Uma história de amor chamada Skank

Postei esse texto no meu blog sobre música entre os blogs da plataforma de comunicação do Santander uma semana antes do #SkanknoMineirao. Acho que vocês também podem gostar dessa história.

Em 1993, nascia em Belo Horizonte, Minas Gerais, a banda Skank. Formada por Samuel Rosa nos vocais, Henrique Portugal nos teclados, Lelo Zaneti no baixo e Haroldo Ferreti na bateria, a banda tinha a intenção de fazer um som com referências ao reggae jamaicano. No mesmo ano a banda lançou um álbum de nome homônimo e começou a espalhar sucessos pelo Brasil, como “In(dig)nação”, com referências ao sentimento brasileiro pós Impeachement do Collor, “Tanto”, versão para a balada de Bob Dylan “I Want You” e “Gentil Loucura” que virou tema da novela “O Mapa da Mina”. Logo, os 4 meninos de BH viram que tinham que sair de Minas pra fazer sua música colar no Brasil.  Em 1993 eu tinha 5 anos de idade e não sabia o que se passava na cabeça desses 4 meninos que algum dia mudariam o meu jeito de pensar.

Em 1994, o Skank lançou o álbum “Calango”, vendeu 1 milhão de cópias e pôs na cabeça do Brasil as clássicas “Jackye Tequila”, “Esmola”, “É Proibido Fumar” versão da canção de Roberto Carlos, “Pacato Cidadão” e a eterna baladinha “Te Ver”. Foi nessa época, aos 6 anos, que o Skank entrou na minha vida. Meu pai comprou um tocador de CD (na época, isso era uma novidade fantástica) e junto com ele alguns CDzinhos, sendo o do Skank um deles. Meu irmão mais velho, me chamava de “Vaca, cadela, macaca, gazela” uma brincadeira de criança em referência à letra de “Jackye” e eu odiava aquela música. Na época eu acompanha só o estilo musical que meus pais acompanhavam, mas só por causa dos xingamentos do meu  irmão comecei a procurar naquele CD verde da banda de fotos e nome esquisito alguma outra música que eu pudesse usar pra xingar ele… não achei nada, mas encontrei “Sam”, uma outra baladinha linda da banda e que me apaixonou. Aos 6 anos de idade começava a minha loucura Skankarada.

Claro, eu era uma criança. Não dava pra ficar acompanhando a banda em shows, não dava pra ter todos os CDs. Em 96, quando o Skank lançou o álbum “O Samba Poconé” com a também clássica “É uma partida de futebol”, e a politicamente incorreta “Garota Nacional”, eu acompanhei as músicas pelo rádio, com o interesse de alguém que conhecia aquelas vozes. Não sabia que eles novamente tinham vendido mais que um milhão de cópias, nem que uma das músicas viraria 2 anos mais tarde a trilha sonora oficial da Copa do Mundo, nem que eles eram apaixonados por futebol, nem que o Samuel e o Henrique eram cruzeirenses enquanto o Lelo e o Haroldo atleticanos. Eu só sabia que conhecia aquela voz e que me agradava ouvir.

Em 98, o “Siderado” trouxe a baladinha “Resposta” de uma fase mais pop, que se revelaria muito mais intensa no “Maquinarama”, álbum lançado nos anos 2000. O álbum também trouxe a “Saideira” e “Mandrake e os Cubanos” para as rádios e eu também adorei assistir o clipe dessa última e ver o Haroldo loução em mil fantasias diferentes. Pouco me importava se havia sido mixado no Abbey Road, o famoso estúdio onde os Beatles gravaram algum dia, pouco me importava os Beatles, que eu conheci depois, graças ao Skank. Mas tudo isso mudaria em 2001…

Sim, após lançar o “Maquinarama” em 2000 e dar uma reviravolta na carreira incluindo mais elementos do pop, experimentações com instrumentos e trazer definitivamente a veia rock para seu som, lançando os singles “Três Lados”, “Balada do Amor Inabalável”, “Canção Noturna” e “Ali”, o Skank lançou em 2001 o famosíssimo e mais aclamado “MTV Ouro Preto”, um disco ao vivo com os maiores sucessos da banda, além das novidades “Estare Prendido em Tus Dedos” versão para a canção do Police e “Acima do Sol”, inédita. Nessa época eu tinha 13 anos, alguns amigos rockeiros e entre eles um garoto esquisito, meu 1º amor. Esse mesmo garoto foi quem me mostrou “Balada do Amor Inabalável” e foi quem disse que essa música era a minha cara. Daí para frente, minha loucura por Skank adormecida na minha infância voltou com uma força que não sei de onde mais vem. Comecei a comprar e ganhar CDs, revistas, recortes de jornal, acompanhar a banda,e só não podia ir a shows porque segundo meu pai eu ainda “não tinha idade pra isso”. O garoto ficou sendo meu amigo para sempre, mas talvez eu deve a a ele também pra sempre uma das coisas mais incríveis da minha vida: essa minha louca paixão por Skank.

Dos meus 14 anos até hoje eu sou uma enciclopédia viva de Skank. Em 2003, quando eles lançaram o “Cosmotron” e misturaram influências do Clube de Esquina com o britpop e com o rock inglês, a música de raiz do Chico e as experimentações técnicas que só um estúdio próprio proporciona e muitos fãs disseram que eles “perderam a essência” eu fui lá defender canções incríveis como “Por Um Triz” e “Resta um Pouco Mais” tão diferentes das modinhas “Dois Rios” e “Vou Deixar” que tocavam no rádio. Quando os fãs se ofenderam em 2004 quando a banda lançou uma coletânea que tinha 4 músicas inéditas e outras canções apenas dos dois últimos álbuns de estúdio, eu também fiquei brava, mas adorei “Um mais Um” e “Onde Estão”, além da gravação de “I Want You” do Bob Dylan e do inglês engraçadíssimo do Samuel e a dedicatória mais que merecida do álbum à Tom Capone.

As músicas do Skank faziam mais sentido pra mim porque eram a minha história cantada. Em 2006, quando eu cursei 6 meses de Sistemas de Informação de janeiro a junho e em agosto entrei por acaso no curso de Jornalismo, o Skank lançou o “Carrossel” em setembro, cantando “Notícia” e “Antitelejornal”, músicas que se relacionavam ao que eu queria ser, ao que eu queria que o Jornalismo fosse. No mesmo ano, comecei a escrever pra um site de Rock graças à resenha que fiz do CD e o segundo show do qual fiz cobertura na minha vida foi também o primeiro do Skank que assisti, cantando junto com a banda o lançamento “Uma Canção é Pra Isso” que todos os fãs já sabiam, além de “Mil Acasos”, “Eu e a Felicidade”, “Até o Amor Virar Poeira”, “Trancoso” e “Seus Passos” que quase ninguém sabia, mas eu já tinha na cabeça. Conheci muitos fãs, que se transformaram em amigos e mudaram um pouco a minha vida também. Mais legal do que ser fã de uma banda é ter por perto pessoas que também são e que entendem e conhecem bem todas as loucuras que você faz por eles.

Em 2008, às vésperas do lançamento do “Estandarte”, décimo álbum da banda eu já era uma fã consolidada: tinha todos os CDs, sabia todas as músicas, tinha pôsteres, fotos, recortes, informações exclusivas, fazia parte de uma lista oficial de discussões, acompanhava o site, comentava o blog da banda. Mas eu queria mais, e junto a alguns amigos criei o Fã-Clube Skankarados, que se apresentou à banda em novembro daquele ano no show de lançamento do álbum já cantando de cor “Ainda Gosto Dela”, “Sutilmente”, “Noites de Um Verão Qualquer”, “Canção Áspera” e “Para Raio” e de imediato teve o reconhecimento dos caras. A criação e manutenção do fã-clube, assim como o carinho que a banda e produção têm por todos nós é hoje uma das coisas mais legais da minha vida hoje em dia.

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10 comentários em “Uma história de amor chamada Skank

  1. Eu tb amo demais esses caras, e como!! Marcaram o auge de minha adolescência, até os dias de hoje!!
    Mas você está de parabéns, viu? Também sou fã de quem é fão do Skank!!

    Beijos!!

  2. É a sua história… mas se parece muito com a minha… e é por isso que essas lagrimas estão aki, querendo pular pra fora (agora não, amiguinhas, estou no trabalho!)
    Fikei emocionada…
    E ninguem aqui pode imaginar que tantas outras coisas boas Skank trouxe pra mim, e para a Rakky tb…
    Essa jornalista ai, que escreveu esse texto (rs), é minha irmã-gemea-de-pai-e-mãe-diferentes…
    E além dela muitos outros amigos, e histórias, e emoções….
    .
    “É nóis! Tamo junto e misturado!” 😉

  3. É a sua história… mas se parece muito com a minha… e é por isso que essas lagrimas estão aki, querendo pular pra fora (agora não, amiguinhas, estou no trabalho!)
    Fikei emocionada…
    E ninguem aqui pode imaginar que tantas outras coisas boas Skank trouxe pra mim, e para a Rakky tb…
    Essa jornalista ai, que escreveu esse texto (rs), é minha irmã-gemea-de-pai-e-mãe-diferentes…
    E além dela muitos outros amigos, e histórias, e emoções….
    .
    “É nóis! Tamo junto e misturado!” 😉

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