A preguiça…

Todo mundo diz que eu faço um milhão de coisas e que eu devo viver em um mundo paralelo de 48 horas porque não é possível.

É possível sim, caro amigo. É só pensar que além das um milhão de coisas que faço, existem também aquelas um milhão que eu gostaria de fazer. Que eu vou deixando para lá. Que eu vou esquecendo. Evitando o que é importante. Encaixando novas coisas no dia a dia até não caber mais nada.

Também basta pensar na quantidade de coisas que começo e não termino. Porque não dá tempo. Porque tem muita coisa. Porque é muito trabalho. Porque eu me canso.

Tem horas em que eu penso que sou só um ser humano e que eu preciso descansar. Aí quando me pego descansando, me sinto culpada pelas milhares de coisas que poderia estar fazendo enquanto descanso e não estou.

Esse texto é uma dessas coisas. Ele está aqui, escrito na minha cabeça já tem uns bons anos e eu nunca tinha tido o desprendimento de compartilhar ele lá no meu blog pessoal ou em qualquer outro lugar. Talvez a minha psicóloga já tenha escutado uma ou duas dessas lamúrias, mas não todas elas. Enfim, eu me pergunto toda vez que eu me pego descansando ou fazendo algo que eu não acho tão importante quanto os projetos nos quais me coloquei na vida e que são sim muito importantes: Cadê aquela garota que acordava às 4h30 da manhã e ia dormir às 0h30 todo dia? Aquela que estudava pra prova depois de um longo dia ajudando a galera da igreja? Aquela que fazia mil coisas na época do vestibular e da faculdade e ainda tinha tempo pra tocar violão? Porque eu me perdi dela? Porque eu a abandonei? Ou será que foi ela que me abandonou?

Talvez, em algum momento da vida, eu tenha perdido algum sentido, alguma vontade que era maior. Algum motivo pra lutar.

Preciso me recuperar.

Não se preocupe tanto assim…

screw-up O ano mal começou e já tem gente se arrependendo. Aí, comi aquele chocolate e estraguei minha dieta. Aí, deixei de cumprir duas das minhas metas pro ano no 3º dia. Aí, porque eu sou sempre tão quieta? Aí, tá vendo? Fala demais e sai bosta toda vez…

Cê jura pra mim que cê quer começar mais um ano se arrependendo? De verdade, o quadrinho acima é real: não tem ninguém no mundo preocupado em fazer as contas de quantas vezes você errou, quantas vezes você acertou, quantas vezes você falou bosta ou quantas vezes você fez qualquer coisa. Falando sério, nem você mesmo faz essa conta com precisão, porque tem coisas que simplesmente passam, são esquecidas, apagadas com o tempo. Então, pra quê ficar se preocupando?

Errar é humano. Essa é a máxima mais conhecida do universo, mas tem vezes que não é levada em consideração.  Não dá pra ser 100% incrível o tempo todo e também não dá pra ficar o tempo todo vivendo o passado, pensando no que se podia ter feito e não foi e no que foi feito e não devia ser. Se existe algo ou alguém que tem o poder de tirar o que há de melhor em você é você mesmo. Esse é um dos super-poderes mais perigosos que nós, heróis do dia a dia, possuímos.

Só pra constar… nos registros por aí…

Sabe quando você tá ouvindo um álbum que você adora e, de repente, para pra prestar atenção em uma música como se fosse a primeira vez que você a ouviu na vida?

Isso me aconteceu agora a pouco. Com Tender, do Blur. É óbvio que essa não é nem de longe a primeira vez que a escuto, mas talvez a primeira vez que entendo as palavras de Damon Albarn de um jeito muito estranho.

Ele chama, ele quer, ele deseja que a “melhor coisa que nós temos” chegue e está ali, esperando por aquele sentimento.

Entendi.

Há horas em que não importa quantas histórias de amor você tenha vivido, você simplesmente quer mais uma para mudar completamente toda a rotina. Alguém pra cantar o som fofinho da Mallu do título desse post e lembrar. Pra fazer você deixar de gritar junto com o Albarn “I waiting for that feeeeelllinnnnnggg to comeeee!”

Por outro lado, por vezes é tão cansativo. Tão estranho. Tão constrangedor.

De um jeito que se chega a pensar em pular aquele friozinho na barriga que até hoje me faz arrepiar só pra ter aquela tão sonhada estabilidade. Que vem e estraga tudo. Ou deixa as coisas melhores.

E essa confusão do dia a dia é a beleza da vida voltando outra vez. Do jeito que a vida é: assustadora, bizarra e fofinha. Tudo de novo e de novo e de novo.

 

Não sirvo

 

Não sirvo pra dietas pesadas
Nada me faz abrir mão do chocolate
Não uso tendências, não estou na última moda
Visto o que cai bem, o que “cobre as parte”

Não sou vegetariana. Nem vegana
Amo os animais, mas não dispenso um sushi
Não sou petista, nem presbiteriana
Nem faço macumba pros Geraldos e Cabrais na Sapucaí
Não sirvo pra esportes radicais
Sou da natação, da caminhadinha
Também não sirvo às grandes causas sindicais
Tenho o nome ligado apenas a piadinhas
Não estou em todas as badalações
Há mil festas desconhecidas no pedaço
Não sirvo pra fazer confusão, pra armar barraco
Estou sempre no meu cantinho, pouco espaço

Também não sou da violência
Procuro viver com tranquilidade
Sirvo apenas para observar o agito
Assistir todo o barulho da cidade

Só sirvo mesmo para grandes paixões
Para aquelas que vem e que passam
Que deixam rastros, que destroem mundos
Que te fazem lembrar delas com embaraço

Meus CDs, minhas músicas,

São elas as grandes amantes
Donas das minhas loucuras, insanidades
Viagens que nunca fiz antes
Não sirvo pra economizar na loucura
Nem pra ter vergonha de gritar
Sirvo pra viver dessas canções bonitas
Que fazem o mundo girar
E pra fazer rimas bobas
Que algum bom leitor vai gostar…

Onde Estão?

Onde é que foi parar aquele caderno cheio de versos tristes que te faziam rir da sua adolescência?

E aquele pôster velho que você vai remendar de novo com durex para colar de novo na parede? De novo, pela milésima vez, em um cantinho diferente do anterior, em uma casa diferente da anterior, ou só na parede do outro lado do quarto.

Onde está o sol nas bancas de revista?

Onde estão as piadas simples que ainda fazem você chorar de rir, nem que seja por um minuto?

Onde está aquela guinada na rotina, que te faz dançar numa segunda-feira chuvosa, na pista ou no seu quarto, no meio de um turbilhão de pensamentos?

Onde está aquele amor de verão que foi rápido demais, mas foi intenso demais também?

Onde está aquela foto da formatura, que te traz tantas boas lembranças? E aqueles amigos da foto, onde estão?

Cadê aquele sorriso sincero que surgia no seu rosto só para quebrar o gelo numa conversa formal demais? E aqueles braços estendidos pra o abraço que a sua amiga tá precisando?

Onde está aquela felicidade pueril do novo disco, da nova banda, da nova música no seu tocador de Mp3?

Onde estão aquelas músicas que explicam o que você sente mesmo que você não tenha reparado nisso antes de ouvir a canção, naquele dia difícil?

As cordas antigas do violão empenado?

As carteirinhas de estudante do ensino médio?

O RG escolar?

E aquele disquete que tinha os emuladores dos seus jogos favoritos?

Aquela foto 3×4 do seu melhor amigo quando tinha 5 anos. Como ele está diferente, né?

Cadê aquela roupinha que sua mãe guardou do seu batizado?

A lista de músicas que tocou na sua primeira comunhão? O seu escapulário velho? Cadê a sua crença, sua religião?

Onde foi que você escondeu aquele colar que ganhou de presente da primeira namorada da quarta série? Ou a cartinha que mandou para aquele garoto que achava bonito no colegial?

Onde estão aquelas risadas da hora do almoço, daquele espaço que você achou que não podia lhe caber mais?

Lembra daquele diário em que você escrevia o que achava que seriam as músicas mais tocadas em 2015? As músicas que você escrevia e imaginava tocar? Onde foram parar essas lembranças?

Cadê aquele mapa do tesouro que você desenhou só pro seu amigo achar que você vivia numa casa antigamente frequentada por piratas?

E as bolinhas de gude do seu armário?

E as cartas de baralho?

O Jogo da Vida?

O Super Nintendo?

Cadê aquele patins que você herdou da sua prima e que tinha uma rodinha a menos, mas não importava, era seu brinquedo favorito?

E aquela bicicleta vermelho metálico que a turminha da escola invejava?

Onde é que você enfiou aquele kit de canetinhas que fazia todo mundo da sala tentar ser seu amigo?

E a sua foto com o professor favorito da turma na sua colação de grau?

Talvez cada uma dessas coisas esteja num armário velho.

Talvez nem na sua casa, na casa dos seus pais.

Talvez tenham ido para uma fogueira de mudança.

Para a reciclagem.

Para o lixo comum.

Talvez estejam tão bem escondidas que você nem saiba onde estão.

Talvez você nem lembre mais que elas existem.

Talvez elas nem existam, de fato.

Mas essas coisas formam outra coisa. Outra coisa que existe, que é importante e que está em algum lugar.

Essas coisas são você. E suas lembranças. E o seu jeito de ver a vida. Seus valores, seus anseios, seus sonhos estão espalhados em cada pedaço de memória que você conseguir rastrear. Com carinho, com ódio, com remorso, com amor.

Onde estão seus pedaços no mundo?

Torça para encontrá-los. Por todos os lados.

Dos compartilhamentos

A vida em 2013 é muito mais social que antigamente.

Tudo está no Facebook. No Twitter. No Instagram. O Linkedin também divide com o mundo sua história. E aqui outra ferramenta para isso: um blog.

Todo o mundo tão conectado, tão próximo, tão sabedor das angústias e aflições da cabeça de cada um. Amigos no “feice” que nunca se viram “face a face” sabem segredos que seus mais próximos não conhecem. Ou não.

Porque no fim de tudo os melhores momentos da vida não estão no Instagram. Nem no Twitter. Nem em qualquer outra rede social.

Os melhores momentos da vida são flashes que só nosso íntimo captura. E não há câmera que consiga lidar com essa resolução.

É o olhar do melhor amigo que não se vê há tempos. É a lágrima que molha o rosto quando toca aquela música que te faz lembrar alguém que já se foi. É aquele minuto em que você para tudo o que está fazendo para refletir. É o olhar agradecido do mendigo que recebe um pão. É o sorriso de uma criança na fila do ônibus. É aquela história que você descobriu num livro empoeirado na prateleira.

O melhor da vida só é registrado por uma câmera, equipada com dupla objetiva e a melhor resolução do mercado: seus olhos.

Não deixar de viver cada dia com o melhor é uma arte a ser seguida.

As flores de Abril

flores A1

Abril é geralmente um mês lindo.

Sim, é o mês em que faço aniversário, por isso é bonito de qualquer forma, porque eu adoro celebrar aniversários. Mas desde abril de 2010 isso tem sido um pouco diferente porque, por mais que eu tente celebrar e fazer as coisas ficarem bonitas, sempre havia uma razão, mas forte que todas as outras, para que houvesse um quê de dor intransponível por aqui.

Mas neste mês eu decidi que tudo seria diferente.

Eu me programei para que cada dia de abril de 2013 tivesse uma coisa boa pra lembrar, uma celebração. Eu decidi que eu não ia ver as coisas ruins que acontecessem, só o que tivesse o bem, só o que fosse bom. Decidi que faria tudo dar certo.

E fiz.

Fiz milhares de coisas que eu tinha muita vontade de fazer e um pouco de receio, fiz uma viagem incrível, tirei férias, busquei fazer só o que eu gosto, busquei pensar que tudo o que pudesse me deixar triste não existiria, e que só coisas positivas poderiam acontecer. E eu percebi que foi exatamente assim.

Sem autoajudismos, mas quando a gente quer, a gente faz acontecer. E foi exatamente o que eu fiz. Escolhi abril para ser um mês perfeito e todos os dias dele só tiveram flores, coisas belas, canções e sorrisos.

E foi aí que eu me dei conta da melhor parte: o bom e o ruim é aquilo que você quer, que você carrega consigo. Não é um mês de pensamentos positivos, não é um dia de coisas belas, não é um acontecimento feliz: é você.

Tudo o que você deseja vai acontecer, se for do fundo do coração e se for bom.

E pra mim não vai ser só abril: vai ser a vida inteira.

Desafio: olá “um leitor”, encontre todas as referências musicais presentes neste post e ganhe uma colher de doce de leite!