Conheça o Pomplamoose a razão pela qual viver de música não é mais a mesma coisa

Pomplamoose

Você talvez nunca tenha visto a cara desses dois e nem faça ideia de quem são Jack Conte Nataly Dawn. Acontece que esses caras aí da foto têm mais de 140 mil fãs no Facebook, produzem vídeos com covers e músicas próprias para seu canal no YouTube há mais de 5 anos e finalizaram, em Dezembro do ano passado, uma turnê que passou por 23 cidades dos Estados Unidos e arrastou milhares de fãs com eles. Tudo isso sendo uma banda independente de indie-rock, com algumas canções próprias, algum dinheiro economizado e a cara e a coragem.

O exemplo do Pomplamoose foi compartilhado pelo Jack em um blog, junto com as despesas e receitas de seus 28 dias junto com Nataly na turnê. Entre despesas de transporte, hospedagem, alimentação, divulgação da turnê, contratação de músicos de apoio e todos os percalços pelos quais uma banda passa para divulgar seus shows, eles gastaram U$S 147.802 dólares. A venda dos ingressos e de material promocional (CDs, camisetas, bonés e pôsteres), rendeu U$S 135.983. A banda saiu no prejuízo. Mas não vai parar.

E é aqui que mora a mensagem. Jack Conte fez questão de publicar todos os gastos e rendas da turnê de sua banda para dizer que o Pomplamoose não realizou nada, não venceu nada, não fez nada de especial e diferente: eles são apenas parte de um movimento. Nas palavras do próprio Jack: 

Nós estamos entrando em uma nova era da história: o espaço entre “artistas que morrem de fome” e “ricos e famosos” está começando a ruir. O YouTube está associando milhares de parceiros, pessoas que concordam em colocar anúncios em seus vídeos pra fazer dinheiro com seu conteúdo. A “classe criativa” não é mais a classe emergente: está aqui, agora.

Pomplamoose não quer as capas de revistas nem os programas de auditório. A banda quer apenas levar sua música para seus fãs e viver de música. Para isso, eles sabem que têm que trabalhar duro (e trabalham) e estar perto de seus fãs, para que eles os recebam novamente quando eles voltarem. E esta primeira turnê é um grande exemplo sobre como viver de música pode ser possível, ainda que não seja fácil e ainda que o estrelato nunca chegue. A importância aqui está no fato de se fazer o que se gosta e conseguir viver disso. O Pomplamoose está pronto. A sua banda está?

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Um show para tocar o coração

 

Fagner

A Virada Cultural desse ano não teve muitas atrações para as quais eu dedicaria suportar apertos, socos, pontapés ou toda a gritaria fanática que me são habituais. Talvez eu esteja ficando velha, talvez os shows não me atraiam tanto mais ou pior ainda: eu não aguente mais virar as madrugadas acordada. 

 

De qualquer forma, fiz a minha listinha de atrações imperdíveis e fui ver o que conseguia assistir. Passei no final do show do Raça Negra, dei uma boa volta pelos balanços do Vale do Anhangabaú e fiquei muito, mas muito tempo na fila do Theatro Municipal, para tentar pegar o ingresso para um dos shows que eu mais queria ver naquele dia: sim, era o Fagner.

 

Raimundo Fagner é uma criatura encantadora, que infelizmente foi arrastado para a classificação “brega” da nossa música. Não consegui o ingresso para o show, mas fiquei na frente do telão que demorou umas 4 músicas para quase funcionar direito transmitindo para o povo de fora do teatro o show lá de dentro. Confesso que chorei de emoção, de uma saudade ardida que bateu, uma mistura de sensações.

 

E é com esse poder de emocionar uma grande plateia que eu acho que os cantores, bandas e artistas de uma maneira geral devem cativar o seu público. É essa sensação que me faz gostar, acompanhar, admirar um artista.

 

 E você? Que show já te fez chorar de emoção?

Steve Jobs: um gênio (in)compreendido

Steve-JobsA biografia autorizada de Steve Jobs, escrita pelo jornalista Walter Isaacson, traz revelações agradáveis e desagradáveis a respeito do criador da Apple, uma das maiores empresas de tecnologia de nossos tempos. O autor, que foi convidado pelo próprio Jobs para escrever o livro, revela durante a redação pedaços da vida e obra de Steve que são alvo de críticas, mas que também remetem a uma personalidade única – mas nem por isso fácil – de se encontrar.

Jobs nunca foi um garoto conformado. Também nunca foi um exemplo a ser seguido. Mas foi muito amado. A rejeição por parte dos pais biológicos e a adoção por parte de Paul e Clara Jobs foram determinantes para sua personalidade: ele sempre precisava provar para si mesmo que era querido e que podia fazer o que quisesse, sem limites, por ter essa recusa em memória. E muitas vezes ele conseguia.

O jovem Steve fazia dietas preocupantes, se interessava por tecnologia e queria mudar o mundo, por meio de sua concentração em ritos espirituais e por meio de uma “caixa azul”, que faria tudo ser diferente. Foi por meio da tal caixa que um Steve conheceu o outro e a parceria Jobs x Wozniak mudaria de vez todo o ramo da tecnologia.

A visão empreendedora de Jobs e a genialidade eletrônica de Woz fizeram os dois garotos se tornarem donos da Apple Computers em 1976. Foi esse compartilhamento de ideais que fez com que a empresa criasse os primeiros computadores realmente pessoais do mundo e se destacasse pela beleza e facilidade na utilização de seus produtos. Mas também nesta época mostrou-se cada vez mais vivo o chamado “Campo de Distorção da Realidade”, termo utilizado em 1981 por um dos funcionários da Apple, para definir o carisma de Jobs, seu poder de convencimento e o impacto que causava nas pessoas, simplesmente fazendo-as acreditar em suas verdades e determinações. Esta mostrou-se uma ferramenta de trabalho indispensável para ele e também algo muito  perigoso, tanto para si como para os outros.

Se Steve queria uma coisa, ela funcionaria e ponto. Não havia cronograma que não pudesse ser cumprido, peça que não pudesse ser entregue e prazo que não fosse atendido. Isso o fazia criar realidades paralelas para fazer os negócios funcionarem e era particularmente perigoso quando se tratava de um lançamento de produto: por mais ajustes que pedisse e por mais tempo que estes demandassem, a entrega deveria ser feita na data agendada, pois ela seria “a próxima revolução industrial” ou “o próximo equipamento a mudar o mundo”.

O poder de convencimento dele era tão grande que por vezes equipes inteiras se deixavam entrar em seu “campo de distorção” e ficavam semanas trabalhando sem descanso, de casa, durante a madrugada, aos fins de semana, para cumprir o prazo. Isso fez com que a Apple lançasse grandes produtos, mas ao mesmo tempo garantiu muitos problemas de saúde aos funcionários.

Quando este seu “jeito de fazer as coisas” começou a trazer mais problemas que soluções à Apple, ele saiu da empresa, em 1985. Após esse período, trabalhou na criação da NeXT, uma empresa de hardware e sofware para criação de computadores para universidades e se dedicou a um outro trabalho pelo qual se apaixonou perdidamente: ser dono da Pixar Studios, empresa responsável pela criação de grandes sucessos do cinema mundial como “Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Up Altas Aventuras”, “Carros”, entre outros clássicos. Jobs comprou a Pixar da Lucasfilms em 1986 pela quantia de U$S 10 milhões e, 10 anos depois, a transformou na mais lucrativa empresa a abrir capital na bolsa de Nova York, uma semana após o lançamento de “Toy Story”. Não dá para dizer que, ele não tinha tino para os negócios.

Só em 1997 que a Apple percebeu a falta que um de seus criadores e principal incentivadores fazia. Em meio a lançamentos de produtos catastróficos, diversos fracassos comerciais e uma quase falência, a empresa convidou Jobs para voltar ao time, como conselheiro. Este aceitou o cargo contanto que não fosse pago por isso. Assim se iniciou o processo de reconstrução da marca e do conteúdo da Apple, que deixou de ser “Computers” para ser uma das maiores empresas de tecnologia de nossos tempos.

Inicialmente Jobs procurou mostrar aos clientes Apple que eles poderiam voltar a acreditar na empresa e lançou a campanha “Think Different”, em 1998, que mostrava por meio de ícones da cultura, música, ciência, esportes e diversas outras áreas, como quem havia “pensado diferente” podia mudar o mundo. A campanha reposicionou a Apple como uma empresa que “inovava”, lançando equipamentos diferentes. O lançamento do primeiro iMac, também em 1998, veio corroborar com essa visão inovadora: ele foi o primeiro computador com monitor e CPU integrados, o primeiro computador “colorido” frente aos tradicionais “beges” da época e uma máquina que trazia um espírito mais jovial, mais “amigável” para aquele “intruso” que estava cada vez mais presente na vida das pessoas.

O lançamento do iPod, em 2001, foi outra de suas grandes façanhas. Jobs percebeu que o mercado de Mp3 ainda ia crescer muito e posicionou a Apple no centro dessa “avalanche”, ajudando a criar não só o mais bonito e potente tocador de música da época, mas todo um mercado de compra legal de músicas que permeia até os dias de hoje, com o lançamento da iTunes Store. A próxima grande revolução mercadológica que a Apple causaria já estava sendo projetada nesta época, mas só foi lançada em 2007.

O ano do iPhone foi aquele que mostrou ao mundo o resultado do que é uma equipe de executivos de uma empresa que trabalha a engenharia e o design juntos, e que está insatisfeita com seus telefones celulares. A criação do iPhone começou em conversas paralelas sobre o que fazer com uma tecnologia que permitia criar uma tela multitouch e como fazer para gostar mais dos aparelhos celulares que havia no mercado na época. Steve não gostava de seu celular e percebeu que ninguém da Apple estava realmente satisfeito com o produto que adquirira. Então, eles resolveram criar seu próprio aparelho, que foi uma revolução no mundo das telecomunicações.

Mas a tela multitouch era para ser usada mesmo no lançamento que viria depois. O mundo já tinha visto muitos e muitos tablets, mas ainda não havia nenhum que fizesse alguém pensar em não ter um computador para fazer tudo ou em ter a necessidade de ter um tablet para algumas atividades em específico. Os notebooks e netbooks dominavam o mercado de micro-computadores, mas em 2010 o iPad veio se juntar ao “time” de equipamentos inovadores da Apple e se tornar outro sucesso infalível.

A cooperação e criação de tantos e tantos sucessos não deixou Steve imune. Em outubro de 2003, dois anos após o lançamento do iPod e quando a Pixar lotava os cinemas de todo o mundo com a animação “Procurando Nemo”, Steve foi diagnosticado com câncer de pâncreas. Em mais uma demonstração de seu “campo de distorção da realidade”, ele se convenceu de que poderia curar a doença apenas com suas dietas e caminhadas. Passou seis meses insistindo que seu tratamento natural era o suficiente antes de fazer um novo exame e diagnosticar que o câncer havia evoluído. Só aí aceitou fazer o tratamento com profissionais.

Essa teimosia, além de poder ter sido uma das causas da morte, ainda o levou a ter muitos problemas familiares. Casado desde 1991 com Laurene Powell, Jobs não foi o melhor pai do mundo para seus três filhos Reed, Erin e Eve, muito menos para Lisa-Bressan, sua filha de um relacionamento anterior. Entretanto, Jobs mantinha uma relação muito afetuosa com seus pais adotivos e, após conhecer a mãe biológica e a irmã, passou a ter com elas uma relação amistosa. Outro grande problema familiar foi sua recusa insistente em relação ao pai biológico, mesmo quando o câncer avançava a passos largos e ele sabia que tinha pouco tempo de vida. A doença realmente o pegou em cheio e em 5 de outubro de 2011 o levou, deixando milhares de fãs e diversos amigos com saudades irrecuperáveis.

Apesar de não ser um exemplo de ser humano em muitos sentidos, Steve Paul Jobs deixou uma marca no universo, justamente por não se ajustar a um “padrão social”: ele queria ser o jovem da contracultura, o representante da liberdade e da inovação, o teimoso. É essa imagem, de que “tudo é possível quando o que você quer pode realmente mudar o mundo que ele carrega e que o faz presente em todos os bate papos sobre tecnologia que acontecem por aí. É essa a imagem que ainda vai brincar com a lembrança de filhos e netos de uma geração que aprendeu a “precisar” de equipamentos que nem sabia que existia. É essa a imagem que vai surgir em nossas mentes daqui há 50 anos, quando alguém mais jovem nos perguntar como foi o lançamento do primeiro iPad.

Resenha – Os Miseráveis

CineOrna_OsMiseraveisÉ muito fácil falar bem de um filme quando ele é indicado e ganha premiações. Mas em minha defesa, devo dizer que só a resenha está atrasada, pois eu vi o filme na tarde em que ele ganharia o Oscar de Melhor Maquiagem.

Devo dizer que amo música (não que isso seja uma surpresa), mas que inicialmente me pareceu um pouco desconfortável a proposta de o filme inteiro ser cantado. Só após a conquista da liberdade por Jean Valjean, na primeira meia hora de filme, é que comecei a entrar de fato na história. E a partir daí, nada mais me dispersaria.

Victor Hugo escreveu uma trama brilhante ao retratar a França do século XIX e seu romance até hoje é alvo das mais positivas críticas. O mesmo deve-se dizer do trabalho excepcional do diretor Tom Hooper, visto em cada cena. A dor de uma mãe que precisa abandonar a filha trabalhando em uma mercearia, o sentimento de impunidade de um homem que viu sua vida arruinada por tentar fazer a coisa certa e precisou deixar de ser ele mesmo para tentar sobreviver, o amor surgindo em meio às batalhas e principalmente o sonho de liberdade representado em cada um dos jovens da barricada, que tentaram mudar seu tempo. E tudo isso lindamente cantado. Não dá para não ver, ainda que seja preferível esperá-lo sair em DVD ou Blu-Ray, já que apesar da tela de cinema ser incrível, a duração do espetáculo realmente faz o programa ser um tanto cansativo.

Os Miseráveis (Les Miserables)

País de Origem: EUA
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 152 minutos
Ano de Lançamento: 2013
Site Oficial: http://http://www.osmiseraveisofilme.com.br/
Elenco:  Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Sacha Baron Cohen, Amanda Seyfried, Samantha Barks, Eddie Redmayne, Aaron Tveit, , Daniel Huttlestone, Cavin Cornwall.
Direção:  Tom Hooper
Nota: 8

 

Resenha: A Viagem

A-ViagemSemana passada fui ao cinema. Na falta de um horário bacana e com a chance de ver um filme diferente, vi A Viagem. Como tinha lido um milhão de sinopses antes de ir, não lembrava direito dessa história. Mas ela é emocionante. E leva um tempo para assimilar tudo e entender.

Em seis tempos diferentes, vidas e destinos se encontram e se conectam, no passado, no presente e no futuro, o que sugere conexões entre suas histórias e destinos. O mais intrigante é perceber que ações do passado têm influência direta no que acontece no futuro das pessoas.

O advogado do século XIX e sua decisão mudam o destino de um jovem compositor mais de 100 anos depois de sua morte. Esse compositor aparece e sua história ajudar a resolver um caso de uma jornalista 50 anos depois de cometer suicídio. Uma tribo do futuro venera como se fosse uma deusa uma habitante da cidade em que vivem, que morou por lá 150 anos antes de eles estarem na região. As palavras, os gestos, a forma de ver a vida de uns influencia e muda as decisões de outros, num jogo de imagens e de histórias que confunde a cabeça, mas que poe a gente para pensar.

Será que as decisões que nossos pais, nossos avós e nossos bisavós tomaram no passado influenciam em nossa vida agora? Será que os erros e acertos deles são os responsáveis por sermos hoje quem somos? Como isso acontece?

E será que os nossos destinos estão mesmo conectados aos de outras pessoas? Alguns dos personagens dessa história estavam destinados a se conhecer, destinados a se conectar, porque de alguma forma isso mudaria a vida de outros a seu redor. Como será que isso acontece na vida, de verdade? É possível que algumas pessoas estejam simplesmente destinadas a se encontrar?

É um filme para ver. E para pensar.

A Viagem
País de Origem:
 EUA
Gênero: Ficção Científica / Ação / Suspense / Romance / Drama / Comédia
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 
164 minutos
Ano de Lançamento: 2013
Site Oficial: http://cloudatlas.warnerbros.com/
Elenco:Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Keith David, James D’Arcy, Xun Zhou, David Gyasi, Susan Sarandon
Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Nota: 10

A princesa e o piloto

É pessoal. Eu estava lá, na edição desse ano do Anima Mundi. Nunca tinha participado do evento e foi o máximo estar lá e assistir à maratona de curtas que me dispus a ver, claro, com a ótima companhia do Gu, do Gu e da Evelyn. Mas eu não vim aqui para falar do evento e sim de um dos filmes que vi, o único longa de exibição da noite de sábado, “A Princesa e o Piloto”.

Antes que qualquer leitor mal informado pergunte, sim, era um anime. E sim, era um longa metragem. No Japão, a galera leva “essa história de desenho” a sério e muitos dos melhores filmes deles são animes clássicos. Esse não é diferente.

a-princesa-e-o-pilotoA Princesa e o Piloto (To aru Hikuushi e no Tsuioku) conta a história de um jovem mestiço chamado Charles Karino, um dos pilotos mercenários do exército japonês e da princesa Fana del Moral, prometida em casamento ao jovem príncipe que está lutando numa fria guerra para defesa de seu povo. Fana vê sua casa ser atacada pelos inimigos e o exército descobre que o objetivo do atentado era matar a princesa, para desmoralizar seu povo frente ao inimigo.

Para levar a princesa a um lugar seguro, o exercito escala o jovem Charles, que aceita a perigosa missão em nome da sua honra, e não em nome do dinheiro, como um mercenário faria. O que ele não podia imaginar é que essa viagem poderia mudar a vida dele e a vida de Fana, quando os dois começam a descobrir que têm muito em comum.

Um filme lindo, baseado em fatos reais e muito recomendável. É uma pena que esse tipo de obra não seja transmitida nos cinemas.

Ano: 2012
Gênero: Shounen, Aventura, Romance.
Diretor: Jun Shishido
País de Origem: Japão
Duração: 1h40
Nota: 
10,0

Jorge, Amado e Universal

Jorge Amado e UniversalA partir de hoje, 17/4 e até 30/6  o visitante do Museu da Língua Portuguesa poderá entrar em contato com a vida e a obra de um dos mais queridos e universais escritores brasileiros. Jorge Amado teve o dom de escrever sobre sua gente bahiana, seu cotidiano no interior do sertão e de encantar o mundo todo com suas mais diversas personagens, fosse o bebarrão Quincas Berro D´água, que até depois de morto foi tomar seu “mé” com os amigos, ou a D. Flor em seu impasse entre a fidelidade e a felicidade, ou ainda os meninos da praia imortalizados em Capitães da Areia.

Jorge Amado e UniversalA exposição não traz nada disso e mostra muito mais da vida e do dia a dia de Jorge Amado, que além de jornalista, foi romancista, dramaturgo e até político. Numa mistura de costumes e tradições bahianas com a história do autor, a mostra reúne um pouco da história não conhecida do autor, além de suas principais obras, curiosidades, cartas escritas para ele (de Monteiro Lobato à Yoko Ono), uma linha do tempo com as principais atividades do escritor e até peças de seu vestuário.

Jorge Amado e Universal

A preparação para transformar o primeiro piso do Museu da Língua Portuguesa com a cara de Jorge Amado não foi nada fácil. Foram usadas 8 mil fitas do Nosso Senhor do Bonfim personalizadas com nomes de personagens criados por Amado, 1.800 garrafas de 2 litros de azeite de dendê, 4 sacas de cacau, além de mais de 600 imagens, 80 documentos originais, 110 livros e 243 placas de cronologia.  A curadora da exposição, Ana Helena Curti, explicou o excesso da obra em entrevista ao Portal IG: “Jorge Amado foi quem mais escreveu, mais foi traduzido, mais foi premiado. Se ele é superlativo, então a mostra também é. A maioria das pessoas já assistiu a alguma adaptação audiovisual da obra de Jorge Amado. O visitante trará essas impressões consigo, mas esperamos que ele possa somar novas informações e imagens a essas que já possui”, declarou.

A visita vale a pena não só para conhecer um pouco mais de Jorge: é pra conhecer um pouco mais da Bahia, é pra conhecer um pouco mais do Brasil que ela realmente vale.

Jorge Amado e Universal

Museu da Língua Portuguesa (Praça da Luz, s/nº) – tel: (11) 3326-0775
Data e horários: De 17/4 a 22/7 – 10h às 17h
Ingresso: R$ 6 (entrada gratuita aos sábados)