
Pois é. Se você conhece um pouquinho a Rakky, com certeza tem em mente: “Ptz… demorou pra ela escrever sobre eles”. Pois é amigos, a minha banda favorita aqui no Brasil permeia o Dez Razões dessa quinzena. Mais é claro, eu quero fazer você ouvir o som dos caras não só porque são meus favoritos no cenário Rock nacional, mais sim porque eles são bons mesmo! Como todas as bandas que passaram e passarão por aqui, é claro. Uma banda cheia de lutas, de sonhos, de mudanças e de ação. Bem com a cara do povo tupiniquim. Está preparado? Então toma! Dez razões pra ouvir!!!
01 – Jeitinho mineiro de ser: Pois é. Como a maioria das banda do mundo, o Skank começou independente. Samuel Rosa (vocal e guitarra) e Henrique Portugal (teclado e guitarra) tocavam juntos em uma outra banda, o Pouso Alto. Lelo Zanetti e Haroldo Ferreti vieram depois, e os meninos juntos, começaram a juntar dinheiro para gravar o primeiro álbum, que levou o nome da banda. Com 11 faixas, o trabalho era voltado essencialmente ao reggae, ao dance hall jamaicano e ao ska. Canções como “O Homem Que Sabia Demais” e “In(DIG)nação”, além do cover de Frank Sinatra em “Let me Try Again” e da versão de Bob Dylan em “Tanto” marcaram a banda na capital mineira e em toda a extensão do estado como garotos preocupados em transmitir alegria e conscientização. In(dig)nação traz o tom para a consciência política. A música compara a nação brasileira a uma ‘mosca sem asas’ na época em que o Impeachment do presidente Collor acontecia. A Chaos, um selo da Sony Music, notou o potencial do quarteto, pagou as 100 mil cópias que os meninos tinham conseguido produzir, remixou e melhorou a qualidade de som do álbum e assinou contrato com a banda. E como o Reggae não era o tipo de música famoso em Minas, os guris vieram pra São Paulo.
02 – Invadindo o Brasil: O ano de 1994 não poderia ser mais especial para os mineiros apaixonados por futebol do Skank. Copa do Mundo, Brasil tetracampeão mundial, e, é claro, alguns Pacatos Cidadãos invadiam a música brasileira. Aos pouquinhos, hits como Jackye Tequila, É Proibido Fumar, Esmola e Te Ver, fizeram do Calango o CD que traria o Skank pra o Brasil definitivamente. O ritmo envolvente, a voz doce e as canções fáceis de se aprender e com melodias também não complicadas fez a banda estourar em todo o Brasil. E não foi por falta de talento não?
03 – Apaixonados por futebol: Pois é, eles são doidos por futebol, como qualquer bom brasileiro. Mais essa paixão invade as letras e as músicas do time formado por dois Cruzeirenses (Samuel e Henrique) e dois Atleticanos (Lelo e Haroldo). Claro que a rivalidade iminente nunca fez a banda ficar mal. É uma partida de futebol, música lançada em 1996, abrindo o álbum “O Samba Poconé” foi uma das mostras dessa paixão. O clipe, que mostrava justamente um jogo no Mineirão com o clássico, foi parar nas paradas de sucesso francesas e viajou o mundo. Mais essa não é a única música com referências futebolistas do Skank. No primeiro álbum, “Cadê o Pênalti?” já dava indícios da paixão, além das citações de estádios em “Esmola” (No sinal, no Morumbi, no Mário Filho, No Mineirão), entre várias outras, nos outros álbuns. Paixão nacional, não deixaria de ser paixão mineira!
04 – Um show que é show: Ir a um show do Skank é garantia certa de diversão. De onde aqueles mineirinhos tiram tanta alegria e carisma, é um mistério. O que se sabe é que o público ‘skankeiro’ não pára um segundo. Sendo nas músicas mais agitadas, pulando ou nas baladinhas, cantando, a galera acompanha do começo ao fim a eletrizante banda arrepiando em cima do palco. Antigamente, até a ‘dança do calanguinho’ entrava na festa. Mais essa já é uma outra história…
05 – Banda Paralela: Não, não. A banda paralela não é uma referência ao baixista do Skank, Lelo. É que o Skank não pára nem em período de férias. Em suas horas vagas entre as gravações no estúdio ou entre as turnês de shows, os caras formam uma banda só pra fazer covers, o Dr. Penetration. Nem o nome nem seus integrantes poderiam ser mais sugestivos. Samuel Rosa é Gérson Lopes (famoso sexólogo mineiro), Henrique Portugal se transforma em Peter North (ator pornô), Lelo encarna Cantigflas (comediante Mexicano) e Haroldo fica sendo Tom Byron (outro ator pornô). Os quatro ‘poderosos’ empenham seus instrumentos (musicais meninas, musicais) em covers e se divertem junto a alguns amigos mineiros. Diferentes, mais divertidos não?
06 – Sem medo de mudar: O que a maioria das bandas de rock espalhadas por esse mundão todo faz quando cada um de seus integrantes quer fazer um som novo, diferente do que a banda faz explorar novos instrumentos ou qualquer outra experiência, que seja? Se separam? Sim… mais nós estamos falando do Skank. Muito ao contrário do que comum de se ver no rock, os meninos mineiros também passaram por uma fase “Quero inovar”. E todos eles inovaram. Juntos. Esta fase foi entre os anos de 1998 e 2000. O Skank inteiro estava mudando. Já não tocavam só o seu reggae Ska e a melodia de “Resposta” no álbum Siderado já assustou alguns fãs. Mais só em 2000 a revolução viria. Um álbum cheio de pequenas grandes modificações. Com coragem, os caras do Skank abandonam de vez a fórmula animada do Reggae que trazia suas canções e seguem para o ramo de experimentações, criando um álbum hora retro, hora sessentista, sem nenhum sinal do sax ou trompete comuns da banda, ou da camada latina presente nas canções ‘calientes’, mais definitivamente bem feito. O álbum fez a banda pela primeira vez virar trilha de novela (com Balada do Amor Inabalável) conquistou novos fãs, enfeitiçou fãs antigos e mostrou ao país uma banda que faz o som que gosta de fazer.
07 – Influências e exemplos: Sim, uma das referências musicais do Skank é Beatles, claro. Mais essa mania toma a voz de Samuel às vezes. Come Together e Ob-La-Di, Ob-La-Dá já tiveram seus versos cantados e tocados pela banda, entre outros sons. Mais além da Beatlemania evidente nos quatro meninos, podemos encontrar sinais de que os caras realmente têm bom gosto. A seção ‘Links’ do site da banda é de encher os olhos de qualquer um. De Lô Borges à Little Richard, passando por Creedence Clearwater Revival e Kings Of Leon, além de Nando Reis e, é claro, cada um dos Beatles, as influências claras e assumidas do Skank tomam forma. Além deles, Bob Dylan, Frank Cinatra, Clube de Esquina e tantos outros são responsáveis pelo som quase eclético que a banda mineira consegue criar a cada nova apresentação ou álbum.
08 – Ouvindo os fãs: Um episódio quase que inédito na música: astros escutam o que os fãs tem a dizer. Eu explico. Tempos atrás, os fãs-clube skankeiros se organizavam para sugerir e exigir mudanças no site da banda, que tinha ganho o apelido de ‘Formato Mínimo”, alusão à uma música do Cosmotron e ao mesmo tempo piada com o conteúdo do site. Então, através de contato com o fã clube, os produtores do site pediram sugestões e as aplicaram no modelo “Carrossel” da página na web. E, fãs que o digam, o atual modelo responde à todos os requisitos. Ótimo não é mesmo?
09 – Curiosidades curiosas: Desde o nome da banda, que entre outras coisas pode lembrar o nome de uma super maconha (Skunk) ou um gambá, além de ter a referência à pessoas desprezíveis. Além disso, nem tão normais quanto parecem, os meninos do Skank tem seu lado ‘esquizofrênico’. Os caras exageram quando o assunto são suas coleções. Samuel e Lelo, com suas camisetas de times de futebol, Henrique com seus óculos redondos (várias cores), tipo “John Lennon” e seus bonés também coloridos e, o vencedor Haroldo, com suas nada comuns cuecas samba-canção de seda. No mínimo, diferente…
10 – Composições e melodias: Alguém já pensou na riqueza de vocabulário que uma banda pode transmitir? Pois é, as músicas do Skank, entre amor, dor, alegria, diversão, humor e situações cotidianas, transmitem uma gama de palavras que, como diria um amigo, são ‘bonitas de se analisar’. A parceria Samuel x Chico, que perdura desde o primeiro álbum traz versos que dariam um bom livro ou fariam qualquer professor de português extremamente feliz. Pois é, sempre que minha irmã me pergunta sobre alguma ‘figura de linguagem’ ou tem algum trabalho pra exemplificar com música (os professores dela adoram essas coisas), indico Skank como exemplo. E versos de canções como: “Ele sabia que o amor é um tiro, num alvo além da visão”, “Quando eu disse a ela que o amor morreu a cidade sutilmente estremeceu”, “Se matar não precisa, nós vivemos de brisa”, “Meu desejo e meu destino brigaram como irmãos”, “Duas luas sobre a terra, apoiadas em meus ombros”, “As ruas desse lugar, agora eu sei, sempre escutaram a nossa música, quando eu te respirava” e “O tempo só chegou pra me dizer, tudo o que eu não pude perceber” mostram que não estou errada. Metáforas, hipérboles, aliteração, antítese, eufemismo e prosopopéia, além de ter escolas literárias como o Trovadorismo, o Romantismo e o Modernismo inspirando algumas letras também. Cultura brasileira, transmitida em música. Lindo não?
Nossa! Além dessas, há muitas histórias que a banda tem pra contar. Mais eu é que não vou bancar a chata. Há muita coisas sobre esses quatro mineirinhos malucos que pouca gente desconfia. Quer saber mais? E tá esperando o que? É só acessar: www.skank.com.br e ouvir, conhecer e amar. Ou não. Mas eu tentei!
Publicado originalmente no site MundoRock.net em agosto de 2007