Cuidar da própria vida ninguém quer né?

 

Ser diferente é bonito, é legal, é charmoso, é sexy.

Sim, é claro, sempre foi. Até o momento em que essa “diferença” te incomoda, ou mexe com o seu jeitinho de ver o mundo.

Os canhotos, os negros, as mulheres, os pobres, as meninas de cabelo “ruim”, os bolsistas, os desempregados, os deficientes físicos e tantos outros grupos que, com maior ou menor grau, sempre sofreram um pouquinho de preconceito, justamente por suas diferenças. E agora a onda de ataques é aos homossexuais.

Sim, porque é bonito demais ver beijo gay na novela, né? No conto de fadas, todos são bonitos, fortes, nasceram um para o outro e não têm esse sofrimento que é ser olhado torto na rua, ouvir piadinhas no trabalho e no transporte, ser olhado diferente e que agora é ter que “não dar pinta” para não ser espancado na rua ou ter que sair em “bando” para não correr o risco de morrer antes de voltar da balada.

De verdade, você não gosta de gays? Não gosta de lésbicas? Porque? Nunca percebeu que eles são pessoas que, assim como você têm sonhos, projetos, planos e ambições? Não tá ligado de que eles têm o mesmo sangue correndo nas veias, o mesmo polegar opositor, o mesmo cérebro de 1,5 kg, a mesma capacidade de raciocínio? Então, qual a diferença?

Ah, a bíblia tá falando que tá errado, que é pecado? Se você acredita nisso, tem que acreditar também na liberdade que o tal deus deu para cada um cuidar de sua vida, fazendo as melhores escolhas para si e “pagando” por elas no dia do juízo final, logo, não existe desculpa.

Pra mim, quem é violento com qualquer pessoa tem um único motivo: faltou liberdade em si, logo, não existe liberdade para o outro. Você que bate em gays por aí queria beijar uma pessoa do mesmo sexo, mas não tem coragem, então reage com violência à expressão de uma liberdade que você não consegue abraçar. É um covarde.

Tudo seria tão mais simples se cada um simplesmente escolhesse ser feliz com suas próprias rotinas, ideias, planos e frustrações, não é mesmo? Todo mundo tem um dente podre, um amor que não deu certo, um medo insuperável, um desejo proibido, um teto de vidro. Se cada um aprendesse a olhar apenas para o próprio mundo e cuidar para que o que gira ao redor do próprio umbigo fosse feito das melhores escolhas para o umbigo em questão, o mundo teria menos guerras e mais compreensão. Mais tolerância. Mais aceitação.

Porque todo mundo quer levantar a bandeira das igualdades quando tá na moda fazer isso, mas enfrentar o furacão no dia a dia é para poucos. 

 

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