Um show para tocar o coração

 

Fagner

A Virada Cultural desse ano não teve muitas atrações para as quais eu dedicaria suportar apertos, socos, pontapés ou toda a gritaria fanática que me são habituais. Talvez eu esteja ficando velha, talvez os shows não me atraiam tanto mais ou pior ainda: eu não aguente mais virar as madrugadas acordada. 

 

De qualquer forma, fiz a minha listinha de atrações imperdíveis e fui ver o que conseguia assistir. Passei no final do show do Raça Negra, dei uma boa volta pelos balanços do Vale do Anhangabaú e fiquei muito, mas muito tempo na fila do Theatro Municipal, para tentar pegar o ingresso para um dos shows que eu mais queria ver naquele dia: sim, era o Fagner.

 

Raimundo Fagner é uma criatura encantadora, que infelizmente foi arrastado para a classificação “brega” da nossa música. Não consegui o ingresso para o show, mas fiquei na frente do telão que demorou umas 4 músicas para quase funcionar direito transmitindo para o povo de fora do teatro o show lá de dentro. Confesso que chorei de emoção, de uma saudade ardida que bateu, uma mistura de sensações.

 

E é com esse poder de emocionar uma grande plateia que eu acho que os cantores, bandas e artistas de uma maneira geral devem cativar o seu público. É essa sensação que me faz gostar, acompanhar, admirar um artista.

 

 E você? Que show já te fez chorar de emoção?

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Em 2012 tem Los Hermanos!

Show dos Los Hermanos!

Ai gente! Sonhei tanto com o dia em que poderia dizer que fui ao show dos Los Hermanos que precisava compartilhar a notícia do feriado aqui. E não, não estou ficando louca, o anúncio está no Blog do Medina.

E eu nem lembro exatamente quando foi que eu comecei a gostar deles, o ponto é que foi bem no fim. Não é revoltante descobrir uma banda pouco antes de eles decretarem que vão parar de fazer shows e que você não poderá vê-los ao vivo? Ou só conseguir começar a gostar de uma banda quando não é mais possível ver algo sobre eles na sua humilde vidazinha? Isso já aconteceu comigo com muitos exemplos, mais alguns são o Gram, o Pullovers, o Legião Urbana, os Beatles e tantas outras que já até perdi a conta.

Eu vi o Marcelo Camelo solo na Av. Paulista, vi shows dos Los no Youtube, mas a emoção não é igual. E eu estou tão feliz que pareço uma criança!

Você também pode gostar de ler: 

Norberto;

Disco Paralelo do Ludov marca o auge da banda;

Lição de Casa;

Dez Razões pra Ouvir – Gram.

Mallu Magalhães no Bourbon Street

Acho que todo o universo sabe que eu adoro a Mallu Magalhães, por seu talento, voz, capacidade, precocidade e milhares de outras coisas. O certo é que a garota conquistou meus ouvidos desde a primeira audição, ainda na época do MySpace, e eu ainda não havia ido a nenhum de seus shows, ou por falta de tempo, ou por falta de grana, ou por falta de sorte, ou por falta de proximidade com o lugar do show. Aí, me aparece na semana passada o João de Deus (um amigo meu da rede social do banco!) anunciando um show em que a menina cantaria músicas do terceiro CD, e que aconteceria em Presidente Prudente, no domingo. Fiquei louca com a injustiça do mundo até que na segunda-feira, logo após ler os breves comentários do João sobre o espetáculo que assistiu junto à mulher e filha, eu leio no Twitter o seguinte anúncio:

Amanhã tem show da Mallu no Bourbon Street. Envie seu nome e RG para a lista amiga e ganhe 30% de desconto na entrada: listamallu@gmail.com

Era demais pra mim. Não pensei duas vezes e mandei o e-mail, respondido rapidamente pela equipe do Twitter @versinhos_mallu. Eu tava na lista. Liguei pro @gustavo_noidea na hora do almoço e ele topou ir também. Tava feito!

No dia seguinte, às 22h40 (tá, atrasou um pouco, mas valeu a pena) estava eu num bar muito bonito e intimista, sentada numa mesa quase na frente do palco e ela entrou. A platéia era surpreendente: formada por pessoas de todas as idades, com mais casais e velhinhos sentados perto do palco. Senhores com cara de admiradores da bossa paulista aguardavam tão ansiosos quanto adolescentes de blusinhas xadrez. A garota arrumou o microfone e disse:  “Boa noite pessoal. Eu sou a Mallu Magalhães e vou cantar algumas músicas pra vocês hoje. Obrigada pela presença de todos e eu espero que vocês gostem”. Depois, cantou a primeira música de divulgação do seu terceiro álbum, uma canção maravilhosa. Por vezes ela apresentava as canções que ia tocar, como num dos momentos em que eu tive que me controlar muito para não gritar: “Agora eu vou cantar uma música de um cara que é referência pra mim, na verdade, ele é referência pra todo mundo, porque não dá pra não gostar. Vou cantar uma música do Paul McCartney”. Em seguida, começou a cantar Junk, uma baladinha super leve que eu não lembrava o nome na hora que ela tocou, mas que ficou incrível na voz da garota.

Aí ela cantou Tchubaruba, a primeira música própria que virou single e que ficou registrada na terceira faixa do primeiro álbum, cantou A Rita, do Chico Buarque, cantou Shine Yellow, sucesso do segundo álbum. No meio da apresentação, disse: “Agora eu vou cantar uma outra música de minha autoria, que é bem bonitinha. Eu acho ela muito legal, então, espero que vocês também gostem”. Aí a menina me começa a cantar em francês! Procurei registros sobre isso e achei no site dela uma menção sobre uma música que se chama “Il va partir” que eu infelizmente não conhecia, que espero que seja essa linda que ela cantou e que acredito que fará parte do terceiro álbum. Depois, anunciou que gostaria de aproveitar o ambiente intimista para cantar uma música que fazia quase dois anos que ela não tocava em nenhum show, mas que ela adorava… era Noil, onde os agudos ferozes que inacreditavelmente saem daquela garganta puderam finalmente se manifestar, com todo o seu poder de fogo. A platéia aplaudia encantada… não poderia ser diferente. Além dessas, o show teve espaço para Ricardo, Soul Mate, Compromisso, Nem Fé Nem Santo e Make it Easy, mesclando músicas do primeiro álbum com a maioria do segundo. O terceiro disco também teve espaço quando ela cantou um samba que não disse o nome, mas o refrão fica grudado na cabeça: “Pra onde você for, me leva… se eu não for, me carrega… por onde ele for, me levará… se eu não for, me carregará…”. No meio do show, apresentou a competente banda e agradeceu a presença de todos. Disse que faz seu trabalho com muita dedicação e fica comovida com a dedicação do público em estar presente naquela casa de shows, naquela data, para ver a sua apresentação. Uma simpatia.

Já no final da apresentação, comentou: “Gente, agora eu vou cantar a última música do show!” ao que a platéia respondeu com um grande “aaaaaaaaahhhh!”. A menina não perdeu tempo e respondeu. “Bom, na verdade, nós temos um bis ensaiado, são mais três músicas, mas aí a gente saí, vocês pedem bis e a gente volta… eu espero que vocês queiram que a gente volte porque, poxa, são mais três músicas, então, pensem nisso…”. Arrancando risos da galera encantada, ela cantou, saiu do palco dando tchauzinho com as mãos tímidas e, depois de menos de um minuto e com muitos “Mais um, mais um” / “Biiis, biiis, biiiisss” e “Mallu, cadê você, eu vim aqui só pra te ver!” voltou para encerrar o show com as suas três prometidas músicas, entre elas a quase country Don´t You Look Back, que garantiu o ânimo da galera no final do espetáculo, de onde ela saiu aplaudida, de pé.

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Depois do espetáculo, a tietagem né? Vocês acham mesmo q eu ia perder a oportunidade de falar com ela? Vi algumas pessoas subindo no palco e entrando no que seria a porta de acesso ao camarim. Lá fomos Gustavo e eu pra tentar falar com a nossa celebridade mirim. Da porta do camarim dava pra ver a intimidade e a alegria com que ela falava com as pessoas que estavam lá dentro, o que nos fez sentir um pouco intrusos, já que nunca haviamos falado com a moça. Mas, nada disso: ela foi uma simpatia, conversou com a gente como se fosse nossa amiga há anos, falou do show, ficou feliz por termos gostado, falou de suas influências, me deu um autógrafo, abraçou e tirou foto! Uma gracinha. Abaixo, veja os registros da cena:

Paul McCartney no Brasil: o show mais incrível da minha vida

Estou em êxtase. Sabe quando você não consegue selecionar as palavras corretas para descrever algo? É exatamente esse o meu sentimento em relação ao show de ontem, o melhor show que já vi e que já verei em toda a minha vida: o show do Paul McCartney no Morumbi, em São Paulo; o show do meu beatle favorito; o show de uma das pessoas mais fantásticas que existe viva nesse mundo hoje.

Foto por Marcelo Justo

Esqueçam que eu sou jornalista enquanto lêem essas linhas. Eu consigo escrever com imparcialidade sobre o Skank, sobre todas as minhas bandas favoritas, sobre as bandas que eu não gosto, sobre as pessoas que amo e que odeio, mas depois de tudo o que vi ontem, sinto muito, não consigo só dizer que foi maravilhoso, que o show estava ótimo, que a organização deu certo apesar das pequenas falhas e que o Paul foi uma simpatia. Preciso dizer que o show foi perfeito do começo ao fim, a organização falhou, mas o Paul não falhou e foi um gentleman, um fofo, uma gracinha, do tipo que da vontade de abraçar, apertar as bochechas e dizer “All my loving I will send to you, all my loving, Paul, I’ll be true!”.

Enfim, cheguei no Morumbi às 13h e fiz três amigos fantásticos na fila. A Regina, uma senhora super simpática, a Cibele, filha dela e tão fofa quanto a mãe e o João, um advogado de Cascavel. A Regina inclusive emprestou para mim e para o meu namorado uma câmera semi-profissional para tirarmos fotos durante o show e vamos buscar essas imagens na semana que vem (por isso vou usar fotos de divulgação nesse post e depois posto as minhas, ok?). Entramos no estádio às 17h40, 10 minutos após o que estava marcado (ótimo!). Dentro do estádio (fui de arquibancada especial vermelha) a galera fazia “oooollaaaaaa”, cantava clássicos do Paul e dos Beatles e conversava animadamente. O sentimento que fluia ali dentro era de que todos os que estavam ali e que estavam para chegar participariam de um momento único e fariam parte da história da música mundial. E foi bem isso o que aconteceu quando Sir James Paul McCartney entrou no palco do Morumbi às 21h35, CINCO minutos depois do horário previsto para o show começar.

 

Foto de Lucas Lima

Ele abriu o show com “Venus and Mars / Rock Show” e eu chorei. Eu estava ali, junto de outras 63.999 pessoas, vendo um beatle tocar. Em “Jet”, me acalmei um pouco, mas ele não ia nos deixar ficar quietos por muito tempo. Disse “Boa noite São Paulo” e aguardou a resposta histérica de todos. Em seguida, “Boa noite paulistas!”. “Hoje eu vou tentar falar um pouco em português, mas também vou falar em inglês”. Depois dessa declaração no mínimo fofa, ele pegou seu baixo e começou a linda “Close your eyes and I’ll kiss you, tomorrow I miss you, remember I’ll always be trueeee” para o delírio de 64 mil beatlemaníacos desesperados. Seguindo com “Drive My Car”, também dos Beatles e “Highaway”, do projeto eletrônico Fireman.

Entre um intervalo de música e outro, o Morumbi gritava “Paul! Paul! Paul! Paul! Paul! Paul!”. Ele respondia perguntando se estava “Tudo ok”, dizendo que “vocês são fantásticos”, fazendo caretas, dancinhas, pedindo para o pessoal repetir seus “Yeah, yeah, yeah”, “uou, uou, uou”, “uh, uh, uh” e “Oh, eoh! Oh, eoh!”. Em “The Long and Winding Road” eu chorei de novo. E como seria diferente, escutando um clássico desses ao vivo? E depois, com “Let ‘Em In” da época em que eu comecei a procurar as coisas do Paul pra ouvir? E “I Just Seen a Face” do Help, presente de natal que ganhei há tempo tempo da minha amigona Maristela Lira e que é uma das minhas músicas favoritas do álbum.

A emoção foi imensa em um dos momentos mais lindos do show. Paul disse em português: “Agora eu vou cantar uma música que escrevi para o meu amigo John!”. E o estádio respondeu: “John! John! John! John!”. E aí Paul começou a cantar “Here Today” uma verdadeira declaração de amor e amizade que escreveu para o amigo e parceiro John Lennon em 1982. Dá para não se emocionar?

Outra homenagem veio logo após “Eneanor Rigby” uma das minhas favoritas dos Beatles. E era “Something”, “uma música do meu amigo George” (George! George! George! George!). O telão mostrava várias fotos fofinhas dos Beatles e do Paul e do George juntos.

A clássica “Band on the Run” fez o Morumbi gritar, seguida de “Ob-La-Di, Ob-La-Da” e “Back in the U.S.S.R”, mais outra das clássicas. Outro momento incrível foi a emocionante “A Day in the Life/Give Peace a Chance” quando o estádio inteiro apareceu com bexigas brancas, surpreendendo Paul com uma referência ao branco como símbolo da paz. O máximo foi “Live and Let Die” quando o palco explodiu em luzes e em fogo e todo um coral de 64 mil pessoas foi ao delírio junto ao senhorzinho fofo cantando lá de seu pianinho.

 

Foto de Lucas Lima

 

Depois de “Hey Jude” e 64 milhões de “na, na, na, nanananaaaaa”, Paul fez o primeiro intervalo do show. Dois minutos no máximo e algumas pessoas acharam que o show tinha acabado. Foram embora. FORAM EMBORAAAAA!!!! Como assim? Eu não entendi… Paul voltou com “Day Tripper”, “Lady Madonna” e “Get Back” que John dizia que ele tinha escrito para Yoko. Nessa hora, senti verdadeira alegria em cantar a minha versão: “Get back, get back, get back to where you once beloooong… get back YOKOOO!!!”. No meio da festa, uma fofa homenagem a São Paulo com Paul pedindo e a galera repetindo: “Eh, São Paulo, eh São Paulo”, enquanto o baixista da maior banda de todos os tempos improvisava um solinho de baixo para dar tom a homenagem do Beatle à cidade a ao público que o assistia ali.

O segundo intervalo e mais pessoas foram embora. Perderam. Dois minuto e meio depois, McCartney entrava no palco, pegava um violão e tocava, ao vivo, para todos os presentes o seu maior clássico: “Yeasterday” emocionou a todos que cantavam compassadamente. Paul acenava, observava, fazia poses, mandava beijos e abraços, apontava para as pessoas. Para terminar com rock’n’roll Paul e banda perguntaram “Do you like rock? – aaaahhh?? Do you like roccckkk???” e a banda explodiu com “Helter Skelter”. Antes da última música, Paul disse: “Agora nós temos que ir embora. Vamos ‘rrrooonnncccc’”e improvisou um ronco nos microfones para delírio do pessoal. Aí, banda e Paul encerraram a apresentação de 2h50 com  “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Não dava para ser melhor.

Setlist:

“Venus and Mars / Rock Show”
“Jet”
“All My Loving”
“Letting Go”
“Drive My Car”
“Highway”
“Let Me Roll It / Foxy Lady (Jimi Hendrix cover)”
“The Long and Winding Road”
“Nineteen Hundred and Eighty-Five”
“Let ‘Em In”
“My Love”
“I’ve Just Seen A Face”
“And I Love Her”
“Blackbird”
“Here Today”
“Dance Tonight”
“Mrs Vandebilt”
“Eleanor Rigby”
“Something”
“Sing the Changes”
“Band on the Run”
“Ob-La-Di, Ob-La-Da”
“Back in the U.S.S.R.”
“I’ve Got a Feeling”
“Paperback Writer”
“A Day in the Life/Give Peace a Chance”
“Let It Be”
“Live and Let Die”
“Hey Jude”

bis
“Day Tripper”
“Lady Madonna”
“Get Back”

bis
“Yesterday”
“Helter Skelter”
“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band/The End”

Nota: millll!!!!

 

Eu vou ver um Beatle!

Tava demorando pra esfregar isso na cara de vocês, né, pobres mortais? Pois é queridos, eu vou ver um Beatle! Sir James Paul McCartney, o carinha da foto aí... Ele já passou por Porto Alegre e encantou fãs, foi para Buenos Aires e chamou a galera para ensaiar as músicas do show com ele e nos dias 21 e 22/11 estará em São Paulo. E eu estarei lá!

Agora falando sério pessoal, quem não for vai perder muito! A Up and Coming Tour é uma super retrospectiva da carreira do baixista dos Beatles. Antes de ele subir ao palco, os dois telões mostram imagens suas ao longo de cinco décadas de rock and roll, com a trilha sonora de várias épocas.

O show tem aproximadamente três horas e começa com um hit do Wings, banda de Paul e Linda McCartney pós Beatles: Venus and Mars / Rock Show, seguido por Jet, do disco Band on the Run, de 1974. Então, com All My Loving, ele abre um set de canções da maior banda de rock de todos os tempos (os Beatles, é claro, que NUNCA vão perder essa posição, entenderam? NUNCAAA), como Drive My Car (do álbum Rubber Soul, sexto disco dos Beatles, de 1965). Uma viagem no tempo.

Eu estou esperando esse show desde o começo do ano e a data nunca era confirmada. Com certeza, será um dos melhores shows da minha vida. Abaixo uma foto da arquibancada especial vermelha, de onde eu vou ver um Beatle.

E você, gosta de Beatles? Gosta do Paul? Vai ao show também?

Música de Brinquedo: só podia mesmo ser coisa do Pato Fu!

Ai gente! Tô sumida né? Juro que pretendo voltar a aparecer com mais frequencia por aqui. Mas é que no último sábado aconteceu uma coisa que eu precisava muito compartilhar com vocês, pois acho que vi um dos milagres da música acontecendo. Foi num show do Pato Fu. Mas eu explico.

O Pato Fu é uma das minhas bandas mineiras favoritas. Em agosto desse ano eles lançaram um álbum que se chama “Música de Brinquedo” onde fizeram uma coisa que eu (e sei que muitas outras pessoas) achariam, no mínimo, bem difícil, pra não dizer impossível: regravaram 12 clássicos do pop rock nacional e internacional utilizando apenas instrumentos de brinquedo. Pois é, sabe aqueles tecladinhos, cornetinhas e xilofonezinhos de brinquedo? Baixos, baterias e guitarras em tamanho mini? Pois é, agora imagina tudo isso dentro de um estúdio, virando música? O Pato Fu conseguiu.

Mas o mais legal é que eles foram além. Eu não podia mesmo esperar mais nada deles, mas Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctos, Xande Tamiette e Lulu Camargo me surpreenderam de novo. Eles levaram os instrumentos de brinquedo para o show! E só tocaram com eles!! O choque (ou a revelação de que isso de fato aconteceria) aconteceu quando eles começaram o show, com “É primavera (vai chuva)”  tocada com cornetinhas, tecladinhos e bonecos cantando a parte que as crianças (a Nina, filha da Fernanda e do John e seus amiguinhos da escola) cantaram no álbum de estúdio.

Meu erro foi pensar que depois de conseguir fazer tanta coisa impossível, eles iam se limitar às 12 músicas do álbum e ponto. Ledo e ivo engano, como diria a minha cara amiga Maristela. Quem estava pronto pra só ver “Live or Let Die”, “Sonífera Ilha”, “Frevo Mulher” e “Ovelha Negra” levou um susto gigantesco quando as luzes do espetáculo, a bateria de brinquedo, o baixo, a super guitarrinha rosa de John e os outros instrumentos estranhos começaram a revelar o ritmo de “Eu”, clássico do Pato Fu. E entre bonecos com a cabeleira encaracolada de “Todos estão surdos”, do Roberto Carlos e o retorno para “Simplicidade”, a música do Pato Fu que Fernanda anunciou como “microhit simplezinho do Pato Fu, tão simples que seu nome é Simplicidade”, tivemos “My Girl” e “Love Me Tender”. Além disso, o público se encantou também com “Made in Japan”, que empolgou crianças e adultos, ainda que ambos não entendessem uma palavra do japonês perfeitinho da Takai.

Mas não tinha acabado ainda.Os xilofones, o Xande tocando bumbo em um dos bonecos brancos do palco e os bonequinhos de mão brigando pra cantar: e era “Bohemian Rhapsody”, o clássico dos clássicos do Queen, totalmente arranjada com brinquedos! Nada mais seria impossível de ser feito depois daquilo.

O Pato Fu brilhou. A banda não precisa mais fazer o que a mídia espera que façam para manter o sucesso e a qualidade de seu trabalho. Basta ter uma boa ideia, pôr em prática e pronto: com 18 anos de carreira eles já são grandinhos o suficiente pra brincar com o próprio trabalho e fazer da brincadeira coisa de gente grande.

Show “Música de Brinquedo” – Pato Fu
Repertório:
1 – Primavera;
2 – Sonífera Ilha;
3 – Rock and Roll Lullaby;
4 – Eu;
5 – Frevo Mulher;
6 – Ovelha Negra;
7 – Todos estão Surdos;
8 – Simplicidade;
9 – Live or Let die;
10 – Pelo Interfone;
11 – Twiggy twiggy;
12 – Perdendo os dentes;
13 – My Girl;
14 – Ska;
15 – Sobre o Tempo;
16 – Love me tender;
17 – Made in Japan;
18 – Bohemian Rhapsody.

Nota: 10,0

O Teatro Mágico lança novo DVD e reforça defesa da música livre

Sabe quando a gente sente orgulho de ser parte de algo? Pois é exatamente essa a sensação que Fernando Anitelli e trupe transmitem a todos aqueles que já tiveram a graça de acompanhar de perto um show do O Teatro Mágico. O mais novo projeto da trupe é um novo DVD, intitulado “Segundo Ato” e produzido em parceria com o Itaú Cultural.

Capa do novo DVD

Nesses mais de 6 anos de estrada, a trupe lançou dois álbuns, alguns DVDs, fez shows em parques, associações, grandes e pequenos palcos, praças e até em um circo, além de vender o fabuloso número de 330.000 cópias, contando CDs e DVDs.  Esse número pode parecer pequeno para alguns, porém, se colocarmos no papel a venda apenas em shows e na lojinha oficial do site, sem divulgação na TV ou no Rádio, sem jabá e sem travas para fãs, é um número gigantesco. A trupe reforça em cada show a arte e a cultura do nosso país, com danças, teatro, apresentações circenses e suas canções penetram na mente e no coração. É quase impossível não gostar [digo quase, porque tem louco pra tudo!]. Além disso, Fernando Anitelli nos faz participar de cada momento, seja cantando, dançando, no coro com as músicas ou ainda incitando os presentes a contribuir para a propagação do projeto.

Em vários shows, o cantor e poeta do mundo mágico de “Oz – sasco” pede que os fãs comprem o CD, mas, quem não tiver dinheiro aí agora, pode baixar as músicas e álbuns da banda na Internet e divulgar por ai. “Pelo amor de Deus, pirateiem o nosso trabalho” é o grito de liberdade da vez, e como todo grito, choca os desavisados e instrui aqueles que participam junto com o TM dessa transformação.

O novo DVD foi gravado ao vivo, em maio de 2009, no auditório do Itaú Cultural, em São Paulo, durante uma semana, sendo três shows por dia, de forma a tentar atender à procura do público pelos ingressos. Em cada data, a trupe recebia uma participação especial e nomes como Nô Stopa e seu pai Zé Geraldo, Silvério Pessoa e GOG deram sua contribuição musical à trupe liderada por Fernando Anitelli.  As filas para aquisição do ingresso davam a volta no local do evento todos os dias. Depois das apresentações, o resultado final é uma fiel reprodução do espetáculo “O Segundo Ato” e o lançamento é aguardado ansiosamente por todos os fãs e parceiros da trupe.

Mas simplesmente o lançamento do DVD tão aguardado não seria suficiente para a trupe. Além do show, o DVD comporta ainda uma faixa extra onde integrantes do grupo contam um pouco da história de sucesso do projeto e abordam questões pertinentes ao mercado fonográfico e ao modelo de auto-produção escolhido por Anitelli ao dizer “não” às principais gravadoras do país.

Quem foi que disse que não há saída para a música? O Teatro Mágico, a seis anos, prova que é sim possível fazer sucesso defendendo questões polêmicas como o movimento MPB (música pra baixar) a reforma da lei do direito autoral, a causa dos ambientalistas, das feministas, das bandas independentes e muitos outros. E tudo isso na internet, sem gravadora, independentes e livres e com o contato direto com os fãs, aproximação e parceria. Isso é música livre. Isso é O Teatro Mágico.

Site Oficialwww.oteatromagico.mus.br

Serviço:

Show de lançamento do dvd  “Segundo Ato” no Rio de Janeiro
Data do Show: 16/07/2010
Horário do Show:  à partir das 21h
Local do Show: Fundição Progresso
Endereço: Rua dos Arcos, 24 –  Lapa – Rio de Janeiro
Pontos de Venda: Lojas South, Barra Shopping – 2431-8909, Botafogo Praia Shopping – 2237-9275, Plaza Shopping Niterói – 2620-6769, Ilha Plaza Shopping – 2463-7521, Iguaçu Top Shopping – 2666-7701,  Shopping Tijuca – 2234-3801, Lojas Banco de Areia, Shopping Leblon – 2239-3444 e Rio Sul – 3873-0969.

Show de Lançamento do dvd “Segundo Ato” em São Paulo
Data do Show: 18/07/2010
Horário do Show: 19h
Local do Show: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros – São Paulo
Pontos de Venda: No próprio Carioca Club e através do site: http://www.ingressorapido.com.br
Valores dos Ingressos: 1° Lote: R$ 25,00 (Meia e Promocional)/2° Lote: R$ 30,00 (Meia e Promocional)