Da importância de escrever sobre música

escrever sobre música

Dois fatos completamente isolados que me aconteceram essa semana inspiraram esse texto: um bom amigo me enviou uma reflexão recortada de um livro. Um novo amigo revelou um hobby.

A frase era “Cada pessoa reage à música à sua maneira, e a sensação de deleite que ela provoca costuma ser pessoal e intransferível. Então, porque escrever a respeito? Porque escrever sobre música é a única alternativa para os que não são capazes de produzí-la”. Nunca me senti tão inclinada a concordar e discordar com uma mesma sentença desse jeito.

Concordo que a reação que uma música provoca é extremamente particular e que cada ser humano tem em si o seu jeito todo particular de compreender e de interpretar uma música, de pensar suas harmonias e versos, de ouvir as cadências dos sons que formam cada um dos compassos da canção. Mas para mim esse é mais um dos motivos pelos quais é extremamente importante que cada vez mais pessoas escrevam sobre música: para compartilhar esses sentimentos.

Quando você escreve sobre música, você liberta para um mundo todo um particular de emoções e de vivências que são só suas, e sua experiência com aquele tipo de música ou com aquela voz ou com aquele solo de baixo vai chegar à milhares de pessoas que sequer sabem seu nome, ou de onde você veio, ou de que forma aquela música te encontrou. A forma como você reagiu é que está no seu texto. E assim como a música é capaz de unir multidões e de atravessar gerações, um texto sobre música também pode fazer alguém se sentir mais confortável para falar sobre suas preferências musicais numa roda de amigos, ganhar uma nova amizade, querer conhecer aquele disco, descobrir aquela banda que abriu o show da sua favorita num grande festival ou até mesmo querer escrever uma carta resposta para o resenhista discordando de cada uma das linhas que ele escreveu. E não, isso não acontece só com quem não consegue produzir música, mas sim com toda e qualquer pessoa que, assim como foi atingido pelo prazer de ouvir um disco perfeito também foi tocado pela obrigação de compartilhar esse sentimento com as pessoas ao redor ou que foi imbuído à buscar um texto que falasse sobre aquela música que é impossível de descrever, não importa quantas vezes você ouça.

Conhecer alguém que tem como hobby a leitura de resenhas também foi uma experiência sem nome. Quantas vezes você, companheiro de salas de imprensa lotadas, sem ar-condicionado decente ou com internet capenga se perguntou: “Eu tô aqui, correndo feito um louco pra quê? Ninguém vai ler essa droga!”. Ledo e Ivo engano. Tem gente que lê sim. Tem quem use as resenhas para aprender algo sobre música. Tem quem leia só pra deixar um comentário cheio de crítica, que ora faz sentido e ora é só a exposição de alguém que não quer passar despercebido ou desentendido. Tem quem apenas leia, sem esboçar qualquer reação. Tem quem busque nas resenhas as respostas para aquela inquietação que o invadiu quando aquele novo som tomou conta do seu tocador de discos ou do seu iPod. Enfim, tem quem leia.

Com tudo isso posto, escrever sobre música é importante. Seja para desabafar, para deixar um legado, para opinar ou para pôr pra fora toda essa emoção que esse disco te causou e que outro só fará da mesma forma ano que vem, semestre que vem ou nunca mais. Para fazer com que quem não esteve naquele show sinta um pouquinho da alegria que aquele vídeo borrado do Youtube não pode transmitir. Para que você inspire uma nova música com suas palavras sobre aquela já antiga que ficou incrível com uma nova roupagem. Para que você escreva sua própria música depois do texto. E para dedicar a todos aqueles que prestam atenção no seu trabalho de escritor. Ainda que só uma vez.

Tchau 2012!

Goodbye-MarketingTá todo mundo fazendo suas contagens regressivas, suas promessas de fim de ano, suas retrospectivas e os carambas. Como eu sempre faço uma revisão com alguma pitada de coisas por fazer (take a look!), aqui vai a desse ano.

Como disse no comecinho de 2012, tinha algumas metas bem fixas, mas não como objetivos que frustram quando você não os alcança.  Enfim, alguns acontecimentos me marcaram. São esses:

Acho que toda essa reflexão me deixou um pouco maluca, mas esse é o tipo de coisa que às vezes faz bem. E no meu caso, sempre faz. No começo desse ano eu não entendia a necessidade que as pessoas têm de iniciar um novo ciclo com o ano novo e de fazer promessas que não serão cumpridas. Talvez hoje eu entenda essa necessidade de renovação um pouco melhor, porque eu a tenho. Desesperadamente. Nunca quis tanto que um ano acabasse como quero que 2012 vá embora. Foi um ano incrível, muito bom, mas acho que aquela minha necessidade de renovação do meu aniversário me atingiu de cheio nesses últimos dias do ano. E agora eu quero tudo novo. E pra isso, aqui ficam alguns compromissos para 2013:

  • Cuidar da Rakky; 
  • Fazer planos. E realizá-los;
  • Ver o mundo. Da lente, da internet e com os olhos;
  • Ler, ver e fazer. Um milhão de coisas;
  • Não ter medo. De nada;
  • Sorrir.

Talvez sejam compromissos fúteis. Talvez sejam necessários. São os meus planos. E os seus, como estão?

Muito mais que meia dúzia de horas

No começo da semana passada, fui convidada para um churrasco. O combinado era ser uma comemoração as conquistas de 2009 da banda Meia Dúzia de 3 ou 4 e já começar na torcida para que 2010 fosse bem mais legal de bom. Uma das peculiaridades que já reluziam no convite era o detalhe de que você deveria avisar a banda se era ou não vegetariano, pois eles iriam organizar a churrascada para atender a todos os públicos de todos os gostos. E é claro que com uma meia dúzia de grandes músicos e uns 3 ou 4 convidados que se arriscavam na cantoria, o “regabofe” rendeu bem mais do que um simples churrasquinho.

Muita música para agradar a todos os gostos, todas as tribos e todos os hits, toda a simplicidade de uma família reunida, muito diferente das bandas que a gente vê por aí que se juntam e se separam e trocam de integrantes e acham que está tudo bem. A e música rolando solta, primeiro só com uma sanfona e uma revisão bonita dos clássicos do Luiz Gonzaga. Depois, um violão chegou para participar da festa, uma escaleta (um tipo de teclado de sopro) apareceu também no meio da bagunça e tudo virou uma festa total. Com a agitação da música, metade dos ‘cozinheiros de plantão’ se esqueceu do churrasco para se dedicar a tocar, como tem que ser numa família de músicos mesmo. E na falta de instrumentos, queridos, “Tudo se torna”: uma cadeira virou um reco-reco de primeira linha, uma capa de violão foi transformada num tambor tão potente que até um bongô que estava dando sopa foi deixado de lado; um pandeiro apareceu e renovou a musicalidade da galerinha; uma bandeja de garfos começou a fazer um som tão bonito quanto o de um triângulo…  para quê dizer mais, foi a festa!

E quem disse que era só gente grande que se divertia? As crianças já pareciam tão acostumadas à música que até um bebezinho tranquilo no carrinho parecia ficar mais e mais em paz a cada vez que a música aumentava de tom… as crianças maiores se admiravam da música produzida por qualquer coisa que estivesse na frente dos papais e mamães presentes e quando eu estava quase por ir embora, apareceu uma criancinha esperta que depois eu descobri se chamar Maia para tocar também. Pegou duas colheres e começou a batucar, acompanhando as músicas infantis que começavam a sair dos intrumentos mil por ali.

O churrasco de sábado a tarde foi muito mais que meia dúzia de horas com amigos. Foram uns 3 ou 4 mil motivos para acreditar na música brasileira que está morrendo de preguiça, mas que ainda está viva e que renasce sempre e mais. Muito obrigada família 1/2 Dúzia, pelo convite e pela maravilhosa família/banda que vocês são.

Para quem ainda não conhece, uma versão inteligente para o escândalo da Geisy pode ser um bom começo…

Se você quiser ler um outro relato desse mesmo dia, clique aqui e visite o blog do querido Gustavo Cardoso.

Absurdo: Homossexuais não podem doar sangue


Você não acredita nisso?

Pois é, eu também não acreditei.

Estava conversando com um amigo meu, faz um tempinho já. Ele é homossexual assumido há aproximadamente dois anos e meio. No meio de uma conversa qualquer, ele me pareceu um tanto triste. Perguntei se estava tudo bem, e ele me falou sobre uma das coisas mais preconceituosas que eu já escutei na minha vida: HOMOSSEXUAIS NÃO PODEM DOAR SANGUE.

Pois é, ele foi ao Hospital das Clínicas para fazer sua doação. Contou que tudo correu bem no teste de anemia, pressão e tudo o mais, até a parte da entrevista. Geralmente, as perguntas relacionadas na entrevista são sobre tudo: desde a última coisa que você comeu até a sua vida sexual, se tem mais que um parceiro, se tem parceiro fixo, se deixou de usar camisinha em alguma relação sexual, para as mulheres, se tem risco de gravidez… até que chegou o momento da pergunta sobre a orientação sexual.

– Qual é a sua orientação sexual?

– Eu sou homossexual!

– Então… Infelizmente você não pode doar sangue.

(silêncio)

– Você está precisando fazer algum exame? Quer fazer um exame de sangue?

– Não moça, muito obrigado. Eu já fiz esse exame, tem pouco mais de um mês.

Foi mais ou menos esse o diálogo. Durante todo o tempo que passou depois que meu amigo assumiu a sua homossexualidade, nunca se sentiu tão humilhado. Ele queria saber se, caso tivesse dito que era bi, ou que era hetero, mas já tinha tido experiências com pessoas do mesmo sexo a coisa teria sido diferente. E eu fiquei com vontade de saber também. Comecei a pesquisar o assunto.

Não foi com muito custo que encontrei: a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina, na norma técnica RDC nº153, que os homossexuais não podem doar sangue, porque a doação e a utilização do sangue doado dependem, invariavelmente, do estilo de vida do doador. Essa norma na integra pode ser lida aqui. Veja abaixo o trecho que fala sobre a proibição:


B – Doação de Sangue

B.5 – Critérios para a seleção dos doadores

B.5.2.7 Estilo de vida

d) Serão inabilitados por um ano, como doadores de sangue ou hemocomponentes, os candidatos que nos 12 meses precedentes tenham sido expostos a uma das situações abaixo:

– Homens e ou mulheres que tenham feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas, e os parceiros sexuais destas pessoas.

– Pessoas que tenham feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos, sem uso do preservativo.

– Pessoas que foram vítimas de estupro.

– Homens que tiveram relações sexuais com outros homens e / ou as parceiras sexuais destes.

As outras razões para recusa da doação são bastante válidas e tá bem na cara que visam proteger a saúde de quem recebe a doação. No caso de homens que mantiveram relações sexuais com outros homens é que eu não entendi. Porque é que não podem doar? Como comparar alguém que sofreu um estupro com um homossexual? Porque igualar a proibição da doação de sangue para pessoas que fizeram sexo em troca de drogas, ou que mantiveram relações sexuais com parceiros desconhecidos e sem uso de preservativo com a relação sexual entre duas pessoas do mesmo sexo? Acaso se pensa que o gay não conhece seu parceiro? Não se previne?


Achei a proibição porca, homofóbica, injusta. Acho que todo cidadão tem o direito de exercer sua cidadania. Meu amigo, como muitos outros gays, queria doar sangue, um ato de caridade, um auxílio a tantas pessoas que precisam de sangue. Queria apenas ajudar, da forma que pode. Tudo bem que tem muito malandro que se oferece pra doar sangue só pra fazer os exames de graça, mas caramba, se ele estivesse lá pra isso, com certeza mentiria na entrevista, como tanta gente faz. Após a doação, acaso o sangue não é analisado? Não fazem diversos exames para garantir que o sangue doado realmente será útil, e não há perigo em seu uso? Simplesmente não há justificativas para a norma da Anvisa nem para a proibição ou preconceito, como queiram chamar.Confesso, fiquei indignada. Mas, como diria o poeta: “A nossa indignação, é uma mosca sem asas…não ultrapassa as janelas de nossas casas…”


A descoberta de uma fotografa!

Vejam as imagens abaixo e me contem se ela não é mesmo uma grande fotografa?

Seu nome é Jayne, e foi me visitar no sábado. Entre conversas e confissões, ela pegou minha câmera e retratou o pequeno espaço da mesa do meu computador, capiturando a alma dos objetos que deixo ali.

Quando vi essas fotos, pensei: “Essa menina tem futuro”. Jay, ficaram maravilhosas querida!

Editei um pouquinho no Photoshop. Então fica assim:

Fotos by: Jay
Edição by: Rakky

E quem quiser ler o que essa menina escreve, vai conseguir notar que ela tem talento mesmo, clicando aqui



Só pra constar! A Jay é minha “Gêmula

Um novo durex na minha mesa


Sim…

Foi no dia 26 de novembro.

Eu nunca havia trocado o durex da minha mesa no Sindicato do Comércio Varejista de Flores e Plantas Ornamentais do Estado de São Paulo – Sindiflores. Desde o dia 18 de julho de 2005 (aniversário de 19 aninhos do fofo do meu amigo Rafael), que aquele durex me acompanhou. Desde que entrei pra ‘equipe Sindiflores’ (aliás, grande equipe! Eu e o Romeu, Romeu e eu!). Mas voltando ao durex… Nem sempre naquela mesa, mais ele sempre estava lá, em seu suporte vermelho! Quando eu cheguei ele estava lá, e não me lembro de nenhuma troca. Ele era o meu durex.

Estava lá quando contratamos a Versátil Cobranças, estava lá quando recriamos o jornal, estava lá desde que me lembro. Quando a equipe Sindiflores diminuiu e o Machado (que nem sempre ajudava muito) saiu, quando a equipe Sindiflores aumentou e a Selma dos problemas do banco veio cuidar, ele estava lá. Quando eu precisava dele para embrulhar direito os envelopes com as cartas dos contribuintes, quando eu passei a usar barbante pra fazer isso e quase não o usava mais, quando eu ficava puxando uma ponta enquanto atendia o telefone, quando eu ficava segurando o suporte enquanto falava do Cartão Empresarial Sindiflores… todo o tempo.

Estava lá também quando o computador chegou (o novo). Quando o Romeu teve a idéia de criar o Troféu Sindiflores e quando eu achei aquilo o máximo. Quando a idéia mudou e nós criamos a Floriculutura Modelo, que foi um sucesso. Quando a Ligia foi contratada, pra ajudar a gente com a divulgação da Floricultura Modelo. Quando a gente voltou da 9ª FiaFlora Expogarden. Aliás, foi ele que me ajudou a envolver os Manuais da Floricultura Modelo que sobraram!!!

Ele estava lá também, fiel durex sempre presente, quando comecei a fazer o curso de Indesign CS2 no Senac Consolação (tudo bancado pelo meu amado sindicato). E quando eu sem querer deixei a carta de demissão da Ligia dentro da gaveta (o rascunho) e ela viu. E bem depois também quando 2007 começou.

Estava lá em seu suporte vermelho o tempo todo. Desde a cobrança sindical, passando pela confederativa e embrulhando a assistencial. E assistiu junto comigo a grande reforma do sindicato, e ficou lá quando eu sai de férias, e voltei pra ver a minha antiga sala totalmente reformada e linda. Virou uma das peças da minha nova mesa, com o meu novo mouse-pad, e com tudo novo por lá. Acompanhou as novas cartas q emiti, as faxinas novas na sala nova e recebeu comigo com carinho as plantinhas que enfeitaram a nova sala como ela merecia. Eu, Romeu e Selma tinhamos cada um o seu lugar. E suas plantas também!!! [:D]

Estava lá em cada bronca que o Romeu me deu. E sabia, assim como eu, que ele tinha razão pra dar cada uma delas. Estava lá à cada conciliação bancária feita, a cada conferência no ARRECADA, a cada ofício escrito, a cada carta emitida, e a cada ida ao banco. Estava lá todo dia, até naqueles em que eu fechava o caixinha e passava o valor pra o Romeu emitir o cheque. Estava lá quando o site era por mim atualizado. E quando o Info@Sindiflores era por mim enviado por e-mail. Estava lá a cada nova edição do “O FLorista”, lindo jornal que eu fazia com tanto gosto, com o amor que sinto pelo jornalismo. Estava lá quando o Romeu e a Selma achavam todos os erros que eu inicialmente não via no jornal. Estava lá também a cada vez que eu fiz café, no tempo em que eu não tinha a cafeteira ainda e o Romeu me levava pra tomar café na barraquinha da velhinha, lá no Parque da Água Branca (aliás, que velhinha simpática e que café bom). Estava lá quando a cafeteira chegou e também quando o tartaruga quebrou seu bule e o Romeu teve que sair correndo pra comprar outro (porque o meu café vicia). Estava lá nas risadas das conversas com o Romeu. Estava lá, ouvindo os papos com a Selma. Ou quando iamos almoçar, os três, na Assossip, ver a Mônica, o Rogério, o Adriano e todos os outros que trabalhavam lá (ou não). Estava lá, firme em seu suporte quando a Selma segurava seu oclinhos, e eu a ensinava a mexer no InDesign. Usual quando eu precisava colar algo. Firme quando eu estava feliz. Mais ainda quando eu estava triste. E estava lá também no dia 26 de novembro, quando eu pedi demissão. E antes de ir embora, só habitualmente puxei uma de suas pontas. A última. Acabou meu durex. Acabou meu tempo no Sindiflores também.

O meu durex acompanhou esses e outros momentos, mais teve o seu fim.

A minha temporada no Sindiflores também.

Eu vou sentir saudades!

(Na imagem, prédio do fazendeiro. Lugar que abriga o Sindiflores – 2º andar/ sala20 – e que me abrigou durante dois anos e quatro meses)