Resenha – This Song Will Save Your Life

ThisSongWillSaveYourLife

Sabe aquele momento em que você vê a capa de um livro e simplesmente decide que você precisa comprá-lo? Foi essa a reação que tive ao ver a capa acima. Essa foi a primeira vez que comprei um livro pela capa na vida. Não li a orelha,  não li as referências de grandes jornais e revistas à autora, não li nada. A capa me ganhou. O nome também. Não dava pra não trazer.  Comprei.

E não me arrependi. A história de Elise Dembowski me conquistou por completo. Ela é só uma adolescente que tenta fazer amigos sem sucesso, como quase todo adolescente já pensou ser um dia. Ela faz um esforço tremendo para tentar se encaixar num universo que não é dela, vestindo as roupas que os outros acham legais, usando os sapatos que estão na moda, a mochila mais bacana, o penteado mais “cool”. Mas se tem uma coisa da qual ela não conseguiu abrir mão foi da música: ela sempre levou música muito a sério, e não conseguia se deixar levar pelas bandas da atualidade. Ela gostava do The Cure  (A letter to Elise é responsável por seu nome), do Smiths, do Bruce Springsteen e não conseguia levar à sério o que a galera ouvia. E essa identificação também me ganhou desde o primeiro capítulo.

Elise percebe que é muito diferente de todo o resto de sua turma e que não consegue se adaptar. Parece decidir que vai ser sempre sozinha para o resto da vida, que não há sentido em continuar tudo aquilo, que ninguém vai sentir sua falta nessa vida mesmo… Mas toda sua solidão e desespero mudam quando, em uma caminhada noturna com seu iPod como companhia, ela conhece Vicky, Pippa e uma balada chamada “Start”. É ali que ela faz seus primeiros melhores amigos, conhece muitas músicas incríveis, entende o que é o primeiro amor com o DJ residente Char e, claro, se apaixona pela oportunidade de ser uma DJ.

As emoções da história variam entre as memórias da Elise do colégio, quase sem amigos, com tendências suicidas e problemas para conversar e a Elise da Start: uma das melhores DJs da cidade, amiga das pessoas mais legais e com um senso fora do comum para “ler uma multidão” e saber o que eles querem ouvir, o que querem dançar, o que querem que você toque. É o tipo de livro que apaixonados por música, aspirantes a DJ e adolescentes em geral precisam ler. E todo mundo que não se encaixar em nenhum desses pré requisitos, mas que simplesmente quiser ter uma boa leitura também.

This Song Will Save Your Life
Autor: 
Leila Sales
Editora:  FSG
Ano: 
2013
Páginas: 
276
Nota: 
9

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Resenha – Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina

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Se você não sabe absolutamente nada a respeito da esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Santa Luzia, Belo Horizonte, amigo, existe uma falha gigante em sua formação musical, principalmente no que diz respeito à música de qualidade, feita aqui no Brasil, nos anos 70.
Felizmente para preencher esse buraco existem as memórias de Márcio Borges, um dos participantes mais ativos do movimento musical mineiro que ficou conhecido como “Clube da Esquina” e que fez diferença no Brasil setentista.
Márcio foi o primeiro parceiro de composições de Milton Nascimento. O primeiro a perceber que aquela voz, aquele jeito de tocar violão, aquele sentimento não era coisa banal, que qualquer um podia fazer. E foi o primeiro a insistir com o amigo que seria famoso, mas que era só o Bituca naqueles tempos, que ele deveria se enveredar pelo caminho da música, porque ser datilógrafo (escrevente!) não era o caminho certo pra ele.
Essa talvez seja uma das mais importantes menções a se fazer ao livro. Não é escrito por alguém que pesquisou a história, tão pouco pela ótica do protagonista: Márcio estava lá, como ator principal, como coadjuvante, participante ativo de todas as influências e dos momentos que fizeram a história acontecer. Ele viu o roteiro ser escrito, deu seus pitacos, ajudou, moldou. Ele estava lá quando seu irmão, Lô Borges, cresceu e virou parceiro musical do melhor amigo, estava lá quando Bituca decidiu fazer música, incentivou essa decisão depois de 3 sessões seguidas do filme “Jules at Jim”, teve uma pontadinha de ciúme quando Milton começou a descobrir outros parceiros musicais como Fernando Brant e Ronaldo Bastos. Mas acima de tudo: além de ver a história acontecer na frente de seus olhos, Márcio teve a sensibilidade de colocar tudo isso no papel, em uma ordem que não é cronológica nem assimétrica: é a ordem em que as lembranças e as conversas vinham à mente. A ordem que o coração do mineiro quis que fosse.
Os sonhos não envelhecem mesmo, afinal. Apesar de essa história ser antiga, sempre haverá novos clubes nas esquinas e calçadas, sempre haverá amigos do original clube, sempre haverá memória. Que o clube da esquina de Santa Luzia fique com cada novo leitor, como ficou comigo.

Resenha – Porno Política

Ninguém precisa falar da genialidade de Arnaldo Jabor, principalmente quando o cara fala de política. Em Porno Política ele dá mais mostras de sua elegância na escrita, de seu entendimento do tema e mais que tudo, da coragem de ser alguém que não tem papas na língua para falar de quem quer que seja, custe o que custar.

Jabor já foi comunista, já foi esquerdista, já foi de direita e acredito que hoje prefira mesmo não demonstrar nenhuma expressão partidária, justamente por estar enojado dessa sujeira toda. Em Porno Política, fala  envergonhado, estarrecido, puto da vida, inconformado, indignado e muito mesmo decepcionado com a nossa política, a nossa televisão e a nossa falta de vergonha na cara brasileira por ela só.

Em páginas que misturam experiências pessoais com crônicas extraídas de sua genialidade felina, ele fala de tudo e dita uma nova ordem, que não será seguida, porque brasileiro não tem mesmo vergonha na cara e é um povo que esquece fácil, é muito carente e acima de tudo, sempre tenta dar seu jeitinho.

Jabor é do tipo que eu quero ser quando crescer. Por sua critica viva, cheia de emoção e de verdades, por sua determinação e por sua personalidade marcante. Esse exemplar de sua crítica não é representativo, mas é uma leitura interessante para todos aqueles que assim como o autor não aguentam mais.

Porno Política
Autor: 
Arnaldo Jabor
Editora: Objetiva
Ano:
2006
Páginas: 
236
Nota:
9

Resenha – O carteiro e o poeta

Eu sempre ouvi falarem bem desse livro, mas nunca tinha entendido muito o porquê. Aí peguei pra ler. O livro conta a história do jovem Mario, morador de uma vila interiorana do Chile que se faz carteiro pressionado pelo pai a arrumar um emprego. Logo, Mario descobre que teria de atender apenas um cliente, e este era nada mais nada menos que o poeta Pablo Neruda. Pobre, com pouca cultura e muita curiosidade, Mario começa a se aventurar nas histórias do poeta com base num velho livro que seu pai tinha em casa na esperança de fazer com que algum dia, de alguma forma, o famoso o autografasse.

A história começa a ficar interessante quando Mario e Pablo se tornam amigos, inexplicavelmente, e o poeta começa a ajudar o carteiro a lidar com sua paixão desenfreada por Beatriz, uma menina que trabalhava com a mãe numa espécie de bar da região. A história dos dois se mescla de uma forma confusa e original e o amor e consideração de um pelo outro dura até o dia da morte do poeta.

É um livro curto e direto, que fala da importância da amizade. E merece muito ser lido.

O carteiro e o poeta
Autor:
Antônio Skármeta
Editora:  Record
Ano:
1985
Páginas:
127
Nota:
8,5

 

Resenha: 50 anos a mil e o dia em que Lobão me fez mudar de ideia

Eu sempre achei o Lobão um porre. Um idiota, porra louca, convencido, cheio de moral que pouco fazia e falava pra caramba. Sempre o vi como o cara que fala mal de todo mundo, que odeia o universo e que se acha o fodelão. Pois bem, quando vi sua biografia à venda precisei que esse seria o livro que eu usaria para confirmar minha tese de quão idiota poderia ser o músico. E decidi que leria o livro para anotar cada ato escroto dele e justificá-lo como mais um para colaborar com as razões que eu já considerava suficientes para não gostar do cara. Peguei o livro com o Igor, comecei a ler e me ferrei. Tudo o que eu pensava estava errado. Bem errado, na verdade. 

O leitor desavisado pode pensar “É claro! Foi ele que escreveu o livro, é óbvio que ele vai se deixar parecer o rei da cocada preta e se sair como herói”. Não amigo, não. Por mais convencido que ele possa parecer ao longo do relato de seus 50 bem vividos anos de vida, Lobão não deixa dúvida: sempre que há um feito seu quase inacreditável, é possível ler no final do capítulo um resumo do que os jornais diziam na época sobre os mesmos acontecimentos.

Lobão e o co-autor Claudio Tognoli descrevem, sob o ponto de vista de Lobão, a vida, os amores, os desamores e problemas e os fatos mais importantes desses 50 anos do cantor. O primeiro envolvimento com a música, quando ganhou uma bateria, a vontade de tocar samba, a paixão pelo futebol e sua total falta de jeito para a coisa, a família perfeita que se destruiu pouco mais que vinte anos depois do casamento dos sonhos, a relação conturbada com o pai e com a mãe, e a proteção que queria oferecer à irmã, o começo da carreira com Ritchie e Lulu Santos no Vinama, as primeiras paixões, a gravação do primeiro álbum solo (presente de um grande amigo de infância) e a Blitz, bem como a descrição detalhada do golpe que deu na banda e de como ele se sentiu um bosta depois, os problemas (e não problemas) com drogas, a saúde, as tentativas de suicídio, as comemorações, vitórias e derrotas e, com uma riqueza de detalhes incrível, sua guerra contra as gravadoras, apenas para defender seus direitos.

Essa foi uma das partes que mais me tocou do livro. O Lobão acreditou no sonho dele. E correu atrás, feito um doido. Brigou com Deus e o mundo para garantir que a venda de CDs fosse honesta para a gravadora e para o cantor e conseguiu, a muito custo, fazer valer a lei de numeração de CDs. Brigou com gravadoras, ficou anos longe da mídia mas conseguiu lançar álbuns independentes, criar seu próprio Selo, criar uma revista de música com um dos conteúdos mais inteligentes que já li (A OutraCoisa, que eu conheci graças ao Cascadura e que acompanhei até perder de vista), fazer shows levando apenas com um violão debaixo do braço, fazer da esposa sua empresária e continuar lutando, sem trégua, para garantir justiça para os seus e para os que amou.

Mas nem tudo são flores. Lobão foi um pouco exagerado, um pouco descabido, um pouco língua-solta, um pouco destemido e até um pouco arrogante em vários momentos, mas ele tem seus méritos para tal. Sua história com Cazuza não bate com a história contada pela mãe do moço no livro “Só as mães são felizes” em que nem se quer me lembro de ter lido mais que três ou quatro citações a ele. Lobão se justifica, dizendo que Lucinha era um amor, mas o que conheceu do filho (retratado no livro e no filme) não foi nem metade do que ele viveu. Suas acusações de plágio a Herbert Vianna criam outro ponto polêmico no livro, e é preciso ver os dois lados da história, mas vou procurar os álbuns para ouvir com atenção. Mais que qualquer coisa, é uma leitura tão recomendada como necessária àqueles que têm sede por conhecer um pouco da história da nossa música, pois Lobão a viveu e pode contar muito bem. Hoje tenho cada vez mais vontade de conhecer os trabalhos de Lobão, e recuperar o tempo perdido do meu ódio gratuito ao rapaz.

50 anos a mil
Autor: 
Lobão / Claudio Tognolli
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2010
Páginas: 591
Site: http://www.lobao.com.br 
Nota: 9

Resenha: O Mundo de Sofia

Tá bom vá. Eu sei que todas as pessoas que quiseram ler esse livro tinham 15 anos quando o fizeram. Mas eu quis desde os 15 e só consegui agora, ok? E daí? Vai encarar? Hein?

Todas as vezes que eu via alguém falando do “O Mundo de Sofia” eu tinha vontade de ler o livro. O nome já traz em si um quê de curiosidade. A primeira pergunta que me vinha à cabeça era quem era a tal da Sofia e porque ela tinha um mundo tão seu. Matar essa curiosidade leva quase até o final do livro. Sofia é uma moradora de uma pequena cidadezinha da Noruega prestes a completar 15 anos. Leva uma vida “quase normal” , mora com sua mãe, seu pai está sempre viajando a trabalho, estuda, tem animais de estimação… é uma garota feliz. Porém, alguns dias antes de seu aniversário chegar ela recebe uma carta de um filósofo. Uma carta que mudaria sua forma de ver o mundo. E seu mundo também.

As coisas começam a mudar de acordo com a frequência no recebimento das cartas de com apostilas de filosofia e de bilhetes, endereçados à Hilde, uma garota que ela não conhece, mas que faz aniversário no mesmo dia que ela e para quem ela deveria entregar os bilhetes. As aulas ensinam Sofia a entender a filosofia de acordo com passagens de sua própria vida, da vida de seu misterioso professor de filosofia e da vida de Hilde, a garota misteriosa que tanto se assemelha a ela própria. Nessa confusão, Sofia começa a entender a base da filosofia mundial, dos pré-socráticos à Sartre. A leitura se torna um pouco confusa e massante na metade do livro, quando os segredos começam a ser revelados e o livro termina de repente, deixando o leitor com a pulga atrás da orelha.

O Mundo de Sofia (Sophie´s World)

Autor: Jostein Gaarder (Tradução de João Azenha Jr.)

Gênero: Bibliografia

Número de páginas: 547

Editora: Cia. das Letras

País de Origem: Noruega

Nota: 8

The Beatles – 50 anos depois: algumas descobertas e uma ótima leitura

 Você, Beatlemaníaco que acompanha esse blog só porque de vez em nunca em falo sobre eles, alegre seu coração: acabo de ganhar de aniversário (sim, completei 23 aninhos no último dia 12/4. Parabéns pra mim!) o livro The Beatles – 50 anos depois. O presente veio da room mate Carol, a leitura é envolvente e incrível, o livro é pequeno (para aqueles que não curtem muito ler) e ainda dá para descobrir vários segredinhos da vida e obra dos Fab Four.

O jornalista Bento Ferraz resume no livro os anos da beatlemania, falando brevemente onde e quando tudo começou, como cada beatle se tornou um beatle, os primeiros shows, a escolha do nome da banda e os desafios antes de alcançar o sucesso. Em seguida, relata com detalhes valiosos os anos da beatlemania, como cada beatle reagia a loucura das fãs, as composições de Lennon e McCartney e suas reuniões para compor, as músicas do George e sua genialidade harmônica e a necessidade que todos eles tinham da presença inspiradora e conciliatória do baterista Ringo Starr, talvez o principal responsavel pelos quase 10 anos de carreira dos Beatles terem durado tanto tempo.

Ferraz conta também como os Beatles se viraram um sem o outro, as brigas, a criação e quase falência da Apple Corps, os golpes dos quais os fab four foram vítimas e as razões para o fim da maior banda de todos os tempos, assim como os trabalhos dos quatro beatles após o fim da banda, a morte de John, a recuperação de Paul e sua carreira solo, os discos e sucessos de Ringo Starr e George Harrisson, bem como sua doença e morte e as esposas de Lennon (Yoko Ono) e McCartney (Linda Eastman) e a influência que essas duas mulheres tão diferentes uma da outra exerceram sobre a vida e obra de uma das mais incríveis duplas de todos os tempos.

O livro pode ser devorado em poucas horas, dá pra ler em um dia. É uma leitura divertida para aqueles que estão conhecendo as músicas e canções dos Beatles e querem saber mais sobre sua história ou para aqueles que já foram há muito conquistados pela Beatlemania, mas querem mais. Ao final do livro, Ferraz lista a discografia dos meninos, incluindo os Eps e a biografia utilizada, fonte de informação valiosa para aqueles que desejam mergulhar ainda mais fundo na história dos fab four.

The Beatles – 50 anos depois

Autor: Bento Ferraz

Gênero: Bibliografia

Número de páginas: 127

Edição: 01/2008

País de Origem: Brasil

Nota: 10