Who is that guy?

Durante muitos anos da minha vidinha mediocre eu acreditei cegamente em um Deus. Fui uma católica exemplar, tentei andar na trilha da vida, lia a bíblia, ia a missas, fiz todos os níveis de catequese e tenho todos os sacramentos que minha idade me permite ter. É claro,  em algum momento da minha adolescencia e nascendo para a rebeldia, comecei a questionar algumas regras e tabús, discordava de algumas doutrinas e me perguntava o sentido de todas aquelas coisas… mas nunca deixei que esses questionamentos me abalassem… até o dia em que eu vi minha mãe morrer.

Aqui uma pausa. Não estou citando isso porque preciso da piedade ou da compaixão de ninguém. Acho que sou madura o suficiente pra não precisar desse tipo de afago. Esse momento é importante de ser mencionado pois foi o que definitivamente me fez questionar tudo e todos, inclusive a minha tão inabalável (até então) fé. Prosseguindo…

Se tem uma coisa que eu nunca vou entender e não há esforço que me faça pensar o contrário é como é que um Deus tão bondoso e misericordioso foi deixar a minha mãe, uma filha tão exemplar, morrer do jeito que ela morreu. Eu sei, todos morrem algum dia, isso é certo e eu nunca acreditei que isso seria de outra forma, mas, poxa! Tudo o que a D. Marlene mais odiava era pedir favores. Tudo o que ela menos gostava na vida era depender de alguém ou de algo para fazer qualquer coisa. Ela era do tipo que só pedia ajuda quando não tinha outro meio mesmo, do tipo que sempre se colocou na posição de ajudar e não de ser ajudada. Ela sempre odiou hospitais. Fugia deles como o diabo foge da cruz. E véio… ela morreu num hospital, um mês e dez dias depois de entrar em outro. Sem movimentos das mãos. Sem movimentos dos pés. Precisando de ajuda para qualquer coisa. Sem voz. Sem nada.

Desculpem caros amigos, mas não venham me dizer que ela precisava passar por essas provações na vida. Ela sofreu a vida toda e eu sei muito bem como foi porque eu estava lá por boa parte do tempo. Não venham me dizer que isso aconteceu assim porque era pra ser, porque o plano de Deus era esse, porque essas provações a fizeram ser o exemplo que ela foi , que suas palavras de fé e perseverança inspiram a todos e que eu não deveria deixar a minha fé ser abalada por causa disso porque ela não queria assim. Eu já decorei esses discursos. Respeito, mas não aceito. Custava ter sido um pouco menos trágico? Um pouco menos de sofrimento para quem já tinha sofrido tanto na vida? Um pouco menos de crueldade? Um pouco mais de compaixão?

Mais de um ano se passou e eu não consigo achar respostas para essas perguntas. De alguma forma elas sempre vão ficar na minha cabeça. Quem é esse cara da misericórdia, do amor, da compaixão, que deixou que tudo acontecesse do jeito que aconteceu? Porque tanto sofrimento para alguém que só fez amá-lo, respeitá-lo e adorá-lo durante sua vida inteira, como uma verdadeira serva?

Talvez seja duro de se ler (e acreditem, é duro de dizer) mas no fim de todas as contas a morte da minha mãe me fez bem. Eu cresci, virei adulta de verdade, pus os pés no chão e caminhei para a verdade da vida. Sozinha porque o mundo quis assim, mas com as melhores companhias que eu poderia ter. E nesse sentido, eu acredito que há alguma coisa nesse mundo que não é um simples acaso. De alguma forma, antes, durante e depois da doença da minha mãe o mundo foi conspirando devagar para que eu me tornasse o que eu sou hoje. Eu conheci as pessoas certas, me aproximei das pessoas certas, contei com o apoio de pessoas muito certas, sem as quais eu acredito que tudo seria bem mais difícil, estava no lugar certo, no tempo certo.

Não existe nenhuma coincidência que possa explicar tantas coisas que aconteceram nesse período da minha vida. É por isso que por mais que eu tenha deixado de acreditar no barbudão branquelo, no seu filho cruscificado e na pomba branca, eu sei que existe alguma coisa. Talvez minha mãe estivesse certa e esse Deus aí que ela passou a vida inteira pregando realmente seja o cara. Talvez a razão seja dos espíritas. De qualquer outra religião. Talvez seja ainda daqueles que acreditam que existe uma força superior que nos guia, que embaralha e desembaralha as cartas do jogo da vida e as lança por nós, numa jogatina sem fim, com todos os melhores propósitos, mas sem fins para justificar os meios. Eu só sei que essa bagunça toda me fez deixar para trás o menino Jesus de Nazareh e acreditar que, mesmo que ele tenha sido um grande cara, talvez não seja ele o cara.

O que importa é que mesmo não tendo mais a minha fé de antes eu não posso reclamar. Eu cresci uns 10 anos nos últimos 2. E se há alguma força maior responsável por todos os acasos que aconteceram na minha vida de lá para cá, obrigada! Eu acho que você é um ser muito ocupado para se preocupar com o que as pessoas fazem antes ou depois do casamento, ou com que tipo de regra pode-se estabelecer para o pagamento de dízimo, o ensinamento de um livro velho para todos os povos ou a divulgação de algumas parábolas… De qualquer forma, mesmo não sabendo quem é você ou o que você quer, eu sei que você de algum jeito existe. E que você é o cara!

Deus?

Faz algum tempo que tenho refletido bastante sobre a existência e influência de alguma força sobrenatural que “guie nossos passos no caminho da paz”.  Pensei muitas coisas, que desejo compartilhar em um post revoltoso e completamente fora de minha natureza, porém, por hoje, gostaria de compartilhar com vocês uma música apenas, que faz todo sentido pra mim nesse momento. É do Pato Fú, minha banda de cabeceira do mês.

Deus – Pato Fú

Composição: John

Deus está no sinal vendendo chiclete
Outro me assaltou
Levou todo o meu dinheiro
Me espetou com canivete


Deus arranhou meu carro
E bagunçou meu lixo
Deuses passam fome
A gente passa por cima
Deus é menos que um bicho


Deus mentiu pra mim
Diz que não foi ele
Outro Deus é que é o ladrão
E um que tá pedindo pra ajudar
A mãe doente e dois “irmão”

Deus, meu Deus
Será que você
É só uma ilusão?
Não pode estar vivo
Você come lixo
Você come poluição

Deus é comerciante agora? (Parte I)

Conforme prometido na última postagem, aí vai a primeira parte das minhas reflexões sobre o ‘comércio de almas’.

Antes de começar a escrever um pouco do que acho, qual a minha verdadeira impressão sobre o casal “Renascer”, gostaria de deixar bem claro o meu respeito e admiração por cada uma das religiões existentes, e a minha profunda indignação em relação a todo o caso, que envolve, entre outros crimes, o mais grave, a manipulação de pessoas inocentes.

O casal Hernandes foi inteligente. Conseguiu fazer de um pequeno grupo de oração um grande e lucrativo negócio. Como é que foi que um pequeno gerente de marketing e uma dona de uma também pequena boutique conseguiram um feito tão grandioso? Atrair milhares de fiéis a uma nova religião, para que todos pudessem “Renascer em Cristo”? Sim. Muito bem pensado. E para que todos pudessem “mudar suas vidas” e “renascer” com a ajuda de Cristo, deveriam fazer um “pequeno sacrifício”. É, doar um pouco de si para a igreja. Dinheiro. Alguma quantia em dinheiro, para que a igreja pudesse crescer e espalhar a maravilha ao mundo. Deu certo e a pequena igrejinha do Cambuci ganhou companheiras em todo o Brasil e no mundo também, além de uma emissora de TV e uma rádio. E agora, pasmem! Todo este espetáculo religioso, tendo até representantes nas Câmaras dos Deputados de vários Estados e até no Congresso Nacional, deve 12 milhões, e, ainda mais surpreendente, os criadores acumulam uma fortuna exorbitante, um valor estimado em 19 milhões, o que pagaria as dívidas da “criação Renascer” e ainda deixaria o casal bem ‘contentinho’. O que será que está acontecendo?

Usar o nome de Deus para angariar lucros é um crime inadmissível. Creio até que maior que a lavagem de dinheiro, a falsidade ideológica e estelionato, crimes que pesam sobre a cabeça e consciência do casal Hernandes. Acredito que o povo brasileiro ainda é realmente muito “inocente”. Crer que Deus vai aceitar uma “prenda” em troca de atender a algum pedido é no mínimo inocente demais. Deus não aceita prendas, Deus não quer dinheiro, Deus não pede nada de ninguém, com exceção, se possível, de uma oração, uma crença, uma fé, pode ser pequena, mais que seja. Ao menos foi isso que eu aprendi a vida toda. Deus não é um mercador, não é um comerciante. Eis a imagem de Deus que, talvez até intencionalmente, o casal Hernandes divulgava. Um Deus mercador, que troca dinheiro por graças e felicidade.

O mundo está mesmo perdido não? Ao menos é assim que vejo. Por enquanto.


Obs. Se há sarcasmo, ironia ou alguma figura de linguagem muito exagerada neste texto, creia-se: Não é mera coincidência.

Deus é comerciante agora? Parte II

Lembro-me de ter postado num outro blog, no início deste ano, um texto com teor parecido com o que quero atingir agora. Nele, eu dizia sobre o absurdo casal Hernandes, e a lavagem cerebral que faziam (e continuam fazendo) na mente das pessoas, abusando de sua fé em favor próprio, fazendo contas engordarem e saldos crescerem, em nome de um Deus que só atende ao seu pedido mediante algo de volta (dinheiro, de preferência).
Agora o escândalo é outro. Um ‘ex-pastor’ (não acredito que este termo existe! eu amo o Brasil!) resolve alertar suas ‘ovelhas perdidas’ quanto ao golpe do ‘lobo vestido de cordeiro’, e grava seu ‘amigo’ ensinando, com ares de mestre, a forma mais ‘correta’ de se ‘pregar a palavra do Senhor’ (coisas do tipo “Se você doar, Deus te ajuda, senão, Ele ajuda outro, que doará – claro, ninguém usa a puresa das palavras acima no vídeo). A polêmica estourou em 1995, através do ‘brilhante’ Jornal Nacional, sempre à serviço da população. A reviravolta atual é a insistência do ‘bispo’ em retirar todo e qualquer vídeo que tenha referência a ele do site Youtube.com. Mais será que ele quer mesmo retirar todos os vídeos ou está ‘magoado’ com um deles apenas??
Volto a dizer (preciso postar aqui também o texto da Bispa Sônia e Cia.), considero a religião como forma que o homem encontra para responder a questões interiores, para as quais não encontra resposta. Toda religião, portanto, é válida, desde que acalente o coração da pessoa que dela sente necessidade. É valida também qualquer crença que faça bem ao indivíduo, pois coisas boas devem ser mantidas.
O errado é usar a fé do povo para benefício próprio. Tanto a família Hernandes como a família Macedo (e todos os seus amigos que usufruem com eles de todo o luxo e poder que o povo inocentemente lhes dá) usa de má fé. Óbvio está que algo muito errado acontece aí. Não quero porém dizer aqui que as outras religiões são certinhas, e que o protestantimo é o gerador de todo este lodo. O que exponho é que o caso infelizmente prova que não são todas as igrejas que fazem bom uso do que o povo lhes dá.
Vejam o vídeo e tirem suas próprias conclusões: www.youtube.com/watch?v=My6_faauym8
Ações e Impressões – Mexa-se!