Resenha – Donkey – Cansei de Ser Sexy (CSS)

Nem pop, nem indie, nem rock´n´roll. O novo Cansei de Ser Sexy, a mais internacional das bandas brasileiras, é tudo isso junto e um pouco mais também. A banda de Adriano Cintra, Lovefoxxx, Luiza Sá, Ana Rezende e Carolina Parra está mais madura. É a única explicação
possível depois de ouvir atentamente a cada música do novo álbum, “Donkey” lançado em julho deste ano e disponível para download nos sites de música MySpace e Trama Virtual. Estão mais rockeiros também.

Adriano assumiu de vez o baixo da banda, as guitarras aparecem muito mais e Lovefoxx está mais doce em cada música. É imperdível. “Jager Yoga” começa com bateria, baixo e guitarra e nem um pouco do CSS que o mundo conheceu. O famoso sintetizador só aparece para
acompanhamentos e Lovefoxx aparece mais agressiva também. A guitarra bem trabalhada nem parece a da banda que aprendeu a tocar nos shows, e que só queria se divertir nos shows. A diversão virou profissão e a produção agrada. Em seguida, o primeiro single (ou seria single conjunto?) do álbum, “Rat Is Dead (Rage)”, primeiro som a ser disponibilizado para download, também trás a cara mais rock´n´roll da banda, amadurecida até os backing vocals. Guitarra, baixo e bateria continuam predominando, e nada parece lembrar a banda do “Meeting
Paris Hilton” cheio de efeitos, ou do “Music is My Hot Hot Sex”, mesclando o português e o inglês.

Se o nome “Let´s Reggae All Right” faz você pensar em algo mais dançante, não há erro nisso. “Give Up” é a primeira demonstração do CSS que todo mundo conhece e “Left Behind” dispensa comentários: é moderna, madura e bem feita. “Beautiful Song” é simplesmente um som bonito! Não tem como dizer outra coisa dessa musiquinha grudenta e leve, que tem um dos melhores solos de baixo do CD e é super candidata à novo hit da banda. “How I Became Paranoid” é pra dançar do começo ao fim assim como “Move” como o próprio nome sugere e “I Fly”  tão leve e dançante que é só fechar os olhos e voar no chão.”Believe Achieve” e “Air Painter” fazem “Donkey” acabar deixando um gosto de quero mais.

É inevitável não tirar o CD do drive, voltar a primeira faixa e ouvir tudo de novo, sem parar até as pernas doerem ou os ouvidos não agüentarem mais. Como os ouvidos vão sempre suportar a boa música do CSS, é esperar as pernas cansarem. Sem dúvida o Cansei de Ser Sexy, ou CSS no nome europeu / americano da banda, que já era banda do Mp3 da Rakky, agora é que eles não saem nunca mais de lá.
CSS – DONKEY – 2008 – Sub Pop
01 – Jager Yoga
02 – Rat Is Dead (Rage)
03 – Let´s Reggae All Night
04 – Give UP
05 – Left Behind
06 – Beautiful Song
07 – How I Became Paranoid
08 – Move
09 – I Fly
10 – Believe Achieve
11 – Air Painter

Nota: 10

Resenha – Cinco Faces de um Segredo – Fake Number

Uma intro diferente e até engraçada começa o álbum de estréia “Cinco Faces de Um Segredo” lançado pela banda Fake Number, banda de Elektra (vocal), Pingüim (guitarra), Gabriel (guitarra), Diablo (baixo) e Tony (bateria), junto à gravadora Urubuz Records em 2007. Vinte e sete segundos depois, o primeiro trabalho da banda “Segredos que Guardei” invade os ouvidos e mostra o talento dos cinco integrantes. Bateria, baixo e guitarras fazendo um som pesado, e uma voz doce para constratar no ritmo. “Conto de Farsas” é o som seguinte e a rapidez dos riffs em solos longos e bem feitos exibe a experiência de Diablo (baixo), Pingüim (guitarra) e Vermelho (antigo guitarrista).

As músicas seguintes seguem o mesmo ritmo: letras que falam de sentimentos e conflitos adolescentes, misturando um vocal afinado de Elektra ao instrumental competente dos garotos. Depois de fortes batidas que vão de “Como Seria” até “Eu sempre soube” o Fake Number

abre espaço para as baladinhas do CD que são as três últimas músicas do álbum. “Não finja se importar” tem o refrão meigo, perfeito para a galera que ouve a banda usar em nicks: “Por tanto tempo esperei por este momento… flashes dos minutos que pra sempre vou guardar”. “A Cada Dia”, sempre aguardada nos shows da banda, fala de um relacionamento que não deu certo e da teimosia sempre presente entre os corações adolescentes. “Platônico” segue a mesma linha, e encerra o álbum quase que somente com o suave som de uma guitarra tranqüila, que não apareceu por muito tempo no álbum inteiro.

Enfim, “Cinco Faces de um Segredo” é aquele CD pra deixar sempre visível na prateleira. Além de trazer músicas maravilhosas, tem som pra quem quer agitar e pra quem só quer escutar uma letra bacana, largadão no sofá ou conversando com os amigos on-line.

Cinco Faces de Um Segredo – Fake Number – Urubuz Records – 2007

01 Fake Number

02 Segredos Que Guardei

03 Conto De Farsas

04 Como Seria

05 Aquela Música

06 Apenas Mais Um

07 Mais Perto

08 Não Quero Seu Mal (Fake)

09 Idéias Falsas

10 Eu Sempre Soube

11 Não Finja Se Importar

12 A Cada Dia

13 Platônico

Nota: 8

JET – “Shine On” chega ao Brasil brilhando

Publicado originalmente no site http://www.mundorock.net

Por Raquelline Curvelo

É... depois de ‘Get Born’ o JET volta pra ‘Shine On’ mesmo. E o brilho dos quatro garotos de Melbourne, Cameron Muncey (Guitarra e Vocais), Nic Cester (Guitarra), Mark Wilson (Baixo) e Chris Cester (Bateria), vem, diferentemente da maioria das bandas da atualidade, do passado. Isso mesmo, do passado! Quem disse que pra fazer sucesso é preciso fazer algo novo? Eis a filosofia de trabalho desses quatro australianos, que estouraram no Brasil e no mundo em 2003.

“Shine On”, o mais novo álbum da banda, vem reafirmar o que o JET disse no “Get Born”, álbum de estréia da banda, premiadíssimo no mundo todo. Quem se encantou com “Are You Gonna Be My Girl”, “Move On” ou “Look What You´ve Done” com certeza vai notar em “Put Your Money Where Your Mouth Is”, nova música de trabalho da banda, a reafirmação do rock dos anos 60 e 70 que a banda insiste em trazer, e o encantamento que isto produz. E já estava mesmo na hora de alguém ter a brilhante idéia de trazer à tona novamente o que o rock´n´roll teve de melhor, logo quando surgiu. Aí está o JET, pra trazer à atualidade os grandes monstros do rock. Sim, porque é praticamente impossível ouvir “Eleanor” e não se lembrar de “Here Comes The Sun” dos eternos Beatles. A banda que não nega e influência máxima dos garotos de Liverpool e companhia, vem mostrando a cada novo show que não tem medo de imitar os grandes monstros do rock. E tem de tudo um pouco. Para os mais festeiros, “Holiday”, “That´s All Lies” e “Stand Up” prometem fazer pular e agitar as festas da galera com suas maravilhosas guitarras elétricas. Já para os mais calminhos “All You Have To Do”, “Shine On” que dá nome ao álbum, “Bring It On Back” e a lindíssima “Shiny Magazine” prometem a preferência na playlist de baladinhas românticas da galera.

Produzido por David Sardy e gravado em Barbados, Massachussetts e Los Angeles, o álbum tem lançamento previsto aqui no Brasil para dois de outubro, mais já vazou pela net, maravilha para os fãs ansiosos. Mais vale a pena esperar o lançamento oficial pra ter o gostinho de ter em mãos as 15 faixas muito bem feitas do Shine On. Brilhantes! Simplesmente brilhantes!

Nota: 9,0

Álbum: Shine On

Ano: 2006

Gravadora: Elektra

Faixas:

  1. L´ Esprit d´Escalier
  2. Holiday
  3. Put Your Money Where Your Mouth Is
  4. Bring It on Back
  5. That´s All Lies
  6. Hey Kids
  7. Kings Horses
  8. Shine on
  9. Come on Come on
  10. Stand Up
  11. Rip It Up
  12. Skin and Bones
  13. Shiny Magazine
  14. Eleanor
  15. All You Have to Do

Skank – Carrossel inova na base do rock clássico

Publicado originalmente no site http://www.mundorock.net

Por Raquelline Curvelo

Quinze anos. Quinze faixas. E um novo Carrossel começa a rodar. Nos rádios das casas, nos programas de rádio e TV e na internet, os quatro mineirinhos do Skank novamente fazem o mundo girar. E girar mesmo. O novo álbum da banda, intitulado “Carrossel” e lançado pela Sony & BMG  em agosto último, surpreende novamente a crítica e os fãs no mundo inteiro. É um trabalho diferente, mostrando um Skank cada vez mais maduro, mais unido e mais criativo.

Vinte e cinco músicas foram produzidas para este trabalho, todas compostas entre novembro de 2005 e junho de 2006 no estúdio da família Ferreti, o “Máquina” em Belo Horizonte. Somente quinze entraram no CD, carregadas de psicodelia madura e de naturalidade, sem perder o poder pop/rock, explorando o brit-rock, mais abusando das experimentações, que Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zanetti e Haroldo Ferreti tanto tem gostado de fazer. O Skank passa a mostrar que não está aí para ser mais uma banda de pop/rock, deixa de lado o estilo “pra-pular” brasileiro e mostra o que a banda realmente quer fazer, sem perder o compromisso com as músicas para o rádio mesmo. Quinze faixas é um número que impressiona, visto que todos os CDs de estúdio da banda até o momento não passaram das doze. “Eu e a felicidade”, a música de abertura do CD, já mostra um pouco do que todo o Carrossel vem dizer: a felicidade está no ar, e o Skank ressurge cada vez mais romântico, a parceria inconfundível de Samuel Rosa e Nando Reis, já inicia o álbum detonando. O hit do momento, “Uma Canção É Pra Isso” traz a tradicional parceria Samuel Rosa e Chico Amaral e chega dizendo à que veio:  “uma canção é pra fazer o sol / nascer de novo /  pra cantar o que nos encantou / na companhia do povo”. Destaque especial para “Mil Acasos”, candidata universal à novo sucesso, composta também por Samuel e Chico, e irmã gêmea de “Vou Deixar”, do último disco em estúdio do Skank, o Cosmotron, de 2003, “Seus Passos”, baladinha romântica pra acalentar os corações apaixonados, “Balada Para João e Joana” que destaca o banjo como nova descoberta da banda, “Notícia” com as mudanças rítmicas lembrando um pouco de “Rebelião” do Maquinarama, mais com uma letra bem mais leve, “Anti-telejornal” parceria com Rodrigo F. Leão, exibindo um som mais latino e “Trancoso” primeira de uma talvez grande parceria entra Arnaldo Antunes e Samuel Rosa, composta em Trancoso na Bahia, durante um encontro casual nas férias em família de ambos e lembrando de leve o som de mar, com as “melodias de sereia” e com “os pés na areia” mesmo.

Produção de Chico Neves e de Carlos Eduardo Miranda, o Carrossel chega às lojas mostrando um Skank voltado a criar a sua própria identidade, sem medo de trocar o Reggae que iniciou a banda pelo Rock Tradicional, e até Clássico que agora dá lugar aos sons dos mineiros abusados e corajosos, que não recearam mudar em nome do real objetivo da banda: fazer música. Convite aos ouvidos inquietos, para fazer a fantasia das cores e voltas do carrossel da vida iluminarem o rádio quando o Cd começar a tocar. É ouvir e viajar!

Álbum: Carrossel

Ano: 2006

Nota: 8,5

Faixas:

01 – Eu e a Felicidade;

02 – Uma Canção é Pra Isso;

03 – Até o Amor Virar Poeira;

04 – O Som da Sua Voz;

05 – Cara Nua;

06 – Mil Acasos;

07 – Lugar;

08 – Notícia;

09 – Garrafas;

10 – Panorâmica;

11 – Balada Para João e Joana;

12 – Trancoso;

13 – Antitelejornal;

14 – Seus Passos;

15 – Um Homem Solitário.