Dez Razões pra Ouvir Paramore

Com certeza você já leu algum dos meus Dez Razões pra Ouvir por aqui. Se ainda não leu, é bom dar uma clicadinha aqui e ler, ora bolas. Mas uma coisa que você talvez não saiba é que o meu amigo baterista Thiago Mello, dono do blog Etracisum, copia essa ideia de vez em quando. Hoje eu vou fortalecer ainda mais essa cópia e falar para vocês de uma banda que vem para o Brasil pela segunda vez em fevereiro de 2011 e que eu preciso ver ao vivo: o Paramore, com base no texto que o Thi escreveu e que você pode ler aqui. Vamos lá? Dez Razões pra Ouvir:

1 – Origens: o Paramore surgiu em 2004 no Estado de Tennessee, nos Estados Unidos. A banda era formada inicialmente por Hayley Williams, no vocal, Jeremy Davis no baixo e Josh e Zac Farro, na guitarra e bateria respectivamente. O nome da banda foi inspirado no nome de um antigo baixista de uma das bandas que os integrantes tiveram antes do Paramore, uma vez que o grupo descobriu que a palavra Paramour (“Amante secreto”) soava da mesma maneira que o nome do moço. Aí a turma resolveu trocar o nome para “Paramore” mudando um pouquinho a ortografia (fofo né?) . Hayley fazia aulas de canto e se juntava com a galera para compor e uma das primeiras músicas compostas por essa formação foi “Conspirancy” que mais tarde faria parte do primeiro álbum da banda, o….

2 – “All We Know Is Falling”: de 2005 é album de estréia. Eles chegaram aí porque participaram de alguns festivais estaduais e um dos fundadores da gravadora Fueled by Ramen prestou atenção no som da galera, ouviu umas demos da banda e os contratou. Sobre a gravadora, uma Hayley orgulhosa declara “Algumas de nossas bandas favoritas estão na Fueled by Ramen. Nós sabiamos que eles conseguiriam executar exatamente a visão para a nossa banda e a nossa música”. No mesmo período Davis deixou a banda alegando razões pessoais e em seu lugar entrou  John Hembree, que só durou 5 meses na banda, já que todos sentiam falta de Davis e, ao lhe pedirem para voltar, tiveram o pedido aceito. Os destaques do álbum são “Emergency”, “All We Know” e  “Pressure”, o primeiro grande single da banda revelou o Paramore de uma maneira nada convencional. Ao invés de estourar nas paradas de sucesso e ficar por semanas no primeiro lugar, Pressure ficou famosa no game The Sims 2 e ganhou a garotada viciada no game. Bem moderninhos não?

3 – “Riot!”: definitivamente o álbum que diria para o mundo a que veio o Paramore. Gravado em 2007, com Josh desempenhando todas as funções de guitarra, já que Hunter (que entrou na banda em 2005) deixou a turma para se casar, o álbum prometia grandes surpresas. A palavra Riot!, segundo Hayler, é uma explosão súbita de emoção descontrolada. Não é exagero pensar assim de um álbum que vende 44 mil cópias na primeira semana após o lançamento (só nos EUA!). Os destaque do Riot! formam praticamente o álbum inteiro, desde a devastadora “Crush, Crush, Crush” que pode ficar semanas na cabeça de alguém à energética “Born For This” que finaliza o álbum com tudo o que tem direito, passando pela elétrica “Hallelujah” até a despretenciosa e envolvente “Misery Business” que Hayley define como a coisa mais honesta que já escreveu igualada à emoção musical que a banda construiu. É um álbum que merece ser ouvido;

4 – Friends Business: ao mesmo tempo em que ganhavam o mundo com o Riot! o Paramore não podia ficar parado. Nessa época foi que eles fizeram shows por diversas cidades dos EUA e ainda fez uma participação especial no Late Night with Conan O’Brian show, graças à amizade com o antigo baterista do programa Max Weinberg. Aliás, o povo do Paramore não tá nada mal de amizades…  graças a essas, participaram do clipe de “Kiss Me” com o New Found Glory, Hayley gravou duas faixas para o álbum In Defense of the Genre dos amigos da Say Anything e em 2008 iniciou uma turnê junto com as bandas Conditions, Kids in Glass Houses e denovo o New Found Glory. Quem foi que disse que o relacionamento não é importante para o sucesso?

5 – Dando uma lição nos especuladores: que grandes bandas têm problemas com a fama não é segredo para ninguém, certo? E com o Paramore não foi diferente. No início de 2008 a banda cancelou alguns shows e meio que deu uma parada para relaxar. Toda a imprensa já espalhava rumores de que a banda acabaria porque os irmãos Faro queriam mais espaço, de que haviam brigas internas graças ao destaque de Hayley e mil outras coisas. Em abril do mesmo ano, o grupo deu um tapinha com luvas de pelica em todos os que torciam por seu fracasso: lançou o clipe de “That’s What You Get”, com cenas de confraternizações entre a banda e amigos da cidade de Nashville. Imagens falam mais do que palavras? Eu também acho que sim!

6 – Na trilha sonora do Crepúsculo: antes de todas as menininhas delirarem com Edward Cullen, o filme que teria recordes incríveis de bilheteria precisava de uma trilha sonora. O Paramore foi a primeira banda a compor exclusivamente para a trilha sonora do filme e emplacou duas músicas no já consagrado sucesso entre os adolescentes: “Decode”, que também ganhou clipe oficial baseado na história de Bella e Edward e “I Caught Myself”. Bonito não?

7 – Prêmios e Destaques: o Paramore foi destaque na capa de fevereiro de 2008 da revista Alternative Press e foi eleita “A Melhor Banda de 2007″ pelos leitores. A banda foi nomeada para o “Artista Revelação” no 50º Grammy Awards, apresentado em 10 de fevereiro de 2008, mas perdeu para Amy Winehouse. A banda ainda foi indicada para o MTV Video Music Awards, MTV Europe Music Awards (a banda ganhou como “Melhor Grupo Alternativo”), MTV Video Music Brasil (foram os ganhadores do prêmio de “Melhor Artista Internacional”) e MTV Movie Awards;

8 – No Brasil e no Mundo: 2008 seria um ano marcante mesmo para o Paramore. Em outubro, o grupo fez uma turnê pela América Latina e América do Sul, passando por México, Brasil e Chile. Chegaram ao Brasil no de 21 e fizeram três apresentações. No dia 23 de Outubro fizeram o primeiro show em São Paulo (Credicard Hall), no dia 24 no Rio de Janeiro (Citibank Hall) e em Porto Alegre no dia 25 (Teatro do Bourbon Country). Na ocasião, receberam o prêmio MTV Brasil que haviam ganhado no VMB. A próxima passagem da banda pelo país já tem data marcada: 21 de fevereiro de 2011. Eu não tô afim de perder essa, e você?

9 – Brand New Eyes: em 2009 era a hora de mostrar que o Paramore não é feito só de gritaria e de guitarras eletrizantes. E a banda amaduresceu gravando e lançando o Brand New Eyes, um álbum que reune mais a essencia dos integrantes. Para a Rolling Stone, Hayley revelou: “Nós estavamos com medo de nunca mais termos uma música como ‘Misery Business’” e Josh Farro acrescenta “Riot! foi um álbum bem moleque, mas tinhamos que fazer aquilo para chegar aqui”. Ninguém precisava de mais nada para entender que eles estavam falando sério.

10 – Criatividade e inovação: a capa do Brand tem uma borboleta que Hayley achou na rua da casa da mãe dela. Cortaram as asas e prenderam na grade do quintal e assim foram feitas as fotos da capa. Para ela “isso representa que pedaços quebrados, mesmo que individualmente, ainda podem formar uma grande figura. Não importa se elas têm um propósito próprio, uma vez que estejam juntas”. O primeiro single “Ignorance” é um pouco de “mais do mesmo” entre as boas surpresas do Brand New Eyes, o que pode ter desapontado um pouco. Mas foi só “The Only Exception” chegar às rádios pra galera perceber que a banda conseguia mesmo se superar. Dizem que foi o mesmo violão de “Time of My Life” do Green Day que inspirou a banda. Será? Não dá pra saber, só que se tem certeza é que o álbum ficou em 1° lugar no Reino Unido e bateu Mariah Carey e Barbra Streisand nas paradas dos EUA. Já tá bom né?

É pessoal. Espero que eu não tenha decepcionado vocês com esse retorno do Dez Razões pra Ouvir. E para saber mais sobre o Paramore é só acessar http://www.paramore.net

 

Dez Razões pra Ouvir Meia Dúzia de 3 ou 4

Um nome como esse já deixa uma interrogação no ar. De nome intrigante, história memorável, presente planejado e futuro tão incerto quanto a existência da terra após 2012, essa banda, formada por uma meia dúzia de 3 ou 4 malucos consegue arrancar risos, reflexões e novas ideias dos encorajados que ousam escutar seu som. Será que você é capaz? Dez Razões pra Ouvir:

1. Um nome ousado: porque Meia Dúzia de 3 ou 4? Segundo Thiago Melo, sócio-fundador da banda, a ideia do Meia Dúzia era juntar uma meia dúzia de amigos pra fazer um som bacana, que fosse de Harold Bloom à marchinha de carnaval, de Tom Zé  a Mutantes, de Stravinsky ao funk, de Beatles a Gal Costa, de Nirvana à Bossa Nova e talvez tudo isso junto e misturado. Aí, no meio desse fusuê inteiro, jogar uns 3 ou 4 convidados… Assim nascia o Meia Dúzia de 3 ou 4, banda que reúne de tudo um pouco em cima ou embaixo do palco. A banda tem atualmente uma formação quase fixa, que conta com Thiago Melo, Sérgio Wontroba, Marcos Mesquita, Luciana Bugni, Lia Bernardes, Arnaldo Nardo, Mike Reuben e Daniel Carezzato.

2. E quem faz o quê? Ninguém! E todo mundo ao mesmo tempo! Perguntar quem toca bateria, violão, guitarra ou baixo é impossível, assim como dizer quem faz os vocais ou quem toca Escaleta (um tipo de teclado de sopro) ou clarineta. Cada um dos integrantes toca um pouco, canta um pouco, dança um pouco, cria um pouco, compõe um pouco. Com a sorte que me é dada em ser uma amiga desses malucos, já tive a oportunidade de ver o Daniel tocando bateria na capa de um violão, e a Maia, a filha de quase 5 anos do Marcos Mesquita, tocar algo que teria o som de um triângulo usando um pratinho com garfos e facas. Nada do que é produzido é vão e a ordem dos músicos não altera o produto.

3. Todo mundo participa: quando a gente fala de 3 ou 4 convidados, é abstração e realidade. Assim como Maia já virou música, já participou de clipe e já ganhou o carinho de fãs da banda, outros filhos já participaram de músicas, outros amigos já fizeram participações especiais e outros fãs já tocaram e cantaram junto com a banda em shows. É a banda o mais próximo possível do fã, sem dúvida.

4. Independentes: ninguém além deles mesmos banca performances, músicas, clipes e shows. Tudo sai por conta, é uma gracinha, e rola muita criatividade de toda a galera em cada fase da produção artística. As cores padrão da banda são preto e amarelo para tudo, desde a roupa que vestem ao site da banda e inclui é claro, o encarte de seu primeiro álbum…

5. O primeiro filho, Tudo se Torna: lançado em 2008 e composto por 12 músicas, “Tudo se Torna” pode ter sido um dos álbuns mais adiados da música brasileira. Thiago e companheiros já tinham músicas prontas em 1998, inclusive o primeiro sucesso da banda, “Fique Sabendo”, que conta a história do dia 28 de julho de 98, data do nascimento de Sasha Meneguel, quando o Jornal Nacional dedicou mais de a metade do programa a falar do assunto, ao mesmo tempo em que a Vale do Rio Doce era privatizada, em que ocorriam debates sobre os candidatos à próxima eleição presidencial e enquanto também surgia o Viagra, o Bill Clinton era acusado de assedio sexual e outros papinhos dispensáveis em vista do nascimento da princesa. Destaque para “Pô, Christina”, uma nova leitura para o caso de Pierrot e Colombina na roupagem do atual carnaval brasileiro, “Pausa prum Café”, que satiriza a condição oficial de preguiçoso do brasileiro e “Tom Zé é Pai”, uma homenagem engraçada ao cantor de quem toda a banda é fã.

6. Sustentabilidade e reciclagem: Tudo se Torna conta com uma peculiaridade a mais: é vendido não em uma capinha plástica de CD, e sim dentro de uma sacola retornável.  A a ideia da banda era distribuir o seu “aglomerado de músicas” dentro de uma sacola bonita e usual, homenagear os 51 anos de bossa nova e ainda dar àqueles que acompanham seu trabalho a possibilidade de ajeitar do seu jeito o CD. Bem legal, né?

7. Fazendo a Geisy virar Barbie: uma das mais impagáveis canções do Meia Dúzia é “Geisy e o Zé Pilintra”, uma paródia que mistura a canção “Geni e o Zepelin”, de Chico Buarque com a piada pronta que se tornou a menina Geisy. O resultado foi uma canção incrívelmente bem feita e um clipe onde Daniel Carezzato utilizou toda a arte do slow motion para transformar Geisy em uma Barbie marcante. O clipe foi criticado e elogiado durante todo o mês de dezembro passado e nenhuma Barbie usada na composição do trabalho foi agredida. O resultado pode ser visto no Youtube da banda: http://www.youtube.com/user/ElmanoCravo

8. O fim está prospero: como anunciaram e garantiram que o mundo vai se acabar em 2012, a galera do Meia Dúzia de 3 ou 4 se adiantou. No blog http://bonsmotivospromundoacabar.wordpress.com/ é possível ler um pouco da opinião da banda sobre o que seriam bons motivos para esse mundo deixar de existir, de forma irônica (ou não). Lançado em janeiro desse ano, o blog reúne reflexões sobre esse nosso planeta usado, a venda, e que tem apenas 7 bilhões de únicos donos, apesar de já não ter quase calotas polares. Vale uma espiadinha?

9. A trilha sonora do fim do mundo: o segundo álbum da banda também vem com uma pitada de saudosismo. Será a trilha sonora do fim do mundo e não vai ser lançado de uma vez, mas aos pouquinhos, de dois em dois meses até dezembro de 2011. A primeira canção, “Classificados”, foi lançada em 1º/4 (não é mentira) e conta com a participação de Tom Zé, o que muito honrou essa galerinha animada. A segunda canção, “Esquecimento Global” conta com a participação de 6 crianças afinadérrimas e é mais um dos clássicos da banda. As outras músicas? A próxima sai em agosto e ninguém sabe o que vai ser.

10. Componha conosco: a última música da trilha sonora oficial do fim do mundo será composta por todos aqueles que quiserem ajudar. Para isso, é só seguir a banda no Twitter (www.twitter.com/meiaduziade3ou4) e enviar sua sugestão, mandar um e-mail para meiaduzia.de3ou4@gmail.com ou acrescentar sua sugestão na comunidade da banda no Orkut. Porém, como eles mesmos dizem, não tem pressa. O lançamento oficial dessa canção, que encerra o ciclo – o mundo – será só em dezembro de 2011. Até lá não faltarão motivos para que achemos o fim do mundo um excelente negócio…

E aí. Será que é um bom negócio conhecer melhor essa banda e esses clássicos dessa MPB diferente que como eles também dizem é não muito P, mas bem B, mas há quem diga que para M falta muito? Para dar uma ouvidinha no que essa galera faz, basta acessar o site http://www.meiaduziade3ou4.com/. Para ver e ouvir a trilha sonora do fim do mundo e acompanhar essa contagem regressiva, acesse http://www.meiaduziade3ou4.com/2012.

Dez Razões Pra Ouvir – KT Tunstall

kt

Mês passado eu recebi uma homenagem. Tá, mas o que você, leitor do Dez Razões tem que ver com isto? Simples! A homenagem recebida foi a publicação de uma “imitação” do Dez Razões num blog de música e arte que eu simplesmente adoro, e a adaptação foi escrita por um grande amigo. O “imitação” está entre aspas, porque o cara simplesmente inovou o “Dez Razões” inserindo fotos, vídeos e deixando-o com uma cara maravilhosa. A coluna ficou tão boa que eu resolvi trazer ela pra cá também. Claro, vou dar os meus pitacos, mas boa parte do texto permanece sendo a do meu amigo, ok? E isso tem dois motivos básicos: 01 – O cara realmente conseguiu me convencer, já que eu não ouvia KT Tunstall antes, então, vai convencer vocês também. 02 – A KT Tunstall desembarca no Brasil no próximo dia 15 e fará shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, então, nada melhor que se aquecer pra esse show lendo um pouquinho sobre a história dessa musa , não é mesmo? Preparados? Dez Razões Pra Ouvir!

1 – Escocesa com sangue Chinês: Nascida na China, Kate Tunstall (ou apenas KT, porque “Kate” pra ela não diz nada mais que “Filha de fazendeiro”) foi adotada por um físico e uma professora escoceses e cresceu na cidade universitária de St. Andrew’s. Ela sempre esteve ciente de que havia sido adotada ao nascer, pois seus pais sempre lhe disseram isto. Uma frase marcante da cantora sobre o assunto é “Cresci ciente de que poderia ter tido um milhão de vidas diferentes. Isso torna sua vida misteriosa e sua imaginação pira”. Pois é KT, a poesia já estava dentro de você.

2 – A paixão pela música: O pai adotivo de KT costumava levá-la junto com seus irmãos para o laboratório. Música nunca foi na realidade parte da equação até seu irmão mais velho descobrir os prazeres do “hair metal”. “Eu sentava do lado de fora do quarto dele e gravava as músicas pela porta” diz KT. Logo cedo, começou a tocar flauta e aos 16 anos passou a se dedicar à guitarra, cantando e ouvindo Ella Fitzgerald. A paixão pela música se explicaria quando a cantora chegasse aos seus 20 anos, que foi a idade em que ela conheceu sua mãe biológica e descobriu que seu pai era um músico folk. É, está no sangue, não tem pra onde correr mesmo!

3 – Primeira banda: Depois de algum tempo, a necessidade de KT em cantar era quase insaciável. Ela precisava fazer isto. Formou sua primeira banda, a “Happy Campers” e participou de um concurso de música London’s Royal Holloway College. Voltou para a Escócia e começou a trabalhar composições para seu primeiro álbum. A cantora disse em várias entrevistas que escrevia desde a adolescência, mas na época, “Só conseguia criar tolices fora de moda de amor. Era um completo vômito de paixão adolescente. Mas eu achava que tava arrasando”. Quem é que já não passou por essa sensação no mundo da música?

4 – Primeiro álbum: Enfim, em 2004, KT passou a escrever projetos com o compositor e produtor sueco Martin Terefe e o londrino Tommy D. Com mais de cem músicas em seu bolso, ela começou a trabalhar em seu álbum de estréia com sua nova banda e o lendário produtor do U2/New Order/Happy Mondays, Steve Osborne no leme. “Eye to Telescope”, um trabalho cheio de imaginação e criatividade, foi lançado. Sobre o nome, a cantora diz que se deve a seu pai adotivo. “Eu gostava muito de livros de ficção científica quando garota. Meu pai costumava levar meus irmãos e eu para seu laboratório quando éramos pequenos. Fazíamos brincadeiras com nitrogênio líquido e geradores Van de Graaff. Ele tinha as chaves para o observatório da St. Andrew’s University e chegou a nos acordar no meio da noite para mostrar o cometa Halley. Isso é parte do porquê o disco se chama “Eye To The Telescope”. Desde álbum, “Black Horse & the Cherry Tree” e “Sunddely I See” rodaram o mundo, sendo esta última trilha do filme “O Diabo Veste Prada”.

5 – Multi-instrumentista: A jovem e ativa KT teve aulas de piano e flauta, e gradualmente sua voz desenvolveu sua individualidade. “Estou muito certa de que aprendi a cantar porque alguém me deu uma fita de Ella Fitzgerald – ela foi minha professora de canto”. Aos 16, pegou uma guitarra e aprendeu a tocar de forma autodidata através de um livro. Espertinha não?

6 – Apresentações solo: A paixão por música de KT não se estaciona em cima do palco. A cantora gosta de tocar sozinha, e já foi vista diversas vezes no palco, só com seu violão e pedais, surpreendendo o público com sua criatividade. Sem contar a sua alegria e vivacidade cantando em lugares públicos, como praças, campos e outros. Não tem hora marcada pra fazer música. Apaixonante!

7 – Salve o Futuro: A cantora se dedica ao Projeto “Global Cool”, que é uma campanha que o principal objetivo é inspirar bilhões de pessoas a pensar na conservação do planeta que vivemos. Existe até uma página sobre o projeto em seu site oficial. Super legal não?

8 – Drastic Fantastic: Em 2007, o segundo álbum de KT chegou ao mundo já estourando. “Drastic Fantastic” trás músicas maravilhosas, sem fugir do pop/folk que a cantora faz, com uma pitada de rock com riffs fortíssimos de guitarra e o poder vocal de KT cada vez mais apurado. Destaques especiais para o single “Hold On”, a forte “Little Flavours” e a linda “Hopelles” que conquista à primeira audição. É fantástico.

9 – Prêmios: É claro que uma cantora tão talentosa e tão especial merece o reconhecimento geral não é? KT já faturou “Q Music Awards” de 2005 de melhor música para “Black Horse and the Cherry Tree”, o Brit Awards 2006 como “melhor cantora solo inglesa”, o prêmio Ivor Novello Awards 2006 de melhor música e melhor composição para “Sunddely I See”. Fora isto temos os discos de Platina para “Eye to the Telescope” nos EUA, Canadá, Irlanda, Cingapura e Nova Zelândia, tendo atingido 1,1 milhão de unidades, além do Duplo Ouro na França. Premiada, reconhecida e talentosa, KT não pára de surpreender.

10 – Visita ao Brasil: É isso mesmo! Está chegando! No dia 15 de outubro já tem show na Via Funchal em São Paulo; dia 16, no Canecão no Rio de Janeiro e dia 19 no Bar Opinião em Porto Alegre. Então, você não tem desculpa pra perder este espetáculo, não é mesmo?

E aí, convencido? Abaixo, alguns links para saber mais sobre a história da KT.

http://www.kttunstall.com/ (site Oficial)

http://www.kttunstallbr.rg3.net/ (Fã-Site Brasileiro)

http://www.myspace.com/kttunstall (My Space da Cantora)

Ah, e se você quiser ler este Dez Razões, na versão do meu amigo, o super Thiago Mello, é só acessar o blog dele!

http://etracisum.wordpress.com

Beijãos da Rakky!

[publicado originalmente no site MundoRock.net em outubro de 2008]

Dez Razões pra Ouvir – 30 Seconds To Mars

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Sabe aquela banda que gravou uma musiquinha linda demais em formato acústico, com a participação da Pitty? Isso, aquela que tá rolando de 5 em 5 minutos nas rádios ‘pop-puts-puts-rock’ da vida? Pois é, o 30 Seconds to Mars, apesar de ter apenas dois álbuns lançados já acumula quase 10 anos de carreira. Quer saber do que mais? Dez Razões Pra Ouvir.

01 – Família: Cada vez mais o rock mostra que ter o mesmo sangue faz bem a uma banda. Diversas bandas, tais como o Oasis, Paramore, AC/DC, My Chemical Romance (já citados aqui no Dez Razões) e Radiohead. O 30 Seconds não foge à regra. Criada pelos irmãos Jared (vocal, guitarra e programing) e Shannon Leto (bateria) em 1999, a banda tem atualmente o baixo de Tomo Milicevic, que foi convidado para entrar na banda quando Matt Wachter saiu, e que já era fã dos 30 seconds. A banda também já contou com a guitarra ritmica de Solon Bixler.

02 – Estamos a 30 segundos de marte?: Pensar neste nome para uma banda só poderia trazer no mínimo uma curiosidade interessante. Jared e cia. dizem que o nome da banda saiu de uma tese de Harvard, que fala sobre o crescimento exponencial da tecnologia e da dificuldade de reter as milhares de informações que nos são passadas por segundo. O nome definiria a música da banda, de forma básica e direta. Para Jared, o nome “É uma frase lírica, sugestiva, cinemática, e muito imediata. Tem um senso de distinção. O conceito de espaço é tão irresistível e abrangente, eu duvido que exista uma musica escrita que não seja relacionada a ele”. No mínimo profundo não?

03 – Rápido e intenso: É assim que se pode definir o som da banda. Um rock progressivo, alternativo, de dimensões profundas e impactantes. Mas para começar a tocar a banda, que iniciou seus trabalhos em 1999 demorou um pouco para aparecer. Apenas em 2002 foi que o álbum “30 Seconds to Mars” foi lançado. O álbum foi inteiramente produzido pelos irmãos Leto e os singles “Capricorn (A Brand New Name) e “Edge Of The Earth”, primeira e segunda faixas do álbum respectivamente. As faixas deste álbum falam mais da preocupação de Jared com seu próprio mundo. Sombrio, confuso e por vezes, assustador.

04 – Um clube de fãs: Sim, têm um clube para os seus fãs. É o Echelon, um grupo de “Street team” formado para promover a banda. A palavra Echelon significa “formação de tropas” ou “ataque de ondas”, e é um termo militar, também utilizado por Napoleão nas grandes guerras napoleônicas. Echelon é também o nome de uma das músicas do primeiro álbum da banda, que trás na letra momentos de amor e de ira como nos versos: “Again and again and again and again / I see your face in everything” e “What’s with this circumstantial consequence? (consequence) / Find oversight before this night will ever rise again” num som que mescla guitarras pesadas e momentos onde a voz do vocalista domina toda a música. Outro grupo de fãs/ divulgadores da banda é o “The MARS army”.

05 – Símbolos e mistérios: A logomarca da banda é formada por um conjunto de símbolos e o significado deles jamais foi revelado por nenhum dos membros da banda. Algumas suspeitas dizem que os símbolos representam o nome da banda, escrito em hieróglifos. O primeiro símbolo seria um 3 ao contrário, representando o 30, o segundo, um círculo apontando para o sentido contrário do relógio, representando os segundos, o terceiro símbolo parece mostrar um 2 em romanos, também invertido, (no inglês de “two” para “to” que têm o mesmo som) e o 4º símbolo seria o desenho de marte, onde os dois pontos representam as duas luas do planeta, Phobos e Deimos. Mas não é só a logomarca que tem suas simbologias e mistérios. A guitarra de Jared foi desenhada por ele mesmo e é um modelo customizado feito por McSwains Guitars. Tem o desenho de um Grypho (um leão com cabeça de pássaro e asas).

06 – Ator no palco e fora dele: Além de ser performático em suas apresentações com o 30 Seconds, Jared Leto tem uma carreira de ator anterior à carreira da banda. Ele já atuou em mais de 15 aclamados filmes, como Réquiem Para Um Sonho, Clube da Luta, Alexander, por exemplo. A carreira de ator fez com que o lançamento do álbum “A Beautiful Lie” fosse adiado por quase dois anos, mas não é considerada um problema para nenhum dos membros da banda. Maravilhoso no palco e fora dele, o nosso Jared não?

07 – 40 músicas e uma turnê: Pois é, foi durante uma turnê que a banda fez pela África do Sul em agosto de 2005 que Jared escreveu 40 canções para compor o novo álbum do 30 Seconds. O álbum, que foi gravado em 5 países diferentes, trouxe para os fãs apenas 12 destas canções, mas elas são muito mais profundas que as canções do primeiro álbum. O amadurecimento é visto em cada uma das canções do álbum, que falam de dor, paixão, alegria, amor, honestidade e brutalidade também. É uma saída do próprio mundo.

08 – The Kill: Não dava pra deixar esta música de fora. Se ela é uma razão para você ouvir 30 Seconds To Mars não é apenas pela profundidade de sentimentos que expressa, nem pela perfeita conexão que a melodia, o ritmo, e o instrumental fazem com a voz de Jared. Ela levou a banda a ser nomeada para o Video Music Awards, ganhou o MTV2 Awards, ganhou o Fuse Chainsaw Awards como clipe inspirado em filme (o clipe foi inspirado no longa “O Iluminado”) e deu a Jared o prêmio de “Príncipe das Trevas” por sua atuação no clipe, onde ele concorreu com Gerard Way do My Chemical Romance. Além disto, a versão acústica da música ganhou a participação especial da cantora Pitty e apesar de perder a agressividade da melodia inicial, não deixou o encantamento da letra se perder. Os prêmios de “Revelação do Ano” e “Melhor Single” também foram faturados pela banda graças à “The Kill” e boa parte dos fãs atuais da banda começou a escutar a banda graças a este som. Sim, uma música tem o poder de fazer uma banda aparecer.

09 – Show no Brasil: Terras tupiniquins já receberam o 30STM. foi em 21 de outubro de 2007, no antigo Tom Brasil. A apresentação, apesar de não ter muita divulgação na mídia, encheu o Tom Brasil e foi bem vista pela crítica, que elogiou o espetáculo e o poder que o 30 Seconds mostrou naquela noite, enchendo uma casa como o Tom Brasil mesmo sem alarde. Show a parte foi a performance dos irmãos Leto em seus instrumentos sintetizados e toda a infra que ambientou a casa de shows.Impressionaram!

10 – Preparativos para o terceiro álbum: Preparem-se! O terceiro álbum do 30STM está por vir. Sim, o boato existe e ganhou mais força quando a revista Kerrang, de janeiro deste ano, publicou uma nota contando o caso. Nada foi confirmado ainda pela banda, mas há muitos fãs esperando.

Sim, agora você quer mais informações não é? A comunidade brasileira da banda no Orkut conta com espaço para discussão onde vários fãs debatem tudo o que você possa querer saber sobre o 30STM, além de ter sido importante fonte de informação desse Dez Razões. Eles estão no My Space também (www.myspace.com/thirtysecondstomars). Outras informações podem ser vistas no site oficial (www.thirtysecondstomars.com).

Publicado originalmente no site MundoRock.net em agosto de 2008

Dez Razões pra Ouvir – Coldplay

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Quem ainda não ouviu o fantástico “Viva la Vida” ou ao menos soube da existência do novo do Coldplay precisa se atualizar melhor no mundo da música. Mas quem ainda não ouviu falar em Chris Martin e Cia. está mesmo precisando rever os seus conceitos. Fato é: os quatro universitários que formam o Coldplay, Chris Martin (vocal / guitarra / piano), Jon Buckland (guitarra solo / vocais de apoio), Guy Berryman (baixo / vocais de apoio) e Will Champion (bateria / vocais de apoio) cada um no seu estilo e com suas influências formam uma das melhores bandas inglesas da atualidade. Banda de cabeceira da Rakky, esses quatro meninos com certeza nos dão muito mais que Dez Razões Pra Ouvir. Mas vamos lá porque se eu não conseguir te convencer com Dez, ninguém mais vai conseguir.

1. Igual mas diferente: Que banda de rock não começa bem de baixo? Se você responde a esta pergunta com “Nenhuma, afinal, todas as bandas boas que eu conheço já foram bem pequenas”. Pois é, iguais a todas as outras, os quatro garotos do Coldplay começaram bem de baixo. Eles se conheceram na faculdade, pra ser mais precisa na University College London, em 1996. Chris sempre quis formar uma banda e já havia participado de outros projetos, mas quando conheceu Buckland esse projeto começou a se firmar melhor em sua mente. Tempos mais tarde, os dois conheceram Berryman e começaram a fazer alguns shows. Os três formavam o “Pectoralz”, que depois viria a ser o “Startfish”. O último a entrar na banda foi o baterista Champion, e é esta a formação que permanece até hoje. Dois anos se passaram (de 96 a 98 ) para que o Coldplay finalmente nascesse.

2. EP´s e Parachutes: Depois de ter a formação completa, os ingleses do Coldplay começaram a trabalhar em suas primeiras músicas e lançaram, em 1999, o EP Safety. Por falta de recursos, os garotos lançaram apenas 500 cópias desse trabalho, mas depois de distribuídas entre amigos, familiares e gravadora, acabaram se transformando em apenas 50. O primeiro single da banda “Brothers & Sisters EP” foi lançado logo em seguida pela gravadora Fierce Panda que se interessou pelo trabalho dos garotos. Outro EP lançado na época foi “The Blue Room”, dessa vez pela Parlophone, e teve tiragem de 5000 cópias, um avanço considerável. Graças a estes trabalhos, o Coldplay começou a tocar em vários festivais de música e em 2000 lançou o álbum “Parachutes”, que tinha uma venda esperada de 40 mil Cd´s. De julho a dezembro daquele ano, o álbum vendeu mais que 1 milhão e 600 mil cópias só na Grã-Bretanha e as músicas “Yellow” e “Trouble” ganharam o gosto das rádios de toda a Europa. Rápido e impactante, o som do Coldplay ganhava cada vez mais admiradores.

3. Um Multi-instrumentista: O Coldplay tem além de Chris Martin, o garoto das guitarras, vocal e piano, um multi-instrumentista. Este é Will Champion, baterista da banda, que aprendeu a tocar bateria apenas para integrar o Coldplay. Will sempre teve o apoio da família para se dedicar à música e tocava desde pequeno violão, baixo, piano e até flauta irlandesa. A dedicação à música o levou a desenvolver grande talento vocal, exibido também nos vocais de apoio do Coldplay. Para não desmerecer ninguém, preciso também dizer que Jon Buckland antes de entrar para a banda e até hoje, sofre grande influência de Eric Clapton e Jimi Hendrix, os melhores do mundo para ele e que Guy Berryman, antes do Coldplay, participava do Time Out e fazia Engenharia, por influência paterna. Depois de conhecer os garotos do Coldplay e entrar para a banda, ele mudou para arquitetura, e depois, definitivamente largou a faculdade para se dedicar à banda, tendo sido o único a fazer isto. Outra curiosidade em relação a Guy é que ele apesar de ser canhoto, toca o seu baixo de maneira destra.

4. A mais explícita declaração de amor: Não dá pra falar de Coldplay sem dedicar um tópico especial à melhor música dos últimos tempos, em minha humilde opinião, Yellow. A canção exibe sentimento em cada uma de suas palavras e em versos como “Do you know? For you I’d bleed myself dry” e “Your skin, oh yeah, your skin and bones, Turn into something beautiful”. A suavidade instrumental que acompanha toda a música e o emocionante final: “Is true… look how they shine for you…. look how they shine for you… look how they shine for…” misturam a doçura da voz e a agressividade de guitarras, num misto perfeito. A canção ajudou o álbum Parachutes a ganhar prêmios como o Brit Awards, o New Musical Express e um Grammy, como Melhor Álbum Alternativo! Conhecer Coldplay e não conhecer “Yellow” é quase um pecado capital.

5. Apoio a causas políticas: O lançamento do álbum “A Rush of Blood to The Head” também marcou o inicio das ações de apoio do Coldplay a causas políticas. Os garotos passaram a advogar pela campanha “Make Trade Fair” da Oxfam e pela Anistia Internacional entre outras. Participaram depois de projetos de caridade como o famoso “Live 8″ e o “Teenage Câncer Trust”. O álbum tem em seu encarte indicações para sites de entidades assistencialistas como o “Green Peace”, o “Future Forest” e o “Planet Save”, entre outros. “A Rush of Blood to The Head” também marcou o terceiro ano da carreira de uma banda que já tinha diversos hits e trilhava um caminho maravilhoso perante o público e a mídia. Não foi a toa que o álbum ganhou dois prêmios Grammy seguidamente, em 2003 e 2004. Toda essa energia positiva já lhes dava gás para viajar o mundo em uma turnê. E foi isso o que eles fizeram, para a alegria de todos, inclusive nossa!

6. Brasil, Brasil: Sim, sim, sim, eles já estiveram duas vezes por nossas terras. A primeira foi na turnê do “A Rush…” como acabei de citar. Esta turnê foi de julho de 2002 a setembro de 2003 e a partir dela também houve a gravação do primeiro DVD da banda, nomeado simplesmente “Live 2003″ e gravado em Sydney, Austrália. A segunda passagem da banda pelo país foi em 2007, com o comportado “X & Y”, e o veto de Chris à venda de bebidas alcoólicas durante os shows, o que deixou alguns cervejeiros de plantão revoltados. Mas nada tirava o brilho do Coldplay no palco e as apresentações em São Paulo reuniram milhares de fãs cada vez mais encantados pela performance dos quatro ingleses.

7. O yin yang misterioso do Coldplay: Acertou aquele que imaginou o “X&Y” como a minha próxima razão para ouvir Coldplay. O álbum, lançado em 2005 significa para Chris Martin uma analogia entre os pontos altos e baixos da vida e de seu dia a dia. Em entrevista a uma revista americana, Martin disse: “É um jeito mais legal de se dizer ying e yang. Todo o meu dia é uma mistura de otimismo e pessimismo em suas formas mais extremas. E é isso o que ‘X & Y’ significa para mim. São dois lados. Eu gosto do fato de essas letras serem tão fortes, tão claras, linhas muito duras. Fica ótimo quando você escreve. E fica ótimo quando você vê a arte do disco. É demais. Eu posso dizer isso porque fui eu que fiz”. E é assim mesmo. Basta ouvir o single “Speed of Sound” ou a romântica “A Message”, que não apareceu nas rádios, para saber que Chris estava certo em sua definição. Prova da competência mostrada neste novo trabalho foi o número de vendas da primeira semana após o lançamento. Na Inglaterra, o álbum chegou a vender 464.471 cópias, ficando em segundo lugar no ranking da UK Álbum Chart, atrás apenas do Oásis. Esse sucesso também notado nos EUA com 737.000 cópias também na primeira semana após o lançamento. Outro dos mistérios envolvidos no álbum é a capa do CD, uma mistura de desenhos geométricos que os caras do Coldplay revelaram mais tarde ser uma mensagem conforme o Código Baudot, que foi uma das primeiras ferramentas telegráficas do mundo. A linguagem utilizada foi criada por Emile Baudot em 1874 e substituída pelo Código Morse em meados do século XX. No encarte do álbum há a linguagem completa de Baudot e utilizando-se dela os fãs podem decodificar as duas mensagens ocultas que o CD trás, na capa e na contracapa. Agora me diz que fã é que não vai querer comprar o CD original só pra decifrar a mensagem?

8. Proteção autoral: Ainda que tendo conquistado todo o sucesso que o Coldplay já demonstrou, os garotos ainda protegem demasiadamente seus sons do mau uso midiático. Eles permitem o uso de canções em campanhas, televisão e cinema, buscando sempre priorizar propostas de cunho social ou educativo, mas são extremamente inflexíveis quanto a propagandas publicitárias. Isto se deve a dificuldade que os quatro teriam em “vender” o significado de seu trabalho. Nas palavras de Martin: “Nós não conseguiríamos viver com isto. Seria como se vendêssemos o significado de uma música”. Assim, já recusaram contratos milionários de marcas como Gatorade, The Gap e Diet Coke para as músicas “Yellow, “Don´t Panic” e “Trouble” mas cederam “Clocks” para o trailer do filme “Peter Pan”.

9. Viva la Vida: O nome completo do álbum é “Viva La Vida Or Death And All His Friends” e foi inspirado por dois momentos específicos: a visão de um dos quadros de Frida Kahlo, famosa pintora mexicana, conhecida por pintar temas relacionados à cultra e folclore de seu povo, pela ousadia da obra, além de é claro, a turnê do Coldplay pela América do Sul, o que faz o nome “Viva la Vida” ser mais utilizado. Passeando por igrejas góticas de Barcelona é que o Coldplay encontrou a vocalização necessária para a utilização neste novo trabalho. O primeiro single “Violet Hill” já ganhou duas versões em vídeo, e a segunda mostra chefes de estado e políticos como George W. Bush, Tony Blair, Barack Obama, Fidel Castro e Hillary Clinton dançando ao som da música.

10. Dowloads e Internet: O Coldplay também descobriu a Internet. Tanto é que o som “Violet Hill”, do novo álbum “Vila la Vida” foi disponibilizado para download no site oficial da banda e baixado por mais de 600 mil pessoas. Antes disso, os garotos foram eleitos como “a banda mais popular da Web” pela BBC, em uma pesquisa com um software que analisava sites de relacionamento e discussão musical como a “Last FM”, o “Youtube”, o “iTunes” e o “MySpace”. E por falar em MySpace, os fãs de Coldplay que quiserem conhecer um pouquinho do novo álbum, bem como ouvir diversas músicas da banda diretamente na Internet, pode buscá-los no site e logo os encontrará.

Enfim, o Coldplay mostra competência, profissionalismo e qualidade em cada uma de suas aparições. Espero ter mostrado mais uma vez boas razões para incluir uma banda na playlist do seu PC, entre suas bandas favoritas, ou na lista de bandas que você carregará em seu Ipod.

Alguns links relacionados ao Coldplay:
http://www.coldplay.com
http://www.coldplay.uk
http://www.myspace.com/coldplay
http://www.lastfm.pt/music/coldplay

Publicado originalmente no site MundoRock.net em julho de 2008

Dez Razões pra Ouvir – Clã

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Imagine o Pato Fú. Certo, agora adicione algumas melodias mais pop, um pouquinho de vocal masculino em uma minoria de músicas, e um sotaque português. Pronto, eis o Clã. A banda que nasceu em Porto, Portugal nos mesmos anos noventa que trouxeram ao Brasil os mineirinhos do Pato Fú, junto a “Revolução Mineira” que invadiu as nossas terras, tem um pouco mais de história pra contar do que você pode imaginar. Dê um pontapé nas bandinhas padrão dos EUA e vamos juntos viajar a Portugal! Dez razões pra ouvir!

01 – Começo corajoso e demorado: Os Clã (como costumam se chamar) são a banda de Manuela Azevedo (vocal), Fernando e Hélder Gonçalves (baixo picolo / voz e bateria respectivamente), Miguel Ferreira (teclado / voz) e os Pedro´s Biscaia e Rito (baixo e teclados respectivamente) e nasceram em novembro 1992, num começo inusitado. O foco principal da banda eram as apresentações ao vivo, que trouxeram a banda o agrado do pequeno público que se aglomerava em suas apresentações, que começaram a ganhar fama em 1994. Somente em 95 eles assinaram contrato com a EMI e em 1996, quatro anos depois do começo da banda, é que foi lançado o primeiro álbum o “LusoQualquerCoisa”.

02 – Covers sempre ajudam: Pois é, o “LusoQualquerCoisa” trouxe uma pequena amostra da ousadia daqueles portugueses. O cover de “Give Peace a Chance” de John Lennon, cantado pela voz melodiosa de Manuela encantou o público, assim como o também cover “Donna Lee” do saxofonista Charlie Parker. O engraçado é que os covers dos famosos não tiraram o brilhantismo dos primeiros singles do Clã, “Pois É” e “Azar”, onde são misturados os sons de metais como o saxofone às vocalizações de Fernando e Manuela, para “dançar na pista até tombar”, como já diria a letra. Além destes, houve também o “I´m Free” de Mick Jagger e Keith Richards no segundo álbum da banda, o “Kazzo”, gravado em três semanas do conturbado (para a banda) ano de 1997. Um Clã corajoso e cheio de boa música pra mostrar saía de Portugal para o mundo.

03 – Premiações e reconhecimento: Banda Revelação, Melhor banda, Melhor canção e Melhor vocal feminino. Tudo isto num intervalo de menos de um ano, pelo Prêmio Blitz de 96 e 97. A melhor música, na opinião dos jurados foi “Problema de Expressão” do álbum “Kazzo” e Manuela, além de ter faturado o Prêmio Blitz, levou também o prêmio de “Voz Feminina Nacional” daquele ano. Depois deste festival, em 2001 “O Sopro do Coração” levou o Globo de Ouro como melhor canção e o álbum “Lustro” de 2001 voltou a levar os Clã para o Prêmio Blitz, novamente como melhor álbum. Não dá pra dizer que o Clã português não é premiado, não é mesmo?

04 – Portugueses de Portugal em terras tupiniquins: Eles já estiveram no Brasil e você não estava lá! Isto mesmo, eu também não estava, infelizmente, mas foi em 1997, na turnê do álbum “Kazzo”, onde eles percorreram toda a terra dos colonizadores, além de ir até Macau também. Aqui, a banda mostrou os já sucessos em Portugal “GTI (Gentle, Tall & Intelligent)”, “Problema de Expressão” e “Sem Freio”, alem da engraçada “Concurso do Método” e todos os principais sons da banda. Uma segunda passagem da banda pelo Brasil foi em 2006, já preparando o álbum “Cintura”. A banda fez uma versão de “Tortura de Amor” do brasileiro Waldick Soriano para a compilação “Eu Não Sou Cachorro Mesmo”.

05 – Homenagem aos Eternos: Foi em 2001. Além da turnê de lançamento do álbum de inéditas “Lustro”, lançado em 2000 e do qual destaco o som “O Sopro do Coração” que merece no mínimo umas 50 audições por sua melodia envolvente e sua letra mais que perfeita, os Clã participaram do espetáculo “Come Together” em homenagem aos quatro eternos garotos de Liverpool, os Beatles. Ao invés de cantar a esperada “Give Peace a Chance”, os Clã surpreenderam (pra variar) com versões maravilhosas de “A Hard Days Night, “Lucy in the Sky With Diamonds” e “Everybody’s Got Something to Hide”. A homenagem rendeu bastante popularidade a banda, e trouxe um novo público a escutá-los também.

06 – Um espetáculo à parte: Foi o “Afinidades”, que inicialmente seria um projeto como iniciativa da “Expo ’98″, desafiando vocalistas portuguesas para montarem um espetáculo para o qual deveriam apresentar um convidado. Manuela Azevedo chamou Sérgio Godinho, e o espetáculo montado mostrou novas versões das músicas do Clã e de Sérgio, com diversos convidados. O espetáculo foi tão bem aceito que resultou em 2002 no lançamento do álbum de nome homônimo, que reunia os principais sucessos em versões exclusivas. O álbum também foi uma homenagem a Sérgio Godinho, que naquele ano completava 25 anos de carreira.

07 – Filme: Bombando por todos os lados das terras portuguesas, o Clã foi convidado para encenar o seu primeiro filme, uma reflexão musical do clássico de Murnau “”Nosferatu – Uma Sinfonia de Horrores”. A iniciativa da “Odisséia de Imagens” da Porto contou com a participação da banda que acompanhou ao vivo com suas músicas, toda a encenação, numa leitura musical à la Clã.

08 – Livro: Para quem já havia encenado um filme, um livro já estava mais do que na lista dos novos objetivos dos Clã. A parceria decisiva do jornalista português Nuno Galopim fez este projeto ganhar corpo em 2006. Com o nome de “Curioso Clã” o trabalho trazia texto do jornalista com detalhes da carreira do Clã, alem de letras de diversas músicas da banda.

09 – Parceria com os colonizados: Nada faria mais sentido do que isto: juntar-se aos habitantes da colônia para agradar colonizadores e colonos! E assim o Clã fez, em parceria com Arnaldo Antunes, que é para os Clã “um poeta, é um escritor e um músico que nós admiramos já há muito tempo” e escreveu para eles “H2omem”, “Eu ninguém” e “Vamos esta noite” e é claro, com o Pato Fú, que convidou Manuela para gravar o som “Boa noite Brasil” do álbum Toda Cura Para Todo Mal e participou do álbum dos Clã, Cintura, lançado em 2007, no som “Amuo”. A parceria com a banda mineira fez tanto bem para ambas as bandas que até hoje uma e outra sempre se indicam para duos com as vocalistas Fernanda Takai e Manuela Azevedo. A ultima dessas indicações foi para a participação do Pato Fú, tocando ao vivo com o Clã no palco Sunset do Rock n Rio Lisboa, do ultimo dia 06 de junho. Sucesso absoluto para portugueses e brasileiros!

10 – Tira a Teima: Este foi o nome do single lançado em 2007, no espetacular “Cintura” sétimo álbum da banda. O single, que teve colaboração de Paulo Furtado, acompanha várias outras músicas que podem sem sobra de duvida agradar qualquer ouvinte atento. Além da já citada “Amuo”, o álbum traz “Fábrica de Amores” com teclados concentrados em gritar, junto a Manuela o seu sonoro”Tenho o paraíso em mim” e “Pequena Morte”, baladinha romântica para quem é capaz de morrer e ressuscitar por um novo amor.

Enfim, é isto. O Clã português espera por cada um de vocês, com suas melodias bem escolhidas, seu som diferenciado e sua fuga as padronizações. Para saber um pouquinho mais sobre estes portugueses maravilhosos, basta clicar em um dos links abaixo e se divertir:

http://www.cla.pt
www.clan-blog.blogspot.com
www.radiocla.blogspot.com
www.myspace.com/clamusic
www.myspace.com/clafanpage

Beijos da Rakky!

Publicado originalmente no site MundoRock.net em junho de 2008

Dez Razões pra Ouvir – Mallu Magalhães

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Ela é a mais nova sensação do rock nacional. Tem apenas 15 aninhos, várias composições próprias, toca e canta e é quase tudo em inglês. Nunca ouviu falar dela? Quer saber mais sobre a vida e obra da pequena? Dez Razões pra Ouvir!

01 – Começando cedo – Pois é. Ter 15 anos e já ser reconhecida em todo o país não é mole. Pra isso, Maria Luisa de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, ou só Mallu Magalhães, teve que começar bem cedo. Ganhou seu primeiro violão aos 8 anos de idade e daí pra frente começou a tentar imitar os movimento do seu maior exemplo na vida…

02- Inspiração paterna – Claro! Papai é tudo! Foi ao som de “Leãozinho” de Caetano Veloso que a paixão musical da garota surgiu. Logo entrou nas aulas de flauta do colégio, indicadas pelo pai, coisa que ela odiava. Ela não conseguia entender e acompanhar as bolinhas pintadas nas partituras. Ela preferia tocar do seu próprio jeito, por isso, desde cedo resolveu ser autodidata. E conseguiu se sair muito bem.

03 – Influências – A menina é muito mais avançada do que parece. Já disse em várias entrevistas que “nasceu na época errada” e que “queria tocar com os Mutantes”. Pois é, Mallu tem o Tropicalismo como uma de suas influências, curte Bossa Nova, João Gilberto, Caetano Veloso, Cazuza, Los Hermanos, Rita Lee, Elis Regina e Vanguard. De fora do país, a garota cita Dylan, Elvis, Chuck Berry, Johnny Cash e a “melodia mediocre” dos Beatles. Calma, ela ama os meninos de Liverpool. Só os define assim porque ama a simplicidade que encontra neles, e acredita muito neste tipo de melodia. Lindinha né?

04 – Estilo Próprio – Quando alguém lhe pergunta que tipo de som ela faz, ela responde sem pestanejar: “Folkabilly” ou “Folk´n´Roll”. Não, você não leu errado, é assim que ela mesma define o som que faz. É que ela não quis se limitar a escolher um estilo musical para se definir, e correr o risco de não poder tocar algo que gosta, por não se enquadrar no estilo que ela adotou. E é essa “liberdade” como ela mesma chama, que lhe faz criar o próprio som, tal como o próprio estilo.

05 – É puro feeling! – Nada de suas músicas tem inspiração auxiliada pela teoria musical que aprendeu nas aulas de violão que começou aos 11 anos. Ela também não imita algo ou alguém. Ela sente, cria e toca. A teoria só a ajudou a aprender a tocar de ouvido, mas o resto, “sai tudo naturalmente”.

06 – Compondo em inglês – Ela não domina o idioma, mas usa o que sabe para escrever, pra fazer a sua música. É uma defesa para ela. E com estilo, a garota se defende: “Se você canta em inglês, a pessoa não entende na hora”. É uma forma de mostrar o que se está sentindo, sem se expor. Espertinha a garotinha não?

07 – Tchubaruba – Um sentimento. A única música que Mallu não fez pra ninguém retrata para ela a alegria. E é uma música pra todos, e pra ela mesma. Ela queria representar um sentimento bom, uma felicidade particular. Queria uma palavra fácil de entender. E ela conjuga o verbo pra dizer pra todo mundo sair “Tchubarubando” por aí.

08 – Fama e Estudos – Sim, ela estuda. E vai terminar os estudos sim. Não gosta muito da idéia, mas já que o seu pai paga, ela vê como obrigação continuar e dar o melhor de si. Depois da “fama inesperada” a garota mudou de escola, e foi para uma que não lhe tomasse tanto tempo. Afinal, ela quer continuar escrevendo, desenhando e fazendo as tarefas de casa nos intervalos entre ser a simples “Maria Luisa” e a cantora “Mallu”.

09 – Para o futuro – Ela não sabe ainda se quer mesmo ser cantora pra sempre. Pensa em cursar design gráfico na USP, e tem toda a moral pra isso! Curte a pop-art e fala em Hélio Oiticica, entre outros magos da arte. Realmente a garota sabe o que quer!

10 – Primeiro CD chegando – A garotinha pensa grande! Já está se preparando pra gravar o primeiro CD. A mocinha que já tem 25 composições próprias planeja gravar durantes as férias para não atrapalhar os estudos. Conciliar os shows com a escola não será fácil, mas uma menina que já tem tanto futuro com certeza vai se dar bem! Aguardemos!

E aí, tá curioso pra conhecer o “folkabilly” da pequena Mallu? É só entrar no MySpace da menina (www.myspace.com/mallumagalhaes) e conferir! E claro, se apaixonar também!

Publicado originalmente no site MundoRock.net em maio de 2008

Dez Razões Pra Ouvir – Belle And Sebastian

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O Dez Razões Pra Ouvir deste mês traz pra você uma banda escocêsa, pela primeira vez na história da coluna. O indie rock europeu que o Belle and Sebastian faz, mistura influências do folk, do glam rock e do soft rock com os sons mais belos que os anos 60 puderam nos trazer. É uma banda de conteúdo, e um tanto diferente do que estamos acostumados a ver por aí. Quer saber porque? DEZ RAZÕES PRA OUVIR!

01 – Estudantes – Sim. Antes de começar a estourar mundo afora, Stuart Murdoch (vocal, guitarra e teclados) e Stuart David (baixo) eram só dois estudantes. Mas numa escola que tinha uma gravadora e com um professor ajudando, eles dois gravaram algumas demos para concorrer a uma gravação. Ganharam, é claro, e depois de agregarem Stevie Jackson (vocais e guitarra), Isobel Campbel (vocais e cello), Chris Guedes (teclados) e Richard Colbum (bateria) começaram a gravar o seu primeiro EP.

02 – O nome, é claro: De onde surgiu o nome da banda? Não! Não é um casal de namorados que tem esse apelido. O nome Belle e Sebastian veio de um desenho infantil, chamado “Belle et Sébastien”. O desenho narra a saga do menino Sébastien e seu cachorrinho, o fofo Belle. Apesar de negarem, alguns fãs cogitam também a possibilidade de o nome da banda ter a ver com o namoro de Isobel e Murdoch. Dos dois modos, é fofo não? Tal como a banda!

03 – Correria para o sucesso – Desafios e desafios nortearam o início de carreira do Belle e Sebastian. Afinal gravar um EP em três dias não é moleza! Isto mesmo! Esse foi o prazo que tinham disponível os meninos e a menina do Belle e Sebastian. O “Tigermilk” teve apenas mill cópias gravadas. Depois do sucesso, é claro que eles tinham que investir em si mesmos. Foram para a Jeepster Records em agosto de 1996 e, no mesmo ano, apenas três meses depois do lançamento do EP, o álbum “If You´re Feeling Sinister” começou a rodar por aí. Depois deste lançamento, Sarah Martin (violino e vocais) se juntou à turma.

04 – Medo da mídia?? – Pois é. No início da carreira, esta seria a única explicação viável para o afastamento desses estudantes de qualquer contato com o público. Eles não faziam shows, não apareciam na TV, não se exibiam por aí, não davam entrevistas. E mesmo assim eram tão queridos que já havia até disputa de gravadoras por eles. Resolveram ficar com a Jeepster para não perderem sua “liberdade artística”.

05 – Fora da Escócia: O álbum “The Boy With The Arab Strap” foi a grande razão para que o Belle e Sebastian ficasse conhecido no mundo todo, graças a sons como “Dirty Dream Number Two” e “Chickfactor”. Antes dele, o grupo gravou algumas outras EP´s. Depois dele, além de receberem Mick Cooke para os trompetes da banda, o Belle e Sebastian recebeu também a décima segunda colocação nas paradas britânicas. Era o momento para começar a aparecer, e ou atrair mais fãs que gostariam de ver os rostinhos dos Belle´s, ou afastar outros, que adoravam a banda por causa do mistério.

06 – Mais comerciais: O lançamento de “Fold Your Hands Child, You Walk Like A Peasant” fez a banda aparecer um pouco mais. Afinal, o álbum levou-os ao seu primeiro Top 10 no Reino Unido. Enquanto isso, a Jeepster relançava o “Tigermilk” na integra para os fãs que não acompanharam o trabalho dos Belle´s desde o começo. O “Fold Your…” também trouxe a primeira substituição do Belle and Sebastian, pois Stuart David foi substituído por Bobby Kildea.

07 – Presença feminina: É claro que a presença de uma mulher é muito importante numa banda. E duas então, nem se fala! Apesar de Isobel Campbell ter saído da banda em 2002 (talvez até pelo término de seu namoro com Stuart Murdoch) a garota teve grande participação na história da banda. Ela compunha diversas músicas, além de arrasar no piano, no violão, no teclado e até na flauta durante as gravações e shows. Sarah Martin permanece até hoje com os Belle. Ela é responsável pelo violino e pelo teclado da banda, e também assume os vocais, ocasionalmente. Lindas não?

08 – Passagem pelo Brasil: É. Eles já estiveram por aqui. Foi em 2001, no Free Jazz Festival. No palco Main Stage, o grupo apresentou a sua música e encantou os brasileiros, com o jeito acadêmico e alternativo deles de fazer rock. Durante a apresentação de uma das músicas, Murdoch chamou uma fã ao palco. Sabe o que ele queria? Fazer ela ler a tradução da letra de uma das músicas, em português, de um papelzinho que ele trazia no bolso. Tem melhor forma de fazer o seu público entender o que você diz?? Esta apresentação ficou na história por outros motivos. É que Sarah, Murdoch e Steve quiseram cantar em português também. E cantaram, num português arriscado, sons dos Mutantes e de Caetano para o delírio da galera. Lindos é pouco!

09 – Trilha Sonora e DVD: O filme “Storytelling” deu ao Belle e Sebastian o lançamento de uma trilha sonora, com o mesmo nome. As turnês de divulgação ficavam cada vez maiores e a banda seguia fazendo mais e mais sucesso. Nesta época, largaram a Jeepster em 2002 e entraram na Rough Trade Records, para finalizar o álbum “Dear Catastrope Waitress”, lançado em 2003, que trouxe a indefinível “Step into My Office, Baby”, que foi também o primeiro single/EP lançado a partir de um álbum na história do B&S. Depois de tudo isso, um DVD cairia bem, e em 2004, os B&S lançam o “Fans Only”, retratando a fase Jeepster, com alguns clipes e várias cenas ao vivo.

10 – Hora de relaxar: Depois de toda esta correria louca que é a carreira do B&S, já estava na hora de dar uma paradinha né? É esta a sensação que fica para quem ouve o sexto álbum da banda, “The Life Pursuit”. Com canções mais animadas, os Belle´s afirmam estar mais conscientes do que fazem em relação a música. A sensação de felicidade também é óbvia neste trabalho. Agora é esperar novidades e torcer muito pra que toda a energia folk, indie, soul e soft que emana das composições da banda venham para o Brasil, pra todos nós vermos de pertinho o que os B&S podem fazer. Descansar um pouquinho é necessário não é mesmo? Afinal, eles merecem!

Quer saber mais? Acessa agora: www.belleandsebastian.co.uk

Publicado originalmente no site MundoRock.net em abril de 2008

Dez Razões pra Ouvir – Oasis

Republicando antigos textos:


Dez Razões Pra Ouvir – Oasisoasis_

É. A banda da vez é o Oasis. Se você nunca ouviu falar nos irmãos Gallagher e suas brigas, nunca cantou as palavras de Noel ou os agudos de Lion ou detesta quando ouve falar naqueles “Beatles da atualidade”, se prepare. Os meninos (que não negam, querem mesmo ser os novos Beatles, ou melhores do que eles), têm muito a mostrar além da semelhança inglesa. Vamos ver se eu consigo te convencer? Dez razões pra ouvir!

01 – Banda de irmãos dá certo sim!: Pois é, e o Oasis é uma boa prova disso. Os meninos começaram a trabalhar com sua formação original em 1991. Antes disso, a banda de Lion, o The Rain, não contava ainda com Noel, que era roadie de uma outra banda, o Inspiral Carpets e estava fazendo uma turnezinha pela Europa. Numa volta pra casa, assistiu a um ensaio da banda do irmão, e resolveu entrar na banda. Mais com uma condição: ele (Noel) iria compor todas as canções, e Lion seria ‘apenas’ o mero vocalista. Em 1992, depois de arrecadar uma grana pra comprarem equipamentos, Noel deixou de ser roadie e junto com seu irmão Lian no vocal, Paul “Bonehead” Arthurs na guitarra, Paul “Guigs” McGuigan no baixo e Tony McCaroll na bateria, formou o Oasis. E os caras estão aí até hoje, fazendo o maior sucesso. Brigas,é claro que têm, mais superar isso é o melhor! Demais não?

02 – Definitely Maybe: Como? Definitivamente talvez? Isso aí. Pra um álbum de estréia, nada mais incomum. Pois é, em 1994 os meninos do Oasis entram de vez nas paradas britânicas e em pouco tempo os caras já tinham recebido o disco de ouro. Tudo isso graças a sons como Live Forever, Supersonic e Married With Children. Ninguém diria que um nome tão incerto traria tantas certezas.

03 – What´s the story?: Qual é a da vez? Ser comparados aos Beatles? Se dizer melhor que eles? Estourar mais ainda? Tudo isso e um pouco mais para os britânicos do Oasis! Definindo o estilo britpop para a banda, com músicas como Wonderwall e Don’t Look Back in Anger, o período também marcou a saída do baterista Tony McCarrol, por suas constantes brigas com os irmãos Gallagher. Tony foi substituido por Alan White e o Oasis alcançou o primeiro lugar de vendas no Reino Unido, e ainda a quarta posição nos Estados Unidos.

04 – Beatles mesmo: As referências à banda são óbvias. Em todos os álbuns, em várias músicas, nas letras, nas melodias, no visual, nos cabelos. No álbum “The Masterplan”, há um cover de I Am the Walrus ao vivo. Go Let It Out, do album Standin on the Shouder of Giants tem um trecho que provavelmente foi inspirado em Hey Jude. “Don´t Look Back in Anger” tem a introdução identica à de “Imagine” de Jonh Lennon. Mais o álbum que provavelmente tenha mais influências notáveis é o Be Here Now. Nas músicas “Stand by Me”, “D’You Know What I Mean”, “All Around the World” e “Fade In-Out” notam-se referências e semelhanças em suas letras, melodias e até em clipes. No mesmo álbum, além de outras referências, há no encarte uma foto com cartaz, onde se lê o seguinte: “Os Beatles eram bons, mais o Oasis é melhor”. Não disfarçam mesmo!

05 – A irreverência: Comentam os fãs mais assíduos que ver um show do Oasis é também engraçado. Brigas de irmãos (Liam quer atenção, mais Noel também quer), brincadeiras e brigas com o público (ataque o time do coração de Liam na frente dele e veja um cara muito nervoso) e frases feitas, unidas às guitarras mais ferozes. Coisas engraçadas também costumam acontecer nos shows do Oasis. Imagine o Noel indo parar num hospital por causa de um fã que, sem motivo notável, subiu no palco, deu-lhe um murro no olho e saiu correndo. Boa né?

06 – Influências: E nem só de Beatles o Oasis viverá. Não mesmo! Liam (que na verdade é William, feio né?) curte muito um Rolling Stones também! Além de não abrir mão de um belíssimo The Kinks, um The Who e um Sex Pistols. Noel, é mais ‘alternativo’. Seus heróis são Paul Weller, antigo The Jam, estourando solo, Johnny Marr, também um grande guitarrista e formador dos Smiths (o cara), e é claro, John Lennon. Por que será né?

07 – Shows no Brasil: Pois é. Os caras nos visitaram três vezes! A primeira, em 1998, na turnê do “Be Here Now”, lotou o Anhembi com 12 mil pessoas. A segunda, em 2001, presença mais que marcante no “Rock´n´Rio” e em 2006, divulgando o último álbum “Turn Up The Sun”. Nesta apresentação, um fato histórico: à pedido dos desesperados fãs brasileiros, debaixo de uma chuva torrencial, os meninos de Manchester mudaram a set-list, e tocaram a pedida Supersonic. Esta foi a única mudança de repertório da banda na turnê.

08 – Os melhores da década: Pois é. O hit mundialmente conhecido Wonderwall, talvez a música mais conhecida da banda, virou o melhor som da década de 90, através de votação da rádio inglesa “Virgin Radio”. Os caras também foram os únicos a ter duas músicas na lista das 10 melhores da votação, com “Don´t Look it Back in Anger”, que ficou em quarto lugar. Magia, romantismo, fúria… tudo isso e muito mais as letras dos caras também trazem. Para os mais revoltados e para os mais amorosos, as palavras de Noel (a maioria das letras tem a sua assinatura no final) envolvem e fazem refletir. Se por Wonderwall, ou simplesmente por suas maravilhosas músicas eles merecem ser os melhores dos anos 90, com certeza merecem um pouquinho da sua atenção, não?

09 – Dislexos escrevem pra caramba! Nossa, essa é boa! Quem diria que um cara que compõe tanto como o nosso Noel tenha dislexia. A doença, entre outros males, dificulta a escrita no papel, faz a pessoa trocar as palavras… enfim, tudo isso faz o nosso compositor ficar horas a fio escrevendo, revisando, olhando, escrevendo tudo de novo para ter as palavras no lugar certo. Um baita esforço! Mais vale a pena não é mesmo?

10 – Extremos e modestos: O grande foco da banda são as polêmicas dos irmãos mesmo. Frases deles já se tornaram ‘hino’ de vários jovens, fãs da banda, e os caras têm extrema noção de que ‘estão podendo’. Liam, simplesmente ‘o máximo’ já chamou Paul McCartney e Mick Jagger de ‘cogumelos velhos e suarentos’, disse que ‘quando se pode transar com todas as mulheres do mundo, tudo fica muito chato’ e que ‘só gente burra e chata’ não gosta de seu jeito de cantar. Já Noel é mais moderado, ou mais beatlemaniaco mesmo. Uma vez, disse: ‘Dentre as 50 melhores canções pop de todos os tempos, 49 são dos Beatles. A outra? Wonderwall’. Em outra declaração super simplória, Noel soltou: ‘Compare nossos Cd’s com os dois primeiros álbuns de todas as bandas de rock. Não sobra ninguêm, talvez só os Beatles’. Modesto não?

A atual formação da banda é: Liam Gallagher no vocal, Noel Gallagher e Gem Archer na guitarra e Andy Bell no baixo. Em algumas turnês da banda, Zak Starkey, nada mais, nada menos que o filho do beatle Ringo Star, o garoto ocupa a função do pai na banda. Mais não quer se fixar no Oasis e toca também no The Who. Nada melhor para beatlemaniacos como os caras do Oasis ter sangue Beatle na banda.

Conhece? Aaah, ainda não? Então vai lá, demorou pra entrar no site dos caras e descobrir tudo o que puder sobre esses loucos. Acessa: http://www.oasisinet.com

(Março de 2008 – Publicado originalmente no site MundoRock.net)


Dez Razões Pra Ouvir – My Chemical Romance

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Que eles estão chegando no Brasil você sabe. Que muita gente os considera a banda mais emo da atualidade, também. Mas será que você conhece tanto o MCR a ponto de saber se vale a pena lutar por um ingresso em um dos shows da passagem da banda pelo país? O Dez Razões pra Ouvir vai te dar uma mão zinha pra decidir. Let´s Go!

01 – De Nova Jersey para o mundo: Um pouco antes de o My Chemical Romance surgir, Gerard Way e Matt Pelissier se uniram para compor uma música que falava sobre o que ambos sentiam em relação aos ataques de 11 de setembro, a que eles chamaram de Skylines and Turnstiles. Daí à montar uma banda de rock não faltava muito, e então Mikey Way, Frank lero e Ray Toro se juntaram aos dois para formar o My Chemical Romance, que seria uma banda fora do comum para eles e para os outros. E pra começar sendo o menos comum possível, eles precisavam de…

02 – Um nome fantástico: E a idéia foi do baixista Mikey Way. Diz a lenda que Mikey se inspirou no livro de Irvine Welsh intitulado “Ecstasy: Three Tales of Chemical Romance”. Dado o nome, começaram a trabalhar para gravar o seu primeiro álbum, chamado “I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love”, álbum com músicas como “Drowning Lessons ” e “Headfirst For Halos”. O desafio maior foi fazer o álbum sair, em apenas duas semanas, depois de assinar a parceria com a gravadora Eyeball Records. O álbum não estourou, rendeu boas oportunidades à banda que fez turnês com The Used, Thrice e Taking Back Sunday graças a este trabalho.

03- I´m not Okay: Vendo um nome destes só se pode crer que há algo errado. Muito pelo contrário. Este foi o nome de um dos singles do álbum “Three Cheers for Sweet Revenge”, álbum que fez o My Chemical Romance ficar conhecido em todo o mundo. É que a banda assinou com a Warner em 2003 e pegaram 2004 pra lançar o novo álbum. Além de “I´m not Okay”, o álbum também trás os singles Under Pressure e …

04 – Helena: Uma música sem explicações. Helena foi composta por Gerard Way na ocasião da morte de sua avó. A mulher merecia a homenagem. Desde o começo sempre apoiou a banda e estava lá nos momentos mais difíceis. Também diz a lenda que Gerard quase desistiu da banda e que só não o fez pelo incentivo que sua avó lhe deu. O nome da música é também uma homenagem à avó, que se chamava Elena Lee Rush. Elena ensinou a Gerard tudo o que ele precisava pra ser o grande cantor que é hoje. A música ficou em primeiro lugar em diversas paradas de sucesso espalhadas pelo mundo e rendeu ao grupo o Disco de Platina um ano após o lançamento.

05 – Estilo: O My Chemical Romance não é uma banda de emocore, por mais que boa parte da galera que os escute por aí pense isto. Não dá pra classifica-los apenas assim e eles odeiam que o façam. O My Chemical Romance é então uma banda de rock, punk-rock e vão até uma mistura de metal, post-hardcore e punk rock. E quem disser o contrário com certeza não será um bom amigo do Gerard Way. Em uma entrevista para a revista “Tú” traduzida pelo site fã “My Chemical Obsession”, a banda se define: “Nós teríamos que nos classificar como uma banda de rock. A questão de nossa banda (não que fazemos de propósito!) , é que desde o inicio não queríamos tocar apenas um estilo de música, e não somos capazes de compor apenas um tipo de canção. A banda tem suas raízes no punk definitivamente, e agora estamos tratando de levar com calma, tocando músicas mais lentas, algumas canções estão escritas para serem cantadas em estádio e outras vão perfeitos em festas, como por exemplo ‘Famous last words’, e ‘Black Parade’ é para show de cenário maiores e prender a todos.

06 – Visual: Seriam eles os novos góticos? Pra explicar as vestimentas, cabelos e maquiagem, os integrantes da banda apenas citam suas inspirações. Filmes de terror, para as apresentações ao vivo e compor. Influências do Thursday, The Smiths, The Cure e The Misfits também ajudam nas letras. Estão bem arranjados esses meninos não??

07 – O DVD: Em 21 de Março 2006 a banda lançou o DVD “Life on the Murder Scene”, que inclui dois volumes sobre a história da banda e um álbum ao vivo. A obra foi adiada duas vezes, primeiro surgiram rumores de que seria lançado em 8 de Novembro de 2005 e foi adiado para 7 de Fevereiro de 2006, mas foi adiado novamente para a data em vigor. Ele contém aproximadamente 4h30min de informações sobre a banda, making offs, videoclipes e apresentações ao vivo, além de entrevistas com pessoas que tiveram contato com a banda, incluindo produtores, cantores de outras bandas e amigos.

08 – Clipes: O visual nada comum da banda é mais do que visto em seus clipes. Pouca claridade, nuances de preto e branco, cores frias, explosões inesperadas e as caras e bocas inconfundíveis de Gerard marcam toda uma geração de clipes do My Chemical Romance. As mais curiosas cenas também são vistas nos clipes do novo álbum da banda o…

09 – The Black Parade: As cenas de clipes deste álbum mostram os integrantes da banda sempre com um mesmo uniforme, tendo como excessão o clipe de “I Don´t Love You”. Isto se explica porque o álbum inteiro foi produzido para contar a história de um jovem com câncer, passando por quimioterapia. Todas as canções apresentam o personagem principal (O Paciente) rodeado por outros três personagens principais, que podem ser vistos no clipe de “Welcome to the Black Parade”. São eles a “Mãe Guerra”, o “Medo” e o “Arrependimento”. O conceito para a produção do álbum era contar a história do garoto, e transmitir a idéia de morte, que para Gerard Way é como ‘um grande desfile negro’.

10 – Vinda ao Brasil: Fevereiro está aí e o My Chemical Romance está chegando. É a sua chance de ver e ouvir ao vivo o som dos caras. Se este Dez Razões conseguiu te provocar curiosidade, acho que cumpri a minha missão aqui. Confira nos shows a maestria e talento desses meninos super bem inspirados.

Mais My Chemical Romance nos links:
www.mychemicalromance.com
www.mychemicalobsessionbrasil.com
www.mychemicalteam.com.br

Colaboração: Andrea Ariani

Publicado originalmente no site MundoRock.net em fevereiro de 2008

Dez Razões Pra Ouvir – The Beatles

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Tudo bem, tudo bem. Eu sei que isso parece realmente idiota. Mais enfim, quer melhor coisa que encerrar 2007 e começar 2008 lendo um pouco mais sobre a melhor banda do mundo? Pois é. Não existem só dez razões pra ouvir Beatles, há mil razões. Mais eu quis fazer uma seleção do que há de melhor entre os sagrados meninos de Liverpool. Vamos logo?

01 – Eternos mesmo: Sejamos objetivos, vai. O que é que faz uma banda que acabou há muito tempo, já tem dois componentes mortos e não tem mais nenhuma novidade apaixonar jovens e adolescentes de todo o mundo até hoje? Suas músicas, suas letras, seu carisma até hoje enlouquecem a quem os conhece. Uma história que começou um tanto antes de 1962 poderia fazer tantos frutos e revolucionar tanto? O que se sabe é que a beatlemania se espalhou pelo mundo e fez filhos, netos e bisnetos. Gerações e gerações de rockeiros começam ou não ouvindo Beatles, mais sempre os tem em seu case de Cd´s, ou em discos, ou em Mp3 no PC. Sempre presentes, os quatro garotos que mudaram o mundo são de verdade eternos.

02 – Um nome confuso: Milhares de pessoas se perguntam até hoje a razão da escolha do nome “The Beatles”. Dentre as diversas versões para o fato (os garotos, principalmente o John, sempre se ocupavam em contar uma história diferente, pela ‘impaciência’ que a mesma e tão repetitiva pergunta causava) a mais aceita diz que John e Stuart (um grande amigo de John e ex-componente) ficaram pensando em nomes para o grupo. Lembraram-se de Buddy Holly and the Crickets (grilos),e pensaram em Beetles (besouros), sendo que John logo sacou um de seus trocadilhos e mudou para Beatles, como uma referência aos Beatniks, e à palavra Beat (batida, ritmo). Em abril de 1960, eles estavam tocando com o nome BEATALS, passando em seguida para SILVER BEATS, depois para SILVER BEETLES, mudando para THE SILVER BEATLES, em julho de 1960 e, finalmente, THE BEATLES, a partir de 16 de agosto de 1960. Consta que Allan Williams (outro ex-componente) foi contra o nome Beatles, e que Cass, do grupo Cass and the Casanovas, sugeriu LONG JOHN AND THE SILVER BEATLES, inspirado na Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson. John recusou de imediato o “Long John”, aceitando porém o “The Silver Beatles”. Existem indícios de que eles usaram o nome BEATLES (sem o THE) antes mesmo de usarem o nome BEATALS.

03 – Adolescência, bandas e Beatles: Nossa! Tanta emoção que esqueci de apresentar: pois é, estamos falando de John Lennon (guitarra e vocal), Paul McCartney (baixo e vocal), George Harrison (guitarra e vocal) e Ringo Starr (bateria e vocal). Mais era mesmo necessário? John Lennon, o notório e nonsense guitarrista e vocalista da banda, antes de ser um ‘beatle’ já era apaixonado por música. Na adolescência, ele esperava os navegantes que desciam no porto de Liverpool para comprar discos que vinham dos Estados Unidos. Aos quinze anos, formou o “The Quarrymen”, junto ao seu melhor amigo da época, Pete Best. Em 1956, conheceu Paul McCartney, e a amizade entre os dois cresceu em forma de laços de proximidade, pois ambos haviam perdido suas mães precocemente (John aos 17, Julia morreu num acidente de carro, e Paul aos 15, Mary morreu de embolismo). Paul era amigo de infância de George Harrisson, tendo o conhecido aos 11 anos, no caminho para a escola. Aos 12, George comprou sua primeira guitarra e anos depois foi apresentado a John por Paul. Ringo, o último dos Beatles, entrou pra banda pra substituir o amigo de John, Pete Best, quando os Beatles já tinham contrato com a gravadora Parlophone. O apelido ‘Ringo’ (o nome dele na verdade é Richard) surgiu ainda em sua primeira banda, “Rory Storm and the Hurricanes” por causa dos anéis (ring) que ele tanto gostava. Cada um de seu lado de Liverpool, os Beatles começaram bem antes de começar. Só assim para serem o que foram.

04 – Discos e o início da fama: Em 1963, finalmente aconteceu. O primeiro álbum dos Beatles foi lançado. “Please, Please Me” trazia quatro jovens ‘engomadinhos’ e de cabelos iguais, cantando algo diferente. “Love me Do” alcançava as paradas de sucesso e encantava milhões. Deste álbum também se destacaram “She Loves You” e “From me To You”. Ainda em 63, os meninos lançam “With The Beatles” e a Inglaterra se rende à “All My Loving”, “Money” e “I Wanna Be Your Man”. No mesmo ano, Paul e John (a eterna dupla) foram eleitos os melhores compositores de 63. Com todos os discos esgotados, os Beatles ficam em primeiro lugar nas paradas da Inglaterra. Em 1964, os EUA se rendem à força de Liverpool e o álbum “A Hard Days Night” juntamente com seu filme, rendem milhares de fãs. Começa aqui a…

05 – Beatlemania: Depois da apresentação do grupo no programa de TV de Ed Sullivan, não tinha mais jeito: o mundo conheceria os “Beatles”. O sucesso do filme “A Hard Days Night” marcou 64, e deu ainda mais gás aos meninos, que não paravam. Carteiras, guitarras, baixos, microfones, camisetas… tudo o que podia ser estampado em lojas, vinha com o nome dos Beatles. Aqui, eles lançam o álbum “Beatles For Sale” (à venda, ironicamente) e mais sucessos. Em 1965 veio “Help!”, uma das mais lembradas músicas da banda, e nome do álbum. Deste lançamento são também “You´ve Got to Hide Your Love Away” e “Yeasterday”, considerada até hoje uma das melhores composições em todo o mundo. Ainda em 1965, mais no finalzinho do ano, vinha à tona o “Rubber Soul”, com uns Beatles um tanto mais maduros. Deste álbum são “Nowhere Man” e “Michelle”, além de “In My Life”. Aqui, surgiu …

06 – A nova cara dos Beatles: “Rubber” mostrava uns Beatles com letras ‘menos bobas’, coisas mais maduras, e mais experimentações. Bob Dylan teve grande responsabilidade aqui, junto a diversas outras influências. Depois de uma coletânea com os maiores sucessos, o grande divisor de águas veio. “Revolver”, que trouxe “Eleanor Rigby” e “Tomorrow Never Knows” além de “Yellow Submarine” que viraria nome de um outro álbum, dois anos depois, trazia quatro novos meninos, mais influentes e mais maduros musicalmente. Mais o melhor ainda estava por vir. Faltava a psicodelia. E esta chegou em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” de 1967. Por causa deste álbum e durante sua turnê, diversas lendas beatlemaniacas surgiram. Entre elas a referencia que a música “Lucy In The Sky With Diamonds” faria à droga LSD, que John negava dizendo ser uma homenagem à Lucy, uma amiga de seu filho, e a um desenho que ela fez. Houve também a suposta morte de Paul McCartney, que teria sido substituído por um sósia, para que a banda não acabasse. Este também era o primeiro disco que promovia o rock progressivo, e o movimento Hippie o tinha como grande inspiração, pois suas músicas trazem à mente imagens e fazem viajar (só ouvindo pra saber e a Rakky recomenda).

07 – O início do fim da melhor banda do mundo: Foi durante a turnê do Stg. que os Beatles receberiam a pior noticia do ano. Brian Epstein morreu. Sem ele, a produção do filme Magical Mistery Tour foi extremamente mal aceita pelos fãs, que odiaram o filme, mais continuaram venerando o som. A trilha contava com composições de todos os Beatles, como poucas vezes acontecia. Álbum de “Penny Lane” e “I Am The Walrus”, o Magical também é o álbum que traz Paul na liderança musical e administrativa do grupo. Mais a queda começa mesmo quando Ringo tem crises de inferioridade, Paul casa-se com Linda e John passa a viver para Yoko. As sugestões da designer em suas composições atrapalhavam toda a banda, que em 1968 lançou o Álbum Branco, e o animado Yellow Submarine, filme desenho e disco.

08 – O “quinto” Beatle?: Yoko Ono. John Lennon até mudou seu nome por ela (De John Wilston Lennon para John Wilston Ono Lennon). Ela interferia nas composições de John, e isto deixava Paul enfurecido. Mais este não era o único problema. Ringo já havia saído da banda duas vezes e voltado em seguida, e até George pensou em sair uma vez. Em crise, eles tentaram emplacar junto à Aplle, sua nova gravadora, um filme que se chamaria “Get Back” e traria a banda, de volta as origens. Não deu certo, mais as músicas gravadas para o trabalho, num ritmo angustiante, dariam luz em 1970 à “Let It Be”. A presença de Yoko no estúdio só atrapalhava as gravações e ensaios dos garotos. Tão próximos do fim, só restava a eles…

09 – O Último Suspiro: Foi Abbey Road, de 1969. Um dos álbuns mais completos e indiscutíveis dos Beatles, com as também inesquecíveis “Here Comes The Sun”, “Something” e “Come Together”. John estava mais preocupado com sua banda com a Yoko e as suas mensagens de paz mundial, Paul também lançava sua carreira solo e em 1970 John anuncia que “O sonho acabou”. Os fãs não acreditavam, e continuavam sonhando em ver aqueles quatro magos tocando novamente. Até que John foi assassinado, na porta de seu prédio, por um fã incontrolado.

10 – A Vida após a morte: Coletâneas, novas versões e álbuns, diversas coleções e lembranças. Isso faz a vida dos atuais Beatlemaniacos. Depois da trilogia Anthology 1, 2 e 3, o álbum “1″, e o “Let It Be… Naked”, que segundo Paul seria o nome original do álbum, depois também da morte de George Harrison, os fãs dos Beatles receberam em 2006 um novo presente: “Love”, um disco com mixagens maravilhosas das mais encantadoras composições dos Beatles. E a Beatlemania vive até hoje! E pra sempre!

Pra conhecer mais, eu relaciono agora um monte de links:
www.beatles.com
www.beatlemania.com.br
www.thebeatles.com.br
www.beatles4ever.com.br
www.beatlesbrasil.com/forum/index.php

Publicado originalmente no site MundoRock.net em dezembro de 2007

Dez Razões Pra Ouvir – Ludov

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Tá bom, tá certo. Eu sei que abandonei o 10 razões sem justificativa aparente. Mais o importante é que eu tô de volta e trouxe, como sempre, uma grande banda pra vocês! Acompanhe!

Quer conhecer uma banda espetacular? Então preste bastante atenção às próximas linhas, pois o Ludov com certeza vai te surpreender, assim como me surpreendeu. Não, não é só porque eles foram convidados pra compor parte da trilha nacional do musical High School Musical ou por causa de suas letras fofinhas. Eles são surpreendentes! Então, vá até o fim e se convença disso. Dez Razões pra Ouvir !

01 – Começar depois do fim: E foi do final do Maybees que surgiu o Ludov. Pois é, Vanessa Krongold (vocal, violão), Mauro Motoki (guitarra, teclado), Habacuque Lima (guitarra, baixo) e o ex-baixista Eduardo Filomeno (que saiu do Ludov pra estudar no exterior) encerraram juntos (e sem brigas) uma banda que se chamava Maybees, e só tocavam músicas internacionais. Depois do fim do Maybees, eles perceberam que outra banda estaria dentro da capacidade musical deles, pra tentar um som mais nacional, pois o momento estava mais propício para isso. Foi ai que Paulo Chapolin (bateria), entrou pra galera e a nova banda nasceu. Mais antes de se chamarem Ludov (uma referência ao livro “A laranja Mecânica”, de Anthony Burgess) adotaram também o nome de Super-Trunfo (que mais tarde seria nome de uma música deles também, lançada no álbum “O Exercício das Pequenas Coisas”). Com um começo tão bacana, o que estaria por vir?

02 – Musicalidade: É só dar uma olhadinha nas funções de cada um dos membros da banda na banda pra levar um susto. Como é que pode um guitarrista ser baixista também? E o outro guitarrista também toca teclado! Caraca, até a vocal se arrisca no violão também… pois é, o Ludov é uma banda de músicos, pra quem gosta de música mesmo. Sem medo de ser feliz, cada um dos membros se reveza tocando e cantando (todos eles também mandam muito bem com a voz). E ninguém faz feio não viu?

03 – É hora de EP! – Depois de tanta luta pra fixar um novo nome, era hora de se lançar, não é mesmo? Lançado em 2003, o EP “Dois a Rodar”, trouxe à público a primeira demonstração de uma grande banda. Com o grande sucesso “Princesa”, a banda se firmou no cenário alternativo brasileiro e ganhou o VMB de melhor clipe. “Melancolia”, “Aconteceu” e “Transito” são outras entre as seis canções que formaram o EP.

04 – Fazer grandes as pequenas coisas: Pra continuar no ritmo do EP, foi a hora de lançar um álbum completo. E “O Exercício das Pequenas Coisas” traz “Estrelas”, mais uma dentre as músicas que não podem faltar em qualquer show do Ludov, e “Kriptonita”, que levou a banda ao VMB mais uma vez. Era um Ludov se formando, conquistando fãs e mostrando a cara pra o Brasil.

05 – High School Musical: Pois é, a Disney precisava de uma versão brasileira pra os singles do musical “High School Musical”. E não havia melhor banda pra essa versão que o nosso Ludov aqui. A música escolhida pra eles foi What I´ve Been Looking For, que virou O que eu procurava. E um novo público começou a ouvir Ludov. E a adorar também, é claro.

06 – Influências: Pensou que eu ia esquecer de citar os caras que inspiram o Ludov? Não mesmo, pois são belas referências. Mais eles não chegam a um concenso na hora de ouvir o que gostam. Digamos que cada um tem sua preferência e elas se mostram nos covers que fazem de bandas como U2, Cure, Cranberries, Los Fabulosos Cadillacs, Pato Fu, Cardigans, Blondie, Pulp… não dá pra não notar que o que eles ouvem é bom. Legal é que eles também são.

07 – Botando o fã pra trabalhar: Tá pensando que ser fã de Ludov é moleza? Tá enganado! Pois é, a banda coloca mesmo o fã pra trabalhar. Não tá entendendo? É simples! Imagina uma promoção onde você fã pode criar um video-clipe pra a nova música de trabalho da banda? Então. Com o Ludov, a promoção foi em parceria com o selo Mondo 77 e a música era “Sintonia” do álbum “O Exercício das Pequenas Coisas”. E, de acordo com entrevista dada pelo Motoki ao site Vagalume, a iniciativa deve se repetir. Lindo não é mesmo?

08 – Contato: Se você estiver pensando que tudo isso só pode resultar em uma banda de ‘estrelinhas’, errou de novo. O Ludov mantem contato freqüênte com seus fãs, através do site, do fã-clube oficial (Os Ludovicos) e através de e-mails (que até a Vanessa Krongold responde pessoalmente). Aliás, a musa é a moderadora da lista oficial que o grupo tem no Yahoo.

09 – Divisão de responsabilidades: Como afirma Mauro Motoki, com tanta convicção no release da banda, “Somos uma banda de quatro líderes. Não é uma democracia. A coisa não funciona por voto, os quatro precisam concordar com o que se faz”. Só assim mesmo pra serem tão fantásticos juntos. É essa a sintonia ludóvica, o grande segredo que faz esses amigos formarem um som com tanta competência e precisão.

10 – Vem lançar um disco paralelo: Em 2007, o Ludov voltou a nos dar uma grande alegria. O lançamento do álbum “Disco Paralelo”, em agosto, traz um Ludov mais envolto, mais forte. Não é questão de estarem mais ‘maduros’. É a certeza de já ter conquistado um público fiel que os deixa mais livres. O álbum tem como marca a ‘calmaria’, e a única música excessão à regra é “Urbana”, primeira música de trabalho. Com 11 faixas, é algo que realmente vale à pena conferir.

Será que consegui plantar uma sementinha de curiosidade aí? Tá, você vai mesmo precisar ouvir a banda pra saber do que estou falando. E não vai se arrepender. É só acessar www.ludov.com.br e virar fã de carteirinha. Depois não diga que eu não avisei!

Publicado originalmente no site MundoRock.net em outubro de 2007

Dez Razões Pra Ouvir – Melissa Auf Der Maur

Dez Razões pra Ouvir – Melissa Auf Der Maur

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Opa! Meu, é aquela guria ruiva do Smashing Pumpkins antes do fim não é não? Sim, sim. Assustado? Pois é, a menina tem muita história pra contar, de antes, durante e depois da época em que dividia palco com o Billy. Desde o início, tudo dizia q esta canadense de cabelo vermelho brilharia. E brilhou! Preparado? Dez razões pra ouvir!

1 – Cultura vem de casa: E como não? O que você esperaria da única filha de um casal de jornalistas? Uma grande escritora? Uma jornalista? Uma poetiza? Uma executiva? E se a mãe dela fosse a primeira DJ feminina no Canadá? AAaaahhhh… chegamos à Melissinha! Acostumada desde muito nova a ler muito, estudar pra caramba, e saber de tudo o que se passava no mundo da música através da mamãe, a garota não precisou de muito tempo pra saber o que queria. E deu muito certo, não?

2 – Tocar… tocar muito!: Parecia que desde pequenininha a garota já sabia o que queria. É, a garota logo cedo se inscreveu numa escola de música e começou ali a aprender a tocar vários instrumentos. Mais desde cedo também já surgia uma grande e duradoura paixão: o baixo. Diferente das outras meninas que preferiam a guitarra, ou o violão, ou até o piano, Melissa já mostrava que o baixo seria a sua arte. Alguém tem dúvidas?

3 – A idéia fixa: Formar uma banda. E não é o que todo mundo quer no início da carreira. Pois é, Melissa também queria. E quer fase melhor pra isso que a adolescência? Foi assim que nasceu o Tinker, primeira banda da nossa ruivinha canadense. Pra que não houvesse barreiras no caminho da menina, não faltariam incentivos. A família, sempre ao lado da garota, dava-lhe toda a força e apoio que precisava pra levar seu sonho adiante. Mais ainda faltava…

4 – Um pouquinho de sorte também: E não é que a menina nasceu com a estrela na testa? Calma que eu explico. Imagine que você tem uma banda. Agora imagine que a sua banda vai abrir o show daqueles caras que formam a sua banda favorita. Sonho? Não para Auf Der Maur. Pois é, a garota tinha no meio de suas influências musicais o Smashing Pumpkins. E o Tinker foi abrir um show dos caras! Foi um dos shows da turnê do Siamese Dream, segundo álbum do Smashing. Máximo não. Seria melhor se o vocalista da sua banda favorita achasse que você tem talento? Com certeza, não? Digamos então, que a nossa menina aqui nasceu pra brilhar porque ninguém menos que Billy Corgan, foi o primeiro a prestar atenção na voz e no talento da nossa Auf Der Maur. Não deu outra! Uma recomendação, a coragem pra sair de casa e mais sorte ainda levaram a nossa heroína direto para o …

5 – Hole: Pois é, a banda da Cortney Love. Melissa ficou por lá durante cinco anos (de 1994 à 1999). Neste meio tempo, o Hole gravou dois álbuns, lançou dois EP´s, Courtney Love arrumou algumas boas brigas e confusões e Melissa percebeu que finalmente deveria investir em sua carreira solo. Mais antes…

6 – Smashing Pumpkins: Antes de Billy Corgan anunciar o fim da banda, quis lançar um último álbum. E, estando sem baixista para o momento, e vendo a sua grande descoberta saindo do Hole… juntou um mais um? Pois é, o The Machines of God, lançado em 1999, teve a nossa Auf Der Maur no baixo sim. E é isso aí, arrasou!

7 – Finalmente! E independente: Nossa, finalmente a nossa ruivinha começou a gravar o seu álbum. Só seu. Mais a garota, como diz em seu site, não quis começar presa a nada nem a ninguém. Por isso, juntou cada centavo que pôde ganhar em todos esses anos e trabalhos com outras bandas e gravou, independentemente, o “Auf Der Maur”. Doze faixas de uma voz espetacular combinada com muitos riffs e um baixo tão bom quanto a própria musicista.

8 – Chamando os amigos, claro: Anos e anos, shows, turnês, álbuns. É claro que se conquista grandes amigos assim, não é? Ainda mais sendo uma ruivinha assim tão meiga quanto a Melissa, não? Então! Digamos que a nossa garota aqui resolveu reunir boa parte dos seus e gravar com eles o seu álbum de estréia. Pode apostar que ver nomes como Josh Homme (Queens Of The Stone Age), Twiggy Ramirez (Marylin Mason), Mark Lanegan (ex-Screaming Trees), Brant Bjork (ex-Kyuss), Eric Erlandson (Hole) e James Iha (Smashing Pumpkins) reunidos num mesmo trabalho, não é mera coincidência.

9 – Composições próprias: Além de todo este preparo pra o seu álbum de estréia, a garota ainda compôs a maioria das canções do álbum! É. A idéia era criar um álbum estrondoso, que trouxesse uma música arrebatadora e que mostrasse também quem era a garota ruiva por trás do baixo. Era a vida e a música da Melissa pulsando. Muita significação.

10- Shows, clipes, sucesso: Estourando no mundo todo, com certeza. É. A nossa ruivinha finalmente chegou lá, com seu próprio trabalho, com seus próprios pés. Não é maravilhoso fazer a sua música e ser bem aceito? Claro que sim. Depois de tanta luta, a nossa menina de olhos verdes mostrou que é de um sonho que se faz um grande show. Cantando em Francês, levando seu som, fazendo seus shows e já trabalhando seu novo disco, a garota mostra que não veio passageiramente não. Quem sabe logo não podemos comemorar sua presença no Brasil? Vem Auf Der Maur!!

Curiosidade? Ahhhh… ta esperando o quê pra acessar o site da guria? Além de fotos, músicas e noticias, Auf Der Maur também dá o ar de sua graça como escritora no blog do site! Conheça e apaixone-se por ela: www.aufdermaur.com .

Publicado originalmente no site MundoRock.net em agosto de 2007

Dez Razões Pra Ouvir – Skank

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Pois é. Se você conhece um pouquinho a Rakky, com certeza tem em mente: “Ptz… demorou pra ela escrever sobre eles”. Pois é amigos, a minha banda favorita aqui no Brasil permeia o Dez Razões dessa quinzena. Mais é claro, eu quero fazer você ouvir o som dos caras não só porque são meus favoritos no cenário Rock nacional, mais sim porque eles são bons mesmo! Como todas as bandas que passaram e passarão por aqui, é claro. Uma banda cheia de lutas, de sonhos, de mudanças e de ação. Bem com a cara do povo tupiniquim. Está preparado? Então toma! Dez razões pra ouvir!!!

01 – Jeitinho mineiro de ser: Pois é. Como a maioria das banda do mundo, o Skank começou independente. Samuel Rosa (vocal e guitarra) e Henrique Portugal (teclado e guitarra) tocavam juntos em uma outra banda, o Pouso Alto. Lelo Zanetti e Haroldo Ferreti vieram depois, e os meninos juntos, começaram a juntar dinheiro para gravar o primeiro álbum, que levou o nome da banda. Com 11 faixas, o trabalho era voltado essencialmente ao reggae, ao dance hall jamaicano e ao ska. Canções como “O Homem Que Sabia Demais” e “In(DIG)nação”, além do cover de Frank Sinatra em “Let me Try Again” e da versão de Bob Dylan em “Tanto” marcaram a banda na capital mineira e em toda a extensão do estado como garotos preocupados em transmitir alegria e conscientização. In(dig)nação traz o tom para a consciência política. A música compara a nação brasileira a uma ‘mosca sem asas’ na época em que o Impeachment do presidente Collor acontecia. A Chaos, um selo da Sony Music, notou o potencial do quarteto, pagou as 100 mil cópias que os meninos tinham conseguido produzir, remixou e melhorou a qualidade de som do álbum e assinou contrato com a banda. E como o Reggae não era o tipo de música famoso em Minas, os guris vieram pra São Paulo.

02 – Invadindo o Brasil: O ano de 1994 não poderia ser mais especial para os mineiros apaixonados por futebol do Skank. Copa do Mundo, Brasil tetracampeão mundial, e, é claro, alguns Pacatos Cidadãos invadiam a música brasileira. Aos pouquinhos, hits como Jackye Tequila, É Proibido Fumar, Esmola e Te Ver, fizeram do Calango o CD que traria o Skank pra o Brasil definitivamente. O ritmo envolvente, a voz doce e as canções fáceis de se aprender e com melodias também não complicadas fez a banda estourar em todo o Brasil. E não foi por falta de talento não?

03 – Apaixonados por futebol: Pois é, eles são doidos por futebol, como qualquer bom brasileiro. Mais essa paixão invade as letras e as músicas do time formado por dois Cruzeirenses (Samuel e Henrique) e dois Atleticanos (Lelo e Haroldo). Claro que a rivalidade iminente nunca fez a banda ficar mal. É uma partida de futebol, música lançada em 1996, abrindo o álbum “O Samba Poconé” foi uma das mostras dessa paixão. O clipe, que mostrava justamente um jogo no Mineirão com o clássico, foi parar nas paradas de sucesso francesas e viajou o mundo. Mais essa não é a única música com referências futebolistas do Skank. No primeiro álbum, “Cadê o Pênalti?” já dava indícios da paixão, além das citações de estádios em “Esmola” (No sinal, no Morumbi, no Mário Filho, No Mineirão), entre várias outras, nos outros álbuns. Paixão nacional, não deixaria de ser paixão mineira!

04 – Um show que é show: Ir a um show do Skank é garantia certa de diversão. De onde aqueles mineirinhos tiram tanta alegria e carisma, é um mistério. O que se sabe é que o público ‘skankeiro’ não pára um segundo. Sendo nas músicas mais agitadas, pulando ou nas baladinhas, cantando, a galera acompanha do começo ao fim a eletrizante banda arrepiando em cima do palco. Antigamente, até a ‘dança do calanguinho’ entrava na festa. Mais essa já é uma outra história…

05 – Banda Paralela: Não, não. A banda paralela não é uma referência ao baixista do Skank, Lelo. É que o Skank não pára nem em período de férias. Em suas horas vagas entre as gravações no estúdio ou entre as turnês de shows, os caras formam uma banda só pra fazer covers, o Dr. Penetration. Nem o nome nem seus integrantes poderiam ser mais sugestivos. Samuel Rosa é Gérson Lopes (famoso sexólogo mineiro), Henrique Portugal se transforma em Peter North (ator pornô), Lelo encarna Cantigflas (comediante Mexicano) e Haroldo fica sendo Tom Byron (outro ator pornô). Os quatro ‘poderosos’ empenham seus instrumentos (musicais meninas, musicais) em covers e se divertem junto a alguns amigos mineiros. Diferentes, mais divertidos não?

06 – Sem medo de mudar: O que a maioria das bandas de rock espalhadas por esse mundão todo faz quando cada um de seus integrantes quer fazer um som novo, diferente do que a banda faz explorar novos instrumentos ou qualquer outra experiência, que seja? Se separam? Sim… mais nós estamos falando do Skank. Muito ao contrário do que comum de se ver no rock, os meninos mineiros também passaram por uma fase “Quero inovar”. E todos eles inovaram. Juntos. Esta fase foi entre os anos de 1998 e 2000. O Skank inteiro estava mudando. Já não tocavam só o seu reggae Ska e a melodia de “Resposta” no álbum Siderado já assustou alguns fãs. Mais só em 2000 a revolução viria. Um álbum cheio de pequenas grandes modificações. Com coragem, os caras do Skank abandonam de vez a fórmula animada do Reggae que trazia suas canções e seguem para o ramo de experimentações, criando um álbum hora retro, hora sessentista, sem nenhum sinal do sax ou trompete comuns da banda, ou da camada latina presente nas canções ‘calientes’, mais definitivamente bem feito. O álbum fez a banda pela primeira vez virar trilha de novela (com Balada do Amor Inabalável) conquistou novos fãs, enfeitiçou fãs antigos e mostrou ao país uma banda que faz o som que gosta de fazer.

07 – Influências e exemplos: Sim, uma das referências musicais do Skank é Beatles, claro. Mais essa mania toma a voz de Samuel às vezes. Come Together e Ob-La-Di, Ob-La-Dá já tiveram seus versos cantados e tocados pela banda, entre outros sons. Mais além da Beatlemania evidente nos quatro meninos, podemos encontrar sinais de que os caras realmente têm bom gosto. A seção ‘Links’ do site da banda é de encher os olhos de qualquer um. De Lô Borges à Little Richard, passando por Creedence Clearwater Revival e Kings Of Leon, além de Nando Reis e, é claro, cada um dos Beatles, as influências claras e assumidas do Skank tomam forma. Além deles, Bob Dylan, Frank Cinatra, Clube de Esquina e tantos outros são responsáveis pelo som quase eclético que a banda mineira consegue criar a cada nova apresentação ou álbum.

08 – Ouvindo os fãs: Um episódio quase que inédito na música: astros escutam o que os fãs tem a dizer. Eu explico. Tempos atrás, os fãs-clube skankeiros se organizavam para sugerir e exigir mudanças no site da banda, que tinha ganho o apelido de ‘Formato Mínimo”, alusão à uma música do Cosmotron e ao mesmo tempo piada com o conteúdo do site. Então, através de contato com o fã clube, os produtores do site pediram sugestões e as aplicaram no modelo “Carrossel” da página na web. E, fãs que o digam, o atual modelo responde à todos os requisitos. Ótimo não é mesmo?

09 – Curiosidades curiosas: Desde o nome da banda, que entre outras coisas pode lembrar o nome de uma super maconha (Skunk) ou um gambá, além de ter a referência à pessoas desprezíveis. Além disso, nem tão normais quanto parecem, os meninos do Skank tem seu lado ‘esquizofrênico’. Os caras exageram quando o assunto são suas coleções. Samuel e Lelo, com suas camisetas de times de futebol, Henrique com seus óculos redondos (várias cores), tipo “John Lennon” e seus bonés também coloridos e, o vencedor Haroldo, com suas nada comuns cuecas samba-canção de seda. No mínimo, diferente…

10 – Composições e melodias: Alguém já pensou na riqueza de vocabulário que uma banda pode transmitir? Pois é, as músicas do Skank, entre amor, dor, alegria, diversão, humor e situações cotidianas, transmitem uma gama de palavras que, como diria um amigo, são ‘bonitas de se analisar’. A parceria Samuel x Chico, que perdura desde o primeiro álbum traz versos que dariam um bom livro ou fariam qualquer professor de português extremamente feliz. Pois é, sempre que minha irmã me pergunta sobre alguma ‘figura de linguagem’ ou tem algum trabalho pra exemplificar com música (os professores dela adoram essas coisas), indico Skank como exemplo. E versos de canções como: “Ele sabia que o amor é um tiro, num alvo além da visão”, “Quando eu disse a ela que o amor morreu a cidade sutilmente estremeceu”, “Se matar não precisa, nós vivemos de brisa”, “Meu desejo e meu destino brigaram como irmãos”, “Duas luas sobre a terra, apoiadas em meus ombros”, “As ruas desse lugar, agora eu sei, sempre escutaram a nossa música, quando eu te respirava” e “O tempo só chegou pra me dizer, tudo o que eu não pude perceber” mostram que não estou errada. Metáforas, hipérboles, aliteração, antítese, eufemismo e prosopopéia, além de ter escolas literárias como o Trovadorismo, o Romantismo e o Modernismo inspirando algumas letras também. Cultura brasileira, transmitida em música. Lindo não?

Nossa! Além dessas, há muitas histórias que a banda tem pra contar. Mais eu é que não vou bancar a chata. Há muita coisas sobre esses quatro mineirinhos malucos que pouca gente desconfia. Quer saber mais? E tá esperando o que? É só acessar: www.skank.com.br e ouvir, conhecer e amar. Ou não. Mas eu tentei!

Publicado originalmente no site MundoRock.net em agosto de 2007

Dez Razões Pra Ouvir – O Teatro Mágico

12/06/2007

Dez Razões pra Ouvir – O Teatro Mágico

Por que é que não se junta tudo numa coisa só? Isso mesmo. Juntaram. O Teatro Mágico é um novo movimento musical, que comemorou três aninhos de estrada no final do ano passado. Talvez você já os conheça, talvez nunca os tenha visto. Mais é certo que quinze (ou mais) atores fazendo de tudo um pouco em cima de um palco têm algo que possa atrair a curiosidade. Precisa de mais informação não é? Dez razões pra ouvir:

1. A trupe: Não, não é um grupo de teatro. É uma banda! Mas são sim vários atores e atrizes tocando, cantando, dançando, fazendo malabarismo, e até pirofagia. Tudo isso ao vivo, comandado e orquestrado pela voz de certo palhaço, com ares de sonhador: Fernando Anitelli.

2. O Projeto: Tudo começou com a idéia de Fernando Anitelli de reunir partes da música brasileira à elementos do circo, do teatro, da literatura e do cancioneiro popular. A inspiração veio dos saraus de que o jovem estudante de Comunicação Social participava. Ali um malabarista se apresentava. Aqui um artista apresentando técnicas de pirofagia. Na outra ponta algum músico muito amigo de seu instrumento. E a vontade de criar um grande sarau, onde tudo é uma coisa só fez Anitelli reunir uma turma do fantástico mundo de Os-asco e começar a levar o projeto à frente. O nome da trupe vem de um livro de Herman Hesse, O Lobo da Estepe. E daí pra frente são mais de três anos de trabalho, dois álbuns (Voz e Violão e Entrada só para Raros), muitos vídeos no Youtube e milhares de fãs vestidos e pintados como crowns no Brasil inteiro.

3. A música: Nossa, isso é rock? Também. É MPB? É claro que sim. É pop? Sim. É cordel? Lógico. Que tipo de som afinal esse teatro faz? Não tenho a menor idéia! E nem você terá. Acredite, há músicas da mais fina MPB capazes de lembrar Toquinho e Vinícius e outras que podem te remeter a um rap ou a um pop tão dançante quanto qualquer um ouvido numa danceteria. O Teatro Mágico procura levar o popular, o oriundo de nossa terra, o que veio do Brasil. A maioria das músicas é de autoria de Fernando Anitelli, idealizador do projeto, e trazem situações do cotidiano, além de lendas, histórias e até fabulas. Talvez toda esta mistura faça a trupe chamar tanto a atenção do publico jovem em geral. Que seja o que for. É mágico.

4. A facilidade: Digite “O Teatro Mágico” em qualquer site de busca. Além de encontrar várias letras de músicas, fotos, história e membros da trupe você vai encontrar também várias músicas para download. Isso mesmo! Não precisa procurar muito. O Teatro Mágico é uma banda totalmente independente, que depende do que arrecadam em suas apresentações para manter o projeto. Mais não querem de forma alguma investir em uma gravadora que “limite” ou “selecione” quem pode ou não ouvir o seu trabalho. O lema maior do grupo é a busca pela liberdade. A trupe grita em meio as suas apresentações a favor da democratização da cultura, e clama por uma música livre, uma imprensa livre, uma cultura livre, softwares livres. Um dos principais pedidos que Anitelli faz aos fãs é: “Pelo amor de Deus, pirateiem o nosso trabalho!”.

5. Os Shows: Em praça pública, em eventos gratuitos, em salões fechados, em lugares pagos. Mais sempre com a mesma alegria. A atração é a diferença de ser raro e ser único, insubstituível. E para ser raro basta existir. A valorização da existência rara que cada um de nós carrega também é um ponto mágico da trupe. Luz, voz, violão, violino, gaita, flauta, batuque, piano, bateria, baixo… ufa!! Perde-se a conta de quantos instrumentos são visíveis no palco. Tem até um DJ no meio da turma. Tudo numa coisa só mesmo.

6. A literatura: O resgate que O Teatro Mágico faz à literatura é emocionante. Versos de cordel e poemas, frases feitas e cancioneiro popular. Está tudo ali te fazendo refletir e procurando encontrar o que há de melhor em você. A raiz da nossa cultura está em cada um de nós. E é este o resgate que atrai, que contagia e que faz cantar. Afinal todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser, e nenhum predicado será prejudicado, nem tão pouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final.

7. As mensagens: Nos momentos mais inusitados, nos shows ou nos sites e blogs da trupe, há sempre um recadinho de conscientização. Seja pra fazer a galera se ligar no que anda acontecendo na política, ou a revolta que causa cada novo surto de violência ou de injustiça por este Brasil afora, tudo tem o seu espaço. A manifestação pública é bem-vinda, desde que seja bem-feita.

8. Fazer a diferença: Sim, os fãs do Teatro Mágico não somente vêem os shows, acompanham a trupe e coisa e tal. Tem também a galera que faz a diferença. Imaginar grupos que, unidos pelo comum que têm de gostar de uma banda e daí para frente se doar a trabalhos voluntários, visitações à orfanatos, creches e instituições de caridade, levando a alegria, a paz e o jeito TM de ser dentro de si é carregar um novo ideal pra vida. É, como diria novamente Fernando Anitelli, amanhecer brilhando mais forte.

9. A repercussão: Alguém me diz, por favor, como é que uma banda que só faz divulgação on line, não tem gravadora, não tem música na novela e não tem divulgação consegue reunir cada vez mais pessoas em seus shows? Nas duas semanas seguidas em que a prefeitura de São Paulo organizou a Virada Cultural o show do Teatro Mágico foi o mais aguardado. Estima-se que 40 mil pessoas tenham visto o show do dia 05 de maio no Anhangabaú. O maior meio de divulgação da banda é o “trabalho boca-a-boca”. Cada novo espectador é bem acolhido e se vê inspirado a divulgar. E assim, um por um, o Teatro Mágico alcança multidões.

10. Contra a massificação: Sim, são contra. Você não vai ver o Teatro Mágico no comercial do novo refrigerante, ou no maior programa de auditório da TV, se não houver de verdade um bom motivo para isso. A cultura é a principal arma da trupe e não será abandonada. Por que vender CD´s à R$ 5,00? Por que o brasileiro não é ignorante, o brasileiro é pobre. Por que se pintar e se vestir como palhaços? Para redescobrir o clown, o palhaço que há em cada um de nós, o personagem que interpretamos todos os dias e que não nos parece ser tão personagem assim. Por que defender a cultura? Por que ela é a nossa única salvação.

Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem-vindos ao Teatro Mágico! Sintaxe a vontade.

Bateu curiosidade? Te peguei? Quer só ver se curte? Então vai lá pessoa! Só não esqueça que a entrada é só para raros. E que isso não exclui ninguém.

Publicado originalmente no site MundoRock.net em junho de 2007

Dez Razões Pra Ouvir – Red Hot Chili Peppers

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“Dream of Californicatioooonn…” Puna-se caso você nunca tenha ouvido isso. Com certeza, Anthony Kiedis e cia. já invadiram a sua vida alguma vez que seja. Mais se você ainda não tem razões mais sérias pra curtir o rock alternativo, folk e psicodelia dos meninos, preste atenção. Os caras são muito mais que os quarentões gatos que aparecem sem camisa na maioria de seus clipes. Atualmente com Anthony Kiedis, Flea Balzari, Chad Smith John Fruciante – a banda que já contou com Dave Navarro (antigo Jane´s Addiction) e Jack Irons (antigo Pearl Jam) – têm muita história pra contar. Dez razões? Até vinte! Mais dez já está de bom tamanho, não???

1 – Anthony Kiedis – Vida difícil a dele! Aos 11 anos, o menino começou a usar drogas. O pior é que a influência foi do próprio pai, que também apresentou ao garoto o sexo, que também o fez gravar filmes pornôs. Não é muito normal, mais isso não acabou com a vida dele. Com mil razões pra não ser nada além de mais um menino traumatizado, o cara conheceu seus grandes amigos numa escola de Los Angeles (que o acompanhariam até os dias de hoje) e finalmente se encaixou em algum lugar. E como se encaixou né? O Red Hot Chili Peppers salvou a pele do nosso lindo bad boy. Não que ele tenha passado a ser um bom garoto, mas ganhou um espaço, um lar, algo pra defender. Quer saber mais sobre a epopéia da vida do Kiedis? “Scar Tissue: a vida alucinada do vocalista do Red Hot Chili Peppers” é uma boa pedida.

2 – Som pra pular e pra parar - Entre seus álbuns, suas trocas de integrantes, os envolvimentos com drogas e todas as confusões “hot” do “Red Hot”, a música que os caras fazem é uma coisa sem explicação. “Suck My Kiss” e “Under The Bridge”, do Blood Sugar, “Aeroplane” e “My Friends” do One Hot Minute e tantas outras mostram a calma/fúria dos californianos que fazem chorar e rir com suas canções. Há fãs que adoram dançar ao som do Red Hot, também. Vindo mais pra os novos sons, um álbum bem bacana pra curtição é o “Júpiter”, do duplo Stadium Arcadium. Ligue o som no último e comece a pular.

3 – Sem vergonha - No início da carreira, ainda nos primeiros shows, esses malucos enlouqueciam as fãs (e continuam enlouquecendo). É que os meninos, antes de serem o Red Hot Chili Peppers eram apenas os Tony Flow and the Miraculously Majestic Masters of Mayhem. Não entendeu né? Bom, Anthony, Flea, Hillel Slovak (in memorian) e Jack Irons começaram a carreira tocando em bares de strip-tease nos anos 80. Em uma das apresentações (no Kit Kat Klub), eles fizeram algo que virou marca dos apimentados. Entraram no palco só de meias, usadas no lugar de preservativos e enlouqueceram a mulherada. Em 1983 mudaram o nome pra Red Hot Chili Peppers e continuaram se apresentando de meias, de vez em quando. Pra delírio das “pepperzetes”.

4 – Mexendo com a cabeça - Sim, isso mesmo, vou falar do Flea Balzari. Junto com o Kiedis desde o começo da banda, o cara tem uma peculiaridade. É o pepper que mais faz besteiras com o cabelo. Moicanos, carecão, e cores, muitas cores. A cada novo clipe, turnê ou show, se os peppers forem fazer alguma coisa com o cabelo de alguém, será o cabelo do Flea! Já vimos o cara com o cabelo laranja, rosa-pink, amarelo-ovo, verde-florescente, azul-celeste… No mínimo escandaloso.

5 – Ecologicamente corretos - Desde o lançamento do “By The Way” em 2002, o Red Hot tem incentivado causas ambientalistas. Além de ter sido o primeiro álbum da banda impresso totalmente em papel reciclado, iniciou uma idéia de Anthony para a defesa do meio ambiente. A banda está na lista dos astros que participarão do Live Earth, projeto do MSN em parceria com a Save Our Selves (SOS) – The Campaign for a Climate in Crisis (campanha para um clima em crise). A campanha tem data prevista para 07/07/2007. Bonito não?

6 – A Amizade - Um dos maiores abalos que o Red Hot sofreu foi a morte de Hillel Slovak, primeiro guitarrista da banda, que conheceu Flea e Anthony ainda na Fairfax High School, em Los Angeles, e saiu da banda por pouco tempo. O cara morreu em 25 de julho de 1988, na época em que a banda finalmente começava a alcançar o grande público e fazer sucesso de verdade. A causa mortis? Overdose de Heroína. O impacto foi tão grande que Irons resolveu sair definitivamente da banda. Após receber John Fruciante e Chad Smith (guitarra e bateria, respectivamente) e lutar contra o seu vício em clínicas de recuperação, Anthony compôs uma música para Hillel (Know Me Down) e a lançou, junto a Higher Ground no Mothers Milk, de 1989. Outra música foi dedicada a Hillel, tempos depois. É “My Lovely Man”.

7- Tatuagens - Se você é admirador de uma bela tatuagem, então observe os meninos do Red Hot. Com tatuagens em várias partes do corpo, de todos os tamanhos, formas e tipos, os quatro apimentados não negam a paixão que têm pelas marcas no corpo. O encarte do CD “Blood Sugar Sex Magic” é inteiramente coberto de tatuagens tribais, desenhadas por Henky Penky, grande amigo dos Peppers e autor de boa parte das tattoos do Tony.

8 – Brasil - Pois é, a banda já veio ao Brasil. E arrasou. Foi em 2001, na última edição brasileira do Rock´n´Rio. E os caras foram muito bem recebidos. Gostaram tanto do país que Flea até comprou uma casa de férias, no interior da Bahia. Voltaram em 2002 pra um show no Pacaembu (SP), em divulgação do “By The Way”. E os peppers tupiniquins aguardam ansiosamente a próxima visita dos californianos no Brasil. Quem sabe uma turnê do “Stadium Arcadium”?

9 – Criatividade - Várias composições dos nossos peppers são mostras únicas das idéias deles. Apesar de algumas serem um tanto confusas (comecei essa matéria com uma… se alguém souber o que é um “sonho de californicação” me mande um e-mail explicando, por favor) as outras fazem muito sentido. Dois exemplos? “Under The Bridge” é sobre a época em que Anthony comprava drogas embaixo de uma ponte de Londres, e mostra um pouco das confissões de uma vida de vícios e solidão. “Around The World” é sobre uma viagem que Kiedis fez pelo mundo em 1998. Ele saiu da Califórnia e passou pela Índia de Dalai Lama, Noruega, e até pela Rússia, à qual ele fez uma bela crítica. Claro que tudo é muito suave. Grande Tony!

10 – Tocando com a sua banda favorita - Você sempre foi tão fã da sua banda favorita que já quis entrar nela? Putz. Que pena, porque só o John Fruciante aqui conseguiu. Foi logo depois que o Hillel Slovak morreu. O garoto de apenas 18 anos impressionou os outros caras da banda com a mágica que ele fazia com uma guitarra em mãos. É. Cada um dos apimentados tem uma grande história pra contar.

E aí. Será que eu consegui te convencer? Se ainda não, dá uma olhadinha nos sites da banda (tem um site bacana versão português!). Acesse o www.redhotchilipeppers.com ou o www.redhotchilipeppers.com.br e descubra a pimenta californiana, pra ouvir, pra tocar e pra cantar. Aposto que até o maior anti-pimenta do mundo não vai resistir ao som desses eternos meninos.

Publicado originalmente no site MundoRock.net em maio de 2007

Dez Razões Pra Ouvir – GRAM

A coluna DEZ RAZÕES PRA OUVIR era publicada no já extinto site ‘Mundo Rock.net’. O primeiro texto para esta coluna foi sobre a banda Gram.

(22/04/2007)

Dez Razões pra Ouvir – GRAM!

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Apresentação:

A coluna “Dez Razões pra Ouvir!” foi idealizada com o intuito de levar um pouquinho da história de bandas, nacionais e internacionais, alternativas ou não para o público Mundo Rock em geral, que curte conhecer bandas novas ou bandas já consagradas do Rock mundial. É também uma forma de incentivo, já que são dadas dez razões pra convencer a turma de que se deve mesmo ouvir uma ou outra banda apresentada, despertando a curiosidade do público.

Curiosos, roqueiros e aficionados da boa música, esperamos que façam desse espaço um novo ponto pra pesquisas de novas ou velhas grandes bandas. Sugestões para novas bandas, sempre serão bem-vindas. A biografia rock de cada banda será aqui apresentada de forma divertida e entusiasta, para que você, leitor Mundo Rock, sinta-se à vontade. E agora vamos lá! Você não tem mais desculpas! Dez Razões Pra Ouvir já! E o Mundo Rock é todo seu!

DEZ RAZÕES PARA OUVIR GRAM


E olha só. Uma banda que surgiu do cenário independente do rock nacional, chegou e estourou na MTV. O clipe de “Você Pode Ir na Janela”, carro-chefe do primeiro CD desses cinco meninos paulistas – Sérgio Guilherme Filho (guitarra, voz e piano), Marcello Pagotto (voz, baixo e sintetizador), Luiz Ribalta (voz e guitarra), Marco Loschiavo (guitarra) e Fernando Falvo (bateria), um desenho emocionante e trágico, fez a galera prestar um pouquinho de atenção na sonoridade desses garotos. Se você ainda não se convenceu, abaixo, dez razões pra você começar agora a ouvir GRAM!

1- As influências: A banda se inspira nas canções imortais dos Beatles (o que já é um grande referencial) além de várias outras bandas britânicas, como Coldplay, Radiohead, Oasis e Placebo. Epa! Eles merecem atenção não?

2- A sonoridade: Basta escutar um pouquinho de “Sonho Bom”, a segunda faixa do primeiro álbum da banda, pra perceber que os antigos meninos do Mosva (primeira banda deles, cantando somente em inglês) se arranjam muito bem com o que tocam. E que maravilha esse piano! Dá-lhe Sérgio!

3- A coragem de mudar: A idéia de cantar em inglês, adotada pela grande parte das bandas independentes, não deu certo com o Gram. No dia em que o Sérgio percebeu que cantar em inglês não dava certo (“Não adianta fazer música em inglês aqui”) é que a banda começou a acontecer. Tanto é que hoje só “Moonshine” aparece, como sombra do que foi o começo dos caras.

4- A criatividade: Acredite se quiser. Mais o clipe “Você pode ir na Janela” foi totalmente desenhado por Sérgio Filho, (isso mesmo!! Ele DESENHOU tudo!) usando duas canetas “BIC” pretas e 500 folhas de sulfite! Mágico não? A capa do CD, uma mistura de fotos, rabiscos e desenhos, também fez todo um “sucesso cor de laranja”, que virou uma marca da banda.

5- As letras: Se você quiser dizer para aquele seu ex-namorado bobo que ele é um egoísta, sem falar tudo, ofereça “Seu Troféu” a ele. Já se quiser fazer uma declaração de amor bonitinha, “Sonho Bom” é a pedida. Ainda, pra você, que ama uma reflexão, “É a vida” vai te fazer gritar por aí o sonoro e retumbante “PORQUE O MUNDO É ASSIM?”. “Antes do Fim” já do novo trabalho da banda, trás aquele sentimento de agonia e ao mesmo tempo de tranqüilidade, e “Seu minuto, meu segundo” que dá nome ao novo trabalho vem com toda a força pra fazer você pensar no que ganha e no que perde a cada instante de sua vida. Com a influência dos cariocas dos “Los Hermanos” Sérgio Filho e cia. conseguiram reunir letras maravilhosas dois em álbuns encantadores. É um sopro leve aos ouvidos.

6- A qualidade: Nem todas as bandas independentes lançadas no mercado têm a validade sonora do GRAM. A influência Beatlemaniaca do antigo Mosva rendeu aos meninos até um CD lançado na Inglaterra, em Liverpool. Isso mesmo, os caras chegaram a lançar um CD no Caverna Club, lendário bar onde os Beatles fizeram várias apresentações. Mais calma, eu explico. É que o Mosva participou de um concurso, cujo prêmio seria lançar um CD em Liverpool e adivinha quem ganhou? Isso mesmo!!! Os futuros meninos do Gram já davam sinais de que vieram pra ficar. Qualidade é o que não falta!

7- O reconhecimento: Depois de muito trabalho e luta, o Gram fechou em 2004, contrato com a Deckdisc, e viram a aposta independente da gravadora (Aos moldes da BGI lançando o “Dibob” e da EMI lançando o “emo.- leia-se emo ponto -”).

8- A rapidez: Quase inacreditável, mais o álbum “Gram”, foi produzido em quatro meses de composição e uma semana de estúdio, sendo finalizado em janeiro de 2003. Todos os arranjos têm a assinatura da banda. E ficou muito bacana!

9- A força de vontade: Hoje já estourando nas paradas com o novo álbum, o Gram mostra que a força, a vontade e a fé são sim os seus símbolos. Depois de um primeiro trabalho maravilhoso, os caras, sem o menor senso de acomodação, lançam “Seu minuto, meu segundo” novo trabalho, e estouram nas rádios com o novo som. E não importa onde estiverem, o quinteto paulista vai dar o melhor de si. E conseguir, como almejam, entrar para a história do rock nacional. E estão chegando lá. O lançamento do novo álbum “Seu minuto, meu segundo” e a estonteante “Antes do Fim” já estourando nas rádios, mostram que eles realmente sabem o que querem.

10- A energia: Se você está pensando que o poder do Gram se concentra exclusivamente em estúdio, meu querido leitor, ledo engano. A força Gram é símbolo dos shows da banda também, carregados de energia e competência. Os fãs dizem que os caras são tão bons em estúdio quanto ao vivo. E, de verdade, vale a pena conferir.

Se você ainda não se convenceu, ou não vê a hora de conhecer o som do Gram, o meu único meio é deixar o site, pra que você corra e visite agora mesmo: http://www.gramaovivo.com.br/index_pop.php .

E viva a banda do gatinho!

Publicado originalmente no site MundoRock.net em abril de 2007