Resenha: Pitanga traz Mallu cada vez mais segura de si

A pitanga é o fruto da pitangueira, ou Eugenia uniflora, pode ser vermelha, amarela ou preta, depende do grau de maturação, que também influencia em seu sabor. Etimologicamente, “Pitanga” quer dizer “vermelho”. Pitanga também é uma fruta rara, não é vendida em mercados porque estraga facilmente, o que faz com que a iguaria seja ainda mais rara. É no sentido de raridade, de qualidade e de beleza que Pitanga, o novo álbum de Mallu Magalhães aparece no mercado nacional, em meio a coloridos, pré-fabricados e criações de produtores.

Mallu consegue incluir em seu terceiro trabalho toda a emoção desse seu momento de vida. A cantora, que acabou de completar 19 anos, surge mais experiente, mais viva e mais feliz nas 12 faixas do novo álbum, que mistura bossa, samba, pop e rock com muitas experimentações.

Já na primeira canção, Mallu solta o verbo: “Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho / Que hoje eu passei batom vermelho…  / Eu tenho tido a alegria como dom / Em cada canto eu vejo o lado bom!”, declarando sua independência na nova fase. Cena é um sambinha com brincadeiras da cantora, com a base no violão. Sambinha Bom e Olha só, moreno são coisa de gente apaixonada. E ela está! Marcelo Camelo, o namorado-produtor-apoio e back vocal aparece sutilmente em trechos do CD, não só nas declarações musicais que não precisam citar nome pra se saber pra quem são, mais na cara mais brasileira que Mallu assumiu, a inserção de metais em algumas músicas, talvez uma herança dos Los Hermanos, talvez um toque de Camelo, e até nas referências musicais da cantora, que cada vez abandona mais o inglês para cantar em português.

Em Youhuhu, Mallu toca piano e canta suavemente, mesclando o português com o inglês como um medley bonitinho, que lembra, bem de leve, um dos primeiros sucessos da cantora, J1. Por que você faz assim comigo? é quase uma declaração de mágoa, um choro, mas tão belo que dói nos versinhos “Talvez eu seja pequena / Lhe cause tanto problema / Que já não lhe cabe me cuidar / Talvez eu deva ser forte / Pedir ao mar por mais sorte / E aprender a navegar”.

Para quebrar o clima, Baby I´m Sure lembra um pouco o clima despojado de Mallu nos dois primeiros discos, com assovios, palmas e sons improvizados, assim como Lonely. Uma surpresa é In The Morning, música digna de ser inserida numa caixinha de música, daquelas com bailarinas dançado.

Em Highly Sensitive, revemos a Mallu de músicas como Town of Rock´n´Roll e O Herói, o marginal. Ô, Ana é outro sambinha, esse com uma história de uma paixão que pode até ser em homenagem à irmã da cantora. Cais encerra o disco de forma melódica, mas decepciona por ser muito curta.

O álbum inteiro é desde o começo uma declaração de que a cantora que surgiu na Internet não é um sucesso passageiro e que tem talento de sobra para muitos e muitos álbuns. De cara limpa, sem medo e segura de si, Mallu está entre as melhores descobertas brasileiras e prova que veio pra ficar. E só os chatonildos de plantão ainda não viram isso.

Pitanga – Mallu Magalhães
Gravadora: Sony Music
País de Origem: Brasil
Preço: de R$ 25  a R$30
Nota: 9

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Acho que todo o universo sabe que eu adoro a Mallu Magalhães, por seu talento, voz, capacidade, precocidade e milhares de outras coisas. O certo é que a garota conquistou meus ouvidos desde a primeira audição, ainda na época do MySpace, e eu ainda não havia ido a nenhum de seus shows, ou por falta de tempo, ou por falta de grana, ou por falta de sorte, ou por falta de proximidade com o lugar do show. Aí, me aparece na semana passada o João de Deus (um amigo meu da rede social do banco!) anunciando um show em que a menina cantaria músicas do terceiro CD, e que aconteceria em Presidente Prudente, no domingo. Fiquei louca com a injustiça do mundo até que na segunda-feira, logo após ler os breves comentários do João sobre o espetáculo que assistiu junto à mulher e filha, eu leio no Twitter o seguinte anúncio:

Amanhã tem show da Mallu no Bourbon Street. Envie seu nome e RG para a lista amiga e ganhe 30% de desconto na entrada: listamallu@gmail.com

Era demais pra mim. Não pensei duas vezes e mandei o e-mail, respondido rapidamente pela equipe do Twitter @versinhos_mallu. Eu tava na lista. Liguei pro @gustavo_noidea na hora do almoço e ele topou ir também. Tava feito!

No dia seguinte, às 22h40 (tá, atrasou um pouco, mas valeu a pena) estava eu num bar muito bonito e intimista, sentada numa mesa quase na frente do palco e ela entrou. A platéia era surpreendente: formada por pessoas de todas as idades, com mais casais e velhinhos sentados perto do palco. Senhores com cara de admiradores da bossa paulista aguardavam tão ansiosos quanto adolescentes de blusinhas xadrez. A garota arrumou o microfone e disse:  “Boa noite pessoal. Eu sou a Mallu Magalhães e vou cantar algumas músicas pra vocês hoje. Obrigada pela presença de todos e eu espero que vocês gostem”. Depois, cantou a primeira música de divulgação do seu terceiro álbum, uma canção maravilhosa. Por vezes ela apresentava as canções que ia tocar, como num dos momentos em que eu tive que me controlar muito para não gritar: “Agora eu vou cantar uma música de um cara que é referência pra mim, na verdade, ele é referência pra todo mundo, porque não dá pra não gostar. Vou cantar uma música do Paul McCartney”. Em seguida, começou a cantar Junk, uma baladinha super leve que eu não lembrava o nome na hora que ela tocou, mas que ficou incrível na voz da garota.

Aí ela cantou Tchubaruba, a primeira música própria que virou single e que ficou registrada na terceira faixa do primeiro álbum, cantou A Rita, do Chico Buarque, cantou Shine Yellow, sucesso do segundo álbum. No meio da apresentação, disse: “Agora eu vou cantar uma outra música de minha autoria, que é bem bonitinha. Eu acho ela muito legal, então, espero que vocês também gostem”. Aí a menina me começa a cantar em francês! Procurei registros sobre isso e achei no site dela uma menção sobre uma música que se chama “Il va partir” que eu infelizmente não conhecia, que espero que seja essa linda que ela cantou e que acredito que fará parte do terceiro álbum. Depois, anunciou que gostaria de aproveitar o ambiente intimista para cantar uma música que fazia quase dois anos que ela não tocava em nenhum show, mas que ela adorava… era Noil, onde os agudos ferozes que inacreditavelmente saem daquela garganta puderam finalmente se manifestar, com todo o seu poder de fogo. A platéia aplaudia encantada… não poderia ser diferente. Além dessas, o show teve espaço para Ricardo, Soul Mate, Compromisso, Nem Fé Nem Santo e Make it Easy, mesclando músicas do primeiro álbum com a maioria do segundo. O terceiro disco também teve espaço quando ela cantou um samba que não disse o nome, mas o refrão fica grudado na cabeça: “Pra onde você for, me leva… se eu não for, me carrega… por onde ele for, me levará… se eu não for, me carregará…”. No meio do show, apresentou a competente banda e agradeceu a presença de todos. Disse que faz seu trabalho com muita dedicação e fica comovida com a dedicação do público em estar presente naquela casa de shows, naquela data, para ver a sua apresentação. Uma simpatia.

Já no final da apresentação, comentou: “Gente, agora eu vou cantar a última música do show!” ao que a platéia respondeu com um grande “aaaaaaaaahhhh!”. A menina não perdeu tempo e respondeu. “Bom, na verdade, nós temos um bis ensaiado, são mais três músicas, mas aí a gente saí, vocês pedem bis e a gente volta… eu espero que vocês queiram que a gente volte porque, poxa, são mais três músicas, então, pensem nisso…”. Arrancando risos da galera encantada, ela cantou, saiu do palco dando tchauzinho com as mãos tímidas e, depois de menos de um minuto e com muitos “Mais um, mais um” / “Biiis, biiis, biiiisss” e “Mallu, cadê você, eu vim aqui só pra te ver!” voltou para encerrar o show com as suas três prometidas músicas, entre elas a quase country Don´t You Look Back, que garantiu o ânimo da galera no final do espetáculo, de onde ela saiu aplaudida, de pé.

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Depois do espetáculo, a tietagem né? Vocês acham mesmo q eu ia perder a oportunidade de falar com ela? Vi algumas pessoas subindo no palco e entrando no que seria a porta de acesso ao camarim. Lá fomos Gustavo e eu pra tentar falar com a nossa celebridade mirim. Da porta do camarim dava pra ver a intimidade e a alegria com que ela falava com as pessoas que estavam lá dentro, o que nos fez sentir um pouco intrusos, já que nunca haviamos falado com a moça. Mas, nada disso: ela foi uma simpatia, conversou com a gente como se fosse nossa amiga há anos, falou do show, ficou feliz por termos gostado, falou de suas influências, me deu um autógrafo, abraçou e tirou foto! Uma gracinha. Abaixo, veja os registros da cena:

Uma nova paixão musical – Dá-lhe Mallu Magalhães

Mallu Magalhães. É o nome da menina que inspira os meus momentos, nos últimos dias. Até escrevi em minha coluna no Mundo Rock sobre as músicas da mocinha {Leia aqui}. É que as músicas dela simplesmente me apaixonaram. É um folk como a muito não se via, uma garota que está aí simplesmente para revolucionar. Inspirada em Elvis, Beatles Chuck Berry, Rita Lee e Caetano Veloso (pra não citar as muitas outras influências de peso) essa garotinha promete. E a Rakky aprova! Dá-lhe Mallu!

Dez Razões pra Ouvir – Mallu Magalhães

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Ela é a mais nova sensação do rock nacional. Tem apenas 15 aninhos, várias composições próprias, toca e canta e é quase tudo em inglês. Nunca ouviu falar dela? Quer saber mais sobre a vida e obra da pequena? Dez Razões pra Ouvir!

01 – Começando cedo – Pois é. Ter 15 anos e já ser reconhecida em todo o país não é mole. Pra isso, Maria Luisa de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, ou só Mallu Magalhães, teve que começar bem cedo. Ganhou seu primeiro violão aos 8 anos de idade e daí pra frente começou a tentar imitar os movimento do seu maior exemplo na vida…

02- Inspiração paterna – Claro! Papai é tudo! Foi ao som de “Leãozinho” de Caetano Veloso que a paixão musical da garota surgiu. Logo entrou nas aulas de flauta do colégio, indicadas pelo pai, coisa que ela odiava. Ela não conseguia entender e acompanhar as bolinhas pintadas nas partituras. Ela preferia tocar do seu próprio jeito, por isso, desde cedo resolveu ser autodidata. E conseguiu se sair muito bem.

03 – Influências – A menina é muito mais avançada do que parece. Já disse em várias entrevistas que “nasceu na época errada” e que “queria tocar com os Mutantes”. Pois é, Mallu tem o Tropicalismo como uma de suas influências, curte Bossa Nova, João Gilberto, Caetano Veloso, Cazuza, Los Hermanos, Rita Lee, Elis Regina e Vanguard. De fora do país, a garota cita Dylan, Elvis, Chuck Berry, Johnny Cash e a “melodia mediocre” dos Beatles. Calma, ela ama os meninos de Liverpool. Só os define assim porque ama a simplicidade que encontra neles, e acredita muito neste tipo de melodia. Lindinha né?

04 – Estilo Próprio – Quando alguém lhe pergunta que tipo de som ela faz, ela responde sem pestanejar: “Folkabilly” ou “Folk´n´Roll”. Não, você não leu errado, é assim que ela mesma define o som que faz. É que ela não quis se limitar a escolher um estilo musical para se definir, e correr o risco de não poder tocar algo que gosta, por não se enquadrar no estilo que ela adotou. E é essa “liberdade” como ela mesma chama, que lhe faz criar o próprio som, tal como o próprio estilo.

05 – É puro feeling! – Nada de suas músicas tem inspiração auxiliada pela teoria musical que aprendeu nas aulas de violão que começou aos 11 anos. Ela também não imita algo ou alguém. Ela sente, cria e toca. A teoria só a ajudou a aprender a tocar de ouvido, mas o resto, “sai tudo naturalmente”.

06 – Compondo em inglês – Ela não domina o idioma, mas usa o que sabe para escrever, pra fazer a sua música. É uma defesa para ela. E com estilo, a garota se defende: “Se você canta em inglês, a pessoa não entende na hora”. É uma forma de mostrar o que se está sentindo, sem se expor. Espertinha a garotinha não?

07 – Tchubaruba – Um sentimento. A única música que Mallu não fez pra ninguém retrata para ela a alegria. E é uma música pra todos, e pra ela mesma. Ela queria representar um sentimento bom, uma felicidade particular. Queria uma palavra fácil de entender. E ela conjuga o verbo pra dizer pra todo mundo sair “Tchubarubando” por aí.

08 – Fama e Estudos – Sim, ela estuda. E vai terminar os estudos sim. Não gosta muito da idéia, mas já que o seu pai paga, ela vê como obrigação continuar e dar o melhor de si. Depois da “fama inesperada” a garota mudou de escola, e foi para uma que não lhe tomasse tanto tempo. Afinal, ela quer continuar escrevendo, desenhando e fazendo as tarefas de casa nos intervalos entre ser a simples “Maria Luisa” e a cantora “Mallu”.

09 – Para o futuro – Ela não sabe ainda se quer mesmo ser cantora pra sempre. Pensa em cursar design gráfico na USP, e tem toda a moral pra isso! Curte a pop-art e fala em Hélio Oiticica, entre outros magos da arte. Realmente a garota sabe o que quer!

10 – Primeiro CD chegando – A garotinha pensa grande! Já está se preparando pra gravar o primeiro CD. A mocinha que já tem 25 composições próprias planeja gravar durantes as férias para não atrapalhar os estudos. Conciliar os shows com a escola não será fácil, mas uma menina que já tem tanto futuro com certeza vai se dar bem! Aguardemos!

E aí, tá curioso pra conhecer o “folkabilly” da pequena Mallu? É só entrar no MySpace da menina (www.myspace.com/mallumagalhaes) e conferir! E claro, se apaixonar também!

Publicado originalmente no site MundoRock.net em maio de 2008