Porque precisamos falar sobre 13 reasons why

É. De novo. Esse é mais um texto sobre Hannah Baker, sobre 13 Reasons Why, a série que conta a história de uma garota que cometeu suicídio porque não achava mais possível viver sua própria vida. E não. Esta não é uma série que tem a intenção de glamorizar o suicídio. Não há nada bonito em dar fim na própria vida e a série inclusive mostra isso de forma cruel e bem real. Também não é uma série sobre exageros e falta de razões, nem sobre culpar outros por seu próprio desequilíbrio. É uma série sobre bullying, sobre machismo, sobre LGBTfobia, sobre problemas de aceitação e mais do que tudo, sobre a nossa irrestrita falta de preparo para lidar com esses tipos de problemas em ambientes nos quais nossos jovens estão inseridos e sobre como preferimos não ver tudo isso.

Hannah era uma jovem comum, bonita, feliz. Ela havia mudado de cidade, estava conhecendo uma nova turma, novas pessoas, uma nova rotina. Não há problemas aí que não sejam facilmente vistos ou resolvidos. Mas as coisas começaram a ficar mal para Hannah quando ela se apaixonou pela primeira vez, teve seu primeiro beijo. E aí, em seu raciocínio, uma coisa foi levando à outra. E à outra. E à outra. Até que ela não conseguiu suportar.

A medida que você vai acompanhando a série, é impossível não julgar Hannah. Porque em sua narrativa das 13 razões que a levaram a acabar com sua vida, ela erra. Ela culpa pessoas. Ela culpa a si mesma por não ter tido coragem. Mas também é quase impossível não entendê-la. Porque ela vai, a cada uma das fitas que deixou para as pessoas que são, segundo ela, “culpadas” por sua morte, relatando pequenos erros, razões pelas quais essas pessoas deveriam se sentir mal por si mesmas, por terem feito determinadas coisas. Um garoto a beijou, mas espalhou pela escola que eles tinham “ido além”. Outro garoto a elegeu como dona da “melhor bunda” da escola, o que levou os outros garotos a provocarem Hannah, a insultarem Hannah, a pressuporem que ela era “fácil”. Seus primeiros amigos sumiram. Uma nova quase amiga surgiu, mas ela tinha problemas com sua sexualidade e acabou espalhando histórias a respeito de Hannah para se livrar de boatos a respeito de si mesma.

Caras iam e voltavam de sua vida, julgando-a fácil, dizendo palavras erradas, privando-a da liberdade de escolher com quem ela quer ou não quer ficar e roubando dela mais e mais as pequenas alegrias de seu dia a dia já tão conturbado. Tanta mágoa fez com que Hannah, cansada de se sentir exposta, invadida, imoral e até mesmo não merecedora, não conseguisse simplesmente se permitir estar com alguém com quem ela finalmente se sentia bem, com quem tinha identificação.

Mas a história finalmente pareceu ter seu desfecho quando Hannah presenciou o estupro de uma amiga inconsciente e teve medo de tentar impedir, de gritar, de fazer algo a respeito. Quando ela se envolveu em um acidente de trânsito que acabou matando um colega e não pode dar sua versão dos fatos porque prejudicaria outra pessoa e claro, porque ninguém acreditaria nela mesmo. Ou quando ela própria foi estuprada.

É uma avalanche de acontecimentos que pode sim afetar de diversas formas até um adulto, mas se passa no meio da adolescência de uma garota que não se pode necessariamente ser taxada de problemática – porque qualquer um passando por metade disso teria problemas – ou paranóica – porque isso tudo aí é bem real e bem possível. E não é como se ela não tivesse buscado ajuda. Ela tentou enfrentar seus medos –  desmascarar o cara que tirava fotos dela, chamar os amigos para conversar, ela até entrou para um grupo de comunicação na escola, escreveu cartas anônimas e públicas, bilhetes, ela tentou conversar com alguém que pudesse fazê-la sentir melhor, com seus pais, com o conselheiro da escola. Um de seus gritos por ajuda foi um poema suicida que acabou sendo roubado por mais uma das pessoas que a magoou e publicado num jornal alternativo da escola. Ao invés de perceber que havia algo errado ali, as pessoas que leram o poema também humilharam Hannah. Todos os seus gritos por ajuda não pareciam fazer efeito algum.

Hannah é cada uma das garotas que sente medo de botar uma saia mais curta. É cada menina que vê suas amigas acreditarem mais nos caras do que nela mesma. É cada garota que descobre algo sobre seu corpo e sexualidade e se vê impedida de viver isso livremente. Que sofre com a “inveja” das amigas por cada “elogio” que está longe de ser um elogio. É cada menina que se vê sem ação a partir da atitude de meninos que se acham no direito de “ir além” e dos quais ela não pode se defender, por medo, por vergonha, por fraqueza. Hannah é cada garota que se sentiu um lixo porque não conseguiu se libertar de seu próprio trauma quando “o cara certo” finalmente chegou. Que não conseguiu gritar seu ódio.

13 reasons why também é sobre o jeito como tratamos as nossas meninas e sobre como elas podem não aguentar. Sobre a necessidade de oferecermos apoio psicológico a nossos jovens e a nossas jovens antes que traumas desse tamanho possam tirá-los de nós. Sobre o turbilhão de emoções de uma adolescência. É sobre preconceito. Sobre LGTBfobia. Sobre machismo. A nossa omissão a cada um desses assuntos, o nosso jeito de dizer que “está tudo bem” porque “não é comigo” ou que “é só pedir desculpas” que tudo vai melhorar, é sobre a nossa falta de coragem em corrigir o amigo que chama a menina de “puta” ou o menino de “viadinho”. A nossa omissão quando o amigo bêbado beija a garota à força na balada. A nossa vergonha de explicar porque tá errado dizer que a menina de saia curta “estava pedindo”. O nosso olhar torto quando um amigo nos diz que está fazendo terapia.

A nossa omissão mata milhares de Hannah’s Baker todos os dias.

Até quando?

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Crises

o grito

É crise dos 27, crise dos 30, crise dos 3 anos de namoro, crise da solteirice, crise do quando é que eu vou ter um filho, crise do meu gato faz xixi na caminha… Pra quê tanta crise?

Nas últimas semanas tenho me deparado com alguns artigos em sites e blogs explicando momentos da “Crise dos 25”, da “Crise dos 30”, da “Crise da Chapinha que não alisa”. Porque é que temos essa mania de tentar classificar o inclassificável? De tentar agrupar todo mundo em uma determinada classe de gente, que “sofre igual” porque tem a mesma idade, o mesmo tipo de dentição, namora há tantos anos, tá solteiro há tantos anos, é gay desde a virada dos anos 2000 ou compra alface na mesma feira, todo domingo?

Nem irmãos gêmeos são 100% iguais. Porque é que pessoas, classificadas em grupos, seriam? Passar pelos 30 anos, por um casamento, pela adoção de um cachorro, pela primeira tatuagem, funciona de um jeito diferente para cada pessoa e, porque algumas delas passam por momentos de indecisão, não é motivo pra criar uma “crise”.

A impressão que fica é que a gente está muito preocupado em “se classificar” para se sentir parte de algo. Porque o nosso sofrimento por não estar na profissão dos sonhos, ou não ter o carrão que o papai tinha nessa idade, ou não ter um casal de gêmeos, ou não conseguir cuidar de uma planta é muito mais compreensível quando a gente “não está sozinho nessa”. Será que a gente já parou para se perguntar se é realmente tão ruim estar “sozinho nessa”?

Há dias ruins e há dias bons. Se a gente parasse de dar nome às crises e entendesse que há dias em que nada dá certo, mas que não tem problema, tá tudo bem, talvez a vida não tivesse tantas cargas a mais pra gente carregar.

Tem que tentar ser mais leve. Até porque essa vida aí, com crise ou sem crise, é uma só.

Amai ao próximo como a ti mesmo: sobre a causa gay no mundo

freeVou voltar aos meus anos de pessoa religiosa para defender a causa gay. Porque acho que este tempo precisa e merece.

Do capítulo 22 do evangelho de Mateus, versículos 37 a 40 se retiram os seguintes ensinamentos:

E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Amarás a Deus sob todas as coisas. Essa parte ok, já sabemos que todos entendemos. E o próximo como a ti mesmo? Quem se ama de verdade se aceita, se respeita, se cuida, tenta aprender o melhor sobre si para melhorar e melhorar o outro. Quem ama o próximo como a si mesmo o aceita, o respeita, cuida do outro, aprende o melhor dele para melhorar a vida e a si mesmo a partir do outro.

Caso esse mandamento fosse mesmo seguido, vocês acham mesmo que a gente precisaria discutir que homofobia é crime? Ao mesmo tempo, que racismo é crime? Que roubo, corrupção e tantas outras coisas são de verdade crime? Não né?

Sinceramente, gostaria de perguntar algumas coisas às pessoas que defendem o casamento apenas de pessoas do mesmo sexo:

– Deus, justo e misericordioso, deve levar ao fogo do inferno um homem ou uma mulher que apenas se identifica mais com um biótipo do que com outro?

– Em sua ampla e infinita misericórdia, nosso senhor Jesus Cristo deve julgar casais que adotaram crianças abandonadas considerando a ação por ter sido feita por pessoas do mesmo sexo e sem considerar a mudança na vida de crianças abandonadas?

– O glorioso rei dos céus não tem nada mais importante para fazer do que se preocupar com o que nós, pobres pecadores, fazemos com nossos órgãos sexuais?

Eu acho uma grande besteira dizer que há versos no livro de Levítico e em outros bíblicos comentando a homossexualidade. Afinal de contas, a Bíblia, livro antigo que é, foi traduzida em milhares de línguas por diversos povos e modificada de acordo com a relação desses povos com seus respectivos tempos. Se fossemos seguir tudo o que a Bíblia fala, nós mulheres precisaríamos passar os dias de nossas menstruações e os 7 dias seguintes isoladas do mundo, sem falar com ninguém, pois “tudo o que a mulher tocar será impuro”, como diz aliás o mesmo livro de Levítico. Imaginem só que beleza passar 14 dias do mês trancada em algum lugar sem falar ou tocar nada nem ninguém. Certíssimo né?

Nos últimos dias vimos a lamentável declaração ignorante e homofóbica de Levy Fidélix nos estarrecer no horário nobre, durante um debate com candidatos a presidente. Mas antes dela, milhares de gays foram mortos, escorraçados, banidos de círculos sociais e tiveram dedos apontados para suas faces em julgamento. Onde está esse amor que deve ser de igual tamanho ao próximo e a si mesmo que não vê que as diferenças entre gostos e opiniões são uma das coisas mais belas que a diversidade humana consegue nos oferecer?

O que seria do azul se todos gostassem do verde? Será que é tão difícil respeitar e entender que o jeito que uma pessoa vive não tem que influenciar mais ou menos na sua maneira de ver?

Para finalizar, deixo aqui um vídeo maravilhoso do Dr. Drauzio Varella que pode esclarecer um pouco mais essa questão, já que infelizmente ainda existe tanta dúvida.

Aí que bom seria se a gente pudesse simplesmente ser livre!

Dos filhos desse solo és mãe gentil… Mesmo?

Tenho escutado cada vez mais relatos emocionados de pessoas que vibram a cada vez que a nossa seleção brasileira entra em campo e nossos compatriotas extrapolam o tempo permitido pela Fifa para a execução do Hino Nacional. Momentos incríveis, memoráveis, em que dá aquele aperto no coração e aquela lágrima emocionada escorre sem a gente nem notar. Nosso hino é com certeza um dos mais belos em letra e música, é realmente emocionante ouví-lo tocar e a galera cantando com tanto empenho e tanto orgulho daquelas palavras. Mas quantas vezes nós paramos para pensar o quão verdadeiros (ou não) são aqueles versos?

Me explico (precisa?): um hino nacional deve ressaltar aquilo que é intrínseco em uma nação, suas glórias, lutas, vitórias e conquistas, seus motivos de orgulho. Muitos versos do nosso hino têm essa função e a executam de bom tom, mas ultimamente eu tenho me incomodado muito com um deles, em específico. Cito: “Dos filhos desse solo és mãe gentil / Pátria amada, Brasil”.

Bom, pátria amada, sem dúvida. Mas “mãe gentil”? Não sei se esse solo já foi mãe gentil para alguém, mas olho ao redor e me preocupo. A quantidade absurda de impostos que pagamos para nada, a falta de qualidade do transporte, a falta de opções para moradia, o preço dos alimentos, das roupas, calçados, o acesso à cultura e ao esporte, os serviços de saúde…

Muita dirão que sou uma burguesia metida, reclamando de barriga cheia com meu iPhone na mão. A estes, só posso dizer que sei muito bem de onde saiu o suor para conquistar cada um dos meus poucos bens: e foi da minha testa. Além disso, a posse de uma ou outra conquista não me eximem do direito de ver de onde vim, para onde vou, de saber como sofri para subir cada um dos degraus que subi e de dizer o que acho que está errado. E tem muita coisa errada.

Trabalhar de oito a doze horas por dia para mal conseguir pagar o aluguel no fim do mês está errado. Ter acesso ao lazer em oportunidades raras em que é barato ou gratuito está errado. Só conseguir fazer uma viagem por ano, quando sobra dinheiro está errado. Passar a vida vendendo o almoço pra pagar o jantar está errado. Filas de dias, de meses no hospital, três, quatro horas de ensardinhamento por dia para ir e voltar do trabalho, depender de bolsas de estudo em faculdades particulares porque a qualidade do ensino público não lhe permite ser capaz de cursar uma universidade pública (que por seu próprio nome deveria servir ao povo, mas não no Brasil), poluição e sujeira por toda parte, falta de água para uns e sobra para outros, péssima distribuição de renda, economia dando sinais de que não está tão bem das pernas, o preço do pão, o preço da breja, o custo Brasil…

Fala aê, pátria amada, o que a gente faz para você ser mais Mãe Gentil? Porque sinceramente… não tá rolando!

Plaquinhas

plaquinhas

 

Na rua onde moro rola de tudo. Estou perto da cracolândia, perto de grandes museus, parques, teatros e shoppings. Perto de alguns dos maiores pontos turísticos da capital.

Desde o anúncio da Copa até a chegada do evento, pouco mudou por lá. Um estacionamento novo aqui, um novo investimento imobiliário acolá, reformas dos pontos de ônibus. Sempre teve buraco na rua e ainda tem. Sempre teve mendigo na rua, sem abrigo e sem condições. Sempre teve cracolândia e ainda tem.

Mas nos últimos dias algo mudou. A única coisa que não tinha e agora tem são as plaquinhas. Placas com indicação dos pontos turísticos, centros de informações, direções. Milhares de placas começaram a surgir em todo o centro velho de São Paulo, na região da Paulista, da Augusta, no metrô e na CPTM, nas rodovias e marginais. Placas, placas e mais placas, num movimento inédito de novas ilustrações para fazer nossos olhos viverem alguns dias de ‘estranheza’, para depois voltar ao normal.

Concluo que não se faz Copa do Mundo com transporte de qualidade, nem com bons aeroportos e estradas, nem com estádios, nem com um país com educação, saúde e cultura para todos, nem com o mínimo de qualidade de vida.

Tudo o que a gente precisa para receber uma Copa do Mundo são placas. E elas estão por aí…

 

 

Da beleza de mudar de opinião

Pessoalmente, sempre acreditei que quando você tem uma opinião formada, você precisa ser inteligente o bastante para defendê-la. Mas sempre achei a mudança de opinião ainda mais bonita, porque ela significa que você teve a decência de deixar-se ouvir, deixar-se comparar, deixar-se convencer.

Nesses 8 anos desse blog (cara, isso aqui existe desde 2006! Sério!) eu já expus minha opinião diversas vezes, sobre diversos temas. Minhas crenças religiosas estão aqui, sua evolução e mudança também. Minhas convicções partidárias estão aqui e suas mudanças também. Minhas preferências musicais, literárias, esportivas, cinematográficas, minha forma de pensar o conceito de família, de amizades, de relacionamentos e algumas das principais inquietações desse ser humano que vos escreve. E todas as mudanças nessas preferências, opiniões, atitudes e pensamentos também passaram de alguma forma por aqui, de forma mais ou menos discreta.

A responsabilidade de ter um blog, por mais que abandonado, é grande, já que é nele que você faz suas ideias se tornarem públicas. E como tornar públicas ideias que você tem medo de mudar?

Da mesma forma que encaro com seriedade a questão de escrever minhas opiniões aqui e relê-las anos depois, vendo o quanto mudei, encaro as coisas que digo por aí. Me dou o direito de ter uma segunda opinião, de ouvir, de tentar novamente, de quebrar meus próprios paradigmas, pré-conceitos.

Ter opinião formada é ótimo. Mudar de opinião é melhor ainda.

Cuidar da própria vida ninguém quer né?

 

Ser diferente é bonito, é legal, é charmoso, é sexy.

Sim, é claro, sempre foi. Até o momento em que essa “diferença” te incomoda, ou mexe com o seu jeitinho de ver o mundo.

Os canhotos, os negros, as mulheres, os pobres, as meninas de cabelo “ruim”, os bolsistas, os desempregados, os deficientes físicos e tantos outros grupos que, com maior ou menor grau, sempre sofreram um pouquinho de preconceito, justamente por suas diferenças. E agora a onda de ataques é aos homossexuais.

Sim, porque é bonito demais ver beijo gay na novela, né? No conto de fadas, todos são bonitos, fortes, nasceram um para o outro e não têm esse sofrimento que é ser olhado torto na rua, ouvir piadinhas no trabalho e no transporte, ser olhado diferente e que agora é ter que “não dar pinta” para não ser espancado na rua ou ter que sair em “bando” para não correr o risco de morrer antes de voltar da balada.

De verdade, você não gosta de gays? Não gosta de lésbicas? Porque? Nunca percebeu que eles são pessoas que, assim como você têm sonhos, projetos, planos e ambições? Não tá ligado de que eles têm o mesmo sangue correndo nas veias, o mesmo polegar opositor, o mesmo cérebro de 1,5 kg, a mesma capacidade de raciocínio? Então, qual a diferença?

Ah, a bíblia tá falando que tá errado, que é pecado? Se você acredita nisso, tem que acreditar também na liberdade que o tal deus deu para cada um cuidar de sua vida, fazendo as melhores escolhas para si e “pagando” por elas no dia do juízo final, logo, não existe desculpa.

Pra mim, quem é violento com qualquer pessoa tem um único motivo: faltou liberdade em si, logo, não existe liberdade para o outro. Você que bate em gays por aí queria beijar uma pessoa do mesmo sexo, mas não tem coragem, então reage com violência à expressão de uma liberdade que você não consegue abraçar. É um covarde.

Tudo seria tão mais simples se cada um simplesmente escolhesse ser feliz com suas próprias rotinas, ideias, planos e frustrações, não é mesmo? Todo mundo tem um dente podre, um amor que não deu certo, um medo insuperável, um desejo proibido, um teto de vidro. Se cada um aprendesse a olhar apenas para o próprio mundo e cuidar para que o que gira ao redor do próprio umbigo fosse feito das melhores escolhas para o umbigo em questão, o mundo teria menos guerras e mais compreensão. Mais tolerância. Mais aceitação.

Porque todo mundo quer levantar a bandeira das igualdades quando tá na moda fazer isso, mas enfrentar o furacão no dia a dia é para poucos.