Resenha: Her (Ela)

herEstamos todos num futuro não muito distante.

Um futuro em que a tecnologia domina tudo ao redor, e em que computadores conversam com humanos seguindo comandos de voz. É nessa realidade que vive Theodore Twombly, um redator que trabalha em uma empresa que “fabrica” cartas escritas à mão, a partir de informações de clientes e fotocópias de suas caligrafias. Ele é um solitário passando por um difícil fim de casamento e foge de encontrar novas pessoas, vivendo uma rotina tranquila e solitária.

É quando conhece um sistema operacional que promete se adaptar à vida e ao dia a dia de seus usuários que a vida de Theodore muda. Seu OS escolhe o nome de Samantha e, a partir de informações do dia a dia, rotina e preferências, começa a fazer parte da vida dele, cada vez mais se parecendo com uma pessoa real, com quem é possível conversar e conviver. Theodore se apaixona por Samantha e começa a viver um amor virtual com seu computador.

Entre tudo o que é possível enxergar a partir da história de Theodore e Samantha, que passa pelos mesmos percalços de um relacionamento comum, está o que é cada vez mais difícil de evitar: temos sido cada vez mais escravos das facilidades que viver em um mundo cada vez mais tecnológico nos impõe. Em diversas cenas do filme, enquanto Theodore conversava com seu celular, interagindo com fotos, músicas, e “mostrando” o mundo para Samantha, outras pessoas faziam exatamente a mesma coisa com seus próprios OSs. E não é necessário ir muito longe para ver que estamos cada vez mais próximos dessa realidade.

No transporte público, quantas vezes você já se pegou olhando para o lado e vendo uma multidão de pessoas interagindo apenas com o celular / tablet? E no bar, com os amigos, entre uma conversa e outra, parar para ver o que está acontecendo com a galera das Redes Sociais? O que é possível não perder no meio de uma festa em que a foto e a localização são quase tão essenciais quanto o momento em si?

A vida é muito mais do que um sistema pré-moldado e a beleza de estar lá, vivendo cada momento, é justamente a de não ser capaz de falar com 8.316 pessoas simultaneamente ou de se apaixonar por 641. E talvez seja essa a principal mensagem do filme: não adianta querermos ser tão velozes, a verdadeira maneira de aproveitar tudo o que está aqui é justamente ter tempo para isso. Consigo e com o resto do mundo. E em carne e osso, sempre que possível for.

PS: a trilha sonora é do Arcade Fire, então, tem que ver e tem que ouvir!

Ano: 2013
Gênero: Drama
Diretor: Spike Jonze
País de Origem: EUA
Duração: 1h26
Nota: 
8

Somos Tão Jovens – por um Renato Russo que a gente tenha vontade de lembrar…

Somos Tão JovensEm primeiro lugar, se você quer ler uma resenha menos apaixonada, clique aqui.

Agora que você já sabe que essa resenha vai ter amor, vou começá-la com raiva. Porque “Somos Tão Jovens”, filme que conta a história de Renato Russo antes da fama, me deu raiva. Sai do cinema com uma sensação de vazio muito grande, que foi além de todas as minhas expectativas positivas. Não é um filme arruinado, ruim de tudo, não é “Tempo Perdido”, como a piadinha do Sensacionalista sugeriu. Mas tem trechos que simplesmente incomodam. Muito.

Boa parte dos primeiros 30 minutos de filme foram feitos para as pessoas que conhecem muito bem a história do Renato e não para aqueles fãs de primeira viagem que provavelmente vão lotar os cinemas. Beleza, o cara tá lá andando de bike, leva um tombinho e já tem que por um pino na perna? O médico menciona a doença assim, do nada, sem que os pais demonstrem nenhuma grande preocupação? Renato fica tempos e tempos na cama tocando violão porque é um adolescente estranho ou porque não consegue se levantar? Em cinco minutos ele aparece tentando muletas, tropeçando, andando torto e depois correndo, andando normalmente… ô galera, cadê o contexto?

Eu li “O Filho da Revolução” e acho que a minha expectativa estava alta por saber que a produção teve como base o livro. Por mais que não me lembrasse de alguns momentos, como a influência que o meu amado Clube da Esquina exerceu nos meninos de Brasília (essa com mais contexto, vista tanto no próprio Renato quanto em sua turma tocando numa rodinha de violão  a incrível “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e outras do Durango Kid Milton, do moleque travesso Lô e CIA LTDA.). Mas há alguns momentos em que Renato parece apenas um menino mimado que por sorte se interessou por música e começou a sonhar uma banda.

Por favor, não venham me dizer que o Renato Russo ficava citando frases do que viriam a ser suas músicas em conversas informais com os amigos, em discursos inflamados nos bares e em devaneios porque ele não era esse tipo de boçal tá difícil de acreditar. Em determinadas partes do longa tem-se a ligeira impressão de que Renato era um adolescente babaca que todo mundo odiava e que se achava a última Coca-Cola do deserto. É essa a imagem que a gente tem do Sr. Manfredini? Acho que não.

O filme também tem suas razões de ser e são esses momentos que valem a ida ao cinema: a atuação de Thiago Mendonça fica incrível quando ele começa a cantar e mais ainda quando o trovador solitário aparece. A relação com Ana, grande amiga de Renato dos tempos da adolescência não poderia ter sido representada com maior perfeição, o tipo de relacionamento adolescente que a gente vê todo dia por ai e que não reconhece. Alguns clássicos da Legião orquestrados e que davam movimento ao filme tocam nos momentos certos e as versões ficaram simplesmente perfeitas, do tipo que dariam uma trilha sonora de filme que venderia milhões.

Outras partes que merecem a citação ficam a cargo da fotografia e o jogo de luzes de algumas cenas de palco, que fazem Thiago realmente se parecer ainda mais com Renato, e em alguns momentos é realmente possível acreditar que é o Manfredini que está sendo gravado e não o ator. Um desses momentos é a cena em que Renato toca “Eduardo e Mônica” em uma apresentação do “Trovador Solitário”, em que anuncia que o “punk morreu” e que boa educação faz a diferença quando o público nada receptivo joga papeizinhos e moedas no cantor e há poucos aplausos ao final do som. Os shows, em que a fúria do adolescente Renato é vista em sua voz, em seu jeito visceral de declarar suas verdades em músicas. A bissexualidade assumida para a mãe no momento mais improvável e a reação da dona mãe (ainda que aqui apareça novamente uma idiota menção à “Meninos e Meninas” que a gente pode ter quase certeza absoluta que não aconteceu). A reconciliação com Ana e “Ainda É Cedo”. E é claro, a atuação de Nicolau Villa-Lobos, na pele do próprio pai, quando a Legião Urbana buscava um homem para a guitarra. Além de a semelhança entre os dois ser tão explicável quanto genética, o carinha tem talento. E o guitarra que ia ficar uma semana na banda porque tinha uma viagem para a França ajudou a história musical do nosso país a ganhar um marco inigualável.

O filme tem seus altos e baixos, mas é uma homenagem e como tal, tem falhas e pontos memoráveis. Fãs de carteirinha podem amar e odiar a representação de Renato das telonas, novos fãs podem ter impressões positivas e negativas. Vale a pena ver mas, se um conselho puder ser dado, é este: leia sobre Renato. Ouça suas músicas, desde o primeiro álbum até suas aventuras solo, quando a AIDS já definhava sua voz e corrompia sua mente. Renato Manfredini Jr. tem muito mais a oferecer ao mundo do que os poucos e não tão bem aproveitados minutos deste filme.

Resenha: O Preço do Amanhã (In Time)

in time
O que você faria se tivesse apenas um dia para viver? É exatamente essa a sensação de cada cidadão de um subúrbio em um futuro em que os cientistas descobriram uma forma de destruir o gene do envelhecimento. Assim, ao completar 25 anos, cada pessoa para de envelhecer, mas passa a contar com uma espécie de relógio, que paga por tudo o que precisar /quiser ter com tempo de vida sendo a moeda de troca. Desigualdade, pobreza e injustiça fazem o pano de fundo da trama.

Com a vontade de contornar essa situação e oferecer mais tempo a quem precisa mais dele, Will Salas (Justin Timberlake) luta para defender o direito de outros a ter mais tempo e, ao salvar a vida de um milionário, ganha seu tempo de vida para que não o desperdice e é acusado de homicídio. Para prover sua inocência e recuperar o tempo roubado pelos “guardiões”, Will sequestra Sylvia Weis, filha de um grande magnata do tempo. Juntos, Will e Sylvia vão descobrir que têm mais em comum do que aparentam ter e entender a importância de cada minuto.

O filme traz consigo a reflexão sobre o significado do tempo e como o entendemos e aproveitamos. Na história, tempo é dinheiro, coisa que este não deixa de ser na vida real. Cabe a cada um de nós investir seu tempo no que se acha certo e colher da vida os frutos dessas escolhas. Como na história, cada movimento é cobrado, em segundos, dias, meses ou anos e ao gastar cada parte desse tempo, precisamos ter consciência de que aquela é a melhor forma de fazê-lo, pois não haverá outra chance, já que aquele período já se foi.

E você, como está cuidando do seu tempo?

O Preço do Amanhã (In Time)

País de Origem: EUA
Gênero: Ação / Ficção Científica
Tempo de Duração: 101 minutos
Ano de Lançamento: 2011
Site Oficial: http://cloudatlas.warnerbros.com/
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Olivia Wilde, Alex Pettyfer, Matt Bomer, Johnny Galecki, Vincent Kartheiser, Elena Satine.
Direção: Andrew Niccol
Nota: 8

Resenha: A Viagem

A-ViagemSemana passada fui ao cinema. Na falta de um horário bacana e com a chance de ver um filme diferente, vi A Viagem. Como tinha lido um milhão de sinopses antes de ir, não lembrava direito dessa história. Mas ela é emocionante. E leva um tempo para assimilar tudo e entender.

Em seis tempos diferentes, vidas e destinos se encontram e se conectam, no passado, no presente e no futuro, o que sugere conexões entre suas histórias e destinos. O mais intrigante é perceber que ações do passado têm influência direta no que acontece no futuro das pessoas.

O advogado do século XIX e sua decisão mudam o destino de um jovem compositor mais de 100 anos depois de sua morte. Esse compositor aparece e sua história ajudar a resolver um caso de uma jornalista 50 anos depois de cometer suicídio. Uma tribo do futuro venera como se fosse uma deusa uma habitante da cidade em que vivem, que morou por lá 150 anos antes de eles estarem na região. As palavras, os gestos, a forma de ver a vida de uns influencia e muda as decisões de outros, num jogo de imagens e de histórias que confunde a cabeça, mas que poe a gente para pensar.

Será que as decisões que nossos pais, nossos avós e nossos bisavós tomaram no passado influenciam em nossa vida agora? Será que os erros e acertos deles são os responsáveis por sermos hoje quem somos? Como isso acontece?

E será que os nossos destinos estão mesmo conectados aos de outras pessoas? Alguns dos personagens dessa história estavam destinados a se conhecer, destinados a se conectar, porque de alguma forma isso mudaria a vida de outros a seu redor. Como será que isso acontece na vida, de verdade? É possível que algumas pessoas estejam simplesmente destinadas a se encontrar?

É um filme para ver. E para pensar.

A Viagem
País de Origem:
 EUA
Gênero: Ficção Científica / Ação / Suspense / Romance / Drama / Comédia
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 
164 minutos
Ano de Lançamento: 2013
Site Oficial: http://cloudatlas.warnerbros.com/
Elenco:Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Keith David, James D’Arcy, Xun Zhou, David Gyasi, Susan Sarandon
Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Nota: 10

A princesa e o piloto

É pessoal. Eu estava lá, na edição desse ano do Anima Mundi. Nunca tinha participado do evento e foi o máximo estar lá e assistir à maratona de curtas que me dispus a ver, claro, com a ótima companhia do Gu, do Gu e da Evelyn. Mas eu não vim aqui para falar do evento e sim de um dos filmes que vi, o único longa de exibição da noite de sábado, “A Princesa e o Piloto”.

Antes que qualquer leitor mal informado pergunte, sim, era um anime. E sim, era um longa metragem. No Japão, a galera leva “essa história de desenho” a sério e muitos dos melhores filmes deles são animes clássicos. Esse não é diferente.

a-princesa-e-o-pilotoA Princesa e o Piloto (To aru Hikuushi e no Tsuioku) conta a história de um jovem mestiço chamado Charles Karino, um dos pilotos mercenários do exército japonês e da princesa Fana del Moral, prometida em casamento ao jovem príncipe que está lutando numa fria guerra para defesa de seu povo. Fana vê sua casa ser atacada pelos inimigos e o exército descobre que o objetivo do atentado era matar a princesa, para desmoralizar seu povo frente ao inimigo.

Para levar a princesa a um lugar seguro, o exercito escala o jovem Charles, que aceita a perigosa missão em nome da sua honra, e não em nome do dinheiro, como um mercenário faria. O que ele não podia imaginar é que essa viagem poderia mudar a vida dele e a vida de Fana, quando os dois começam a descobrir que têm muito em comum.

Um filme lindo, baseado em fatos reais e muito recomendável. É uma pena que esse tipo de obra não seja transmitida nos cinemas.

Ano: 2012
Gênero: Shounen, Aventura, Romance.
Diretor: Jun Shishido
País de Origem: Japão
Duração: 1h40
Nota: 
10,0

Resenha – Across The Universe

Faz muito tempo que eu gosto muito dos Beatles e que acompanho a carreira deles. Faltam muitas coisas da banda dos meninos de Liverpool pra eu ver nessa minha curta vida de 23 anos, mas hoje, vi um dos filmes mais bonitos da minha vida. O nome, Across the Universe, é um dos grandes sucessos da banda. A trilha sonora não poderia ser outra.

O filme é um musical, se passa nos anos 60 e conta a história de Jude (Jim Sturgess), um garoto de Liverpool que vai para os Estados Unidos para conhecer o pai, que abandonou a mãe grávida. Ao chegar ao país, enlouquecido pelo clima de revolução e os embates entre aqueles que eram contra e a favor à Guerra do Vietnã,  Jude conhece Max (Joe Anderson), um jovem de classe média que resolve deixar a faculdade para viver “perigosamente” em Nova York, a cidade do sexo, das drogas e do rock´n´roll. Max e Jude ficam amigos e se mudam para um apartamento administrado por Sadie (Dana Fuchs), uma cantora rock´n´roll com muitos mistérios.

Enquanto isso, Lucy (Eva Rachel Wood), irmã de Max, se vê enfrentando a morte de Daniel (Spencer Liff), seu namorado, que para a Guerra. Nas férias e para se distrair, Lucy decide visitar o irmão Max e se apaixona por Jude. Os encontros e desencontros desse amor, a ida de Max para a Guerra, as histórias de Sadie, JoJo (Martin Luther McCoy), Prudence (T.V. Carpio), Dr. Robert (Bono Vox, isso mesmo! Bono Vox!!), Mr. Kite (Eddie Izzard) e outras histórias marcam a narração que apesar de parecer leve (afinal é um musical né?) é tenso do começo ao fim, tem uma narrativa pronta para agradar qualquer beatlemaníaco (e até quem não é) e uma fotografia impecável, além de efeitos especiais muito bem usados. Se você ainda não está curioso, o máximo que posso dizer é: o filme merece ser visto.

Across The Universe
Ano de Lançamento
: 2007
Diretora: Julie Taymor
Origem: E.U.A
Categoria: Musical
Duração: 133 minutos
Nota: 10

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Resenha – O Homem do Futuro

Um cientista maluco inventa sem querer uma máquina para voltar no tempo e, quando se percebe nessa situação, tenta modificar seu passado e só depois percebe as alterações que isso fez no futuro dele. “Ah, esse enredo é muito velho, já foi explorado por mil filmes, não tem mais graça!”. O que faria esse filme ser diferente e valer a pena ver? 

Bom, o filme faz muito mais sentido se você o entende junto com o contexto que sua música tema apresenta (Tempo Perdido – Legião Urbana). Além disso, foi dirigido por Claudio Torres (e o cara tem a arte no sangue), conta com a nata da dramaturgia nacional e é um filme que dá orgulho de ser brasileiro. A história de Zero (Wagner Moura), um cientista frustrado que sem querer volta no tempo e se vê com a chance de mudar o rumo de sua vida e talvez conquistar Helena (Alline Moraes), o amor de sua vida, enche os olhos do espectador do começo ao fim da trama. Todas as confusões nas quais esse malucão e seus amigos se metem no meio do longa são as mais absurdas e engraçadas possíveis também.

Mas calma! Você precisa ficar absolutamente calmo e confiar em mim, porque esse filme é uma recomendação mestra!

O Homem do Futuro
Ano de Lançamento: 2011
Diretor: Cláudio Torres
Origem: Brasil
Categoria: Ficção Científica
Classificação etária: 10 anos
Duração: 106 minutos
Nota: 10

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