Conheça o Pomplamoose a razão pela qual viver de música não é mais a mesma coisa

Pomplamoose

Você talvez nunca tenha visto a cara desses dois e nem faça ideia de quem são Jack Conte Nataly Dawn. Acontece que esses caras aí da foto têm mais de 140 mil fãs no Facebook, produzem vídeos com covers e músicas próprias para seu canal no YouTube há mais de 5 anos e finalizaram, em Dezembro do ano passado, uma turnê que passou por 23 cidades dos Estados Unidos e arrastou milhares de fãs com eles. Tudo isso sendo uma banda independente de indie-rock, com algumas canções próprias, algum dinheiro economizado e a cara e a coragem.

O exemplo do Pomplamoose foi compartilhado pelo Jack em um blog, junto com as despesas e receitas de seus 28 dias junto com Nataly na turnê. Entre despesas de transporte, hospedagem, alimentação, divulgação da turnê, contratação de músicos de apoio e todos os percalços pelos quais uma banda passa para divulgar seus shows, eles gastaram U$S 147.802 dólares. A venda dos ingressos e de material promocional (CDs, camisetas, bonés e pôsteres), rendeu U$S 135.983. A banda saiu no prejuízo. Mas não vai parar.

E é aqui que mora a mensagem. Jack Conte fez questão de publicar todos os gastos e rendas da turnê de sua banda para dizer que o Pomplamoose não realizou nada, não venceu nada, não fez nada de especial e diferente: eles são apenas parte de um movimento. Nas palavras do próprio Jack: 

Nós estamos entrando em uma nova era da história: o espaço entre “artistas que morrem de fome” e “ricos e famosos” está começando a ruir. O YouTube está associando milhares de parceiros, pessoas que concordam em colocar anúncios em seus vídeos pra fazer dinheiro com seu conteúdo. A “classe criativa” não é mais a classe emergente: está aqui, agora.

Pomplamoose não quer as capas de revistas nem os programas de auditório. A banda quer apenas levar sua música para seus fãs e viver de música. Para isso, eles sabem que têm que trabalhar duro (e trabalham) e estar perto de seus fãs, para que eles os recebam novamente quando eles voltarem. E esta primeira turnê é um grande exemplo sobre como viver de música pode ser possível, ainda que não seja fácil e ainda que o estrelato nunca chegue. A importância aqui está no fato de se fazer o que se gosta e conseguir viver disso. O Pomplamoose está pronto. A sua banda está?

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Meus Melhores Discos Internacionais de 2013

Conforme prometido ontem, a hora do dever me chama e hoje tá aí a minha lista de melhores discos internacionais do ano. Algumas escolhas óbvias, quando você me conhece um pouco. Outras, nem tanto. Bom, é isso aí que tá aí embaixo!

1.   New – Paul McCartney  

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Devo confessar que a minha expectativa para a chegada desse álbum foi imensa, desde o início das gravações até o dia do lançamento. Mas nada poderia me preparar para o que viria nas 12 (opa, 13!) músicas do disco. São quase 50 minutos em que você pensa coisas do tipo “Ah, isso é Beatles” “Mano, de onde ele tirou isso” “Gente, que incrível” “Ah, isso é do Wings ou é do solo?” e não chega a nenhuma conclusão óbvia. Tudo porque New é criativo, é inovador, é diferente de tudo o que Paul já fez na vida (e são mais de 50 anos de carreira). Enfim, é tudo muito NOVO e não havia nome mais coerente e mais necessário para esse álbum que New. Destaque mais que indispensável para vibrante “Queenie Eye”, para a emocionante (sério, chorei na primeira audição) “Early Days”, para a fofa “Alligator” e, bom, tem que ouvir mesmo pra escolher a favorita porque a tarefa não é das mais fáceis.

2.   Paramore – Paramore 

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Passar por duas perdas em seu elenco, encontrar a própria voz novamente e lançar um bom disco novo: um desafio pelo qual poucas bandas passam de maneira positiva. O Paramore passou por tudo isso e mostrou para o mundo em 2013 as razões de ser uma das bandas mais aclamadas do momento. Com um álbum homônimo cheio de hits e de canções emocionantes, a banda se posicionou com uma das mais competentes da atualidade. Hayley Williams assumiu de vez a liderança do trio, formado por ela, Jeremy Davis e Taylor York e colocou sua voz, sua criatividade e sua alma nas 17 faixas do trabalho. As indispensáveis são, é claro, “Still Into You” “Ain´t it Fun”, mas as ótimas “Now”, “Anklebiters” e a desesperadora “One of those (Crazy Girls)” precisam fazer parte do repertório de melhores músicas do ano.

3.   Random Access Memories – Daft Punk

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Sabe aquele momento em que você reconhece numa banda uma história que você precisa e que quer entender? Geralmente acontece quando alguém te apresenta uma banda nova com um álbum recente e que você fica tão vidrado naquele negócio que sabe que precisa ouvir tudo o que eles tiverem a oferecer. Então, foi essa a sensação que eu tive pós primeira audição do Random Access Memories: minha memória RAM (ah, ah, ah – virando os dedinhos! uhauhahu) precisava de um programinha pra rodar tudo o que eu tinha de informação sobre os franceses do Daft Punk no meu HD. E “Motherboard” estava lá pra me lembrar de mil passados, e “Instant Crush” pra me quebrar no meio, “Fragments of Time” pra me deixar sem palavras e a mais reproduzida de todas as canções de 2013 “Get Lucky” pra me fazer dançar sempre, como se não houvesse amanhã, a cada nova festa em que eu entrava e tocava. Com tudo isso posto, só dá pra dizer que esse é um álbum que vai marcar época. Aliás, já marcou, mas vai ser lembrado por muito tempo ainda como uma das melhores realizações dos anos 2010.   

4.    Like Clockwork –Queens of The Stone Age

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Fazia tempo, fazia muito tempo que Josh Homme não aparecia entre os destaques do ano. Só que aí o cara vai lá, quase morre e pimba! lança o …Like Clockwork, talvez um dos melhores discos da carreira do Queens of The Stone Age. Sombrio, frio, intimista, diferente de tudo o que você conhece da banda, e ainda assim um registro fatal do stone rock da banda, o disco já tem clássicas como “I Sat By The Ocean”, “I Appear Missing” e o primeiro single “My God Is The Sun” como sons que o mundo não vai esquecer.

5.    Adam Green & Binki Shapiro – Adam Green & Binki Shapiro

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Foi no começo do ano que Adam Green, um dos meus cantores favoritos por ser da incrível The Moldy Peaches apareceu, junto com uma das cantoras mais fofas que conheço, a Binki Shapiro, que era do Little Joy, num disco que de cara já tinha tudo para ser meu favorito do ano. E daí que ele não está em nenhuma lista que você já viu? E daí que “Just To Make Me Feel Good” é só uma baladinha indie fofolenta? E daí que “Here I Am” é só mais uma daquelas canções que repetem a fórmula já popularesca dele cantando para ela e vice-versa? O álbum de estréia da dupla cumpriu seu papel no mundo da música em 2013: é uma fofurinha para apaixonados e corações moles escutarem e ficarem felizes. E ele merece destaque, só por isso.

6.    No Blues – Los Campesinos

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Quando você ouve um disco repetidas vezes sem cansar, significa que ele significou algo pra você. Isso aconteceu comigo nesse ano com um outro álbum dos Los Campesinos! que, é claro, me fez correr atrás de toda a discografia da banda e, olha, que sorte minha, um álbum novinho em folha pra eu descobrir. No Blues é um indie rock fofo, dançante, com começo, meio e fim e sem hora pra começar e acabar. Desde “Avocado, Baby” até “Let It Spill”, o trabalho é denso, é um LC! maduro, superado, feliz. E bom, muito bom, obrigada.

7.    Right Thoughts, Right Words, Right Action – Franz Ferdinand 

Franz-Right-Thoughts-Right-Words-Right-ActionsO quarto disco de estúdio de uma banda que demorou quatro anos pra lançar conteúdo inédito, mas mesmo assim todo mundo ama: que difícil seria pra o Franz Ferdinand alcançar muitos lugares de destaque com o Right Thoughts, Right Words, Right Action não é mesmo? O trabalho que não era nada fácil era o de não copiar a fórmula de sucesso dos discos anteriores, o que o Franz fez bem, na medida do possível. O curto novo trabalho agrada desde a dançante e single absoluto “Love Illumination”, a formidável “Right Action”, ácida e direta e a simplesmente indescritível “Sweet Strawberries”. Fica na prateleira por pouco tempo, porque esse é pra por pra rodar e dançar sem parar.

8.    Jake Bugg – Shangri La

jake-bugg-shangri-laUm dos caras mais competentes da nova safra folk que invadiu o mundo nos últimos três anos é o jovem Jake Bugg. Ele é um Bob Dylan da nossa geração, um filho perdido do Paul McCartney compondo pérolas líricas semelhantes à “I´ve Just Seen a Face” e, mais do que tudo, um garoto construindo seu espaço no mundo da música. Shangri La, segundo disco da precoce carreira do músico, conta com a produção de Rick Rubin, referências pop e hip hop, o folk absurdo que fez o garoto conhecido em todo o mundo e canções imperdíveis como “What Doesn´t Kill You” e “Simple Pleasures”. 

9.    The Next Day – David Bowie 

David-Bowie-The-Next-DayBowie é Bowie e se ele lançasse um disco com a Yoko Ono gritando gravado nele ainda assim seria um dos melhores do ano. Mas ainda bem, ele não fez isso. Muito pelo contrário: com pouquíssimo alarde, o camaleão dos camaleões mostrou mais uma vez toda sua competência com The Next Day. O 24º disco de estúdio de Bowie tem obras primas como a faixa título “The Next Day”, “Love Is Lost” e “Dancing Out In Space” e marca presença sendo um dos discos mais criativos do ano.

10. Grinning Streak – Barenaked Ladies 

barenaked_ladies_grinning_streakEu já falei desse disco aqui e vou falar de novo pq eu q mando nessa porra: você precisa ouvir. Não é só porque “Crawl” é uma das músicas dramáticas mais incríveis que eu já ouvi na vida ou porque “Limits” pode ser um dos pontos altos de um disco de pop / rock, mas porque Grinning Steak é muito mais que só um disco bom: ele é necessário.

É claro que se você quiser ver uma lista mais completa e incrível que essa aqui eu tenho uma linda pra te indicar, né? A fofa do
Tenho Mais Discos Que Amigos tá imperdível. Confere aí! 

Meus Melhores Discos Nacionais de 2013

Caro um leitor,

Essa provavelmente será a lista mais atrasada de melhores do ano que você já leu (a não ser é claro pela que vou publicar amanhã, com os discos internacionais). De qualquer forma, o atraso tem razões de: tempo, indecisão e caramba, só tem disco bom esse ano. Enfim, os meus melhores seguem um critério muito simples: o que foi que mais me chamou a atenção nesse ano todin de meu deus. Tá aí, divirtam-se!

1.    O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui – Emicida

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Um cara que tem a sensibilidade de cantar histórias como “Crisântemo” e “O sol de giz de cera” certamente merece destaque entre os melhores do ano. Isso porque não dá pra falar do Emicida sem falar da emoção que ele transmite em cada uma das suas músicas e não dá pra lembrar de 2013 na música sem mencionar o trabalho desse cara. Seja falando do amor que tem por sua Vila, seja contando com seu rap a história de um Brasil que a galera insiste em fingir que não existe, Emicida fez O Glorioso Retorno de Quem nunca Esteve Aqui ser uma obra indispensável para entender a música brasileira dos anos 2010 (se é que já dá pra chamar assim). O rap é a base, tem pop, tem rock, tem forró, tem samba, tem música brasileira e tem poesia desde o primeiro verso. Uma poesia original, mas que ao mesmo tempo não é nenhuma novidade: é só um retrato do que ninguém quer ver.

2.    Muito Mais Que o Amor – Vanguart

vanguart-muito-mais-que-o-amor-capaO Vanguart deixou de ser aquela banda triste que você ouve quando está na fossa. O álbum Muito Mais Que o Amor é exatamente essa declaração: a banda encontrou o amor verdadeiro e canta, em cada uma das 11 músicas do trabalho, a beleza desse sentimento. Os destaques do disco são sem dúvida “Meu Sol” e “A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo”, muito embora “Estive”, single do lançamento e “Eu Sei Onde Você Está” mereçam destaque entre as 11 canções do trabalho. Ninguém duvida do sucesso do trabalho: um lançamento lindo em vinil, uma festa pra celebrar o lançamento do primeiro clipe (também lindíssimo) e o pop intenso de cada canção que contagia até os roteiristas das novelas da Globo estão aí pra resignificar o Vanguart na sua coleção de discos: agora você vai ter um álbum só das músicas bonitinhas, para ouvir com o par e também para sonhar com esse muito mais que o amor que eles encontraram.

3.    De Lá Até aqui – Móveis Coloniais de Acajú

moveis-coloniais-de-acaju-de-la-ate-aquiQuando o novo do Móveis saiu eu comecei a ouvir sem parar, como já havia feito com os discos anteriores, infelizmente não todos na data de lançamento. A evolução da banda é clara ao comparar com os registros anteriores, o investimento em músicas mais lentas, a poesia mais viva nas letras, a transparência e o gosto de cada um dos membros da banda pelo novo trabalho, que está óbvio no show, no disco e na própria capa em que eles dão a cara a tapa pela primeira vez, tudo isso faz dar gosto de ouvir. De Lá Até Aqui reúne 14 músicas muito boas, com referências aos Beatles (gostei!), ao pop, ao soul e à música brasileira dos anos 70 e 80. Destaque para a já sucesso “Sede de Chuva” e seu clipe encantador, a completamente lado B “Campo de Batalha” e a animada (como nos velhos tempos) “Melodrama”.  Impossível não viciar.

4.    Sacode – Nevilton

nevilton-sacodeAgito. Luz. Cor. E muito rock in roll. Esses são alguns adjetivos que você consegue atribuir ao Sacode, do Nevilton, já na primeira audição. Esse balanço que esse garoto e seus dois companheiros de banda possuem faz com que a gente queira que o disco, terceiro trabalho dos caras, não acabe mais, tamanha é a mistura de referências que ele nos faz rever (só coisa fina, de Caetano a Black Keys, tá tudo ali!) e a vontade que a gente tem que o Brasil inteiro conheça e dê valor a esse trabalho.

Aliás, Sacode é um nome muito bem escolhido: todas as músicas, sejam as mais lentas, como “Crônica” e a fofíssima “Friozinho” ou as mais agitadas como a própria “Sacode” e “Espero Que Esteja Melhor” pedem, clamam, quase que imploram: dance. O trabalho de produção de Miranda, a criatividade de Nevilton e o gostinho de quero mais dão o tom:  sacuda o esqueleto. Se mova. Sacode!

5.    Animal Nacional – Vespas Mandarinas

vespas-mandarinas-capa-animal-nacional-1024x1024Os temas urbanos, as ruas de São Paulo e os corações partidos na metrópole podem ser tidos como alguns dos assuntos que resumem o trabalho do Vespas Mandarinas de 2013. Animal Nacional, que também declara amor e ódio ao Brasil, faz a gente sentir que existe uma conexão entre os nossos computadores nervosos baixando MP3 e a beleza da música dos anos 80 e 90, quando tudo era difícil de achar, mas eram essas mesmas guitarras que moviam nosso mundo.

Pra resumir esse disco dando crédito aos seus principais momentos, a incrível “Distraídos Venceremos” consegue se tornar uma trilha sonora de um jovem paulistano, “Não sei O que Fazer Comigo” (Ya No Sé Que Hacer Conmigo), versão da banda uruguaia El Cuarteto de Nos e a quase homenagem “Santa Sampa” dão o tom de um disco que reúne poesia, lirismo e bastante rock in roll. Tão bom que é pra tudo quanto é tempo que já ganhou até indicação ao Grammy. Força, Vespas!

6.    Gaveta – Phill Veras

Gaveta_Phill-VerasPhill Veras teve grande destaque durante o ano de 2013. O cantor se apresentou no Rock in Rio e foi um dos grandes destaques de vários festivais de música ao redor do Brasil, mas deixou o melhor para o final: escolheu dezembro pra tirar da Gaveta as canções que formam seu primeiro álbum. A escolha não podia ser mais adequada. Apesar determos algumas velhas conhecidas no trabalho, como “A Estrada” e “O Velho John Dizia”, saídas dos EPs Valsa e Vapor e A Estrada, Phill mostra todo seu valor em “Faz”, “O Piano” e “Cambota”, entre outras, que merecem um lugar de destaque entre os melhores (e mais fofos) discos que 2013 poderia produzir.

7.    Mustache e os Apaches – Mustache e os Apaches

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Eles são uma banda de rua e estão lançando seu primeiro disco de estúdio. E aí, como faz para deixar as músicas que são tocadas no meio do trânsito de São Paulo fazerem sentido dentro de uma sequência e soarem bem num disco? Os caras do Mustache & os Apaches não só conseguiram o feito, como mostraram o que toda a experiência das calçadas paulistas ou não pode fazer com uma banda.

O jogo de vozes que a banda faz e as experimentações instrumentais (o som daquele washboard sempre vai fazer você reconhecê-los) têm destaque em “O Gato”, (porque nada melhor para uma banda de rua do que contar a história de um gato de rua, não é mesmo?), “O Gigolo”, freneticamente dançante, de um jeito que só seria melhor se você estivesse num bailinho dos anos 70, e é claro, na inexplicável “Twang”, single absoluto, que ganhou um dos melhores clipes de 2013. Difícil, difícil mesmo, não viciar.

8.    Sábado – Cícero

cicero-sabadoUm lançamento muito esperado pode trazer muita alegria e muita decepção. Cícero pode ter decepcionado muita gente que queria que ele repetisse a formula de Canções de Apartamento, mas fez um ótimo trabalho com Sábado. A excêntrica mistura de alegria e de melancolia que o cantor conseguiu fazer em Canções ainda está lá, mas de alguma forma diferentes. Sábado tem canções memoráveis como “Porta, Retrato”, lançada antes do disco e ainda “Sem Nome” no canal do moço no Youtube e momentos em que há dúvidas sobre o garoto do “Apartamento” como “Duas Quadras”. Mas ele aparece nessa lista de qualquer forma por “Fuga No. 4”, “Capim-Limão”, “Pra Animar o Bar” e sem dúvida, pela atitude de ser o que ele queria ser e de se mostrar todo novo para um público que queria mais do mesmo.

9.   O Curioso Caso da Orquestra Invisível – Camarones Orquestra Guitarristica

camarones-orquestra-guitarristica-o-curioso-caso-da-musica-invisivelFaz tempo que o rock nacional instrumental tem nos mandado mostras de que ele é possível, de que faz bem, de que vale a pena. O Camarones Orquestra Guitarrística mostrou, mais uma vez, que isso é possível. O Curioso Caso da Música Invisível, terceiro trabalho da banda potiguar, é uma festa de ritmos e harmonias que fazem a gente pensar, dançar e até querer cantar o som das guitarras dos caras. Destaque para a incrível “Pigmalião”, para “Tony Silverado” e “Corra Bátima”, músicas entre várias outras que te fazem concluir que a banda tem um poder hoje cada vez mais difícil de se alcançar:  fazer você parar para ouvir um disco, do começo ao fim, sem pular de música e se sem conformar com o MP3 de uma ou outra faixa.

10.Monomania – Clarice Falcão

Clarice-Falcão-MonomaniaO disco de estreia da cantora e humorista Clarice Falcão é um poço de fofurices, que chega até a ser exagerado. A engraçadinha “Oitavo Andar”, que lançou a moça para o mundo diretamente do canal da Porta dos Fundos não é nem de longe o ponto alto do trabalho de 14 faixas da que se revelou uma cantora muito séria. O toque irônico de “Eu Esqueci de Você”, o desespero de “Qualquer Negócio” e até a piada pronta de uma história de amor sem muita memória em “Eu Me Lembro” (com o genial Silva) são os grandes momentos de Clarice, que mostrou que pode um grande nome da nossa música folk / MPB mesmo tendo “O Que Eu Bebi”, “A Gente Voltou” e “Macaé” no currículo (e no disco). E não, essas não são ruins. O problema é que ela é muito melhor que isso.

Ah, se você quiser, dá pra ler uma lista com muito mais qualidade editorial que essa. A do Tenho Mais Discos Que Amigos, feita por toda a nossa equipe linda e maravilhosa, está mega completa e espera por você nesse link aí de cima! =)

DJ Rakky II

Alt+Tab

 

É amigos, o mundo dá voltaaasss!!! não posso mais parar! é só correr atrás! 

Fui convidada para representar de novo o Tenho Mais Discos Que Amigos! numa baladinha espera que e a Alt+Tab, em sua estréia no Anexo B, novo ponto de parada obrigatória da Augusta. É a minha segunda experiência como DJ e eu também tô super nervosa!

Dessa vez, vou tocar no mesmo espaço que uma turma super legal e dá pra mandar o nome pra lista de desconto até às 19hs de hoje! Então CORRE!

Abaixo, todas as infos. Quero ver vocês lá!

LISTA: festaalttab@gmail.com (até às 19h do dia 23)
Ingressos antecipados: http://bit.ly/IngressosAltTab11
ENTRADA: R$25,00 (antecipado ou na lista) e R$35,00 (na porta)
CAMAROTE: R$40,00 (antecipado)

_ DUAS PISTAS: INDIE E POP
Os clássicos, as novidades, os hinos que fazem todo mundo cantar e pular junto e dançar abraçado… Na Pista INDIE você vai ouvir: The Killers, Muse, Arctic Monkeys, Foster The People, Blur, The Black Keys, Franz Ferdinand, Arcade Fire, Passion Pit, Justice, Daft Punk Yeah Yeah Yeahs, Vampire Weekend, Gogol Bordello, The Ting Tings, Hot Chip, Kaiser Chiefs, QOTSA, Of Monters and Men, Los Hermanos, Imagine Dragons, Capital Cities, The Smiths, Lorde, Cake, MGMT, The Kooks, Vaccines, The Cure, The Gossip, Alt-J, Strokes, Two Door Cinema Club…

A Pista POP é feita pra você perder a vergonha e se jogar até a última música! Por lá, toca tudo que você gosta: Miley Cyrus, Lady Gaga, M.I.A., Florence, Beyoncé, Rihanna, Lana Del Rey, Ke$ha, No Doubt, Girls Aloud, Nick Minaj, Britney Spears, Mika, Calvin Harris, Robyn, Madonna, The Saturdays, Rita Ora, Azealia Banks, Taylor Swift, Selena Gomez, One Direction, Avril Lavigne, Macklemore & Ryan Lewis, Pitbull, Major Lazer, Zedd, P!nk, Maroon 5, Kylie Minogue, Demi Lovato, Iggy Azalea, Marina & The Diamonds, Little Mix, Icona Pop, Scissor Sisters, Bruno Mars, Katy Perry, Ellie Goulding…

_ DJS

> Pista POP
Davi Sabbag ( Banda UÓ)
Em Cima do Salto ( Lily Scott & Angélica Möller)
Pedrowl (Boombox / UHB – Underaged Heartbreakers)
Positronic & Édipo (Que Delícia, Né Gente?)
Gustavo Jreige

> Pista INDIE
Dieguito (Vivendo do Ócio)
Marçal Righi (Move That Jukebox)
Rakky Curvelo ( Tenho Mais Discos Que Amigos)
Alex Correa ( Glow In The Dark)
The Twins (Desperados DJ Set)

_ CABINE DE FOTOS E WELCOME DRINKS
Você vai poder experimentar na faixa a mistura de cerveja e tequila da Desperados e ainda tirar fotos instantâneas na cabine!

_ BADGES-ADESIVOS
Vamos distribuir nossos adesivos exclusivos (e lindos!), inspirados no indie, no pop e na internet! ♥

_ ANIVERSARIANTES
Aniversariantes da semana da festa (entre 18 e 24/11) ganham ingresso VIP e direito a um acompanhante free – tendo uma lista mínima de 5 convidados.

É só mandar um e-mail com o título ANIVERSÁRIO para festaalttab@gmail.com, com sua lista e o dia do nascimento do aniversariante! 🙂

_ INGRESSOS ANTECIPADOS: http://bit.ly/IngressosAltTab11
Comprando os ingressos antecipados, você garante a sua entrada na festa sem se preocupar! Além disso, teremos uma fila especial para quem já comprou via internet – que é rapidinha! E o melhor de tudo: é o mesmo preço de quem tem nome na lista (+ a taxa de serviço). Você entra rapidinho e aproveita mais a festa!

_ O CAMAROTE: http://bit.ly/IngressosAltTab11
Com o camarote, você tem a certeza de entrar na festa e a comodidade de não pegar a fila (isso mesmo, você entra direto, sem fila!). Você terá acesso a uma área restrita com sofá e, na hora da saída, você vai poder pagar mais rápido, num guichê especial que prioriza o público do camarote . 🙂

Então é isso. Agora, chama os amigos e vem com a gente conhecer o Anexo B do melhor jeito: curtindo muito!

ALT+TAB DE NOVEMBRO
Dia 23/11/13, sábado, às 23h
ANEXO B – Rua Augusta, 430 – São Paulo

Ingressos: http://bit.ly/IngressosAltTab11
Entrada: R$25,00 (antecipado ou com nome na lista) e R$35,00 (na porta)

Camarote: http://bit.ly/IngressosAltTab11
Entrada: R$40,00 (antecipado)

Ingressos Antecipados: http://bit.ly/IngressosAltTab11
Lista: festaalttab@gmail.com (até dia 23, 19hs)

Fotos: Wesley Allen – I Hate Flash
Flyer: Caxahell

 

 

 

Da importância de escrever sobre música

escrever sobre música

Dois fatos completamente isolados que me aconteceram essa semana inspiraram esse texto: um bom amigo me enviou uma reflexão recortada de um livro. Um novo amigo revelou um hobby.

A frase era “Cada pessoa reage à música à sua maneira, e a sensação de deleite que ela provoca costuma ser pessoal e intransferível. Então, porque escrever a respeito? Porque escrever sobre música é a única alternativa para os que não são capazes de produzí-la”. Nunca me senti tão inclinada a concordar e discordar com uma mesma sentença desse jeito.

Concordo que a reação que uma música provoca é extremamente particular e que cada ser humano tem em si o seu jeito todo particular de compreender e de interpretar uma música, de pensar suas harmonias e versos, de ouvir as cadências dos sons que formam cada um dos compassos da canção. Mas para mim esse é mais um dos motivos pelos quais é extremamente importante que cada vez mais pessoas escrevam sobre música: para compartilhar esses sentimentos.

Quando você escreve sobre música, você liberta para um mundo todo um particular de emoções e de vivências que são só suas, e sua experiência com aquele tipo de música ou com aquela voz ou com aquele solo de baixo vai chegar à milhares de pessoas que sequer sabem seu nome, ou de onde você veio, ou de que forma aquela música te encontrou. A forma como você reagiu é que está no seu texto. E assim como a música é capaz de unir multidões e de atravessar gerações, um texto sobre música também pode fazer alguém se sentir mais confortável para falar sobre suas preferências musicais numa roda de amigos, ganhar uma nova amizade, querer conhecer aquele disco, descobrir aquela banda que abriu o show da sua favorita num grande festival ou até mesmo querer escrever uma carta resposta para o resenhista discordando de cada uma das linhas que ele escreveu. E não, isso não acontece só com quem não consegue produzir música, mas sim com toda e qualquer pessoa que, assim como foi atingido pelo prazer de ouvir um disco perfeito também foi tocado pela obrigação de compartilhar esse sentimento com as pessoas ao redor ou que foi imbuído à buscar um texto que falasse sobre aquela música que é impossível de descrever, não importa quantas vezes você ouça.

Conhecer alguém que tem como hobby a leitura de resenhas também foi uma experiência sem nome. Quantas vezes você, companheiro de salas de imprensa lotadas, sem ar-condicionado decente ou com internet capenga se perguntou: “Eu tô aqui, correndo feito um louco pra quê? Ninguém vai ler essa droga!”. Ledo e Ivo engano. Tem gente que lê sim. Tem quem use as resenhas para aprender algo sobre música. Tem quem leia só pra deixar um comentário cheio de crítica, que ora faz sentido e ora é só a exposição de alguém que não quer passar despercebido ou desentendido. Tem quem apenas leia, sem esboçar qualquer reação. Tem quem busque nas resenhas as respostas para aquela inquietação que o invadiu quando aquele novo som tomou conta do seu tocador de discos ou do seu iPod. Enfim, tem quem leia.

Com tudo isso posto, escrever sobre música é importante. Seja para desabafar, para deixar um legado, para opinar ou para pôr pra fora toda essa emoção que esse disco te causou e que outro só fará da mesma forma ano que vem, semestre que vem ou nunca mais. Para fazer com que quem não esteve naquele show sinta um pouquinho da alegria que aquele vídeo borrado do Youtube não pode transmitir. Para que você inspire uma nova música com suas palavras sobre aquela já antiga que ficou incrível com uma nova roupagem. Para que você escreva sua própria música depois do texto. E para dedicar a todos aqueles que prestam atenção no seu trabalho de escritor. Ainda que só uma vez.

Um show para tocar o coração

 

Fagner

A Virada Cultural desse ano não teve muitas atrações para as quais eu dedicaria suportar apertos, socos, pontapés ou toda a gritaria fanática que me são habituais. Talvez eu esteja ficando velha, talvez os shows não me atraiam tanto mais ou pior ainda: eu não aguente mais virar as madrugadas acordada. 

 

De qualquer forma, fiz a minha listinha de atrações imperdíveis e fui ver o que conseguia assistir. Passei no final do show do Raça Negra, dei uma boa volta pelos balanços do Vale do Anhangabaú e fiquei muito, mas muito tempo na fila do Theatro Municipal, para tentar pegar o ingresso para um dos shows que eu mais queria ver naquele dia: sim, era o Fagner.

 

Raimundo Fagner é uma criatura encantadora, que infelizmente foi arrastado para a classificação “brega” da nossa música. Não consegui o ingresso para o show, mas fiquei na frente do telão que demorou umas 4 músicas para quase funcionar direito transmitindo para o povo de fora do teatro o show lá de dentro. Confesso que chorei de emoção, de uma saudade ardida que bateu, uma mistura de sensações.

 

E é com esse poder de emocionar uma grande plateia que eu acho que os cantores, bandas e artistas de uma maneira geral devem cativar o seu público. É essa sensação que me faz gostar, acompanhar, admirar um artista.

 

 E você? Que show já te fez chorar de emoção?

Somos Tão Jovens – por um Renato Russo que a gente tenha vontade de lembrar…

Somos Tão JovensEm primeiro lugar, se você quer ler uma resenha menos apaixonada, clique aqui.

Agora que você já sabe que essa resenha vai ter amor, vou começá-la com raiva. Porque “Somos Tão Jovens”, filme que conta a história de Renato Russo antes da fama, me deu raiva. Sai do cinema com uma sensação de vazio muito grande, que foi além de todas as minhas expectativas positivas. Não é um filme arruinado, ruim de tudo, não é “Tempo Perdido”, como a piadinha do Sensacionalista sugeriu. Mas tem trechos que simplesmente incomodam. Muito.

Boa parte dos primeiros 30 minutos de filme foram feitos para as pessoas que conhecem muito bem a história do Renato e não para aqueles fãs de primeira viagem que provavelmente vão lotar os cinemas. Beleza, o cara tá lá andando de bike, leva um tombinho e já tem que por um pino na perna? O médico menciona a doença assim, do nada, sem que os pais demonstrem nenhuma grande preocupação? Renato fica tempos e tempos na cama tocando violão porque é um adolescente estranho ou porque não consegue se levantar? Em cinco minutos ele aparece tentando muletas, tropeçando, andando torto e depois correndo, andando normalmente… ô galera, cadê o contexto?

Eu li “O Filho da Revolução” e acho que a minha expectativa estava alta por saber que a produção teve como base o livro. Por mais que não me lembrasse de alguns momentos, como a influência que o meu amado Clube da Esquina exerceu nos meninos de Brasília (essa com mais contexto, vista tanto no próprio Renato quanto em sua turma tocando numa rodinha de violão  a incrível “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e outras do Durango Kid Milton, do moleque travesso Lô e CIA LTDA.). Mas há alguns momentos em que Renato parece apenas um menino mimado que por sorte se interessou por música e começou a sonhar uma banda.

Por favor, não venham me dizer que o Renato Russo ficava citando frases do que viriam a ser suas músicas em conversas informais com os amigos, em discursos inflamados nos bares e em devaneios porque ele não era esse tipo de boçal tá difícil de acreditar. Em determinadas partes do longa tem-se a ligeira impressão de que Renato era um adolescente babaca que todo mundo odiava e que se achava a última Coca-Cola do deserto. É essa a imagem que a gente tem do Sr. Manfredini? Acho que não.

O filme também tem suas razões de ser e são esses momentos que valem a ida ao cinema: a atuação de Thiago Mendonça fica incrível quando ele começa a cantar e mais ainda quando o trovador solitário aparece. A relação com Ana, grande amiga de Renato dos tempos da adolescência não poderia ter sido representada com maior perfeição, o tipo de relacionamento adolescente que a gente vê todo dia por ai e que não reconhece. Alguns clássicos da Legião orquestrados e que davam movimento ao filme tocam nos momentos certos e as versões ficaram simplesmente perfeitas, do tipo que dariam uma trilha sonora de filme que venderia milhões.

Outras partes que merecem a citação ficam a cargo da fotografia e o jogo de luzes de algumas cenas de palco, que fazem Thiago realmente se parecer ainda mais com Renato, e em alguns momentos é realmente possível acreditar que é o Manfredini que está sendo gravado e não o ator. Um desses momentos é a cena em que Renato toca “Eduardo e Mônica” em uma apresentação do “Trovador Solitário”, em que anuncia que o “punk morreu” e que boa educação faz a diferença quando o público nada receptivo joga papeizinhos e moedas no cantor e há poucos aplausos ao final do som. Os shows, em que a fúria do adolescente Renato é vista em sua voz, em seu jeito visceral de declarar suas verdades em músicas. A bissexualidade assumida para a mãe no momento mais improvável e a reação da dona mãe (ainda que aqui apareça novamente uma idiota menção à “Meninos e Meninas” que a gente pode ter quase certeza absoluta que não aconteceu). A reconciliação com Ana e “Ainda É Cedo”. E é claro, a atuação de Nicolau Villa-Lobos, na pele do próprio pai, quando a Legião Urbana buscava um homem para a guitarra. Além de a semelhança entre os dois ser tão explicável quanto genética, o carinha tem talento. E o guitarra que ia ficar uma semana na banda porque tinha uma viagem para a França ajudou a história musical do nosso país a ganhar um marco inigualável.

O filme tem seus altos e baixos, mas é uma homenagem e como tal, tem falhas e pontos memoráveis. Fãs de carteirinha podem amar e odiar a representação de Renato das telonas, novos fãs podem ter impressões positivas e negativas. Vale a pena ver mas, se um conselho puder ser dado, é este: leia sobre Renato. Ouça suas músicas, desde o primeiro álbum até suas aventuras solo, quando a AIDS já definhava sua voz e corrompia sua mente. Renato Manfredini Jr. tem muito mais a oferecer ao mundo do que os poucos e não tão bem aproveitados minutos deste filme.