Resenha – Porno Política

Ninguém precisa falar da genialidade de Arnaldo Jabor, principalmente quando o cara fala de política. Em Porno Política ele dá mais mostras de sua elegância na escrita, de seu entendimento do tema e mais que tudo, da coragem de ser alguém que não tem papas na língua para falar de quem quer que seja, custe o que custar.

Jabor já foi comunista, já foi esquerdista, já foi de direita e acredito que hoje prefira mesmo não demonstrar nenhuma expressão partidária, justamente por estar enojado dessa sujeira toda. Em Porno Política, fala  envergonhado, estarrecido, puto da vida, inconformado, indignado e muito mesmo decepcionado com a nossa política, a nossa televisão e a nossa falta de vergonha na cara brasileira por ela só.

Em páginas que misturam experiências pessoais com crônicas extraídas de sua genialidade felina, ele fala de tudo e dita uma nova ordem, que não será seguida, porque brasileiro não tem mesmo vergonha na cara e é um povo que esquece fácil, é muito carente e acima de tudo, sempre tenta dar seu jeitinho.

Jabor é do tipo que eu quero ser quando crescer. Por sua critica viva, cheia de emoção e de verdades, por sua determinação e por sua personalidade marcante. Esse exemplar de sua crítica não é representativo, mas é uma leitura interessante para todos aqueles que assim como o autor não aguentam mais.

Porno Política
Autor: 
Arnaldo Jabor
Editora: Objetiva
Ano:
2006
Páginas: 
236
Nota:
9

Resenha – O carteiro e o poeta

Eu sempre ouvi falarem bem desse livro, mas nunca tinha entendido muito o porquê. Aí peguei pra ler. O livro conta a história do jovem Mario, morador de uma vila interiorana do Chile que se faz carteiro pressionado pelo pai a arrumar um emprego. Logo, Mario descobre que teria de atender apenas um cliente, e este era nada mais nada menos que o poeta Pablo Neruda. Pobre, com pouca cultura e muita curiosidade, Mario começa a se aventurar nas histórias do poeta com base num velho livro que seu pai tinha em casa na esperança de fazer com que algum dia, de alguma forma, o famoso o autografasse.

A história começa a ficar interessante quando Mario e Pablo se tornam amigos, inexplicavelmente, e o poeta começa a ajudar o carteiro a lidar com sua paixão desenfreada por Beatriz, uma menina que trabalhava com a mãe numa espécie de bar da região. A história dos dois se mescla de uma forma confusa e original e o amor e consideração de um pelo outro dura até o dia da morte do poeta.

É um livro curto e direto, que fala da importância da amizade. E merece muito ser lido.

O carteiro e o poeta
Autor:
Antônio Skármeta
Editora:  Record
Ano:
1985
Páginas:
127
Nota:
8,5

 

Resenha: 50 anos a mil e o dia em que Lobão me fez mudar de ideia

Eu sempre achei o Lobão um porre. Um idiota, porra louca, convencido, cheio de moral que pouco fazia e falava pra caramba. Sempre o vi como o cara que fala mal de todo mundo, que odeia o universo e que se acha o fodelão. Pois bem, quando vi sua biografia à venda precisei que esse seria o livro que eu usaria para confirmar minha tese de quão idiota poderia ser o músico. E decidi que leria o livro para anotar cada ato escroto dele e justificá-lo como mais um para colaborar com as razões que eu já considerava suficientes para não gostar do cara. Peguei o livro com o Igor, comecei a ler e me ferrei. Tudo o que eu pensava estava errado. Bem errado, na verdade. 

O leitor desavisado pode pensar “É claro! Foi ele que escreveu o livro, é óbvio que ele vai se deixar parecer o rei da cocada preta e se sair como herói”. Não amigo, não. Por mais convencido que ele possa parecer ao longo do relato de seus 50 bem vividos anos de vida, Lobão não deixa dúvida: sempre que há um feito seu quase inacreditável, é possível ler no final do capítulo um resumo do que os jornais diziam na época sobre os mesmos acontecimentos.

Lobão e o co-autor Claudio Tognoli descrevem, sob o ponto de vista de Lobão, a vida, os amores, os desamores e problemas e os fatos mais importantes desses 50 anos do cantor. O primeiro envolvimento com a música, quando ganhou uma bateria, a vontade de tocar samba, a paixão pelo futebol e sua total falta de jeito para a coisa, a família perfeita que se destruiu pouco mais que vinte anos depois do casamento dos sonhos, a relação conturbada com o pai e com a mãe, e a proteção que queria oferecer à irmã, o começo da carreira com Ritchie e Lulu Santos no Vinama, as primeiras paixões, a gravação do primeiro álbum solo (presente de um grande amigo de infância) e a Blitz, bem como a descrição detalhada do golpe que deu na banda e de como ele se sentiu um bosta depois, os problemas (e não problemas) com drogas, a saúde, as tentativas de suicídio, as comemorações, vitórias e derrotas e, com uma riqueza de detalhes incrível, sua guerra contra as gravadoras, apenas para defender seus direitos.

Essa foi uma das partes que mais me tocou do livro. O Lobão acreditou no sonho dele. E correu atrás, feito um doido. Brigou com Deus e o mundo para garantir que a venda de CDs fosse honesta para a gravadora e para o cantor e conseguiu, a muito custo, fazer valer a lei de numeração de CDs. Brigou com gravadoras, ficou anos longe da mídia mas conseguiu lançar álbuns independentes, criar seu próprio Selo, criar uma revista de música com um dos conteúdos mais inteligentes que já li (A OutraCoisa, que eu conheci graças ao Cascadura e que acompanhei até perder de vista), fazer shows levando apenas com um violão debaixo do braço, fazer da esposa sua empresária e continuar lutando, sem trégua, para garantir justiça para os seus e para os que amou.

Mas nem tudo são flores. Lobão foi um pouco exagerado, um pouco descabido, um pouco língua-solta, um pouco destemido e até um pouco arrogante em vários momentos, mas ele tem seus méritos para tal. Sua história com Cazuza não bate com a história contada pela mãe do moço no livro “Só as mães são felizes” em que nem se quer me lembro de ter lido mais que três ou quatro citações a ele. Lobão se justifica, dizendo que Lucinha era um amor, mas o que conheceu do filho (retratado no livro e no filme) não foi nem metade do que ele viveu. Suas acusações de plágio a Herbert Vianna criam outro ponto polêmico no livro, e é preciso ver os dois lados da história, mas vou procurar os álbuns para ouvir com atenção. Mais que qualquer coisa, é uma leitura tão recomendada como necessária àqueles que têm sede por conhecer um pouco da história da nossa música, pois Lobão a viveu e pode contar muito bem. Hoje tenho cada vez mais vontade de conhecer os trabalhos de Lobão, e recuperar o tempo perdido do meu ódio gratuito ao rapaz.

50 anos a mil
Autor: 
Lobão / Claudio Tognolli
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2010
Páginas: 591
Site: http://www.lobao.com.br 
Nota: 9

Resenha: O Mundo de Sofia

Tá bom vá. Eu sei que todas as pessoas que quiseram ler esse livro tinham 15 anos quando o fizeram. Mas eu quis desde os 15 e só consegui agora, ok? E daí? Vai encarar? Hein?

Todas as vezes que eu via alguém falando do “O Mundo de Sofia” eu tinha vontade de ler o livro. O nome já traz em si um quê de curiosidade. A primeira pergunta que me vinha à cabeça era quem era a tal da Sofia e porque ela tinha um mundo tão seu. Matar essa curiosidade leva quase até o final do livro. Sofia é uma moradora de uma pequena cidadezinha da Noruega prestes a completar 15 anos. Leva uma vida “quase normal” , mora com sua mãe, seu pai está sempre viajando a trabalho, estuda, tem animais de estimação… é uma garota feliz. Porém, alguns dias antes de seu aniversário chegar ela recebe uma carta de um filósofo. Uma carta que mudaria sua forma de ver o mundo. E seu mundo também.

As coisas começam a mudar de acordo com a frequência no recebimento das cartas de com apostilas de filosofia e de bilhetes, endereçados à Hilde, uma garota que ela não conhece, mas que faz aniversário no mesmo dia que ela e para quem ela deveria entregar os bilhetes. As aulas ensinam Sofia a entender a filosofia de acordo com passagens de sua própria vida, da vida de seu misterioso professor de filosofia e da vida de Hilde, a garota misteriosa que tanto se assemelha a ela própria. Nessa confusão, Sofia começa a entender a base da filosofia mundial, dos pré-socráticos à Sartre. A leitura se torna um pouco confusa e massante na metade do livro, quando os segredos começam a ser revelados e o livro termina de repente, deixando o leitor com a pulga atrás da orelha.

O Mundo de Sofia (Sophie´s World)

Autor: Jostein Gaarder (Tradução de João Azenha Jr.)

Gênero: Bibliografia

Número de páginas: 547

Editora: Cia. das Letras

País de Origem: Noruega

Nota: 8

The Beatles – 50 anos depois: algumas descobertas e uma ótima leitura

 Você, Beatlemaníaco que acompanha esse blog só porque de vez em nunca em falo sobre eles, alegre seu coração: acabo de ganhar de aniversário (sim, completei 23 aninhos no último dia 12/4. Parabéns pra mim!) o livro The Beatles – 50 anos depois. O presente veio da room mate Carol, a leitura é envolvente e incrível, o livro é pequeno (para aqueles que não curtem muito ler) e ainda dá para descobrir vários segredinhos da vida e obra dos Fab Four.

O jornalista Bento Ferraz resume no livro os anos da beatlemania, falando brevemente onde e quando tudo começou, como cada beatle se tornou um beatle, os primeiros shows, a escolha do nome da banda e os desafios antes de alcançar o sucesso. Em seguida, relata com detalhes valiosos os anos da beatlemania, como cada beatle reagia a loucura das fãs, as composições de Lennon e McCartney e suas reuniões para compor, as músicas do George e sua genialidade harmônica e a necessidade que todos eles tinham da presença inspiradora e conciliatória do baterista Ringo Starr, talvez o principal responsavel pelos quase 10 anos de carreira dos Beatles terem durado tanto tempo.

Ferraz conta também como os Beatles se viraram um sem o outro, as brigas, a criação e quase falência da Apple Corps, os golpes dos quais os fab four foram vítimas e as razões para o fim da maior banda de todos os tempos, assim como os trabalhos dos quatro beatles após o fim da banda, a morte de John, a recuperação de Paul e sua carreira solo, os discos e sucessos de Ringo Starr e George Harrisson, bem como sua doença e morte e as esposas de Lennon (Yoko Ono) e McCartney (Linda Eastman) e a influência que essas duas mulheres tão diferentes uma da outra exerceram sobre a vida e obra de uma das mais incríveis duplas de todos os tempos.

O livro pode ser devorado em poucas horas, dá pra ler em um dia. É uma leitura divertida para aqueles que estão conhecendo as músicas e canções dos Beatles e querem saber mais sobre sua história ou para aqueles que já foram há muito conquistados pela Beatlemania, mas querem mais. Ao final do livro, Ferraz lista a discografia dos meninos, incluindo os Eps e a biografia utilizada, fonte de informação valiosa para aqueles que desejam mergulhar ainda mais fundo na história dos fab four.

The Beatles – 50 anos depois

Autor: Bento Ferraz

Gênero: Bibliografia

Número de páginas: 127

Edição: 01/2008

País de Origem: Brasil

Nota: 10

Ensaio sobre a cegueira: indispensável

Um farol vermelho. Pessoas atravessando a rua na faixa de pedestres. Um homem dentro de seu carro, sozinho, com vidros fechados, aguardando sua passagem. O verde aparece no semáforo. Os carros continuam andando, só um fica parado. O mesmo homem é visto dentro do carro aos gritos, desesperado. Via o mundo branco. Estava cego.

É mais ou menos assim que José Saramago inicia seu Ensaio Sobre a Cegueira, contando a história de um mundo que aos poucos começa a ficar cego, ou a ver tudo branco. O mal branco, como começa a ser chamado por alguns médicos e especialistas se alasta aos poucos, e não se encontra nem causa nem tratamento e nem cura para o que quer que seja que cause a doença. As pessoas que têm contato com os cegos vão cegando também e aos poucos é necessário que o governo tome providências para tentar ajudar as pessoas que sofrem da doença.

No ensaio, Saramago mostra o que entende pela essência do governo em uma situação de calamidade, mostra a reação dos individuos que se percebem cada vez mais próximos da doença e decifra os mais íntimos sentimentos humanos numa história impactante e sob os olhos de apenas uma pessoa que ainda podia ver. O caos se instala de maneira tão intensa que por vezes essa única pessoa abençoada com a graça de ainda poder enxergar deseja ficar cega, para não ter que ver como todo o mundo se transforma a cada segundo, graças ao mais intrinceco sentimento humano: a cegueira do egoísmo. O livro é simplesmente indispensável!

O Filho da Revolução ainda canta a geração que nunca deixou de ser Coca-Cola

Não tem jeito. Ao deixar com que os olhos entrem em contato com as primeiras páginas do livro Renato Russo – O Filho da Revolução a única coisa que você vai querer fazer antes de terminar o livro é colocar todos os CDs da Legião Urbana pra tocar no seu CDPlayer, MP3 ou rádio. Tudo isso porque a biografia, autorizada pela família Manfredini e escrita no período de 1999 a 2008 por Carlos Marcelo, é um retrato fiel da vida e da obra do poeta Renato Manfredini Jr.,o eterno Renato Russo.

Nas 416 páginas do livro, devoradas até se esgotarem, Carlos Marcelo retrata o nascimento, infância, adolescência e fase adulta do ídolo rock e apura detalhes de suas primeiras composições, a história de várias canções, o surgimento do movimento rock na capital de cimento, as primeiras composições, como Renato começou a gostar de música e o que aconteceu até a formação da primeira banda, o Aborto Elétrico, o nascimento e crescimento da turma da Colina, os punks de Brasília, as amizades, os relacionamentos, o burburinho do apartamento 202 do bloco B da SQS 303, sempre cheio de amigos e de filosofia, de música  e de vontade de mudar o mundo. Tudo isso junto a história do jovem Renato Manfredini Jr., fã de Beatles e de Sex Pistols, professor de inglês da Cultura Inglesa que dominava o idioma como poucos, jornalista formado na Ceub  e Trovador Solitário, além de jovem, como todos os outros jovens, que queria que seu país mudasse, que a revolução acontecesse e que a vida fosse melhor pra todos.

Fã de Renato e da Legião Urbana desde 1985, quando a caminho do colégio escutava uma fita-cassete com as primeiras músicas da Legião Urbana, o autor finaliza o livro de forma tão emocionante quanto o inicia, resgatando Renato e Legião em 1988, depois e antes do show-tragédia que marcou o não-retorno da Legião Urbana à cidade que os fez nascer e a maneira inconsequente do povo de Brasília de tratar seu maior ídolo.Carlos Marcelo entrevistou mais de cem pessoas entre amigos, familiares, fãs e até o próprio Renato (bem antes de a obra passar pela cabeça do autor) para compor com o máximo de fidelidade possível a história do carioca que mudaria a história do rock nacional em Brasília, a capital do Brasil.

Amanhã é Dia Mundial do Rock. E para conhecer o rock nacional, o rock mundial e o que moveu a nossa geração coca-cola, a leitura de Renato Russo – o filho da revolução é senão obrigatória, indispensável. A geração, que ainda não deixou de ser Coca-Cola, precisa conhecer a história do poeta que tentou deixar de celebrar a hipocrisia, a afetação e a indiferença desse país que ainda cabe na sua gritante pergunta, até hoje sem resposta. Que país é esse?

Renato Russo – o filho da revolução
Autor:
Carlos Marcelo
Editora: Agir
Ano: 2009
Páginas: 416
Site: www.renatorussoolivro.com.br
Nota: 10,0

O Repórter do Século conta um pouco da história de um dos melhores jornalistas brasileiros

José Hamilton Ribeiro é um homem completo. Escolheu a profissão certa para si e fez do seu jornalismo uma das grandes referências nacionais à profissão, foi fundo em cada um dos temas que escolheu para reportar, exerceu a profissão em diversos meios de comunicação, sempre com a mesma paixão, a dedicação do jornalista realizado e é hoje um dos nomes mais lembrados quando o assunto é jornalismo de qualidade.

O livro “O Repórter do Século”, da coleção Vida de Repórter, exibe as 7 matérias de autoria de Ribeiro e de equipes com as quais trabalhou ganhadoras do Premio Esso, maior premiação do jornalismo nacional. Entre os extras da publicação, também estão duas reportagens sobre a externa mais famosa de Ribeiro: sua passagem pela Guerra do Vietnã, onde o jornalista perdeu a perna esquerda ao pisar em uma mina vietcong em um campo de batalha.

Com apresentação de Ricardo Kotscho, outro grande nome do jornalismo brasileiro, o livro também conta com um pingue-pong onde Ribeiro destaca as dez perguntas que mais lhe fazem em entrevistas, quadros com os dados dos ganhadores de Prêmios Esso nos anos em que Ribeiro foi premiado e a cronologia do jornalista até o ano de 2006, quando o livro foi publicado. A obra é de leitura obrigatória para todo jornalista / estudante de jornalismo, mas também é recomendada para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da história do jornalismo brasileiro e de como as reportagens de revista eram mais completas num tempo que hoje não é mais possível de ser recuperado.

Que livro é você?

Me chamou a atenção esse mesmo título para post, no blog do Wellington. E não é que eu fui lá clicar?

O que vi é um teste elaborado pelo site “Educar para crescer”. E o resultado? Pois bem, sou “Antologia Poética” de Carlos Drummond de Andrade. Curiosamente, esse é um dos livros de Drummond que eu ainda não li.

E porque sou “Antologia Poética”? Abaixo, o resultado do teste:

“O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua”. Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz. “Antologia poética” (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

Será que eu sou mesmo esse livro?

Descubra que livro é você clicando aqui

RESENHA – Crônica de Uma Morte Anunciada


Gabriel García Márquez é um homem fantátisco. Escritor, crônista e jornalista o homem simplesmente fazia suas matérias e reportagem se transformarem em histórias, prendendo o leitor até o último segundo. Já conhecia o autor, por conta de minha incansável época de preparação para o vestibular, e já havia me enamorado de suas palavras.  Ele aparece na lista dos livros que todo jornalista deve ler três vezes, e o “Crônica de Uma Morte Anunciada” é uma delas. 

Crônica de Uma Morte Anunciada conta a história do assassinato de Santiago Nasar, e as minúcias de um dia que ficou na memória de toda uma cidade colombiana. Ângela Vicário, garota de boa família, casa-se com Bayardo San Román, um homem misterioso, que aparece na pacata cidade onde a trama acontece, dizendo viajar o mundo a procura de uma esposa. A festa do casamento é o acontecimento da cidade, e durante as núpcias, Ângela não consegue disfarçar sua “não pureza”. Leva uma surra e é devolvida aos pais pelo infeliz marido. Questionada por seus irmãos gêmeos Pedro e Pablo sobre o responsável por sua desonra, Ângela declara o nome de Santiago Nasar, e então seus irmãos passam a preparar a morte de Santiago e a espalhar a tal “promessa” pela cidade inteira, para quem quisesse ouvir.

Entre as coisas mais incríveis do texto de Márquez neste livro está a delicadesa do uso das palavras. A todo momento, sutilmente ele destacava a necessidade dos gêmeos de serem impedidos por alguém, de serem privados da árdua tarefa de “devolverem a honra” de sua família, através da morte de Santiago. A isto, se ligam outras três situações:

a) Ângela aparentemente acusou Santiago, não por ser ele o real responsável por sua desonra, mas por sua crença de que seus irmãos nada fariam contra o amigo;

b) Ângela havia dito à amigas mais próximas sobre a sua virgindade perdida, mas nunca havia dito “o nome do santo”;

 c) Ninguém da cidade, dos arredores, das famílias ou de qualquer proximidade poderia sequer imaginar nem uma leve amizade entre Santiago e Ângela, quanto menos uma paixão;

A trama acaba de forma trágica, mas também, misteriosa. Ninguém consegue sequer imaginar quem tenha sido o verdadeiro responsável pela desonra de Ângela, não se consegue compreender como é que um crime tão arduamente anunciado por seus responsáveis não pôde ser impedido e nem tão pouco se consegue acreditar na série de imprevistos que indicavam e que causaram o desfecho anunciado. Intrigante, a história, tal como seu autor, merecem prestígio e leitura. 

Acho que esta lista promete GRANDES COISAS!


CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
Gabriel García Márquez
26ª Edição
177 Páginas
Editora Record
Nota: 10

Livros e Leituras

Quer saber de uma coisa? Tá bom de eu começar a postar as minhas resenhas de livros aqui não é? É sim. Então lá vamos nós.

Recebi do meu editor chefe, designer, jornalista precoce e garoto prodígio favorito André HP uma lista com alguns livros que todo jornalista deveria ler. Apesar de eu não acreditar muito na relevância destas listas e considerar que os livros que já li têm a importância que devem ter, me comprometi a lê-los, todos. Por duas razões:
  1. A lista realmente tem livros que muitos dos meus professores já recomendaram, outros que eu sempre morri de vontade de ler e não arrumei tempo, alguns (bem poucos) que eu já li e outros que simplesmente me despertaram uma curiosidade absurda;

  2. Me senti velha, inútil e inculta por ver aquela lista de livros gigante e cheios de coisas que eu já deveria saber e não sei;
Pois bem. O compromisso é tal como o da Matemática. Não vou postar a lista aqui e não vou ler os livros pela ordem em que estão na lista. Meus critérios para lê-los serão:
  1. Disponibilidade – Em bibliotecas próximas;
  2. Custo-benefício – Vale a pena pagar pelo livro, caso ele não seja encontrado em  uma biblioteca?
  3. Interesse – Quero e preciso ler isso agora? 
Comecei bem, e até rápido. O ruim será encontrar os livros que faltam… mas isso é assunto para a próxima postagem. 

Literatura em Todos os Papéis

Pois é gente!

O blog www.raquelline.wordpress.com vai virar meu portifólio. Aliás, meu “blogfólio”.

Esta era uma matéria interessantérrima que eu havia postado lá. Leiam! =D

É o fim!

Aliás, não é o fim não! É o começo de tudo!

Estava Rakky lendo normalmente a edição de segunda feira da Folha On line quando se depara com a seguinte manchete: “Empresa lança papel higiênico literário na Espanha”. Não… seus olhos não te enganaram. E os meus também não. Segui o link imediatamente para saber mais e me deparo com um lançamento inédito, exclusivo e fantástico! O papel higiênico “lível”.


As folhas contém obras literárias de autores conhecidos, e que não cobram por seus direitos autorais. A empresa criativa (Empreendedores) está aberta a novas parcerias para obras. O papel custa aproximadamente R$ 10 e você pode escolher a cor do papel e a obra que quer ler.

Agora pensem nisto daqui a alguns anos…

Com certeza a obra por rolo de papel higiênico ficará mais barata, mais pessoas terão acesso e a cultura será melhor divulgada!

Imaginem a extinção do papel higiênico comum e a implantação definitiva do papel higiênico literário, nova sensação mundial, que tornará todos os seres humanos mais cultos através do gosto pela leitura sem compromissos!

Sem mais divagações… que bom seria se isto fosse mesmo real

{Links pra você que pensa que a Rakky está mentindo!}

Site Oficial do Papel Higiênico Literário

Notícia na Folha

Harry Potter – Riscos e Vícios

Sou pottermaníaca. Não escondo de ninguém….

O que às vezes passa desapercebido são os vícios que um pottermaníaco corre para sustentar seu vício. Vou enumerar aqui algumas coisas que acontecem com todos (ou com a maioria) dos pottermaníacos que conheço. Algumas dessas situações foram vividas por mim mesma, outras não…

01- Início do Vício: Geralmente aquele cara super ‘cult’ não quer começar a ler porque ‘é modinha esse negócio de Harry Potter’. Outros mais ‘boca aberta’ dizem ‘pow… mó bagulho de criança isso meooo… pára!!! Mó infantil… eu é que nunca vou ler esse troço’ (meu caso). Aí algum amigo extremamente persuasivo (Jonh Lennon, nunca vou esquecer o quão importante você foi e é para a minha vida e para as coisas que gosto e acredito… hahahaha) te convence a ler o primeiro livro sob a seguinte desculpa: “Se você ler e não gostar, nunca mais te encho o saco”. Aí você lê, acha lindo, vicia e nunca mais consegue viver sem. É lindo não é? Então tá. É aí que o vício começa!!!!

02 – Fase I – Só por curiosidade: Você está com o seu Harry Potter na mão. Aí a sua mãe te grita: “Vai lavar louça!”. Mas você, só por curiosidade, quer ir até a página seguinte. Beleza. Cinco minutos não fazem mal a ninguém. Só que quando você percebe, já está na página 400 do livro (no seu momento de curiosidade, você estava na 127), a sua mãe já lavou a louça, você já deveria estar pronto pra sair, pra ir pra escola ou pra fazer qualquer outra coisa ou já anoiteceu e você olha pra o relógio assustado percebendo que já são 3 da manhã!! Vai dormir, e termina amanhã.

03 – Fase II – Vício manifesto! Tá pronto (a) pra sair com o namorado, ou com a mãe, ou com a tia. Emfim, tá pronto pra sair. Só que aí o seu lindo e maravilhoso “A Ordem da Fênix” está repousando na sua mesinha. Mesmo que você já saiba de trás pra frente, você o leva pra o passeio, vai lendo no ônibus, escreve no cantinho da folha o que você acha que deveria ter acontecido naquela parte e não aconteceu. Fica revoltado de não ter percebido aquele sinal da presença de Voldemort da outra vez que leu, e nem presta atenção ao que as pessoas falam, só pra ler Harry Potter. Tá começando a ficar séria a coisa.

04 – Peça ajuda pra um pottermaniaco – Você não aguenta mais ficar falando de Harry Potter sozinho. Aí a sua melhor amiga te convida pra sua festa de aniversário e você conhece um amigo dela que coincidentemente adoooooorrrrraaaaaaa Harry Potter assim como você! Lumus! Você passa a noite inteirinha chateado todo mundo que não sabe nada de Harry Potter junto com o amigo da sua amiga que agora já é seu amigo também! Fox!

05 – O Cúmulo do Vício – Se imagine no transporte público, em meio a lotação do trem, do metrô ou do ônibus. Cinco da tarde. Pico total em todas as esferas públicas. Você está simplesmente cansado e não havia ainda lembrado sequer da existência do menino que sobreviveu, quando de repente, do nada, você escuta logo atrás de você: “Será que ele vai conseguir, ou vai morrer?” – “Ah, eu acho que morre” – “Nãoooo!! A J.K não ia fazer tudo o que fez pra matar o Harry assim…” – “Mas como é que você acha que ele vai vencer o Voldemort se o Dumbledore morreu!!!”. Meu Deus do céu!!! Você vira pra trás e vê dois pirralhos conversando. Mas eles estão segurando um álbum de figurinhas lindo, cheio de fotinhas do Harry e sua turma. Aí você se mete com sua teoria absurda. “Desculpe, mas eu estava ouvindo a sua conversa, e eu acho que o Tyo Dumbie (olha a intimidade) não morreu não porque…”. Detalhe básico: você tem aproximadamente 25 anos. Os garotos, apenas 13 no máximo. Fez novas amizades! absurdoooo mas legal!!!

Se você já fez isso e mais, somos companheiros. Entre ficar quase cega lendo resumos ilegais dos livros que ainda não foram lançados no Brasil, procurar feito doente pelas novas imagens do filme, correr pra o cinema, furar fila e chorar o filme inteiro (ou no final do filme também), querer de qualquer jeito comprar aquele xadrez de bruxo da banca de jornal… vida de pottermaniaco não é fácil…

{Se tudo acima se referir a você, ou quase tudo, NÃO É MERA COINCIDÊNCIA}

Resenha – Último “Harry Potter” responde às dúvidas dos fãs e finaliza saga

harry-potter-e-as-reliquias-da-morte

Esqueça tudo o que você acha que sabe sobre Harry Potter e abra a primeira página. Lá estão as respostas para todas as suas perguntas, acredite. A batalha final está chegando, isto está no ar. Com Voldemort dominando o ministério, o Profeta Diário e toda a comunidade bruxa caçando Harry como o ‘Indesejável nº01′ , até sair da velha casa na Rua dos Alfeneiros nº 04 seria difícil. Doze Harry´s deixaram a casa, cercados por membros da Ordem, que sem Dumbledore ficaria cada vez mais frágil, e seguiram para sua aventura. Harry, Rony e Hermione deveriam caçar as Horcruxes e destruí-las. É pena nenhum dos três ter a menor idéia de por onde começar.

Hogwarts não era mais a de antes. Trouxas e nascidos trouxas, assim como mestiços estavam sendo caçados e destituídos de suas varinhas, quando não mortos ou torturados, em todos os lugares do mundo mágico. Nenhum lugar poderia parecer seguro. Fugir era a única saída, mais a batalha viria.

Quanto faltaria para encontrarem todas as Horcruxes? Como fariam para destruí-las? Quantos morreriam para salvar Harry? Quanto tempo eles passariam procurando? Se Dumbledore morreu, quem os ajudaria? A amizade de Rony é mesmo verdadeira? A herança que Dumbledore deixou era realmente inútil? Essas e muitas outras perguntas passarão pela sua cabeça enquanto Harry persegue as poucas pistas que acha que tem. Mais no meio de seu caminho às Horcruxes e à destruição de Voldemort, ele se encontrará com as Relíquias da Morte, relíquias mágicas que deixariam o bruxo que as possuísse como sendo o mais poderoso entre os bruxos. Harry se esquecerá de sua missão com as Horcruxes e caçará as Relíquias, querendo o poder, ou deixará Voldemort se tornar invencível?

A amizade, o amor e a coragem de Harry são postos à prova como nunca. Todos aqueles que ele mais amou na vida tinham suas vidas ameaçadas por ele, para defender ‘o-menino-que-sobreviveu’. Ele conseguirá se salvar e salvar a todos ou se entregará à morte?

Dúvidas e mais dúvidas apareciam em cada nova curva de seu caminho. Ele teria tempo para Gina? Ele sobreviveria novamente? Rony e Mione ficariam juntos? E Gui e Fleur? Lupin e Tonks? Sr. e Sra. Weasley? Neville e Luna? Eles sobreviveriam também? Harry poderia salvar a todos? Dumbledore era um mago incrível ou um grande traidor? Rita Skeater, a jornalista mais odiada do mundo mágico (ao menos por Harry) dizia a verdade pela primeira vez? Somente “O Pasquim” e o “Potterwatch” pareciam estar do seu lado, junto à Ordem da Fênix e a Armada de Dumbledore, que, agora chefiada por Neville, dava sérias dores de cabeça aos comensais da morte. Como tudo isso vai acabar?

Ainda sem tradução para o português (com exceção é claro, dos fãs que disponibilizaram uma versão não oficial em alguns sites), Harry Potter and the Deathly Hallows deve ser o último livro da saga do menino bruxo. J.K. Rowling com certeza fechou muitos pontos, mais ainda deixou algumas dúvidas. E não é errado pensar que ela vai usar isso, algum dia. Só resta agora ler e se encantar com o fim da grande aventura do bruxinho com a cicatriz em forma de raio em sua testa. Não perca mais tempo. E viva Harry Tiago Potter!

Harry Potter and the Deathly Hallows J.K.Rowling

Gênero: Ficção Fantástica

Número de páginas: 570

Edição: 01/2007

País de Origem: Inglaterra

Preço: de R$61,90 a R$70,00

Nota: 10

Publicado originalmente no site MagazineCult.net em agosto de 2007

Livro da Tribo – Eu tenho o meu! {Reflexão 01}

Sabem aquelas agendas mágicas? Aquelas que têm tudo o que você quer numa agenda, desde espaço o suficiente pra escrever até poemas em cada uma das páginas? Pois é, eu tenho uma. Se chama “Livro da Tribo” e foi um achado! Mais antes que eu comece a fazer você morrer de inveja, quero colocar aqui um poema, desta minha agenda perfeita, que me fez refletir um pouco. A impressão que este poema me causou foi extrema e bela. Quero compartilha-lho:

Tavariana
Alguns poetas cantam as estrelas
Outros mistérios abissais
Até há os que ninguém entende
Mas são do grande baralho
Quanto a mim, poeta chinfrim
Coube cavar o dia-a-dia
Na ilusão de encontrar
Entre o refugo e o cascalho
Uma lasquinha de poesia
{Ulisses Tavares}
Pode até ser considerado bobo. Mais pra mim é arte pura. É exatamente esta lasquinha de poesia que eu procuro encontrar todos os dias, pra me tornar mais ‘eu mesma’ e pra respirar aliviada. É uma razão pra continuar. Uma essência, invisível à olho nú. Essência pra vida. Pra viver. Num mundo onde a cada dia é mais difícil sorrir, cantar ou ser feliz, vendo guerras, mortes e destruição por onde quer que formos, este pedacinho diário de poesia acalenta, tranqüiliza e faz sorrir. Assim sendo, me sinto como o poeta, a quem ninguém vai mesmo entender, até que o sopro de vida lhe falte.
Enfim… querendo ou não… SOU UMA ESPÉCIE RARA, E JÁ ESTOU EM EXTINÇÃO.
Livre, só me resta viver…