2015

 

Esse ano vai ficar na memória do brasileiro por muito tempo.
Foi em 2015 que percebemos que aquele 7×1 de junho do ano da nossa copa seria inesquecível, não só pela surra futebolística, mas pelas tantas outras que levaríamos, diariamente.
Teve o 7×1 do nosso Congresso, em frangalhos e cada vez se destroçando mais. O 7×1 da falta de aceitação das diferenças que crucificou uma trans na parada gay e milhares delas em todas as ruas, bairros e cidades do Brasil. O 7×1 da morte tão precoce do gênio mineiro Fernando Brant. O 7×1 do impeachment aprovado por um dos maiores criminosos do país e compartilhado por aqueles que não necessariamente o apoiam, mas não deixam de oferecer sua gratidão a ele só por uma defesa de seus interesses. O 7×1 daqueles que lerão o parágrafo anterior e me chamarão de petralha, já que obviamente não é possível atacar Cunha sem ser defensor de Dilma e vice-versa (afinal, é tudo 8 ou 80). O 7×1 dos adolescentes comemorando um salário que foram mortos pela polícia no Rio, já que só podiam ser criminosos. O 7×1 do dólar a R$ 4. O 7×1 das nossas belezas naturais e culturais se esvaindo em lama e em chama, sem um respiro de salva-guarda, sem aviso, sem piedade.
2016: seja mais justo conosco.

Mais ou menos nesse mesmo horário, em 2009, eu conhecia a pessoa que me ajudaria a ver o mundo com muito mais cor, que me apoiaria em todos os momentos, dos mais fáceis aos mais tensos, e que me faria crescer comigo mesma, ficando sempre do meu lado. Essa mesma pessoa me fez ver que não existe nada no mundo que não tenha um sentido, apareceu no momento exato e me ajudou a sobreviver nos momentos mais difíceis, comemorou as alegrias mais intensas e, acima de tudo, foi uma base fundamental.

Os últimos dois anos passaram como se fossem doze de tão intensos que foram cada um de nossos dias juntos. Um novo aprendizado a cada dia e uma nova descoberta. Mas todo dia eu vou dormir pensando que não há meio de amar mais alguém do que eu o amo…

E acordo sabendo que estava errada. Porque acordo amando mais.

E eu vou escrever coisas tão piegas assim sempre! Mas nem por isso elas deixarão de ser tão verdadeiras…

Gu, muito obrigada por tudo! Amo você! =)

Um ano!

365 dias antes de essas palavras serem escritas, você era um ilustre desconhecido,

Um palhaço a mais na fila,

Outro fã,

Um entre tantos outros que cantariam, pulariam e dançariam naquela noite tão quente quanto essa…

Uma sombra a mais na minha frente para me impedir de ver as cores do palco

Mais um… no meio de tantos outros.

Hoje, um ano depois, é um pouco diferente.

Hoje você é um pedaço de mim,

Um pouco de calma depois de um dia corrido

Os braços onde meu corpo descansa

Uma dose extra de confiança

O otimismo

Um sorriso besta depois da piada infantil

A mais absurda loucura que possa ser dita

A vontade de voltar a fita e fazer tudo acontecer de novo

A segurança

A cura da dor

Um rosto que não é mais desconhecido e com barba ou sem barba fica bonito

Uns braços que me protegem e me afagam

A mente mais insana e mais incrivelmente lúcida

As ideias e planos mais perfeitos e certos de acontecer

Hoje você é o meu sorriso, não do palhaço

Hoje você é um pouco do tudo que tenho

Minha sorte

minha música

a poesia

Meu alívio…

O colo pra deitar e pra ser mimada e manhosa

A cosquinha que você tanto odeia e que tanto me faz rir

O abraço pra dormir

Tudo o que o dia precisar

Meu consolo, a luz, a claridade dos pensamentos

A resposta para todas as perguntas

A minha família

A minha maneira mais bonita de ver tudo

Se em um ano você já consegue ser tanto de mim, o que não será daqui a mais dez?

 

Parabéns Gustavo Cardoso. Por mais impossível que possa parecer, te amo mais, a cada segundo um pouco mais…

Vento no Litoral

Hoje, no ônibus de volta para casa, me deparei com duas lembranças:a primeira, o lindo devaneio da querida amiga Maristela Lira, na sua forma de me dizer para ter força usando as melhores palavras; a outra, uma das músicas da banda favorita do Gustavo, Vento no Litoral, da Legião Urbana. Juntando as duas coisas, comecei a pensar na letra da música e dar a ela um significado nunca antes observado. Vejamos:

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora…

Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntas
Na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem…

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem…

Olha só o que eu achei
Cavalos-marinhos…

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora…

Eu tenho mesmo feito várias coisas para esquecer mas, eu tinha tantos planos pra nós duas…

D. Marlene foi para o céu

A luta foi o dom da sua vida.

A esperança, a palavra mestra.

A fé sua guia, sua base, sua força.

Seu nome: Marlene. Nasceu em Pernambuco, em São José do Egito no dia 26/7/1950, uma terça-feira de sol. Órfã de pai aos 2 anos de idade, foi criada por seu irmão Pedro, um anjo, como ela mesma dizia. Caçula de uma família grande, sempre quis estudar, mas às vezes não dava pra completar o ano, pra ajudar na colheita do algodão. Aos 12 anos, lavava roupa pra fora para ajudar a mãe Joaquina, estudava o que podia e tomava destaque entre os alunos da turma, rezava novenas com as meninas da igreja. Na adolescência e juventude, gostava de ir ao Bambuzinho, dançar o “Kiss Me Quick” de Elvis Presley, terminava namoros quando sentia que os meninos iam terminar e não se prendia a homem nenhum. Estudou à luz de candeeiro para passar no vestibular e queria ser bancária. Passou, mas o “Quem Indica” funcionava tão bem na Universidade de Recife naquela época que ela não conseguiu entrar. A carreira de bancária já saia de seu coração quando tentou de novo, financiou, passou no vestibular e fez a faculdade de Ciências, para ser professora. Dois anos depois, ia para Biológicas, mas a primeira prova prática era operar um sapo e ela com nojo foi a única de sua turma à cursar Matemática, depois do curso de Ciências. Estudava de manhã e dava aulas à tarde e à noite, morava fora, mas com toda a correria ainda tinha tempo para cozinhar para Carminha e Leci, suas duas colegas de quarto, ajudar na casa da mãe, para quem comprou as cadeiras de balanço que tanto queria, e ajudar a irmã Terezinha a cuidar dos filhos. Quando a mamãe Joaquinha morreu, ela terminou a faculdade e se casou, para fugir das lembranças. Veio tentar a vida em São Paulo com o marido, sofreu todas as dores do primeiro parto e teve seu filho mais velho, que batizou de Joselton e de Marlus porque tinha que ter a marca de Marlene. Lutou contra a ignorância de um marido que não havia recebido amor em casa, lutou para trabalhar na terra grande longe da família, lutou contra as implicâncias de uma sogra que queria seus filhos sempre às suas ordens e teve sua segunda filha, uma menininha, e ela novamente teve que lutar para que sua vontade fosse feita e a menina não tivesse o nome da sogra. Nascia Raquelline Marlusy, pele clarinha, olhos e cabelos da mamãe. O marido tinha uma vida boa na CMTC, supria a casa de tudo o que pudesse faltar, ela dava aulas no Olavo Bilac e fazia os mimos que queria à seus bebês. Um terceiro parto estava por vir, mas ela não sabia. Nasceu de 7 meses o filho Marcius Cosme, sempre com o “mar” de Marlene, mas morreu ao 7º dia, frágil e pequeno. Ela não queria mais ter filhos, mas 3 anos depois viria a loirinha Katelline Mariluzi, a que mais lembrava os seus familiares, e ela não teve mais filhos.

Quando o marido perdeu o emprego mais firme que já teve, a família se mudou para Caieiras e ali viveu. Ela continuava trabalhando no tradicional colégio da R. Doze de Outubro, o marido pulando de empresa em empresa, os filhos crescendo. Por mais difíceis que fossem os dias, ela tinha tempo para cantar, chegava tarde em casa, depois da meia-noite, mas aproveitava os intervalos dos lanches dos alunos para ir à famosa rua das quinquilharias e das roupas para comprar presentinhos e doces para os filhos. Sempre que recebia, chegava em casa com mil novidades em número igual para as três crianças. Gostava de brincar de fazê-los descobrir sabores, e dizia “Abra a boca e feche os olhos” para fazê-los provar os doces com que os mimava.

Até que em 97, outra grande prova de sua força. Marlene sentia dificuldades para enxergar e descobriu que tinha catarata nos olhinhos. Ficou quase cega, fez cirurgia, colocou lente fixa, passou uns dias em casa, se recuperou. Voltou para dar aulas, mas a tradicional Olavo Bilac havia falido. Depois ela descobriu que não conseguiria mais lecionar, pois não podia fazer muito esforço com os olhos, que começavam a doer e a lacrimejar. Sua profissão, seu sonho mais bonito, sua forma de manter sua família e seus filhos, tudo aquilo tinha acabado. Ela se voltou para a igreja, começou a participar em 26/7/1998, dia de seu aniversário, de uma catequese para adultos, o caminho Neocatecumenal. Dizia que tinha que se apoiar em Deus porque todas as coisas da terra passam, mas as coisas de Deus não passam. Viu seus filhos crescerem, sempre cuidando deles como podia, viu cada um deles seguir seu caminho, fez amigos, fez passeios, fez viagens, tinha tempo para aconselhar cada um dos seus, ficou amiga dos amigos de seus filhos, virou mãe de todo mundo e se ofendia profundamente com as implicâncias do marido.

Quando seu filho mais velho não passou no vestibular, ela disse “Você vai passar ano que vem”. Quando sua filha do meio começou a ouvir rock, ela disse “Essa é das minhas!”. Quando a filha mais nova começou a ouvir também, ela felicitou “Sendo filhas de Marlene, elas tinham que gostar de rock. Eu também sou rockeira!”. Ela gostava do Elvis, gostava das versões brasileiras para o rock dos anos 60, gostava de Raul. Mas também amava Fagner, Sérgio Reis e a cigana Sandra Rosa Madalena de Sidney Magal. Participou da Pastoral da Família e criou uma outra família para si. Os amigos da turma gostavam de vir à sua casa fazer churrascos e todas as festas do grupo tinham a cara da “Casa-chácara da Marlene”. Quando o grupo se desfez e o casal de coordenadores foi morar em Pirituba, os almoços e festinhas continuavam. Ora com, ora sem Karaokê, era sempre a casa da Marlene, ou a casa do Celso. Em qualquer lugar ela era sempre alegria. As doenças começaram a chegar. Dores nas costas e nas pernas, varizes. Em 2006 a filha do meio passou no vestibular, ganhou bolsa do ProUni. Ela sentia tanto orgulho da filha. “Essa gosta de estudar, essa é das minhas”. A mais nova era cada vez mais vaidosa, começou finalmente a ouvir os conselhos de toda a família e se interessar por uma possível carreira de modelo. Ela dizia: “Tem que cuidar mesmo. Tem que ser bonita, é minha filha, é bonita”. Ela passava muito tempo em casa e cuidava das coisas ali. Nunca gostou de gastar, de comprar, de ir à shoppings. Gostava de casa, de parques, de campos. Suas cores favoritas eram o verde da esperança e o branco da paz, até por isso é que ela era Palmeirense, só pra dizer que torcia por algum time. Viagem para Pernambuco, para rever a família. Ela, o marido e a filha mais nova foram de avião, e ela que dizia que teria medo nem sequer pensou nisso durante o vôo. Voltou para casa cheia de fotos, sorrisos, saudades e novidades.

Pressão alta e auxílio doença. A felicidade de estar viva, de ver seus filhos crescendo e de ser religiosa, de cuidar das coisas de Deus, a faziam viver bem. Por mais dores que sentisse, por mais difíceis que fossem seus dias, ela sempre estava feliz. Porque tinha filhos maravilhosos, porque tinha uma comunidade que sempre olhava por ela, porque tinha Deus no seu coração. Os cuidados com a casa, com os filhos, a insônia que só lhe deixava em paz quando tarde da noite a filha do meio chegava da faculdade, o filho mais velho do trabalho e a filha mais nova da escola.

2010. A filha do meio terminando a faculdade e estagiando num lugar maravilhoso, a mais nova correndo com a carreira de modelo e promotora de eventos e o mais velho trabalhando com o que ele queria fazer, apesar de tudo. Ela ficou doente. Teve uma pneumonia. Teve infecção na urina. O marido quis realizar a comemoração aos 25 anos de casados e ela teve forças para tudo. Quando começou a melhorar, começou também a ter dificuldades de locomoção. O primeiro diagnóstico era hérnia de disco, uma delas, que ela já sabia que tinha, havia inflamado. Ela foi perdendo a força nos pés e nas mãos, depois nas pernas e braços. Foi internada. Teve melhoras e pioras. Os médicos disseram que poderia ser mielite. Estava feliz, animada, queria melhorar e sair do hospital para ser feliz com a família bonita que tinha e os agregados amigos e genros. Teve uma pequena melhora, conseguia se mexer com ajuda da fisioterapeuta. O diagnóstico final era polineurotraumatismo. Começou a piorar, não conseguia mastigar ou engolir nada, foi para a UTI. Descobriram uma úlcera no estômago dela e ela fez cirurgia. Não conseguia falar por causa dos tubos, mas dava sinais aos seus. Melhorou bem, tirou os tubos, fazia sinais com os olhos e com o pescoço.

Até que na última quarta-feira, 7/4, ela piorou muito. Teve dificuldades para respirar, voltou para os tubos, teve uma parada cardiorrespiratória. Os médicos não conseguiram reanimá-la. Às 20h, ela se foi.

Meu anjo, meu amor, minha luz, minha mãe foi pra o céu. Por toda a sua vida, por toda a sua luta e por toda a sua força ela sempre foi e sempre será minha guia. Levo comigo seus traços, seu rosto, seu amor no coração.

Fique em paz mamãe!

É, a minha mãe está um tanto dodói esse ano. Entrou janeiro com pneumonia, livrou-se dela, mas agora ataca o reumatismo. Só pode ingerir coisas doces que tenham açúcar mascavo ou rapadura. Só pode comer coisas frias ou quentes, nada de gelado. Toma chás e remédios o dia todo. Não tem estado tão firme em seus passos. Se apoia em móveis. Levanta e senta com dificuldades. Não dorme bem. Acrescenta vitaminas, legumes e verduras à alimentação, mas raramente come tudo o que está em seu prato. É final de fevereiro e não tem mostrado grandes melhorias. Está bem em um dia, no dia seguinte está mal, no outro, mais ou menos. E ainda assim consegue ser doce e paciente.

E é a pessoa que eu mais amo no universo…

Raro

Um alguém de singular beleza
de naturais gestos e de palavras de vigor
e que derrama surpresa
em cada prova concreta de sua existência e de seu valor

Alguém que demonstra em palavras
E no singelo movimento dos lábios
A beleza dos raros sábios
A sabedoria e a razão dos sentidos mais plenos

Um alguém que tem a vida manchada do seu próprio brilho
e que tem a liberdade de repetir palavras que sempre são ditas
e de dizer os mesmos versos em novas velhas palavras
inserindo nelas pinturas e versos em setim e em fitas

Um sol de meio-dia num verão tropical
De clareza e de sinceridade
De certeza e de fidelidade
De segurança e tranquilidade

Uma chuva de gotas mansas
De limpeza e de esperança
E que com a alegria de uma criança
Traz a certeza da bonança

Estranho e belo
Gentil e  prudente
Doce e inteligente
Simples e tranqüilo

Esse alguém é Raro!
É o que se pode chamar de amor
É a força, a segurança e o calor
E um pedaço gigante de vida
Que se desprende de meus braços
Em cada triste despedida
E que retorna nos sorrisos mais intensos
É esse amor o mais cálido e o mais violento
O mais suave e o mais singular
E o que eu levo para o resto dos meus dias

Essa é uma pequena homenagem a esse ser maravilhoso que tem dado mais valor à minha vida. Parabéns!