, visitações à orfanatos, creches e instituições de caridade, levando a alegria, a paz e o jeito TM de ser dentro de si é carregar um novo ideal pra vida. É, como diria novamente Fernando Anitelli, amanhecer brilhando mais forte.
9. A repercussão: Alguém me diz, por favor, como é que uma banda que só faz divulgação on line, não tem gravadora, não tem música na novela e não tem divulgação consegue reunir cada vez mais pessoas em seus shows? Nas duas semanas seguidas em que a prefeitura de São Paulo organizou a Virada Cultural o show do Teatro Mágico foi o mais aguardado. Estima-se que 40 mil pessoas tenham visto o show do dia 05 de maio no Anhangabaú. O maior meio de divulgação da banda é o “trabalho boca-a-boca”. Cada novo espectador é bem acolhido e se vê inspirado a divulgar. E assim, um por um, o Teatro Mágico alcança multidões.
10. Contra a massificação: Sim, são contra. Você não vai ver o Teatro Mágico no comercial do novo refrigerante, ou no maior programa de auditório da TV, se não houver de verdade um bom motivo para isso. A cultura é a principal arma da trupe e não será abandonada. Por que vender CD´s à R$ 5,00? Por que o brasileiro não é ignorante, o brasileiro é pobre. Por que se pintar e se vestir como palhaços? Para redescobrir o clown, o palhaço que há em cada um de nós, o personagem que interpretamos todos os dias e que não nos parece ser tão personagem assim. Por que defender a cultura? Por que ela é a nossa única salvação.
Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem-vindos ao Teatro Mágico! Sintaxe a vontade.
Bateu curiosidade? Te peguei? Quer só ver se curte? Então vai lá pessoa! Só não esqueça que a entrada é só para raros. E que isso não exclui ninguém.
Publicado originalmente no site MundoRock.net em junho de 2007