Papinhos fúteis

Duas amigas no trem, pela manhã:

– E você viu como ela tá inteirona? Nem parece que tem 62 anos…

– É verdade… Bonita essa Dilma né?

– É, inteligente também. Senão o Lula não tinha indicado.

– Pois é, eles tavam falando de um tal de pré-sal, que é a riqueza do petróleo. Melhor que ela ganhou porque vai fazer esse negócio aí trazer emprego pra todo mundo…

– É… ai, esse trem novo é tão lerdo!  Do jeito que vai essa porcaria vou chegar na Luz às 8h (saindo de Perus às 7:12).

Dois amigos no mercado, à noite:

– Cara, você viu? O Danilo vai aparecer e dizer que foi ele que matou o pai!

– Não foi ele não, ô!

– Olha, tá aqui na revista: “Danilo ressurge das cinzas e diz que foi ele quem matou Saulo”.

– Ah, tá! Olha a capa dessa aqui: os meninos do Restart!

– Eu gosto do Pe Lanza… olha ele aqui…

– Eu não gosto de nenhum.

– Meu, minha tia achou que eu roubei ela!

– O que foi que você fez?

– Na verdade o dinheiro tava dentro da concha, mas ela não viu. Aí ela falou que procurou e não achou, depois eu disse que…

Essas duas conversas aconteceram no mesmo dia e eu estava por perto, de espectadora. A futilidade presente nos assuntos e também a clara falta de profundidade nos temas abordados me deixaram com tanta raiva que eu pensei em me meter no meio, para comentar o pouco que julgo saber sobre música, sobre transporte público, sobre política. Não tô me achando a rainha da cocada preta, mas falar mal dos novos trens da CPTM me fere tanto quanto dizer que a Dilma já foi miss, mesmo sentimento que carrego quando alguém diz que o Restart faz música.

Nessas horas é que a gente fica com a maior vontade de mudar o mundo, de fazer as pessoas pensarem, de fazê-las analisar como algumas mudanças lhes fizeram bem e como outras podem lhes fazer mal. Colocar um pouco mais de conteúdo entre um papo e outro, falar um pouco mais de coisas que realmente importam. Ver uma senhora de quase 50 anos reclamar de algo que pode melhorar o seu dia a dia e ver um garoto de 15 tão bem informado sobre algo que vai fazer diferença na vida dele apenas enquanto ele puder comentar a novela das 8 no intervalo do colégio choca.

O que mais eu poderia esperar do Brasil?

Estou decepcionada!

 

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5 comentários sobre “Papinhos fúteis

  1. A Jay, pra variar, já falou tudo. Por mais que eu goste do brasil, acredito que os brasileiros precisam melhorar um pouco mais e aprenderem sobre os assuntos antes de falarem bem ou mal.

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