Conheça o Pomplamoose a razão pela qual viver de música não é mais a mesma coisa

Pomplamoose

Você talvez nunca tenha visto a cara desses dois e nem faça ideia de quem são Jack Conte Nataly Dawn. Acontece que esses caras aí da foto têm mais de 140 mil fãs no Facebook, produzem vídeos com covers e músicas próprias para seu canal no YouTube há mais de 5 anos e finalizaram, em Dezembro do ano passado, uma turnê que passou por 23 cidades dos Estados Unidos e arrastou milhares de fãs com eles. Tudo isso sendo uma banda independente de indie-rock, com algumas canções próprias, algum dinheiro economizado e a cara e a coragem.

O exemplo do Pomplamoose foi compartilhado pelo Jack em um blog, junto com as despesas e receitas de seus 28 dias junto com Nataly na turnê. Entre despesas de transporte, hospedagem, alimentação, divulgação da turnê, contratação de músicos de apoio e todos os percalços pelos quais uma banda passa para divulgar seus shows, eles gastaram U$S 147.802 dólares. A venda dos ingressos e de material promocional (CDs, camisetas, bonés e pôsteres), rendeu U$S 135.983. A banda saiu no prejuízo. Mas não vai parar.

E é aqui que mora a mensagem. Jack Conte fez questão de publicar todos os gastos e rendas da turnê de sua banda para dizer que o Pomplamoose não realizou nada, não venceu nada, não fez nada de especial e diferente: eles são apenas parte de um movimento. Nas palavras do próprio Jack: 

Nós estamos entrando em uma nova era da história: o espaço entre “artistas que morrem de fome” e “ricos e famosos” está começando a ruir. O YouTube está associando milhares de parceiros, pessoas que concordam em colocar anúncios em seus vídeos pra fazer dinheiro com seu conteúdo. A “classe criativa” não é mais a classe emergente: está aqui, agora.

Pomplamoose não quer as capas de revistas nem os programas de auditório. A banda quer apenas levar sua música para seus fãs e viver de música. Para isso, eles sabem que têm que trabalhar duro (e trabalham) e estar perto de seus fãs, para que eles os recebam novamente quando eles voltarem. E esta primeira turnê é um grande exemplo sobre como viver de música pode ser possível, ainda que não seja fácil e ainda que o estrelato nunca chegue. A importância aqui está no fato de se fazer o que se gosta e conseguir viver disso. O Pomplamoose está pronto. A sua banda está?

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Meus Melhores Discos Internacionais de 2013

Conforme prometido ontem, a hora do dever me chama e hoje tá aí a minha lista de melhores discos internacionais do ano. Algumas escolhas óbvias, quando você me conhece um pouco. Outras, nem tanto. Bom, é isso aí que tá aí embaixo!

1.   New – Paul McCartney  

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Devo confessar que a minha expectativa para a chegada desse álbum foi imensa, desde o início das gravações até o dia do lançamento. Mas nada poderia me preparar para o que viria nas 12 (opa, 13!) músicas do disco. São quase 50 minutos em que você pensa coisas do tipo “Ah, isso é Beatles” “Mano, de onde ele tirou isso” “Gente, que incrível” “Ah, isso é do Wings ou é do solo?” e não chega a nenhuma conclusão óbvia. Tudo porque New é criativo, é inovador, é diferente de tudo o que Paul já fez na vida (e são mais de 50 anos de carreira). Enfim, é tudo muito NOVO e não havia nome mais coerente e mais necessário para esse álbum que New. Destaque mais que indispensável para vibrante “Queenie Eye”, para a emocionante (sério, chorei na primeira audição) “Early Days”, para a fofa “Alligator” e, bom, tem que ouvir mesmo pra escolher a favorita porque a tarefa não é das mais fáceis.

2.   Paramore – Paramore 

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Passar por duas perdas em seu elenco, encontrar a própria voz novamente e lançar um bom disco novo: um desafio pelo qual poucas bandas passam de maneira positiva. O Paramore passou por tudo isso e mostrou para o mundo em 2013 as razões de ser uma das bandas mais aclamadas do momento. Com um álbum homônimo cheio de hits e de canções emocionantes, a banda se posicionou com uma das mais competentes da atualidade. Hayley Williams assumiu de vez a liderança do trio, formado por ela, Jeremy Davis e Taylor York e colocou sua voz, sua criatividade e sua alma nas 17 faixas do trabalho. As indispensáveis são, é claro, “Still Into You” “Ain´t it Fun”, mas as ótimas “Now”, “Anklebiters” e a desesperadora “One of those (Crazy Girls)” precisam fazer parte do repertório de melhores músicas do ano.

3.   Random Access Memories – Daft Punk

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Sabe aquele momento em que você reconhece numa banda uma história que você precisa e que quer entender? Geralmente acontece quando alguém te apresenta uma banda nova com um álbum recente e que você fica tão vidrado naquele negócio que sabe que precisa ouvir tudo o que eles tiverem a oferecer. Então, foi essa a sensação que eu tive pós primeira audição do Random Access Memories: minha memória RAM (ah, ah, ah – virando os dedinhos! uhauhahu) precisava de um programinha pra rodar tudo o que eu tinha de informação sobre os franceses do Daft Punk no meu HD. E “Motherboard” estava lá pra me lembrar de mil passados, e “Instant Crush” pra me quebrar no meio, “Fragments of Time” pra me deixar sem palavras e a mais reproduzida de todas as canções de 2013 “Get Lucky” pra me fazer dançar sempre, como se não houvesse amanhã, a cada nova festa em que eu entrava e tocava. Com tudo isso posto, só dá pra dizer que esse é um álbum que vai marcar época. Aliás, já marcou, mas vai ser lembrado por muito tempo ainda como uma das melhores realizações dos anos 2010.   

4.    Like Clockwork –Queens of The Stone Age

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Fazia tempo, fazia muito tempo que Josh Homme não aparecia entre os destaques do ano. Só que aí o cara vai lá, quase morre e pimba! lança o …Like Clockwork, talvez um dos melhores discos da carreira do Queens of The Stone Age. Sombrio, frio, intimista, diferente de tudo o que você conhece da banda, e ainda assim um registro fatal do stone rock da banda, o disco já tem clássicas como “I Sat By The Ocean”, “I Appear Missing” e o primeiro single “My God Is The Sun” como sons que o mundo não vai esquecer.

5.    Adam Green & Binki Shapiro – Adam Green & Binki Shapiro

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Foi no começo do ano que Adam Green, um dos meus cantores favoritos por ser da incrível The Moldy Peaches apareceu, junto com uma das cantoras mais fofas que conheço, a Binki Shapiro, que era do Little Joy, num disco que de cara já tinha tudo para ser meu favorito do ano. E daí que ele não está em nenhuma lista que você já viu? E daí que “Just To Make Me Feel Good” é só uma baladinha indie fofolenta? E daí que “Here I Am” é só mais uma daquelas canções que repetem a fórmula já popularesca dele cantando para ela e vice-versa? O álbum de estréia da dupla cumpriu seu papel no mundo da música em 2013: é uma fofurinha para apaixonados e corações moles escutarem e ficarem felizes. E ele merece destaque, só por isso.

6.    No Blues – Los Campesinos

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Quando você ouve um disco repetidas vezes sem cansar, significa que ele significou algo pra você. Isso aconteceu comigo nesse ano com um outro álbum dos Los Campesinos! que, é claro, me fez correr atrás de toda a discografia da banda e, olha, que sorte minha, um álbum novinho em folha pra eu descobrir. No Blues é um indie rock fofo, dançante, com começo, meio e fim e sem hora pra começar e acabar. Desde “Avocado, Baby” até “Let It Spill”, o trabalho é denso, é um LC! maduro, superado, feliz. E bom, muito bom, obrigada.

7.    Right Thoughts, Right Words, Right Action – Franz Ferdinand 

Franz-Right-Thoughts-Right-Words-Right-ActionsO quarto disco de estúdio de uma banda que demorou quatro anos pra lançar conteúdo inédito, mas mesmo assim todo mundo ama: que difícil seria pra o Franz Ferdinand alcançar muitos lugares de destaque com o Right Thoughts, Right Words, Right Action não é mesmo? O trabalho que não era nada fácil era o de não copiar a fórmula de sucesso dos discos anteriores, o que o Franz fez bem, na medida do possível. O curto novo trabalho agrada desde a dançante e single absoluto “Love Illumination”, a formidável “Right Action”, ácida e direta e a simplesmente indescritível “Sweet Strawberries”. Fica na prateleira por pouco tempo, porque esse é pra por pra rodar e dançar sem parar.

8.    Jake Bugg – Shangri La

jake-bugg-shangri-laUm dos caras mais competentes da nova safra folk que invadiu o mundo nos últimos três anos é o jovem Jake Bugg. Ele é um Bob Dylan da nossa geração, um filho perdido do Paul McCartney compondo pérolas líricas semelhantes à “I´ve Just Seen a Face” e, mais do que tudo, um garoto construindo seu espaço no mundo da música. Shangri La, segundo disco da precoce carreira do músico, conta com a produção de Rick Rubin, referências pop e hip hop, o folk absurdo que fez o garoto conhecido em todo o mundo e canções imperdíveis como “What Doesn´t Kill You” e “Simple Pleasures”. 

9.    The Next Day – David Bowie 

David-Bowie-The-Next-DayBowie é Bowie e se ele lançasse um disco com a Yoko Ono gritando gravado nele ainda assim seria um dos melhores do ano. Mas ainda bem, ele não fez isso. Muito pelo contrário: com pouquíssimo alarde, o camaleão dos camaleões mostrou mais uma vez toda sua competência com The Next Day. O 24º disco de estúdio de Bowie tem obras primas como a faixa título “The Next Day”, “Love Is Lost” e “Dancing Out In Space” e marca presença sendo um dos discos mais criativos do ano.

10. Grinning Streak – Barenaked Ladies 

barenaked_ladies_grinning_streakEu já falei desse disco aqui e vou falar de novo pq eu q mando nessa porra: você precisa ouvir. Não é só porque “Crawl” é uma das músicas dramáticas mais incríveis que eu já ouvi na vida ou porque “Limits” pode ser um dos pontos altos de um disco de pop / rock, mas porque Grinning Steak é muito mais que só um disco bom: ele é necessário.

É claro que se você quiser ver uma lista mais completa e incrível que essa aqui eu tenho uma linda pra te indicar, né? A fofa do
Tenho Mais Discos Que Amigos tá imperdível. Confere aí! 

Somos Tão Jovens – por um Renato Russo que a gente tenha vontade de lembrar…

Somos Tão JovensEm primeiro lugar, se você quer ler uma resenha menos apaixonada, clique aqui.

Agora que você já sabe que essa resenha vai ter amor, vou começá-la com raiva. Porque “Somos Tão Jovens”, filme que conta a história de Renato Russo antes da fama, me deu raiva. Sai do cinema com uma sensação de vazio muito grande, que foi além de todas as minhas expectativas positivas. Não é um filme arruinado, ruim de tudo, não é “Tempo Perdido”, como a piadinha do Sensacionalista sugeriu. Mas tem trechos que simplesmente incomodam. Muito.

Boa parte dos primeiros 30 minutos de filme foram feitos para as pessoas que conhecem muito bem a história do Renato e não para aqueles fãs de primeira viagem que provavelmente vão lotar os cinemas. Beleza, o cara tá lá andando de bike, leva um tombinho e já tem que por um pino na perna? O médico menciona a doença assim, do nada, sem que os pais demonstrem nenhuma grande preocupação? Renato fica tempos e tempos na cama tocando violão porque é um adolescente estranho ou porque não consegue se levantar? Em cinco minutos ele aparece tentando muletas, tropeçando, andando torto e depois correndo, andando normalmente… ô galera, cadê o contexto?

Eu li “O Filho da Revolução” e acho que a minha expectativa estava alta por saber que a produção teve como base o livro. Por mais que não me lembrasse de alguns momentos, como a influência que o meu amado Clube da Esquina exerceu nos meninos de Brasília (essa com mais contexto, vista tanto no próprio Renato quanto em sua turma tocando numa rodinha de violão  a incrível “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e outras do Durango Kid Milton, do moleque travesso Lô e CIA LTDA.). Mas há alguns momentos em que Renato parece apenas um menino mimado que por sorte se interessou por música e começou a sonhar uma banda.

Por favor, não venham me dizer que o Renato Russo ficava citando frases do que viriam a ser suas músicas em conversas informais com os amigos, em discursos inflamados nos bares e em devaneios porque ele não era esse tipo de boçal tá difícil de acreditar. Em determinadas partes do longa tem-se a ligeira impressão de que Renato era um adolescente babaca que todo mundo odiava e que se achava a última Coca-Cola do deserto. É essa a imagem que a gente tem do Sr. Manfredini? Acho que não.

O filme também tem suas razões de ser e são esses momentos que valem a ida ao cinema: a atuação de Thiago Mendonça fica incrível quando ele começa a cantar e mais ainda quando o trovador solitário aparece. A relação com Ana, grande amiga de Renato dos tempos da adolescência não poderia ter sido representada com maior perfeição, o tipo de relacionamento adolescente que a gente vê todo dia por ai e que não reconhece. Alguns clássicos da Legião orquestrados e que davam movimento ao filme tocam nos momentos certos e as versões ficaram simplesmente perfeitas, do tipo que dariam uma trilha sonora de filme que venderia milhões.

Outras partes que merecem a citação ficam a cargo da fotografia e o jogo de luzes de algumas cenas de palco, que fazem Thiago realmente se parecer ainda mais com Renato, e em alguns momentos é realmente possível acreditar que é o Manfredini que está sendo gravado e não o ator. Um desses momentos é a cena em que Renato toca “Eduardo e Mônica” em uma apresentação do “Trovador Solitário”, em que anuncia que o “punk morreu” e que boa educação faz a diferença quando o público nada receptivo joga papeizinhos e moedas no cantor e há poucos aplausos ao final do som. Os shows, em que a fúria do adolescente Renato é vista em sua voz, em seu jeito visceral de declarar suas verdades em músicas. A bissexualidade assumida para a mãe no momento mais improvável e a reação da dona mãe (ainda que aqui apareça novamente uma idiota menção à “Meninos e Meninas” que a gente pode ter quase certeza absoluta que não aconteceu). A reconciliação com Ana e “Ainda É Cedo”. E é claro, a atuação de Nicolau Villa-Lobos, na pele do próprio pai, quando a Legião Urbana buscava um homem para a guitarra. Além de a semelhança entre os dois ser tão explicável quanto genética, o carinha tem talento. E o guitarra que ia ficar uma semana na banda porque tinha uma viagem para a França ajudou a história musical do nosso país a ganhar um marco inigualável.

O filme tem seus altos e baixos, mas é uma homenagem e como tal, tem falhas e pontos memoráveis. Fãs de carteirinha podem amar e odiar a representação de Renato das telonas, novos fãs podem ter impressões positivas e negativas. Vale a pena ver mas, se um conselho puder ser dado, é este: leia sobre Renato. Ouça suas músicas, desde o primeiro álbum até suas aventuras solo, quando a AIDS já definhava sua voz e corrompia sua mente. Renato Manfredini Jr. tem muito mais a oferecer ao mundo do que os poucos e não tão bem aproveitados minutos deste filme.

Tributo à Legião Urbana emociona do começo ao fim

Texto publicado originalmente no site Tenho Mais Discos Que Amigos
Duas Legiões diferentes, uma no palco e outra na plateia. Essa talvez seja uma definição simples demais para o show de ontem à noite, um tributo à Legião Urbana em que o ator (e legionário fanático) Wagner Moura assumiu os vocais para tocar as músicas mais queridas, as mais clássicas e as mais raras que Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Russofizeram correr todo um país, influenciando gerações. A escolha do ator para encarar essa tarefa não podia ser mais correta.

Na plateia, uma mistura de fãs que estavam ali para matar as saudades de Dado e de Bonfá mais que puderam ver Renato nos palcos antes de sua morte em 1996 com aqueles que só conheceram a banda depois da morte do cantor. E era essa a plateia que gritava “uh, é Legião, uh, é Legião!” à plenos pulmões quando Dado, Bonfá e Wagner subiram ao palco às 22h07 de ontem para fazer o Espaço das Américas ir abaixo tocando “Tempo Perdido”.

Daí para frente era só emoção, com um coro de 7 mil pessoas cantando junto todas as músicas. Se por um lado havia um Wagner Moura tão emocionado quanto cada fã que estava ali na plateia e que fazia questão absoluta de mostrar isso, dizendo coisas como “Essa é talvez a noite mais importante de toda a minha vida” e “Estar aqui em cima desse palco é incrível”, por outro, Dado e Bonfá se seguravam como podiam para tocar e cantar, tanto os sucessos que faziam parte do repertório da Legião nos shows quanto músicas nunca tocadas ao vivo pela banda. Foi o caso de “A Via Láctea”, que Wagner apresentou como sendo “Uma mostra da coragem e da sinceridade de Renato Russo que estava presente em tudo o que ele fazia e que inspirou a todos nós” e “Esperando Por Mim”, ambas do A Tempestade, considerado um dos álbuns mais tristes da Legião Urbana, de uma época em que Renato Russo já estava muito impactado pela doença.

Em “Andrea Doria”, favorita do ator, a primeira participação especial entrou no palco: era Fernando Catatau, do Cidadão Instigado. Mas esse não seria o único momento com participações. Algumas músicas depois, Wagner chamou o baixista de apoio e disse que ele tinha convidado alguns amiguinhos: eram nada mais nada menos que a Orquestra Sinfônica Brasileira, que veio para acompanhá-los em “Monte Castelo”. Em seguida, Moura saiu do palco para um Bonfá elétrico cantar e tocar “O Teatro dos Vampiros” e para Dado convidar Clayton Martins para tocar gaita numa versão inusitada de “Geração Coca-Cola”. Para seguir com convidados especiais, Dado chamou ao palco “Um dos caras que me inspirou muito naquela época e talvez um dos responsáveis por eu estar nesse palco hoje”, o guitarrista Andy Gill da banda Gang of Four, e Bi Ribeiro, do Os Paralamas do Sucesso, padrinhos da Legião. Juntos, eles tocaram “Damage Goods”, do Gang, “Ainda é Cedo” e “Baader-Meinhof Blues”.

Wagner cantou bem, apresentou o repertório com simpatia e emoção e fazia declarações de amor ao Legião (deixando Dado e Bonfá encabulados em alguns momentos, tamanha era a paixão com que falava) e ao público sempre que podia. Em alguns momentos sua voz ficou um tanto embargada, em outros os microfones falharam, mas o público estava lá para cantar tudo junto e deixar essas pequenas falhas despercebidas.

Num primeiro “quase encerramento” do espetáculo, a banda tocou Perfeição para delírio de todos. Deram uma pausa e ao saírem do palco, viram um Espaço das Américas inteiro cantando “Será” e pedindo mais. Voltaram com “Teorema”, “Antes das Seis”, “Giz” e “Pais e Filhos”.  Se despediram do público, mas voltaram logo em seguida com um Wagner brincalhão dizendo que “faltou uma”para encerrar a apresentação com “Será”, agora sim com toda a banda. Mas se dependesse do público, aquele espetáculo duraria a noite inteira…


Set List

  1. Tempo Perdido
  2. Fábrica
  3. Daniel na Cova dos Leões
  4. Andrea Doria (com Fernando Catatau)
  5. Quase sem Querer
  6. Eu sei
  7. Quando o sol bater na Janela do seu Quarto
  8. A Via Láctea
  9. Esperando por Mim
  10. Índios
  11. Monte Castelo (com a Orquestra Sinfônica Brasileira)
  12. O Teatro dos Vampiros
  13. Geração Coca-Cola (com Clayton Martins)
  14. Damage Goods – Gang of Four (com Andy Gill e Bi Ribeiro)
  15. Ainda é Cedo (com Andy Gill e Bi Ribeiro)
  16. Baader-Meinhof Blues
  17. Sereníssima
  18. Se fiquei Esperando meu Amor Passar
  19. Há Tempos
  20. 195 (Duas Tribos)
  21. Perfeição
  22. Teorema
  23. Antes das Seis
  24. Giz
  25. Pais e Filhos
  26. Será

A Rakky Recomenda – Rosie and Me

Rosie-and-MeTodo mundo sabe que eu amo folk né? Que Mallu Magalhães é uma das minhas estrelas favoritas num céu de acordes bonitos e que tudo o que tiver um banjo me faz bem, não é verdade?

Pois bem, graças à linda Jay, minha irmã que não tem meu sangue, fui na última terça feira ao show de lançamento do CD Arrow of My Ways da banda Rosie and Me. Confesso, quando recebi o convite, ouvi duas ou três canções, reconheci o banjo e o estilo um pouco folk um pouco country e fiquei ali. Só que aí eu vi a banda no palco.

Rosanne Machado nos vocais, violões e banjo, Ivan Camargo também no violão, Guilherme Miranda no baixo, Thomas Kossar na guitarra e Tiago Barbosa na bateria e percussão conseguem fazer a música fluir nas nossas veias. É uma coisa mágica bater os pés, balançar o esqueleto e se encantar a cada novo acorde com a voz meiguinha da vocalista e o ritmo sempre certeiro do banjo,  do baixo e da percussão, da bateriaaaaa, da emoção da guitarra compassando… Sei que fiquei encantada.

Se você quiser ler alguma coisa menos paga pau a respeito da banda, fique a vontade pra ver a resenha séria (e quase imparcial) que fiz para o site Tenho Mais Discos que Amigos (tá bonita, sério mesmo!). Se só ficou curioso e quer se encantar também, acesse o site da banda:www.rosieandmemusic.com

Bob Dylan se apresenta novamente no Brasil

O grande astro do folk promete agitar a galera em 5 estados brasileiros no mês de abril. Então, se você perdeu a última passagem de Dylan pelo país em 2008 ou apenas quer garantir o seu lugar no show do mestre, é preciso correr e desembolsar uma boa grana.

A turnê, que passará por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e pelo Distrito Federal, tem ingressos vendidos desde 27/2, na pré-venda aos clientes Credicard, Citibank e Diners (para os shows do Rio e de São Paulo) e livre para os demais estados. No próximo dia 5/3, as vendas para fãs de São Paulo e do Rio serão abertas para o público.

Em São Paulo, os shows de 21 e 22/4 têm preços que variam de R$ 150 (na platéia superior do Credicard Hall, sem uma boa vista do palco) a R$ 900 (no camarote, chiquetoso!). Já no Rio, o show do dia 15/4 no Citibank Hall tem ingressos de R$ 500 (na cadeira lateral) a R$ 800 (cadeira VIP). Em BH, o primeiro lote tem preço único de R$ 180 para o show no Chevrolet Hall em 19/4.
Já em Porto Alegre (Pepsi on Stage) e em Brasília (Ginásio Nilson Nelson), os fãs menos abastados fazem a festa: o show de Poa tem ingressos vendidos a partir de R$ 140 na pista e de R$ 180 no mezanino e o show da capital do país tem ingressos a partir de R$ 120 (arquibancada) com preço máximo a R$ 250 (pista premium).
E aí, vai correr pra garantir seu ingresso?

Sobre o ódio aos fã-clubes de Twitter

Eu odeio fã-clube de Twitter! Com todas as forças do meu coração, com toda a minha alma, com todo o ódio que pode existir em mim, “pq qdo eu odío eu ódiiiiooo” (a la Tiririca antes de ser político). E não, não venham me dizer que eu sou uma diretora de um fã-clube de Twitter, porque falar isso dos Skankarados é uma ofensa pública inadimissível.

Se você não entendeu ainda, eu explico. Fã-clube de Twitter é um negócio formado por um só virgem mal amado que não tem porra nenhuma pra fazer da vida e vai lá dizer para o mundo que é fã pra caramba de determinado artista só porque ele acha que isso é algo legal pra dizer a respeito de sua própria vida. Fã-clube de Twitter é um perfil que vai te seguir e mandar uma mention dizendo ‘amor, segue de volta?’ ou para os mais atrevidos ‘me segue que eu te sigo também, ok?’ (é claro que ninguém vai escrever certinho como isso, mas vocês estão captando a mensagem né?

Fã-clube de Twitter enche o saco de todo mundo para que o seu artista favorito ganhe todos os prêmios do universo (do Grammy até “Melhor cantor pra se ouvir no banheiro de cuequinha cor de rosa”) porque “porran, ele é lindo, perfeito, maravilhoso, meu tudo e merece pra caramba!” Fã-clube de Twitter é uma coleção de gentinha sem moral que não sabe nem a razão de achar o artista que ama legal, que não entende porra nenhuma de música, que não sabe nada da vida e que faz coisas incrívelmente inteligentes, conforme mostra a imagem abaixo:

Porque  o amor ao seu ídolo é mais forte em você do que o seu amor próprio e não existe nenhuma doença terrível que possa ser transmitida ou se agravar caso a droga que ela usou pra fazer isso estivesse enferrujada…

Enfim, eu odeio fã-clube de Twitter porque esse tipo de fã-clube não representa nenhum tipo de fã que leva a sério ser fã de alguma coisa. O Skankarados é diferente porque nós tentamos reunir fãs pra eventos com ou sem Skank, esses últimos com música que inspira a banda, ou para encontros de lazer mesmo. Somos sérios porque tentamos antecipar as informações e temos contato com a produção da banda em alguns momentos. Somos sérios, porque não cortamos os pulsos por ninguém e entendemos a relação fã x ídolo como a máxima que desejamos (isso mesmo, nenhuma Skankarada dá em cima de qualquer um dos meninos porque nós respeitamos o trabalho profissional dos caras). Temos um blog que na medida do possível é atualizado, estimulamos a participação em promoções da banda, votamos sim nos prêmios aos quais eles concorrem mas não fazemos só isso da vida (trabalhamos, estudamos, temos vida social além Skank) e tentamos estar presentes em todos os shows, porque o trabalho deles é importante para nós, que entendemos sua música e sua representatividade no estilo musical que seguem.

Acho que essas e outras características devem ser inerentes a todo aquele que quiser dizer que faz parte de um fã-clube. Além de tudo isso, somos amigos, porque é fã-clube não se faz sozinho e seria muito egocentrismo dizer que isso é possível. Por isso, temos muito…