Três Músicas

Na última semana eu vi três das bandas que de alguma forma moldaram um pouco do que eu sou hoje. E as três fizeram shows lindos.

A primeira estava lá quando eu ouvi a primeira música que eu podia chamar de Rock. Era o Red Hot Chili Peppers. E a primeira música que eu ouvi deles foi “Easily”, numa aula de inglês, para cantar junto. E a primeira vez em que eu tive conhecimento da existência do Anthony, do Flea, do Chad e do John (everyone misses you, Frusciante!) mudaria muito o que eu, uma garota de 13 anos, poderia pensar sobre a vida dali pra frente. Olha que beleza:

A segunda eu ouvi numa versão do Samuel Rosa para “Sing”, e gostei de cara. Era o Travis, outro show formidável. The Invisible Man começou a fazer parte do meu dia a dia e até hoje as músicas deles me deixam sentir que existe uma parte do universo que é mais fofa. A primeira deles que eu ouvi, e que muita gente também pode ter ouvido assim, de primeira, é essa aí:

A terceira é o Blur, só que eu não lembro qual foi o primeiro som do Blur que eu ouvi na vida. Eu só sei que soube da rixa Blur x Oasis ou Oasis x Blur muito depois de saber que eu amava as duas bandas (o Oasis um pouco mais, mas isso é tema para outro post). Que Gorillaz ficou mais legal depois que eu descobri que o 2D é o Damon Albarn. Que toda festa fica mais legal quando toca Coffee and TV ou Song 2. E que todo mundo fica mais legal quando fala que o Graxom é foda, porque ele é mesmo.

Então a música abaixo não vai ser a minha primeira do Blur, mas sim uma que eu gosto bastante.

Não me julguem, meu relógio biológico está grudado na minha adolescência.

 

Um Red Hot um pouco menos Chili Peppers…

I´m With You, o novo álbum do Red Hot Chili Peppers está carregado de surpresas, algumas boas e algumas nem tanto. É claro que a pausa pós Stadium Arcadium fez os fãs esperarem muito mais do lançamento. Porém, é claro, algumas decepções marcam e marcam mesmo.

Em primeiro lugar, Monarchi of Roses, faixa que abre o álbum, já não vem carregada dos baixos de Flea e apresenta Anthony com voz robotizada. Oi? É um começo um tanto estranho para um álbum que foi tão esperado. “Factory of Faith” também é energizante, mas seguida por “Bredan´s Death Song”, o tipo de canção “ai que coisa fofinha” com um Kieds meigo e solitário numa pré-morte estabelecida deixa um som estranho no ar… Oi de novo, o que tá acontecendo? Os apimentados dizem que é um novo começo, o tal do “I´m Wit You”. Mas é um começo diferente, talvez mesmo o renascimento da banda que eles mencionam…

Depois de Bredan, o que volta a dar gás mesmo ao trabalho é “Look Around”, faixa que tem a cara do Red Hot que a galera conhece.  Tem tudo para ser o terceiro single do álbum e é uma das melhores e mais apimentadas do trabalho. Na sequência, “The Adventures of Rain Dance Maggie”, primeiro single, também é mais lenta do que é de costume para o Red Hot mas dá conta de ser um sucesso satisfatório. Outras eletrizantes são “Did You Let You Know” e na sequência “Goodbye Hooray” mas para por aí… nas faixas que finalizam o trabalho quase não dá para saber se é o Red Hot mesmo que tá tocando. A única menção inconfundível mesmo é a voz de Kiedis, que continua maravilhosa.

Que a perda de Frusciante (de novo) deixou o Red Hot estranho. Da primeira vez, Navarro se saiu muito bem no One Hot Minute, mas esse não vendeu nem metade que seu antecessor e o guitarrista deixou a banda logo depois do fim da turnê. Agora, com as guitarras de Josh Klinghoffer que aparecem muito mais, porém sem o gosto dos solos de Frusciante, o Red Hot se vê num novo caminho, que talvez seja ótimo, mas talvez não seja tão bom assim.

1. “Monarchy of Roses”
2. “Factory of Faith”
3. “Brendan’s Death Song”
4. “Ethiopia” 3:50
5. “Annie Wants a Baby”
6. “Look Around”
7. “The Adventures of Rain Dance Maggie”
8. “Did I Let You Know”
9. “Goodbye Hooray”
10. “Happiness Loves Company”
11. “Police Station”
12. “Even You Brutus?”
13. “Meet Me at the Corner”
14. “Dance, Dance, Dance

Nota: 5,5

Dez Razões Pra Ouvir – Red Hot Chili Peppers

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“Dream of Californicatioooonn…” Puna-se caso você nunca tenha ouvido isso. Com certeza, Anthony Kiedis e cia. já invadiram a sua vida alguma vez que seja. Mais se você ainda não tem razões mais sérias pra curtir o rock alternativo, folk e psicodelia dos meninos, preste atenção. Os caras são muito mais que os quarentões gatos que aparecem sem camisa na maioria de seus clipes. Atualmente com Anthony Kiedis, Flea Balzari, Chad Smith John Fruciante – a banda que já contou com Dave Navarro (antigo Jane´s Addiction) e Jack Irons (antigo Pearl Jam) – têm muita história pra contar. Dez razões? Até vinte! Mais dez já está de bom tamanho, não???

1 – Anthony Kiedis – Vida difícil a dele! Aos 11 anos, o menino começou a usar drogas. O pior é que a influência foi do próprio pai, que também apresentou ao garoto o sexo, que também o fez gravar filmes pornôs. Não é muito normal, mais isso não acabou com a vida dele. Com mil razões pra não ser nada além de mais um menino traumatizado, o cara conheceu seus grandes amigos numa escola de Los Angeles (que o acompanhariam até os dias de hoje) e finalmente se encaixou em algum lugar. E como se encaixou né? O Red Hot Chili Peppers salvou a pele do nosso lindo bad boy. Não que ele tenha passado a ser um bom garoto, mas ganhou um espaço, um lar, algo pra defender. Quer saber mais sobre a epopéia da vida do Kiedis? “Scar Tissue: a vida alucinada do vocalista do Red Hot Chili Peppers” é uma boa pedida.

2 – Som pra pular e pra parar – Entre seus álbuns, suas trocas de integrantes, os envolvimentos com drogas e todas as confusões “hot” do “Red Hot”, a música que os caras fazem é uma coisa sem explicação. “Suck My Kiss” e “Under The Bridge”, do Blood Sugar, “Aeroplane” e “My Friends” do One Hot Minute e tantas outras mostram a calma/fúria dos californianos que fazem chorar e rir com suas canções. Há fãs que adoram dançar ao som do Red Hot, também. Vindo mais pra os novos sons, um álbum bem bacana pra curtição é o “Júpiter”, do duplo Stadium Arcadium. Ligue o som no último e comece a pular.

3 – Sem vergonha – No início da carreira, ainda nos primeiros shows, esses malucos enlouqueciam as fãs (e continuam enlouquecendo). É que os meninos, antes de serem o Red Hot Chili Peppers eram apenas os Tony Flow and the Miraculously Majestic Masters of Mayhem. Não entendeu né? Bom, Anthony, Flea, Hillel Slovak (in memorian) e Jack Irons começaram a carreira tocando em bares de strip-tease nos anos 80. Em uma das apresentações (no Kit Kat Klub), eles fizeram algo que virou marca dos apimentados. Entraram no palco só de meias, usadas no lugar de preservativos e enlouqueceram a mulherada. Em 1983 mudaram o nome pra Red Hot Chili Peppers e continuaram se apresentando de meias, de vez em quando. Pra delírio das “pepperzetes”.

4 – Mexendo com a cabeça – Sim, isso mesmo, vou falar do Flea Balzari. Junto com o Kiedis desde o começo da banda, o cara tem uma peculiaridade. É o pepper que mais faz besteiras com o cabelo. Moicanos, carecão, e cores, muitas cores. A cada novo clipe, turnê ou show, se os peppers forem fazer alguma coisa com o cabelo de alguém, será o cabelo do Flea! Já vimos o cara com o cabelo laranja, rosa-pink, amarelo-ovo, verde-florescente, azul-celeste… No mínimo escandaloso.

5 – Ecologicamente corretos – Desde o lançamento do “By The Way” em 2002, o Red Hot tem incentivado causas ambientalistas. Além de ter sido o primeiro álbum da banda impresso totalmente em papel reciclado, iniciou uma idéia de Anthony para a defesa do meio ambiente. A banda está na lista dos astros que participarão do Live Earth, projeto do MSN em parceria com a Save Our Selves (SOS) – The Campaign for a Climate in Crisis (campanha para um clima em crise). A campanha tem data prevista para 07/07/2007. Bonito não?

6 – A Amizade – Um dos maiores abalos que o Red Hot sofreu foi a morte de Hillel Slovak, primeiro guitarrista da banda, que conheceu Flea e Anthony ainda na Fairfax High School, em Los Angeles, e saiu da banda por pouco tempo. O cara morreu em 25 de julho de 1988, na época em que a banda finalmente começava a alcançar o grande público e fazer sucesso de verdade. A causa mortis? Overdose de Heroína. O impacto foi tão grande que Irons resolveu sair definitivamente da banda. Após receber John Fruciante e Chad Smith (guitarra e bateria, respectivamente) e lutar contra o seu vício em clínicas de recuperação, Anthony compôs uma música para Hillel (Know Me Down) e a lançou, junto a Higher Ground no Mothers Milk, de 1989. Outra música foi dedicada a Hillel, tempos depois. É “My Lovely Man”.

7- Tatuagens – Se você é admirador de uma bela tatuagem, então observe os meninos do Red Hot. Com tatuagens em várias partes do corpo, de todos os tamanhos, formas e tipos, os quatro apimentados não negam a paixão que têm pelas marcas no corpo. O encarte do CD “Blood Sugar Sex Magic” é inteiramente coberto de tatuagens tribais, desenhadas por Henky Penky, grande amigo dos Peppers e autor de boa parte das tattoos do Tony.

8 – Brasil – Pois é, a banda já veio ao Brasil. E arrasou. Foi em 2001, na última edição brasileira do Rock´n´Rio. E os caras foram muito bem recebidos. Gostaram tanto do país que Flea até comprou uma casa de férias, no interior da Bahia. Voltaram em 2002 pra um show no Pacaembu (SP), em divulgação do “By The Way”. E os peppers tupiniquins aguardam ansiosamente a próxima visita dos californianos no Brasil. Quem sabe uma turnê do “Stadium Arcadium”?

9 – Criatividade – Várias composições dos nossos peppers são mostras únicas das idéias deles. Apesar de algumas serem um tanto confusas (comecei essa matéria com uma… se alguém souber o que é um “sonho de californicação” me mande um e-mail explicando, por favor) as outras fazem muito sentido. Dois exemplos? “Under The Bridge” é sobre a época em que Anthony comprava drogas embaixo de uma ponte de Londres, e mostra um pouco das confissões de uma vida de vícios e solidão. “Around The World” é sobre uma viagem que Kiedis fez pelo mundo em 1998. Ele saiu da Califórnia e passou pela Índia de Dalai Lama, Noruega, e até pela Rússia, à qual ele fez uma bela crítica. Claro que tudo é muito suave. Grande Tony!

10 – Tocando com a sua banda favorita – Você sempre foi tão fã da sua banda favorita que já quis entrar nela? Putz. Que pena, porque só o John Fruciante aqui conseguiu. Foi logo depois que o Hillel Slovak morreu. O garoto de apenas 18 anos impressionou os outros caras da banda com a mágica que ele fazia com uma guitarra em mãos. É. Cada um dos apimentados tem uma grande história pra contar.

E aí. Será que eu consegui te convencer? Se ainda não, dá uma olhadinha nos sites da banda (tem um site bacana versão português!). Acesse o www.redhotchilipeppers.com ou o www.redhotchilipeppers.com.br e descubra a pimenta californiana, pra ouvir, pra tocar e pra cantar. Aposto que até o maior anti-pimenta do mundo não vai resistir ao som desses eternos meninos.

Publicado originalmente no site MundoRock.net em maio de 2007