Resenha – Porno Política

Ninguém precisa falar da genialidade de Arnaldo Jabor, principalmente quando o cara fala de política. Em Porno Política ele dá mais mostras de sua elegância na escrita, de seu entendimento do tema e mais que tudo, da coragem de ser alguém que não tem papas na língua para falar de quem quer que seja, custe o que custar.

Jabor já foi comunista, já foi esquerdista, já foi de direita e acredito que hoje prefira mesmo não demonstrar nenhuma expressão partidária, justamente por estar enojado dessa sujeira toda. Em Porno Política, fala  envergonhado, estarrecido, puto da vida, inconformado, indignado e muito mesmo decepcionado com a nossa política, a nossa televisão e a nossa falta de vergonha na cara brasileira por ela só.

Em páginas que misturam experiências pessoais com crônicas extraídas de sua genialidade felina, ele fala de tudo e dita uma nova ordem, que não será seguida, porque brasileiro não tem mesmo vergonha na cara e é um povo que esquece fácil, é muito carente e acima de tudo, sempre tenta dar seu jeitinho.

Jabor é do tipo que eu quero ser quando crescer. Por sua critica viva, cheia de emoção e de verdades, por sua determinação e por sua personalidade marcante. Esse exemplar de sua crítica não é representativo, mas é uma leitura interessante para todos aqueles que assim como o autor não aguentam mais.

Porno Política
Autor: 
Arnaldo Jabor
Editora: Objetiva
Ano:
2006
Páginas: 
236
Nota:
9

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Papinhos fúteis

Duas amigas no trem, pela manhã:

– E você viu como ela tá inteirona? Nem parece que tem 62 anos…

– É verdade… Bonita essa Dilma né?

– É, inteligente também. Senão o Lula não tinha indicado.

– Pois é, eles tavam falando de um tal de pré-sal, que é a riqueza do petróleo. Melhor que ela ganhou porque vai fazer esse negócio aí trazer emprego pra todo mundo…

– É… ai, esse trem novo é tão lerdo!  Do jeito que vai essa porcaria vou chegar na Luz às 8h (saindo de Perus às 7:12).

Dois amigos no mercado, à noite:

– Cara, você viu? O Danilo vai aparecer e dizer que foi ele que matou o pai!

– Não foi ele não, ô!

– Olha, tá aqui na revista: “Danilo ressurge das cinzas e diz que foi ele quem matou Saulo”.

– Ah, tá! Olha a capa dessa aqui: os meninos do Restart!

– Eu gosto do Pe Lanza… olha ele aqui…

– Eu não gosto de nenhum.

– Meu, minha tia achou que eu roubei ela!

– O que foi que você fez?

– Na verdade o dinheiro tava dentro da concha, mas ela não viu. Aí ela falou que procurou e não achou, depois eu disse que…

Essas duas conversas aconteceram no mesmo dia e eu estava por perto, de espectadora. A futilidade presente nos assuntos e também a clara falta de profundidade nos temas abordados me deixaram com tanta raiva que eu pensei em me meter no meio, para comentar o pouco que julgo saber sobre música, sobre transporte público, sobre política. Não tô me achando a rainha da cocada preta, mas falar mal dos novos trens da CPTM me fere tanto quanto dizer que a Dilma já foi miss, mesmo sentimento que carrego quando alguém diz que o Restart faz música.

Nessas horas é que a gente fica com a maior vontade de mudar o mundo, de fazer as pessoas pensarem, de fazê-las analisar como algumas mudanças lhes fizeram bem e como outras podem lhes fazer mal. Colocar um pouco mais de conteúdo entre um papo e outro, falar um pouco mais de coisas que realmente importam. Ver uma senhora de quase 50 anos reclamar de algo que pode melhorar o seu dia a dia e ver um garoto de 15 tão bem informado sobre algo que vai fazer diferença na vida dele apenas enquanto ele puder comentar a novela das 8 no intervalo do colégio choca.

O que mais eu poderia esperar do Brasil?

Estou decepcionada!

 

Eu e o PT

Decidi escrever esse texto porque muitos dos meus mais antigos amigos têm me perguntado o que aconteceu para que eu decidisse não apoiar a candidatura da Dilma, desde o início. Até a decisão ser tomada eu não sabia como estruturar esse texto. Mas decidi agora e espero que a decisão deixe minhas ideias mais claras a todos.

Eu parei de acreditar no PT quando isso aconteceu:

Obras do PAC esbarram em conservação da Amazônia

Segundo ONG, 322 zonas de alta biodiversidade estão sob ameaça na floresta

Unidade de conservação proposta por Marina Silva foi tirada de plano federal porque poderia impedir barragens futuras no Xingu

EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Ao serem colocados sobre a mesa, fica claro o choque. Os planos de infra-estrutura para a Amazônia, quando totalmente implantados, vão ameaçar as áreas prioritárias para a conservação da floresta, que já estão desenhadas pelo próprio governo federal.
O alerta vem sendo dado por cientistas e ambientalistas desde o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). No ano passado, um levantamento da ONG Conservação Internacional apontou que 322 áreas de grande importância para a biodiversidade -ou seja, onde seria recomendável criar unidades de conservação- estão sob influência direta de estradas, hidrelétricas, portos ou gasodutos. Cinco estradas cortarão essas regiões sensíveis, aponta o documento.
As obras também influenciam diretamente terras indígenas e unidades de conservação já criadas. Em todas elas, há risco de aumento do desmate.
Neste ano, um relatório ainda inédito do IAG, um grupo de consultores contratados pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, fez críticas à forma como as obras de infra-estrutura vêm sendo planejadas.
O documento, obtido pela Folha, diz: “Apesar de todas as diretrizes estabelecidas em documentos governamentais (…), a efetividade do planejamento racional de infra-estrutura na Amazônia, sobretudo de estradas e hidrelétricas, ainda não está assegurada”.
Segundo Carlos Nobre, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a ciência tem mostrado que grandes obras de infra-estrutura, em especial estradas, são vetores claros de desmatamento.
“Se o governo quer acelerar as obras, seja para a integração sul-americana, seja para a geração de energia, precisaria ter um novo paradigma de economia florestal. Só que ainda não descobrimos como tirar valor da floresta em pé”, diz.
“É muito difícil prever que rumo o presidente Lula vai dar para a política ambiental [após a saída de Marina Silva]”, afirma Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Xingu
A julgar pelos cortes feitos por Lula e pela Casa Civil no PAS (Plano Amazônia Sustentável), no entanto, a balança pende para o lado das obras -e não da floresta. Uma das principais unidades de conservação cuja criação foi proposta ao plano por Marina Silva, a Reserva Extrativista do Médio Xingu, no Pará, foi vetada porque poderia atrapalhar a criação de barragens adicionais da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Dilma Rousseff cuida diretamente desse projeto, considerado crucial para que o país não tenha um apagão de energia elétrica na próxima década.
Tudo indica que, depois da crise envolvendo o licenciamento das usinas do rio Madeira, Belo Monte seja a bola da vez. A região do Xingu concentra um grande número de terras indígenas, e os índios já impediram construção da usina 20 anos atrás, quando ela se chamava Cararaô.
O projeto, agora, volta a ser discutido pelos índios. Na segunda-feira, representantes de várias etnias se reúnem em Altamira para debater os possíveis impactos da megausina -e de outras- sobre suas terras.

Esse texto foi publicado em 17/05/2008, quatro dias depois de Marina Silva deixar o Ministério do Meio Ambiente. Quando li essa matéria, comecei a entender as razões que a levaram a abandonar o cargo. A Dilma lidera o PAC, a Marina defende a preservação ambiental, a preservação ambiental vai contra o PAC e a Marina cai fora… como é que dá para agir sem apoio do governo?

Marina está à frente do ministério desde o primeiro mandato de Lula. Sua saída põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira.

Antes desse episódio eu até via a Dilma como uma mulher bacana, como bem lembrou um velho amigo meu, Renan, sobre uma das nossas conversas de trem. Mas depois desses rachas fiquei com uma má impressão da moça. Enfim, minha história com o PT é bem mais antiga.

A base da minha família é nordestina. Meu pai e minha mãe vieram para São Paulo para tentar a vida, logo após o casamento. Meu pai conseguiu um emprego na CMTC e minha mãe dava aulas de Matemática e Ciências no Olavo Bilac, colégio tradicional do bairro da Lapa, hoje transformado em uma das áreas internas de uma grande rede varejista. Sempre fomos pobres, mas as coisas ficaram sérias quando a CMTC foi extinta, no governo do Paulo Maluf. Em novembro 1992 nos mudamos para Caieiras, para uma casa numa rua sem saída, na última rua de um bairro bem pobre. Meu pai culpava o Maluf por tudo o que tinha acontecido e eu, com 3 anos e meio, comecei a ouvir as pessoas falarem de um tal de Lula, que ia fazer tudo mudar.

Estudei a vida inteira em escolas públicas da região, que não eram incríveis, mais não eram nada ruins. A EMEMI Alcides Agustinelli, onde fiz a pré-escola, tinha uma super infra para a época e eu, que estudava em período intermediário, tinha acompanhamento para várias atividades. Aprendi a ler no final da pré-escola, e já saí para a 1ª série adiantada em relação aos coleguinhas. Apesar de sempre achar tudo bonito, ouvia gente reclamar da qualidade do ensino, e dizer que o Lula  mudaria tudo. Depois, fui para a E.E.P.S.G Isaías Luiz Matiazzo e na época, quando eu tinha 6 anos, era uma boa escola. Outra escola atendia a demanda de crianças da 1ª a 4ª na região, mais era insuficiente. Fiz a 1ª e a 2ª séries no Isaías enquanto a nova escola, hoje chamada de E.E. Alfrid Theodor Wesflog era construída. Fiz as 3ª e 4ª séries na nova escola, construída em menos de dois anos (a obra começou no final da 1ª série e acabou um mês depois de eu começar a 3ª) e depois voltei para o Isaías da 5ª ao terceiro colegial.

Não acho que tive o melhor ensino do universo, mas acredito que muito mais do que a estrutura da escola, que foi piorando no caminhar dos anos, o aluno também importa e muito. Minha mãe deu aulas durante anos em uma escola particular que foi piorando com o passar dos anos. Depois, deu algumas aulas em escolas públicas que tinham tudo para ser ótimas, mas tinham alunos terríveis. No meu último ano de colégio, a turminha “nerd” até organizou um cursinho pré-vestibular. E muitos dos professores da escola, e até um de outra, ajudaram a gente. Bom, voltando ao PT…

Enquanto eu e meu irmão estudávamos, meu pai e minha mãe tratavam de cuidar do sustento da família. Como meu pai sempre se envolveu em confusões e adorava processar empresas, nunca ficou muito tempo em trampo nenhum. Por vezes, era a minha mãe que arrumava a situação em casa, garantindo alguma estabilidade. Até que em 1997 ela teve catarata nos dois olhos e teve que fazer uma cirurgia. A recuperação e tratamento foram ótimos e ela foi super bem atendida no hospital público do Juquery, em Franco da Rocha. Administrado pelo Governo do Estado de São Paulo, além do atendimento psiquiátrico (que não existe mais hoje em dia) o Juquery oferece diversos tratamentos e cirurgias das mais diversas especialidades.

Daí pra frente minha mãe não trabalhou mais. Não podia ter contato direto com giz, lousa ou forçar muito a visão. A partir daí ela começou a receber o auxílio  doença (uns 3 ou 4 anos depois) e meu pai bancava a casa. Eu já me virava para conseguir uns troquinhos, fui babá, professora de informática, auxiliar de escritório, vendedora de material para construção… fazia de tudo um pouco.

Em 2001, eu e meus irmãos nos cadastramos e começamos a receber o Bolsa Escola. Aquela graninha ajudava pra caramba. Ao completar 16 anos o jovem deixava de ter direito e, por escadinha, meu irmão e eu em seguida deixamos de receber o benefício. Antes de minha irmã parar de receber, o programa foi transformado em Bolsa Família pelo governo do Lula, o carinha que toda a galera lá de casa dizia que ia mudar o mundo. e a minha família deixou de receber o benefício. Eu achei ótimo porque sabia que, por mais que a gente precisasse daquele dinheirinho para dar uma complementada na vida, não dependíamos daquela grana para viver, como outras famílias beneficiadas. Só comecei a ficar muito puta quando acompanhei os diversos casos de fraude com o Bolsa Família em diversas cidades do país, nas prefeituras e governos, uma sacanagem sem igual.

Em 2005, cheguei ao ano decisivo. Precisava fazer faculdade. Eu queria passar na USP, mas, se não rolasse, não sabia o que seria de mim… eu nunca poderia pagar um FIES (e nem teria coragem de tentar) e sabia que se eu não começasse logo a estudar, dificilmente teria um futuro bacana, como era o que eu sonhava. Tive muita sorte de aquele ter sido o ano de ouro do ProUni, programa recém criado pelo governo federal. Fiz um ENEM aceitável e consegui, com a mesma prova, bolsas em duas faculdades, para diferentes cursos, nos processos seletivos de 2005 e 2006. Nunca aceitei o sistema de cotas do programa por considerá-lo racista, mas o restante do projeto ajudou, e ajuda, milhares de pessoas, o que é incrível (clicando aqui você pode ver um pouco do que eu já achava do ProUni na época). De uma forma ou de outra, em 2006, votei no Lula principalmente pelo ProUni. Não que os escândalos de corrupção do governo não me incomodassem. Não que eu não quisesse a mudança. Já levava em consideração a proposta do PSOL e da Heloísa Helena, que nos últimos dias se tornou uma grande heroína para mim, mas votei no Lula, porque não estava certa de que não deveria votar no PT, acreditava que as coisas poderiam ser ainda melhores e fui diretamente beneficiada pelo governo Lula. Talvez tenha sido um voto pensando no individual, mas eu não estava acostumada a pensar em uma alternativa não-PT para a política, justamente por toda a instrução familiar / religiosa que recebi. E digo religiosa porque, além de ter nos meus pais a preferência pelo voto no PT, me inseri na Pastoral da Juventude, movimento católico que tem entre suas bases a Teologia da Libertação, uma das bases da fundação do PT. Quase todos os jovens com quem me relacionava na época e que participavam da PJ eram petistas e eu também era.

Um novo governo Lula começou. Mais escândalos, mais corrupção, roubos, calúnias, afastamentos, revisões, propostas absurdas e o “jeitinho brasileiro” resolvendo a política. Os amigos inocentados / afastados. A “oposição” acusada de ser contra o projeto de crescimento do país. Mais promessas não cumpridas. Acusações à imprensa e pressões para controlá-la (isso me afetava bastante, afinal, eu estava  estudando jornalismo e mais que tudo, queria ter o direito de exercer minha profissão com liberdade). E aí eu cansei…

Como já acho que deu para perceber, eu não sou militante de nenhum partido, mas acompanho os movimentos políticos do país como cidadã. Eu já  assumi como meus os valores políticos, éticos e morais  do PT, já li seu estatuto e conheci sua história. Já votei no PT  e no  Lula  e defendi o partido quando os primeiros escandalos de corrupção apareceram.  Já vi de perto as manifestações da juventude e já gritei junto com os excluídos no seu dia, no grito dos excluídos, pedindo por mais trabalho, pão e terra. Conheci várias cidades e realidades e defendi o PT. Já enfrentei, junto com o partido, todas as criticas. Mas cansei. Chegou ma hora em que náo dava mais. Quando eu comecei a ver líderes e representantes do partido indo contra tudo o que defenderam por anos a fio, quando eu vi que a ideologia do partido não era mais respeitada pelos membros do partido, quando eu vi que toda essa bagunça não era só para defender o povo e para o povo, quando eu vi que muitos daqueles que eu admirava passaram a defender seus próprios interesses, fazendo pouco caso dos interesses daqueles que eles deveriam representar, aí eu cansei de defender o que não é possível de ser defendido  e comecei a buscar outras frentes.  Hoje simpatizo com a causa do PV, com a coragem do PSOL e com a clareza do PSDB. E acho muito importante preservar o direito de se sentir orgulhoso por se ter a audácia de se mudar de opinião…

Obama: O Lula das Américas

Não me vejo como uma lunática e espero que você leitor também não. Mas foi exatamente o que escrevi no título desta postagem o que pensei quando abri o jornal hoje de manhã e vi uma gigantesca foto do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Tudo bem que não é nenhuma novidade que ele tenha ganho. McCain cometeu erros graves desde o início de sua campanha, foi imprudente, sensacionalista e não conseguiu convencer o eleitorado. Além destas “pequenas falhas”, contou com a “ajuda especial” da crise financeira mundial e dos posicionamentos cada vez mais reprovados do Partido Republicano. O resultado disto tudo estava mais que óbvio: a inteligência, sutileza e brilhantismo de Barack ganhariam as eleições.

Embora haja todo o positivismo, a alegria e a espectativa em relação ao “primeiro presidente negro dos EUA”, aqui começam as preocupações: a nação americana, tal como os brasileiros, bolivianos, venezuelanos e outras nações da américa latina já fizeram, escolhem o presidente que mais tinha em seu perfil a marca da “mudança”. Barack também fez campanha neste sentido. Seu slogan dizia isto. Seu posicionamento dizia isto. Até sua origem dizia isto. E a nação americana finalmente resolveu mudar. Isto é histórico e merece aplausos de todo o mundo. A filha de M. Luther King não está errada ao dizer que o pai ficaria orgulhoso dos americanos, se estivesse vivo.

Os desafios batem à porta. Alguns deles são quase tão complicados quanto a própria mudança histórica, que elegeu Obama com 64% dos americanos comparecendo às urnas. Alguns dos desafios do novo presidente, que assumirá em 20 de janeiro de 2009 serão:

  1. Equilibrar a economia americana, que vive a sua pior crise desde 1929;
  2. Definir o futuro da guerra contra o terror, iniciada por Bush, que até agora não resolveu nenhum dos problemas americanos e foi um dos pontos determinantes para a rejeição do republicano John McCain à cadeira presidencial, por sua ligação com Bush e apoio à guerra;
  3. Administrar a nação mais poderosa do mundo, sem desiludir seus eleitores;

Situação parecida a esta encontrava-se no Brasil em 2002. O país estava quebrado, devendo e sem perspectivas de futuro quando Lula assumiu. Aliás, até em discurso, os candidatos se relacionam. Uma semana antes de ser eleito, Obama utilizou-se das mesmas palavras de Lula durante uma propaganda na TV. “A esperança irá vencer o medo”, disse Obama, tal qual fazia Lula em suas campanhas.

Cabe ao candidato democrata atender às espectativas da população e manter seu índice de aprovação sempre crescendo, da mesma forma que faz o presidente Lula. Reeleito, sem qualquer envolvimento comprovado com a corrupção (para revolta da oposição) e fazendo o país ser cada vez mais reconhecido no mundo, o presidente Lula surpreende a cada dia. A nação americana também quer o seu Lula.

Vá lá Obama, o mundo está com você! Afinal “we can!”

Crédito da foto: Agência Reuters

Ser ou não ser… Ético?

Mais uma reflexão maravilhosa da Rakky Skank

15/03/2006

Nos tempos atuais é cada vez mais difícil ser ético. Por mais que se faça, não há meio, o mundo é dos antiéticos. No trabalho, na escola, em casa, com os amigos, poucos são os providos de sanidade (ou seria insanidade??) suficiente para por em prática a sua ética, o seu comportamento, o seu ideal de vida. As pessoas simplesmente estão desacostumadas a agir corretamente, e a vida em sociedade ao invés de nos impor normas para um convívio correto (ético), acaba por nos ofender (atingir a nossa moral) mostrando-nos a ignorância do o comportamento de pessoas que deveriam se exemplos a se seguir.
É uma questão de opinião.
O que para mim pode parecer normal, ou ainda para alguém de meu convívio, pode parecer uma ofensa pessoal a outrem. E vice-versa. Ao meu ver, sujar as ruas é antiético. Talvez a outro alguém isso possa parecer comum, ou pode até virar mania. Outro exemplo que eu posso dar é que eu aceito o casamento homossexual (amigos, não se assustem, eu ainda sou católica, mas eu me explico, não parem de ler agora!) desde que o casal não influencie de nenhuma forma qualquer outra pessoa que possa ou não conviver com ambos. Sou a favor da felicidade. Seja qual for a forma que se use para chegar a ela. Talvez você leitor ache esta minha posição absurda ou veja o casamento gay como algo totalmente antiético. Já disse, é uma questão de opinião, e eu não tentarei aqui mudar a sua.Mas o exemplo mais lógico de algo absurdamente antiético que acontece na frente dos nossos olhos com o apoio da grande maioria da população é a forma de divisão das cotas do ProUni, o mais novo “sucesso de vendas” do governo federal. Calma gente, eu não sou mais uma anti-Lula querendo criticar o coitado, mas observem o meu ponto de vista: eu me inscrevi para o ProUni. Eu estou na faculdade só por causa do programa. E, sinceramente, acho que foi uma grande idéia. Mas, vejam a divisão de cotas: as pessoas que se classificam na grade como brancas e/ou pardas concorrem a bolsas com notas bem mais altas do que as mesmas cotas das mesmas bolsas para as pessoas que se inscrevem como negros e indígenas. É absurdo que depois de tudo o que sofreram para a construção deste país, de tudo o que lutaram, de tudo o que fizeram, de tudo o que construíram, é absurdo que os nossos irmãos negros e indígenas continuem a ser tratados com inferioridade. Acaso alguma pessoa, só por ter a pele mais dourada de sol, tem, só por este detalhe, o cérebro menor ou com menos capacidade de armazenamento? Acaso os negros devem sempre se classificados como inferiores? Acaso um índio que queira prestar vestibular tem naturalmente menos chances de passar em uma prova que um branco, somente pelo detalhe da cor de sua epiderme? Não, e repito, não! Temos todos a mesma capacidade, a mesma inteligência, somos todos irmãos e iguais. Não estou aqui protestando por ter que conseguir uma nota maior para entrar no programa, não é este o meu objetivo. Acredito que não se deve subestimar a capacidade de ninguém, nunca. Talvez alguém leia isso e pense que o governo foi coeso em distribuir as cotas com exigências maiores ou menores para determinadas classes. Não mudo meu modo de pensar. O ProUni foi a melhor idéia do governo até hoje para colocar mais brasileiros no Ensino Superior, foi um grande investimento em educação. Mas nada é perfeito.
É difícil, muito difícil ser ético atualmente. Não temos mais noção do certo e do errado, num mundo onde tudo o que era errado passa a ser certo, e onde tudo muda, muito rapidamente. O modo de pensar do ser humano tem mudado. Será q a ética também mudou? Será que agora é ético ser antiético? Por via das dúvidas, eu continuo tentando ser ética. Ou será que eu estou tentando não ser antiética? Ser… Não ser… reeinventando vagalmente as palavras de Veríssimo, ‘fica difícil saber quando se está sendo ético num mundo onde você não consegue ser correto nem com o seu cachorro, sem ser motivo de zombarias’.

Eu continuarei tentando.