12 de abril de 2012

Bolo da GrifinóriaYeah! Hoje eu faço 24 aninhos!

E o que mudou do aniversário passado para o novo? Não muita coisa…

Continuo trabalhando, fazendo meus textos por aí, estudando inglês, amando música e Skank como nunca e um pouco mais Beatlemaniaca do que antes… Agora tô escrevendo pra o Tenho Mais Discos Que Amigos, minha relação com o meu pai continua não existindo, os amigos de Caieiras estão mais distantes, os amigos de São Paulo mais perto, a vida na casa nova perfeita, o Gú a coisa mais linda da vida… sem novidades.

♥ Presentinho de 2006 ♥

♥ Presentinho de 2006 ♥

O que eu quero para esse ciclo que começa hoje? Mais emoção!

Talvez eu precise de um novo desafio. Talvez de mais tempo para os que já tenho na mão. Talvez de ambas as coisas. Ou coragem para fazer coisas diferentes, sair da “zona de conforto” e enfrentar o mundo. Não sei…

Só acho um pouco desagradável a sensação de ficar parada. Não que eu não esteja feliz, mas a gente sempre quer mais né?

De qualquer forma, meus 23 anos foram um período muito bom em que fiz muitas coisas importantes e que se esvai… que venham os 24 anos! =)

 

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Norberto

Ele não era um garoto qualquer.

Nos anos 2015, aquela era da informação não lhe interessava nada. 14 anos, jeans velho e rasgado, camiseta com pinturas próprias, feitas à base de tinta de tecido, não vestia nada parecido com as roupas sustentáveis da moda.

Ao contrário do resto do mundo, gostava das bandas velhas. Não estava acostumado ao som colorido, ao fundo musical que permeava aquelas canções cheias de rimas fáceis que atraiam a juventude local. Ouvia a velha bossa, o velho rock, o velho blues. Não conseguia entender porque o mundo estava esquecendo de John Lennon, de Bob Dylan, de Cazuza, de Renato Russo. A morte de Paul McCartney lhe fez chorar por dois meses seguidos, porque ele sabia… o mundo ficara mais pobre depois disso. Queria entender o que aquele som mecânico produzia na mente dos colegas do ginásio, o que fazia com que eles se interessassem por aquilo, mas não achava nada que explicasse tudo, a não ser uma resposta: ele era o único que se importava com tudo aquilo.

by @_jayandrade

Ele não aceitava. Queria mostrar ao Lerry o som dos Los Hermanos. Queria que a Taiz gostasse de Gram. Queria que o Renatinho soubesse cantar “Faroeste Caboclo”, do chará. Queria que a turma entendesse a razão de ele gostar de Queens of the Stone Age, de Blur, de Oasis, e Florence and The Machine, de Artict Monkeys, de Killers, de Aerosmith. Queria que os colegas de classe entendessem que o rock´n´roll não era aquilo que eles viam nos canais do Youtube. Era mais! Era maior. Tinha mais alma! Queria fugir daquele Brasil que reelegia alguém que por vezes ameaçou entregar o país novamente aos militares, queria ir até a Amazônia e parar os madeireiros internacionais que já tinham derrubado mais de 80% da floresta, queria revolucionar. Não entendia aquele mundo em que vivia e em que as pessoas achavam por bem querer conquistar a felicidade própria ao mesmo tempo que desejavam a tristeza do outro. E então teve uma ideia.

Vestiu seu jeans mais velho (e mais confortável), sua camisa xadrez, pôs seus óclinhos de meia lua. Foi para a praça do centro da metrópole, sentou no chão e pediu ao Lerry que lhe emprestasse o violão. Começou a cantar as músicas de amor e de paz que tinha demorado dias para aprender a dedilhar. Cantou, com sua força e com sua alma. Uma pequena roda se formou ao seu redor. Todos observavam aquele garoto como se ele estivesse completamente louco. Ele continuava, e pensando atrair a atenção para o bem, dedilhava mais e mais canções, pedia paz, pedia justiça, pedia humildade. Seus dedos ficavam cada vez mais vermelhos conforme apertava o braço do violão e pressionava as cordas de aço. Entre uma música e outra, ele defendia as ideias de seus pais, que morreram quando ele tinha 8 anos e lhe deixaram sozinho, com seus tios, que eram o oposto do que eles tinham sido. Voltava a tocar. Ficou o dia inteiro assim, não parava de tocar, de cantar, de divulgar suas ideias.

Ao fim do dia, sem muitos por perto, ele parou. Olhou ao redor. Havia umas 10 pessoas num canto da praça, observando. E ele perguntou:

– Vocês concordam comigo?

– É claro. Vamos te ajudar a mudar esse mundo.

– E como faremos isso?

– Vamos cantar. Vamos tocar. Vamos dizer de nossas verdades para o mundo inteiro ouvir.

– E por onde começamos?

– Entre naquele carro. Você vai morar com a gente num lugar legal, cheio de flores, e vamos visitar pessoas e conversar com elas, e nos juntar. Vamos falar com políticos, vamos pedir proteção para a natureza. Lá todo mundo economiza água, se preocupa com o meio ambiente e pesquisa novas fórmulas de desenvolver o consumo consciente. Lá suas ideias farão mais sentido.

– Ótimo. Vamos lá.

Sem medo de deixar nada para trás, Norberto foi. Levou o violão, que Lerry concordou em lhe dar de presente. Não deixou recados, nem mensagens a ninguém. Entrou no furgão, certo que dali para frente, tudo daria certo. Confiava naqueles que ficaram tanto tempo lhe dedicando a atenção e estava curioso para conhecer aquele lugar em que suas ideias e suas lutas fariam mais sentido.

Correu. Ficou tão empolgado com as ideias novas que lhe surgiam na mente que nem reparou no letreiro do furgão em que acabara de entrar.

“Sanatório Estadual de Moon City”.

A BUCHA DO PÃO DURO

Gincana da PJ, coisa criativa da vida que dá a maior saudadona. O objetivo era arrecadar produtos de higiene pessoal para doar aos moradores da Vila Rosina, um dos bairros mais pobres de Caieiras, onde também iríamos celebrar a “Semana da Cidadania”, comemoração comum nos calendários de eventos pejoteiros. Éramos mais ou menos 30 jovens, divididos em grupos que tinham letras por nome. Feliz ou infelizmente, alguns dos membros do meu grupo foram embora, o que nos deixou apenas com quatro pessoas [o menor grupo]. Cada grupo deveria recolher entre as casas da região (Rua Guadalajara, Av. Presidente Kennedi, Av. dos Estudantes, Av. Profº Carvalho Pinto e arredores) o maior número possível de produtos de higiene pessoal e, ao fim de uma hora, somar os pontos para cada produto. Saímos.

Passamos em uma, duas, três, quatro, cinco casas e nada. Eu, Russa [nome de nascimento: Daniela], Binho [nome de nascimento: Robson] e um outro garoto da Vila Rosina, que infelizmente não lembro o nome nem o apelido, explicávamos às pessoas quem éramos, o que estávamos fazendo, para quê, e como, mas as pessoas do centro de Caieiras têm coração duro, eu acho. Enfim, a história é a da bucha do pão duro, então, não nos alonguemos mais nisso.

Na sétima casa, um senhor lavava a varanda. Eu fui falar com ele primeiro:

– Boa tarde, tudo bem com o senhor?

– Tudo.

– Então, nós somos da Pastoral da Juventude e estamos arrecadando…

– Fala rápido mocinha, que eu tô ocupado…

– Ah ta – interrompeu a Russa – então, nós estamos arrecadando produtos de higiene pessoal para doar pro pessoal da Vila Rosina, o senhor pode nos ajudar com …

– Olha aqui minha querida, eu não fiz compra essa semana e não tenho nada aqui em casa agora pra dar pra vocês, então, por favor…

– Então meu senhor, nós só estamos recolhendo produtos de higiene pessoal para as pessoas carentes da Vila Rosina, e queremos saber se o senhor pode ajudar com uma esponja de banho, um sabonete, escova de dentes ou qualquer coisa que não vá lhe fazer falta – interrompi eu antes que ele conseguisse respirar.

– Ta… serve uma bucha? É tudo o que eu tenho!

– Bucha de banho, claro que serve! Que Deus te abençoe.

– Vou buscar, aí vocês vão embora ta?

– Ok. – Agora foi a vez do Binho de responder.

Lá entrou o senhor carrancudo. A nossa surpresa por aquele velho ranzinza ter um pouco de coração e doar alguma coisa não foi maior do que a nossa surpresa quando ele voltou, com a bucha na mão.

– Ta aqui. Agora vão embora.

– Valeu hein? Deus te abençoe!

Mal podíamos acreditar no que tínhamos nas mãos. Era sim uma bucha, mas não era de banho, era de lavar louça. O pior: estava usada, porém seca, e não tinha nem um pacotinho pra disfarçar. Meu Deus do céu! O que era aquilo. Ficamos tão indignados que, para cumprir com todas as tarefas do grupo, demos ao nosso o nome de “A Bucha do Pão Duro” e fizemos desse veínho safado o nosso grito de guerra.

“A gente se matou!

Eu juro!

Eu juro!

Eu juro!

Mas só o que conseguimos,

Foi A BUCHA DO PÃO DURO!!!”

Mas como tudo para a galera da PJ vira motivo de festa, pintamos a tal bucha, fazendo uns desenhos com caneta vermelha e a nossa assinatura, e a cortamos em 4 partes iguais. Aqueles pedaços de bucha viraram chaveiros de mochila e nos acompanharam, como pedaços da nossa história.

Valeu velhinho rabugento. Vou lembrar com carinho de você, pra sempre!

"Hoje nasce o meu filho…" SKANKarados! *-*

Nada melhor que usar uma música do SKANK pra avisar pra Deus e o mundo que hoje, 05/11/2008, nasce o Fã-Clube Skankarados!

Essa é uma história de muito amor, carinho, dedicação e acima de tudo: agradecimento.

Agradecimento de cinco loucos por Skank, que têm em comum a trilha sonora de suas vidas e a felicidade maluca de ser fãs de verdade da melhor banda desse país.

E é para agradecer às suas letras, melodias, ritmos, sonoridades, inovações e agora mais do que nunca, carinho com os fãs, que damos ao Skank esta nossa ‘prova de amor Skankarada’.

Enquanto o nosso site não fica pronto, eu recomendo que você comece a conhecer e participar dessa história, acompanhando o nosso blog: http://www.skankarados.wordpress.com

Abraços e beijos Skankarados a todos!