Entrevista com o jornalista Alisson Ávila

Detalhes da Entrevista: No segundo semestre de 2007, entre os trabalhos propostos para a faculdade estava a criação e edição de uma revista, o que na UNIP é chamado de PIC (Projeto Integrado de Comunicação). Meu grupo escolheu entre os temas propostos o “Sensacionalismo na Imprensa” e começamos a correr para conseguir pautas, matérias, artigos, resenhas e entrevistas. Surgiu a idéia de entrevistar o jornalista Alisson Ávila, que à época acabara de ser demitido pelo Meio e Mensagem por não aceitar alterações em uma matéria sua, que divulgava uma pesquisa. A tal pesquisa mostrava a queda de audiência de alguns programas da Rede Globo, e ao mesmo tempo, o crescimento dos níveis de audiência da Rede Record. No mesmo período, a revista Carta Capital o convidou para o trabalho como free-lancer e deu à sua matéria a capa do periódico. Estas e outras curiosidades podem ser lidas abaixo, na entrevista feita por mim Raquelline Curvelo, em parceria com Gisele Santos.

Entrevistado: Alisson Ávila
Veículo: Revista Imprensacionalismo (PIC – Unip – 3º Semestre – 08/2007)

ALISSON ÁVILA FALA SOBRE A PROFISSÃO DE JORNALISTA

Alisson Ávila, repórter demitido do jornal Meio e Mensagem por fazer uma matéria sobre a queda de audiência da Globo, fala com exclusividade pra nossa revista sobre a profissão de jornalista, a manipulação da imprensa, dilemas enfrentados dia-a-dia e sensacionalismo. Confira:

por: Raquelline Curvelo e Gisele Santos

R.I – Como você avalia o uso do sensacionalismo na imprensa brasileira?

Alisson
– Isso não é uma questão exclusiva do Brasil, é algo que a gente enxerga em muitos lugares do exterior também, e no Brasil acho que tem uma discussão muito grande a respeito do papel da TV porque ela acabou tendo certa responsabilidade sobre a sociedade, sobre a educação, que em tese não é 100% do papel dela. Por mais que a gente discorde, embora a televisão seja um concessão publica, ela tem as questões dela de abastecer as pessoas com entretenimento, dentro desse processo de entretenimento, o sensacionalismo acaba aparecendo como um elemento importante. Eu acho que tem duas coisas: primeiro essa necessidade de se fazer entretenimento, não significa que a gente tenha que apelar para o sensacionalismo, uma coisa é bastante diferente da outra. Dá para dividir entretenimento de sensacionalismo. E independente disso, as empresas deveriam além de tomar esse tipo de atitude, em minha opinião, investir de verdade em projetos de informação e de formação em horários melhores na grade de tv. Eu acho que televisão não substitui escola nem pai e mãe, mas ela tem realmente um dever social importante, eu acho que daria para encontrar um caminho intermediário entre a necessidade de entretenimento que gera audiência e faturamento com o processo de evitar o sensacionalismo e trazer um pouco mais de informação de modo geral para as pessoas.

R.I – Segundo os dados do Ibope, na grande são Paulo a Globo sofreu uma queda na audiência de 9,5% no chamado horário nobre na comparação de agosto de 2006 com o mesmo período desse ano. Você acredita que as outras emissoras possam ultrapassar essa grande líder que é a Globo?
Alisson –
A matéria que eu fiz para a Carta Capital, que era originalmente para outro veículo, mas foi para a Carta, ela procurou fazer uma análise totalmente técnica da questão, ou seja, eu procurei honrar a palavra reportagem, eu tentei me limitar a reportar para os leitores o que os dados diziam. Eu não tenho nada contra e nem a favor a Globo, e nem da Record e nem contra setor de mídia nenhum. No futuro eu acredito que a competição e principalmente a pluralidade na mídia brasileira vai aumentar, é um caminho natural, porque o Brasil é um país muito grande e importante economicamente no mundo, é natural que com o tempo a gente tenha um amadurecimento do mercado de mídia no Brasil, que hoje continua com as mesmas coisas das antigas, é o que mostra assim a velha característica do nosso país de misturar o futuro com o passado, como poucos países, onde tem um monte de coisas tecnológicas, modernas, e ao mesmo tempo tem mão de obra escrava, trabalho infantil, e concentração da mídia em pouquíssimos grupos. Eu acredito que a tendência natural no futuro é que essa diversidade aumente, se a Globo vai perder ou não, eu não tenho como responder, e eu absolutamente não estou torcendo pra isso, quero deixar isso muito claro, eu não sou a favor nem contra ninguém. Eu tentei me limitar a fazer meu trabalho de repórter que era contar o que os dados estavam dizendo. Se alguém vai ultrapassar depois ou não, é uma outra questão a ser debatida, particularmente eu acho que sim, os números estão indicando que, ainda se tratando de mídia, vai aumentar a diversidade, e aí uma parcela de mercado pode diminuir.

R.I – Baseado no seu texto “Colosso, não mais impávido”, você acredita que essa manipulação pode prejudicar a qualidade da programação, e o que poderia ser feito para em mudança positiva, em relação ao que é exibido hoje em dia?
Alisson
– É muito importante que nós não sejamos ingênuos, mas temos que enxergar que manipulação há em qualquer mídia. Eu não acredito em imparcialidade, o cara do jornal da esquerda vai fazer matérias com abordagem de esquerda e irritando a direita, o cara da direita vai fazer a mesma coisa. O cara que não entra em política, vai falar sobre o que interessa pra ele. Eu não acho que isso seja necessariamente ilegítimo, pode ser questionável eticamente, mas todas as empresas existem baseadas nas suas motivações, o problema é a hipocrisia de não reconhecer que isso existe. Não é dizer que a manipulação tem a ver com isso ou aquilo, a gente tem que acordar pro fato que isso existe em todo lugar, onde a gente trabalha ou em qualquer empresa, não só de mídia. Acho que o grande amadurecimento é quando você reconhece que a sua postura é essa e que ela é assim, eu acho que esse discurso da imparcialidade e objetividade jornalística, pra mim é muito ultrapassado, eu sei que é uma opinião polêmica, o que eu estou querendo dizer é reconhecer as coisas, fazer uma apuração jornalística e ela vai te levar a uma conclusão, você vai tentar ser o mais equilibrado possível, seja pra dentro de ti ou pro jornal que você trabalha, existem questões que vão empurrar a matéria pra essa ou aquela abordagem, então mais do que discutir manipulação devemos discutir a tomada de posição das empresas. É por isso que eu não condeno, mas valorizo o fato do passado recente de o Estadão ter aberto seu voto pra presidente, assim como a Carta Capital também abriu. Acho que todo mundo devia fazer isso, pois assim colabora com a transparência, com a democracia e assim por diante. Eu não acho que exista essa coisa de certo ou errado, todo mundo tem seus motivos, e todos eles são legítimos.

R.I – Falando sobre as universidades, você acha que elas têm oferecido aos alunos recém-formados da área de comunicação social / jornalismo, condições de trabalho para enfrentar esse campo das empresas, concorrência?
Alisson –
Eu acho que existe uma concorrência muito grande no mercado, mas o jornalismo hoje vive um momento muito bom, tem oportunidades, só que a gente tem que oferecer as coisas para as pessoas, nós não podemos ficar esperando que alguém nos procure e nos chame pra fazer uma matéria. Tem que cavar uma sugestão de pauta e oferecer para um editor, esse trabalho como free lancer, assim você monta um portfolio pra mostrar para um lugar e tentar trabalhar de uma maneira fixa, e assim por diante. Eu me formei em 98, pela PUC de Porto Alegre, e muita gente que gostava de jornalismo reclamava da faculdade e nem seguiu carreira de jornalista. Eu acho duas coisas: vida real e mercado de trabalho, não dá pra comparar com faculdade. Eu acho que a faculdade cumpre um papel diferente daquele oferecido pelo mercado de trabalho. E é errado que a gente cobre da universidade essa postura. A faculdade tem a missão de te trazer referências, trazer valores, de estimular reflexão e somar isso a experiência real. No dia-a-dia no mercado de trabalho você tem que juntar as duas coisas. A faculdade também virou uma máquina de dinheiro, é só você sair na rua que vai ver a quantidade de universidades, faculdades se promovendo e se vendendo. Por mais clichê que isso seja, nada substitui a sua dedicação. A faculdade não vai te dar tudo, o emprego não vai te dar tudo, tem que aproveitar a formação que tu teve na família, junta isso com o que a faculdade tem de bom pra te oferecer, e a mesma coisa pro mercado de trabalho, é a junção de tudo que vai formar as coisas. A gente não pode transferir a responsabilidade para a universidade, ela pode ter virado um negócio, mas agora vai ficar quantos anos botando a culpa nela por ter virado um negócio? O jornalismo também virou um negócio.

R.I – Nós soubemos através da Revista Carta Capital, sobre a sua demissão, em razão de você não ter aceitado algumas alterações na sua matéria que foi publicada. Você pode contar como foi que isso aconteceu?
Alisson
– Eu sugeriria pra essa parte você dar uma olhada no blog do Paulo Henrique Amorin, lá tem uma entrevista grande minha com ele, e tem como tirar toda a história dali, as minhas opiniões sobre isso, o que aconteceu. É o blog dele, o Conversa Afiada. Tudo que eu tenho a dizer está ali, porque é um assunto chato, desgastante, e eu decidi que eu não ia transformar isso num bafão. Acesse: *
conversa-afiada.ig.com.br/materias/463001-463500/463341/463341_1.html

R.I – Falando sobre isso, nós tivemos uma palestra na faculdade com o Rodrigo Vianna, que também pediu demissão. Ele deixou a Globo porque não aceitou algumas coisas. Você poderia falar até onde vai o limite do profissional, do jornalista, em aceitar o que o veículo de comunicação impõe, servindo de recomendação aos estudantes de jornalismo?
Alisson
– É difícil, porque chega uma hora que vira uma questão individual. Eu já trabalhei em alguns lugares, fiz curso técnico em Publicidade no segundo grau, e na época adolescente eu estava todo revoltado, porque pra mim Publicidade era o fim do mundo. Aí fui fazer jornalismo e acabei cobrindo a área de mídia e de marketing em dois jornais, então não consegui me livrar disso. Também acabei trabalhando com assessoria de imprensa, mas muitas vezes você sofre, por achar que está se prostituindo, abrindo mão dos seus valores, etc. Eu cheguei num momento que pensei se eu for assim, talvez eu não consiga fazer nada, então eu tenho que pensar que o fato de eu estar fazendo isso não significa que eu estou “abaixando as minhas calças pro meu chefe” ou para o mundo ou para o mercado e sociedade, tem esse dilema. Se eu estou abrindo mão dos meus princípios, da minha integridade, por causa disso ou daquilo, acho que são casos e casos, se você tem essa consciência, pode conseguir lidar com isso sem tanto trauma. No caso do Meio e Mensagem, foi um acumulado de meses, no começo desse ano um dos editores do jornal foi demitido em circunstâncias mais ou menos nebulosas e isso gerou um desconforto na redação, um ruído, um bloqueio de comunicação nosso, dos jornalistas com a editora do jornal. Então a somatória de todas essas coisas com o histórico de relacionamentos naquela empresa e com a discussão em torno dessa matéria nos levou a esse ponto. E eu decidi que não ia mudar a matéria. Eu acho que é muito uma questão de debate, até comentei isso no blog do Paulo Henrique Amorim, a questão das regras estarem claras. A gente não pode ser exigente em qualquer lugar que a gente trabalhe, na nossa casa, com a nossa mãe e nosso pai, tem coisas que dá tem coisas que não dá. Ou então com muita conversa, com muito jeito, você consegue. De repente tu é adolescente e quer ir pra balada, não pode, mas se você conversar chega num consenso. Então muitas vezes a gente passa por isso dentro do jornalismo. Tem que conversar para chegar num consenso ou teu chefe simplesmente vai dizer: “Olha cara não dá para fazer essa matéria, não dá porque a gente vai se ferrar, vai dar problema e todo mundo vai se incomodar”. E aí você tem que ter maturidade para encarar que isso existe em qualquer lugar, aí é uma questão do ambiente de trabalho, depois é uma questão individual, aí tu decide se vai aceitar ou não. Então assim, está na consciência que isso faz parte da vida e que tu vai ter que passar por essa situação mais cedo ou mais tarde. Passando pela idéia de que isso existe em qualquer emprego e tu vai ter que lidar com isso várias vezes, e considerando que às vezes isso fica claro ou não fica claro pra ti, ai você terá que chegar à última instância que é a tua decisão pessoal de decidir o que fazer.

R.I – O Rodrigo Viana também comentou com a gente sobre o impasse de quebrar ou não o contrato com a Globo e falar com a mídia, pois segundo seu advogado, se ele quebrasse o contrato, nem que vendesse todos os bens poderia pagar a multa da rescisão. E também ficou indeciso sobre sair ou não da Globo, não pelo nome, mas pelo poder que eles têm de o ‘queimarem’ e não conseguir emprego depois, tanto que ele só falou realmente sobre o caso quando o contrato acabou. Qual a sua opinião sobre esse dilema?
Alisson
– Eu acho que é uma questão de você acreditar se está sendo correto ou não, é muito individual essa decisão. Porque da matéria da Carta Capital, tinha uma coisa de ‘morra Globo’. Eu não quero que ninguém morra, entendeu? Hoje mesmo, para fazer um outro free lancer, eu liguei para a assessoria da Globo e falei com a mesma assessora que me deu a resposta da matéria da Carta Capital, ela não desligou o telefone na minha cara, ela me atendeu e foi atenciosa de me responder. Eu não estou pedindo para ninguém ser ‘tucano’ digamos, no sentido figurado, mas eu acho que tu pode fazer o que acredita e pode colocar as coisas da sua maneira. Agora tem que ter consciência se jogou, jogou, se perder, perdeu. Tendo essa consciência, o resto tu tem que saber lidar. É um processo de amadurecimento, você está no jogo, às vezes vai, às vezes não vai, aí você escolhe.

R.I – E esse turbilhão de informações para o público, você acha que a imprensa cumpre o papel de informar? Não estão tratanto tudo de maneira superficial?
Alisson
– Eu acho que a gente está vivendo uma era de informação. Então tudo é informação, tudo é mídia e assim por diante. Eu acho que a imprensa tem as suas limitações sim, mas que muitas vezes ela faz um trabalho muito bom. As duas coisas que eu acho mais relevantes pra gente debater no jornalismo é: primeiro, transformar o noticiário em capítulo de novela; a agenda política do Brasil nada mais é hoje que capítulos de novela. É assim quem a política brasileira é coberta. Você não cobre política, cobre Brasília, as intrigas de lá como uma grande novela. Eu acho que isso vai de encontro com o que você está me dizendo que isso tem um profundo “Q” de espetacularização da notícia. Você certamente, na Revista Imprensacionalismo, nesse trabalho que o seu grupo está fazendo, deve ter lido sobre a sociedade do espetáculo. A sociedade do espetáculo é totalmente presente na nossa vida. Essa questão histórica, social e cultural explica, mas não justifica essa postura da imprensa. E se por um lado você noveliza a agenda do dia-a-dia, por outro tu não cita muitos assuntos. Joga uma bomba na capa, publica mais outras matérias, e aquilo é engolido pela próxima notícia. Ninguém vai citar aquilo depois. Vou te dar um exemplo, teve 500 CPI´s nos últimos anos. Alguém lembra do final, como que acabou, onde foi parar? Eu acho muito sem graça a imprensa dizer “este ou aquele deputado que fez não sei o que”, então, porque a imprensa não foi cobrir a trajetória dele desde quando começou a cometer essas barbaridades?

R.I – É isso que eu acho, ninguém se interessa em aprofundar em nada, registra rapidamente o que o cara falou e acabou ali, você não sabe nem quem é. Se bem que é tanta gente..
Alisson
– Tem outra coisa que pesa, é o seguinte, você está na redação do jornal e nem tem muito tempo, você faz essa matéria, depois já faz outra, e faz outra… Não dá tempo de retomar. Estamos muito carentes de reportagem por conta disso, tem que priorizar o volume, então fica sem tempo para pesquisar um assunto.

R.I – E se colocasse mais gente para trabalhar na redação, será que não daria certo?
Alisson
– Daria, é que de repente as pessoas não estão interessadas nisso, é um público específico que não quer ler um texto grande e aprofundado, a maioria só quer o link do site, a matéria curtinha resumindo o que aconteceu, aí nessas você vê o porquê as agências de notícias cresceram tanto nos últimos anos.

R.I – E como você acha que o público poderia se proteger dessa imprensa sensacionalista?
Alisson
– Eu acho que o público não quer se proteger, porque se eles quisessem se proteger busacariam outros meios. Vou te dar um exemplo, compare a Veja, com a Época, com a Isto É, com a Carta Capital. Não estou defendendo ninguém, mas todas elas se propõe a ser revistas semanais, e às vezes elas falam de assuntos completamente diferentes com abordagens completamente diferentes, o que é bacana.

R.I – Inclusive um tempo atrás foi publicada matéria da Carta Capital sobre uma visita que virou reportagem quando alguns alunos, e um deles era jornalista, foram fazer uma visita dentro ao Jornal Nacional e o Willian Bonner tratava o telespectador como o Homer Simpson. A gente até conversou um pouco sobre isso num debate em sala de aula com a professora Daniela Palma, achamos até uma falta de respeito dele com os telespectadores.
Alisson
– Eu acho que ele tem direito sim de dizer o que ele bem entender, mas ser cobrado pelo papel que ele ocupa, e o que a gente tem que dizer não é condenar ele porque ele disse isso, mas se perguntar o porquê de ele dizer isso. Ele é livre para dizer o que quiser, não se pode patrulhar ideologicamente as pessoas.

R.I – Mas justamente na hora que ele ia cortar alguma matéria ele falava “não, isso aqui o Homer não vai entender” então ia para esse lado: o cara não tem QI não tem cultura para entender se colocar isso no ar.
Alisson
– É que não é só isso, ele esta falando com 60 milhões de pessoas na hora do jantar, ele tem que partir de um mínimo, de um denominador comum, se esse denominador é de um nível mais alto ou mais baixo são outros quinhentos, mas ele precisa de um denominador comum… E se esse é um denominador do Bart, da Lisa eu não sei.

R.I – É que no caso ele generalizou…
Alisson
– É que estamos falando de mídia de massa, não é? Não se pode cobrar da mídia de massa um papel segmentado.

********************************************************************

Outubro de 2007

Anúncios

Um comentário em “Entrevista com o jornalista Alisson Ávila

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s