Você já sonhou com algum ídolo? Já contou e ouviu segredos em sonho? Já pensou a respeito desses sonhos e de seus significados? Eu já! Bom, há quase um mês eu tive um sonho muito estranho com o John Lennon. Ele me encontrava numa rua que eu não sei o nome e me perguntava porque eu não o achava tão brilhante quanto o Paul. Eu dizia pra ele que era uma questão de gosto pessoal mesmo, mas que eu gostava pra caramba dele e pra ele não ficar chateado com a minha preferência (como se eu fosse assim uma fã tão fodelona pra ele se importar comigo né gentem?). Aí ele me disse que ia me contar um segredo e que ao contrário do segredo que o Paul contou pra uma fã sobre a festa pra o Ringo, eu podia contar pra todo mundo porque ninguém ia acreditar em mim mesmo.
Ele me disse que escreveu “In My Life” pra o Paul. Simples assim. Aí eu quis entender esse significado novo que ele dava pra uma de suas composições mais belas e mais clássicas. Aí ele me explicou os versos, um a um, com a paciência de um mago que eu nunca pensei que ele tivesse.
Disse que escreveu a música se lembrando de lugares e de momentos de sua vida de garoto, que toda a letra tinha significados especiais pra ele. E aí me perguntou quem era a única pessoa de quem eu sabia que ele não tinha se separado jamais, desde sua adolescência. Poxa, o Paul, é claro, eu respondi. Aí ele explicou que os momentos mais incríveis da sua vida foram os da sua adolescência, quando a rebeldia do que um dia seria chamado de rock´n´roll era apenas tocar e cantar algumas músicas, invejar os acordes impecáveis que saiam de qualquer coisa que o amigo tocasse, criar letras infantis e malucas e sonhar em ser um super star.
Ai ele parou. Sentou numa pedra na calçada, com aquele cabelão correndo pelos ombros e desabafou: “Poxa, como foi que ninguém percebeu que essa música só podia ser pra mim e para o meu melhor amigo? Todo mundo me acusou de ser um invejoso estúpido quando eu escrevi e gravei a ‘How do you sleep’ mas ninguém nunca cogitou a possibilidade de eu estar extremamente abatido quando fiz aquilo”. Chorou. Eu não sabia o que fazer, então, não fiz nada… ele continuou, explicando que Paul era muito mais que um parceiro de composições e que ele sentia que quando os Beatles acabassem (na época ele já sabia que aquilo não ia durar muito mais) ele teria muita dificuldade em cantar sozinho, sem alguém que o inspirasse como o Paul. “Não é uma canção de amor. É uma canção sobre toda uma vida, sobre milhares de coisas, sobre um pouco de mim”.
Aí eu me atrevi a perguntar: “E aquela discussão toda sobre a autoria da música… quem de verdade escreveu, foi você sozinho e o Paul ajudou ou o Paul não fez absolutamente nada?”. Aí ele disse que precisava garantir que a canção tivesse alguma notoridade além do que ela poderia e…” eu acordei.
Ele não podia me contar tudo né?



