Saudosismos

Saudosismos

saudosismo
Tenho vivido uma fase extremamente saudosista da minha vida. Não sei se é a velhice batendo à porta (completei um quarto de século da forma mais bonita que podia ser mas, ainda assim, é a quarta parte de um século de vida) ou se é a saudade e a volta de muitas pessoas que tem acontecido nos últimos tempos.
 Fato é que as minhas lembranças favoritas dos últimos dias têm sido não do último final de semana, mas do primeiro apelido idiota, não da última banda alternativa que descobri, mas das primeiras, não dos meus atuais textos, mas dos mais antigos, daquela adolescente retardada que nem sonhava ser jornalista.
Lembranças felizes, que vêm na forma de um grupo de jovens dançando em roda embaixo do vão do MASP numa terça-feira em que teria que chover. O batuque de tambores e o som do violão, o passinho ensaiado e as vozes… Qualquer desavisado pensaria serem loucos, mas era só a juventude do neocatecumenato celebrando a vinda do tal Francisco. O que, é claro, me fez chorar de alegria lembrando do cânticos favorito da D. Marlene, justamente aquele que aqueles jovens que eu não conheço cantavam. Um bom momento.
Ou o shuffle do seu celular, que sempre te leva para as músicas mais lindas, como aquela do grupo de inglês que nem da sua sala era, mas cuja apresentação você precisava ver de qualquer jeito. E aquele CD q você ganhou de aniversário da panela, com uma música pra lembrar de cada pessoa? A capa ainda está lá, junto com as cartas e cartões de aniversario de outros anos… E aquela árvore da vila onde você morava quando pequeno, que te contava as historias mais legais da vida?
A saudade do passado é uma ponta de vida que nasce a cada dia. É ver-se impelido a rever em si erros e acertos que moldam e que fazem diferença. É bom ser saudosista de sua própria história, desde que não se deixe viver apenas de passado. O presente está ai para nos desafiar, nos mandar para novos desafios, nos fazer ficar um pouco mais nos bastidores para depois subir ao palco e brilhar ou nos ajudar nas decisões fáceis e nas difíceis.
E também tem o futuro que… Bom, o futuro, quem sabe não é mesmo?

Resenha: A Viagem

A-ViagemSemana passada fui ao cinema. Na falta de um horário bacana e com a chance de ver um filme diferente, vi A Viagem. Como tinha lido um milhão de sinopses antes de ir, não lembrava direito dessa história. Mas ela é emocionante. E leva um tempo para assimilar tudo e entender.

Em seis tempos diferentes, vidas e destinos se encontram e se conectam, no passado, no presente e no futuro, o que sugere conexões entre suas histórias e destinos. O mais intrigante é perceber que ações do passado têm influência direta no que acontece no futuro das pessoas.

O advogado do século XIX e sua decisão mudam o destino de um jovem compositor mais de 100 anos depois de sua morte. Esse compositor aparece e sua história ajudar a resolver um caso de uma jornalista 50 anos depois de cometer suicídio. Uma tribo do futuro venera como se fosse uma deusa uma habitante da cidade em que vivem, que morou por lá 150 anos antes de eles estarem na região. As palavras, os gestos, a forma de ver a vida de uns influencia e muda as decisões de outros, num jogo de imagens e de histórias que confunde a cabeça, mas que poe a gente para pensar.

Será que as decisões que nossos pais, nossos avós e nossos bisavós tomaram no passado influenciam em nossa vida agora? Será que os erros e acertos deles são os responsáveis por sermos hoje quem somos? Como isso acontece?

E será que os nossos destinos estão mesmo conectados aos de outras pessoas? Alguns dos personagens dessa história estavam destinados a se conhecer, destinados a se conectar, porque de alguma forma isso mudaria a vida de outros a seu redor. Como será que isso acontece na vida, de verdade? É possível que algumas pessoas estejam simplesmente destinadas a se encontrar?

É um filme para ver. E para pensar.

A Viagem
País de Origem:
 EUA
Gênero: Ficção Científica / Ação / Suspense / Romance / Drama / Comédia
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 
164 minutos
Ano de Lançamento: 2013
Site Oficial: http://cloudatlas.warnerbros.com/
Elenco:Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Keith David, James D’Arcy, Xun Zhou, David Gyasi, Susan Sarandon
Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Nota: 10

Uma postagem chamada Saudade

Tenho que dar mais atenção a este blog. Eu sei.

Mas não vim aqui falar só sobre isso.

{Abre coração da Rakky}

Vim falar de coisas felizes e de saudades imensas. Vim falar de pedaços de mim que estão em outras cidades, outros estados e quiçá, outros países. Vim falar de pessoas que moram no mesmo bairro que eu, que vivem na mesma cidade, que eu encontro por aí e nem vejo, que eu vejo on line e não dá tempo de falar… mas que partem o meu coração a cada instante em que lembro que eles não estão perto.

Uma dessas pessoas é o meu professor de história. Eu não digo ex, porque ele será eternamente lembrado, como se ao sair do trabalho, eu ainda fosse vê-lo nos corredores sombrios do Isaías Luiz Matiazzo, escola em que estudei durante quase toda a minha vida escolar. Daniel Rincon Caires, que comentou esses dias por aqui, sentir orgulho da antiga aluna. Como o tempo de colegial me faz falta professor! O tempo em que junto à outras 8 ou 10 pessoas, assistiamos às suas aulas especiais, ministradas aos domingos de manhã, àqueles que organizaram e com o seu apoio e de outros professores, mantiveram o primeiro curso Pré-Vestibular do Isaías. Como fazem falta aqueles filmes maravilhosos, documentários também incríveis, vistos no DVD que o senhor levava de sua casa para a escola, visto que o laboratório onde as aulas ocorriam não tinha mais o equipamento. E saber como aquelas aulas me foram importantes durante esses quase três anos que já se passaram desde a última é melhor ainda! Mas eu continuo trabalhando, em Caieiras, em São Paulo e pra onde for, e o meu querido professor Daniel, também. Ele está em Iguape, e de vez em quando nos brinda em seu Fotoblog com imagens de seus trabalhos, sempre voltados pra história, a arte, a cultura e a justiça social. Um grande beijo e um forte abraço a você professor, e graças a Deus não perdemos totalmente o contato! Fica aqui meu agradecimento especial por tudo o que o senhor fez por mim e pelas garotas que seguiram aquele curso até o fim, junto ao único menino que permaneceu na turma. Saudade também de toda a turma que fez o curso comigo, Maristela e Diego (e o trio potteriano que formávamos), a Dirlene, Josenilda e outras.

Além do professor Daniel, outros me fazem falta. A Carla Montuori, linda professora de Ética dos meus 6 meses de Sistemas de Informação, que percebeu na primeira aula que eu não estava no lugar certo. Bastou apenas que eu lesse em alto e bom tom, para a sala, o texto que ela solicitou que produzissemos sobre a sua matéria, através de recortes de alguns autores, como Oswald de Andrade e Luiz Fernando Verissímo, para que ela me olhasse diferente. No fim da aula ela me chamou, perguntou se podiamos conversar. Eu disse que sim. Ela me olhou com toda a franqueza de seus olhinhos de adolescente, naquele rosto jovem e quase adolescente, mesmo em suas duas graduações e uma pós e disse: “O que é que você está fazendo aqui?”.

Parece assustador? Ela estava certa! Ela me perguntou se eu já tinha pensado em fazer Letras, História ou JORNALISMO! Eu respondi que tinha tentado o vestibular para letras e que sempre gostei de escrever… enfim… ficamos amigas e naqueles seis meses, ela, Daniel, Wellington, Thiago, Válter, Samuel, Deivid, Hézio, e um monte de pessoas mega especiais fizeram aquele curso do qual eu já não gostava tanto, um período muito especial. Aliás, sinto falta de vocês, pessoas de Sistemas e Redes, que se formarão nesse mês, enquanto a Rakky, que começou com vocês, ainda terá mais dois anos e meio pela frente.

Outras pessoas das quais eu morro de saudades são os meus amores pejoteiros. A última vez em que estive com eles, em corpo e espírito, foi no retiro de carnaval, em fevereiro deste ano. Apesar do inicial desconforto que eu senti quando eu cheguei em Bragança, a festa sempre é a mesma e o amor é sempre maior a cada vez que estou com eles. A missão jovem que aconteceu na última semana me partiu o coração. Enquanto eu fiquei em São Paulo, no meu estágio, muitas pessoas queridas estavam lá, em Atibaia, vivendo momentos tão maravilhosos quanto os que eu vivi ano passado em Tuiuti. E tudo o que eu poderia lhes desejar é a sorte de absorver toda aquela maravilha que só a PJ tem. Como diria o mantra: “Toda a energia que a PJ tem, ela vem de dentro, de dentro ela vem”.

Ao lembrar desse povo pejoteiro que tanto me faz falta, uma imagem é a que mais marca: nosso retiro em Pinhalzinho, no ano passado. Foi em março acho, não me lembro direito. Eu fazia parte da comissão diocesa, na verdade, ia de “bicão” às reuniões, quando o Cininho não podia ir, ou quando o Erick queria que eu fosse, e quando dava pra eu ir também. Enfim, eu já adorava aquele pessoal todo, Sol, Gabi, Júlio, Polly, Rodolfo, Russa, Erick, GP… poxa vida! Fomos para uma pequena chacara, em Pinhalzinho, um lugar bem escondido daquela cidadezinha do interior. Já na ida até a chácara, o bom-humor mostrava dominar a todos: enquanto o Pe. Juzemildo dirigia a pick-up que levava nossas malas, a Sol e a Polly, e eu, Russa, GP e Gabi iámos no carro dirigido pela Gabi, que acabara de tirar sua carta de motorista, o Júlio ia em sua moto, e os bolsos de sua jaqueta para fora, cheios pelo vento, provocavam risadas e fotos. Ao chegar, GP e Júlio separavam a lenha enquanto as meninas {só algumas} davam um jeito no lanche. A Polly nos mostrou que a melhor maionese do mundo é a “Polly´s Maionese” e o Júlio, que impaciente foi pra cozinha também, fez o seu catchup louco e ganhou o apelido de “Mal Necessário”, preservado até hoje pela galera.

Ah… fizemos fogueira, comemos lanchinhos gostosos, bebemos vinho, fizemos filmes, falamos de meias-de-dedinho, ouvimos histórias para dormir, rezamos juntos, assistimos a um bom filme e dormimos todos amontoados, juntos, jogados em alguns colchões e cobertores. No dia seguinte, tentamos fazer pão-de-forma (eu e o Júlio, mas não deu certo porque o forno não funcionava), tomamos um café maravilhoso e fomos explorar o lugar… achamos uma cachoeira maravilhosa, e juntos também a aproveitamos, num banho de natureza perfeito. Sol, humor, fotos, e a alegria incomparável de estarmos juntos… são só flashes dos momentos que eu pra sempre vou guardar… e que adoraria que se repetissem porque eu amo todos esses doidos…

Saudade também dos meus amigos jornalistas, estudantes ainda, que não estão mais na sala, não passam mais pelos corredores da faculdade e estão um pouco longe também… destaque para o especial Adriano Mantovani, que teve a vida encaminhada para uma nova editoria, e que como bom jornalista, – que ainda não é, infelizmente não se formou, mais que será com certeza porque nasceu para isso – encarará com coragem ao desafio. E a fofa Juliana Marchi, que também não está mais na faculdade, mas com certeza fará uma carreira brilhante…

E os melhores amigos? Aqueles que nós nunca iriamos deixar, que estudaram com a gente e que agora fazem sua vida longe? Jonh, Jeffy, Rani Rani, Jesus, Lixão, Nyka… meu Deus… quão pouco sei de vocês… como nossos destinos se afastaram… É Nash, minha amada Nash, você ficou… ainda que pouco, ainda sei de você, ainda sei como está, o que faz, como vive, onde vive… ainda bem que tenho você, ainda que morra de saudades…

Acho que já falei demais… mas tinha que falar… e tem tanta gente que eu nem citei e que me faz falta, tanto ou mais que esses… pois é, amo vocês, ainda que não tenha lhes mencionado…

{Fecha coração da Rakky}