Resenha – Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina

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Se você não sabe absolutamente nada a respeito da esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Santa Luzia, Belo Horizonte, amigo, existe uma falha gigante em sua formação musical, principalmente no que diz respeito à música de qualidade, feita aqui no Brasil, nos anos 70.
Felizmente para preencher esse buraco existem as memórias de Márcio Borges, um dos participantes mais ativos do movimento musical mineiro que ficou conhecido como “Clube da Esquina” e que fez diferença no Brasil setentista.
Márcio foi o primeiro parceiro de composições de Milton Nascimento. O primeiro a perceber que aquela voz, aquele jeito de tocar violão, aquele sentimento não era coisa banal, que qualquer um podia fazer. E foi o primeiro a insistir com o amigo que seria famoso, mas que era só o Bituca naqueles tempos, que ele deveria se enveredar pelo caminho da música, porque ser datilógrafo (escrevente!) não era o caminho certo pra ele.
Essa talvez seja uma das mais importantes menções a se fazer ao livro. Não é escrito por alguém que pesquisou a história, tão pouco pela ótica do protagonista: Márcio estava lá, como ator principal, como coadjuvante, participante ativo de todas as influências e dos momentos que fizeram a história acontecer. Ele viu o roteiro ser escrito, deu seus pitacos, ajudou, moldou. Ele estava lá quando seu irmão, Lô Borges, cresceu e virou parceiro musical do melhor amigo, estava lá quando Bituca decidiu fazer música, incentivou essa decisão depois de 3 sessões seguidas do filme “Jules at Jim”, teve uma pontadinha de ciúme quando Milton começou a descobrir outros parceiros musicais como Fernando Brant e Ronaldo Bastos. Mas acima de tudo: além de ver a história acontecer na frente de seus olhos, Márcio teve a sensibilidade de colocar tudo isso no papel, em uma ordem que não é cronológica nem assimétrica: é a ordem em que as lembranças e as conversas vinham à mente. A ordem que o coração do mineiro quis que fosse.
Os sonhos não envelhecem mesmo, afinal. Apesar de essa história ser antiga, sempre haverá novos clubes nas esquinas e calçadas, sempre haverá amigos do original clube, sempre haverá memória. Que o clube da esquina de Santa Luzia fique com cada novo leitor, como ficou comigo.
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