Wozniak – o outro Steve da Apple

iWozSempre que se fala do Steve da Apple, a primeira lembrança vai para Steve Jobs, o gênio que administrou a companhia que criou o primeiro computador pessoal do mundo e que mudou a história da humanidade, com suas inovações para a computação pessoal, a engenharia de software e a música, entre outros. Mas pouca gente realmente se preocupa com a genialidade de outro Steve, que fez isso tudo ser possível: Wozniak, que revela sua biografia no livro iWoz.

Wozniak foi o menino tímido que jogava futebol direitinho. Ele era o filho de um engenheiro que trabalhava com alguma coisa muito importante e que era segredo. Ele passou de “o garoto popular” da escola, que sabia tudo de placas de circuito e que tirava as melhores notas nas feiras de ciências para “o garoto esquisito” da escola, que sabia tudo de placas de circuito e que tirava as melhores notas nas feiras de ciências. Quer dizer, ele nunca mudou: os interesses de seus colegas da mesma idade é que mudaram. As meninas gostavam dos caras fortes que jogavam futebol e era só isso. Ele também jogava, mas gostava muito mais de explicar circuitos e placas do que de ter uma bola por perto.

O pai engenheiro fez o jovem Wozniak se apaixonar por engenharia desde o começo de sua vida. Foi por meio dessa paixão que ele criou o primeiro computador pessoal do mundo, o Apple I. Mas antes desse houveram uma máquina de somar e subtrair, o “Cream Soda”, primeiro computador que Steve projetou e que ganhou esse nome pela quantidade de refrigerante ingerida durante a projeção do aparelho e a caixa azul, aparelho que fazia com que você realizasse ligações de longa distância e de graça.

Wozniak também foi o “polaco maluco”, criador do primeiro disque piadas de São Francisco (e gostaria de ter sido reconhecido não pela criação, junto com Jobs, da Apple, mas por esse feito em específico de sua carreira), o funcionário apaixonado da HP que apresentou à empresa a maior invenção tecnologica de seu tempo e recebeu um sonoro “não” de seus companheiros de equipe, o “chapeleiro maluco” que adorava ver o riso das crianças por debaixo de sua fantasia, o criador do US Festival, o primeiro festival de música pós Woodstock em que você realmente gostaria de estar e o criador do controle remoto universal na Cloud Nine.

Mas antes de qualquer coisa ele é um engenheiro apaixonado. Dentro de seu livro, escrito em parceria com a jornalista Gina Smith, ele descreve como essa profissão esteve com ele desde os primeiros dias, como ele se apaixonou pela profissão do pai e como fez para aprender de seu pai cada nova descoberta e como este explicava as coisas, sem tentar persuadí-lo para a sua visão de mundo, mas de forma genérica, com giz e uma explicação convincente. Em cada capítulo, Woz tira um tempo para explicar como criou cada coisa, falando de bite por bite, álgebra booleana, números binários e hexadecimais e toda a lógica envolvida no processo. Também é um livro difícil por isso, então, seja apaixonado por tecnologia por um dia ou não tente ler.

Dá para mencionar um milhão de outras coisas que Wozniak fez (e que ainda vai fazer) e que provam que ele é um gênio. Ser um bom pai, um bom garoto, um bom engenheiro e um bom chapeleiro maluco não está na lista de coisas que qualquer um faz. E, é claro, faz parte do laboratório de experiências de um jovem que acreditava que podia mudar o mundo com o seu sonho. E o fez, sem pestanejar, porque acreditou em si mesmo.

 

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Steve Jobs: um gênio (in)compreendido

Steve-JobsA biografia autorizada de Steve Jobs, escrita pelo jornalista Walter Isaacson, traz revelações agradáveis e desagradáveis a respeito do criador da Apple, uma das maiores empresas de tecnologia de nossos tempos. O autor, que foi convidado pelo próprio Jobs para escrever o livro, revela durante a redação pedaços da vida e obra de Steve que são alvo de críticas, mas que também remetem a uma personalidade única – mas nem por isso fácil – de se encontrar.

Jobs nunca foi um garoto conformado. Também nunca foi um exemplo a ser seguido. Mas foi muito amado. A rejeição por parte dos pais biológicos e a adoção por parte de Paul e Clara Jobs foram determinantes para sua personalidade: ele sempre precisava provar para si mesmo que era querido e que podia fazer o que quisesse, sem limites, por ter essa recusa em memória. E muitas vezes ele conseguia.

O jovem Steve fazia dietas preocupantes, se interessava por tecnologia e queria mudar o mundo, por meio de sua concentração em ritos espirituais e por meio de uma “caixa azul”, que faria tudo ser diferente. Foi por meio da tal caixa que um Steve conheceu o outro e a parceria Jobs x Wozniak mudaria de vez todo o ramo da tecnologia.

A visão empreendedora de Jobs e a genialidade eletrônica de Woz fizeram os dois garotos se tornarem donos da Apple Computers em 1976. Foi esse compartilhamento de ideais que fez com que a empresa criasse os primeiros computadores realmente pessoais do mundo e se destacasse pela beleza e facilidade na utilização de seus produtos. Mas também nesta época mostrou-se cada vez mais vivo o chamado “Campo de Distorção da Realidade”, termo utilizado em 1981 por um dos funcionários da Apple, para definir o carisma de Jobs, seu poder de convencimento e o impacto que causava nas pessoas, simplesmente fazendo-as acreditar em suas verdades e determinações. Esta mostrou-se uma ferramenta de trabalho indispensável para ele e também algo muito  perigoso, tanto para si como para os outros.

Se Steve queria uma coisa, ela funcionaria e ponto. Não havia cronograma que não pudesse ser cumprido, peça que não pudesse ser entregue e prazo que não fosse atendido. Isso o fazia criar realidades paralelas para fazer os negócios funcionarem e era particularmente perigoso quando se tratava de um lançamento de produto: por mais ajustes que pedisse e por mais tempo que estes demandassem, a entrega deveria ser feita na data agendada, pois ela seria “a próxima revolução industrial” ou “o próximo equipamento a mudar o mundo”.

O poder de convencimento dele era tão grande que por vezes equipes inteiras se deixavam entrar em seu “campo de distorção” e ficavam semanas trabalhando sem descanso, de casa, durante a madrugada, aos fins de semana, para cumprir o prazo. Isso fez com que a Apple lançasse grandes produtos, mas ao mesmo tempo garantiu muitos problemas de saúde aos funcionários.

Quando este seu “jeito de fazer as coisas” começou a trazer mais problemas que soluções à Apple, ele saiu da empresa, em 1985. Após esse período, trabalhou na criação da NeXT, uma empresa de hardware e sofware para criação de computadores para universidades e se dedicou a um outro trabalho pelo qual se apaixonou perdidamente: ser dono da Pixar Studios, empresa responsável pela criação de grandes sucessos do cinema mundial como “Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Up Altas Aventuras”, “Carros”, entre outros clássicos. Jobs comprou a Pixar da Lucasfilms em 1986 pela quantia de U$S 10 milhões e, 10 anos depois, a transformou na mais lucrativa empresa a abrir capital na bolsa de Nova York, uma semana após o lançamento de “Toy Story”. Não dá para dizer que, ele não tinha tino para os negócios.

Só em 1997 que a Apple percebeu a falta que um de seus criadores e principal incentivadores fazia. Em meio a lançamentos de produtos catastróficos, diversos fracassos comerciais e uma quase falência, a empresa convidou Jobs para voltar ao time, como conselheiro. Este aceitou o cargo contanto que não fosse pago por isso. Assim se iniciou o processo de reconstrução da marca e do conteúdo da Apple, que deixou de ser “Computers” para ser uma das maiores empresas de tecnologia de nossos tempos.

Inicialmente Jobs procurou mostrar aos clientes Apple que eles poderiam voltar a acreditar na empresa e lançou a campanha “Think Different”, em 1998, que mostrava por meio de ícones da cultura, música, ciência, esportes e diversas outras áreas, como quem havia “pensado diferente” podia mudar o mundo. A campanha reposicionou a Apple como uma empresa que “inovava”, lançando equipamentos diferentes. O lançamento do primeiro iMac, também em 1998, veio corroborar com essa visão inovadora: ele foi o primeiro computador com monitor e CPU integrados, o primeiro computador “colorido” frente aos tradicionais “beges” da época e uma máquina que trazia um espírito mais jovial, mais “amigável” para aquele “intruso” que estava cada vez mais presente na vida das pessoas.

O lançamento do iPod, em 2001, foi outra de suas grandes façanhas. Jobs percebeu que o mercado de Mp3 ainda ia crescer muito e posicionou a Apple no centro dessa “avalanche”, ajudando a criar não só o mais bonito e potente tocador de música da época, mas todo um mercado de compra legal de músicas que permeia até os dias de hoje, com o lançamento da iTunes Store. A próxima grande revolução mercadológica que a Apple causaria já estava sendo projetada nesta época, mas só foi lançada em 2007.

O ano do iPhone foi aquele que mostrou ao mundo o resultado do que é uma equipe de executivos de uma empresa que trabalha a engenharia e o design juntos, e que está insatisfeita com seus telefones celulares. A criação do iPhone começou em conversas paralelas sobre o que fazer com uma tecnologia que permitia criar uma tela multitouch e como fazer para gostar mais dos aparelhos celulares que havia no mercado na época. Steve não gostava de seu celular e percebeu que ninguém da Apple estava realmente satisfeito com o produto que adquirira. Então, eles resolveram criar seu próprio aparelho, que foi uma revolução no mundo das telecomunicações.

Mas a tela multitouch era para ser usada mesmo no lançamento que viria depois. O mundo já tinha visto muitos e muitos tablets, mas ainda não havia nenhum que fizesse alguém pensar em não ter um computador para fazer tudo ou em ter a necessidade de ter um tablet para algumas atividades em específico. Os notebooks e netbooks dominavam o mercado de micro-computadores, mas em 2010 o iPad veio se juntar ao “time” de equipamentos inovadores da Apple e se tornar outro sucesso infalível.

A cooperação e criação de tantos e tantos sucessos não deixou Steve imune. Em outubro de 2003, dois anos após o lançamento do iPod e quando a Pixar lotava os cinemas de todo o mundo com a animação “Procurando Nemo”, Steve foi diagnosticado com câncer de pâncreas. Em mais uma demonstração de seu “campo de distorção da realidade”, ele se convenceu de que poderia curar a doença apenas com suas dietas e caminhadas. Passou seis meses insistindo que seu tratamento natural era o suficiente antes de fazer um novo exame e diagnosticar que o câncer havia evoluído. Só aí aceitou fazer o tratamento com profissionais.

Essa teimosia, além de poder ter sido uma das causas da morte, ainda o levou a ter muitos problemas familiares. Casado desde 1991 com Laurene Powell, Jobs não foi o melhor pai do mundo para seus três filhos Reed, Erin e Eve, muito menos para Lisa-Bressan, sua filha de um relacionamento anterior. Entretanto, Jobs mantinha uma relação muito afetuosa com seus pais adotivos e, após conhecer a mãe biológica e a irmã, passou a ter com elas uma relação amistosa. Outro grande problema familiar foi sua recusa insistente em relação ao pai biológico, mesmo quando o câncer avançava a passos largos e ele sabia que tinha pouco tempo de vida. A doença realmente o pegou em cheio e em 5 de outubro de 2011 o levou, deixando milhares de fãs e diversos amigos com saudades irrecuperáveis.

Apesar de não ser um exemplo de ser humano em muitos sentidos, Steve Paul Jobs deixou uma marca no universo, justamente por não se ajustar a um “padrão social”: ele queria ser o jovem da contracultura, o representante da liberdade e da inovação, o teimoso. É essa imagem, de que “tudo é possível quando o que você quer pode realmente mudar o mundo que ele carrega e que o faz presente em todos os bate papos sobre tecnologia que acontecem por aí. É essa a imagem que ainda vai brincar com a lembrança de filhos e netos de uma geração que aprendeu a “precisar” de equipamentos que nem sabia que existia. É essa a imagem que vai surgir em nossas mentes daqui há 50 anos, quando alguém mais jovem nos perguntar como foi o lançamento do primeiro iPad.

O que me faz ser nerd / geek?

O título do post é uma pergunta mesmo. E é uma pergunta para a qual eu não sei a resposta mesmo. Mas a dúvida mais cruel apareceu mesmo na semana passada, enquanto eu fuçava o Facebook no celular.

É que eu fui indicada para dar uma entrevista sobre “O Universo Geek” e contar um pouco do que eu penso a respeito. Pois é, achei super estranho, comecei a pensar em várias coisas, descobri que foi uma amiga minha que me indicou, fiquei pensando no sentido da vida,  até que cheguei na interrogação maior: porque eu sou considerada uma pessoa que tem domínio suficiente do assunto para falar sobre geeks / nerds? O que faz com que eu, do alto dos meus recém completados 24 anos tenha os culhões para defender uma geração super cheia de representatividade, atitude e bom humor como a geração nerd / geek?

Será que já ter visto Star Wars várias vezes e saber o suficiente sobre a população vulcaniana me faz ser menos normal? Será que meus conhecimentos básiquinhos sobre hardware e software me fazem ser uma menina diferente das normais? Ter um curso de manutenção de computadores e ajudar a galera da firma com os problemas do Windows é um diferencial competitivo? Já ter lido tudo do Douglas Adams pode ser considerado uma qualificação especial?

Acho que ser nerd na minha infância era uma coisa muito mais difícil do que é ser hoje. A Maristela sabe bem, só fui falar direito com algum ser humano na escola depois da 4ª série e só me tornei o que a galera chama de “popular” depois da 7ª. A porra toda é que antes ser antissocial era horrível, porque você sofria por ser um dos mais inteligentes da sala, por tirar algumas das melhores notas, por se esforçar para aprender. Era feio ser nerd. Era estranho saber o que estava acontecendo com um HD enquanto uma criança desenha no Paint. Era muito estranho.

Hoje é legal, maneiro, todo mundo quer ser. Mas ninguém tem exata noção do que quer ser na real. Acho que geeks e nerds têm suas diferenças em particular, mas têm algo em comum que os faz ser únicos: são pessoas apaixonadas. Apaixonados por jogos, por livros, por músicas, por assuntos, por tecnologia, por conhecimento, por novidades. Aquele cara que é capaz de esperar numa fila gigante pra comprar o novo lançamento da Apple, o ser que consegue programar uma nova solução em minutos porque não vê a hora de ver aquilo funcionando ainda que não vá ganhar nenhum centavo pelo trabalho, aquela pessoa que fala com paixão e loucura sobre seus filmes favoritos ainda que esteja numa roda de pessoas em que ninguém tem noção do que é aquilo. Um cara que coleciona, que é discreto, que vai ao cinema na pré-estreia com a fantasia do ídolo. Ou aquele cara mega racional que espera a euforia passar pra ver o lançamento no cinema.

Ser nerd é ser apaixonado por conhecimento /cultura. Ser geek é ser apaixonado por tecnologia. Se é isso mesmo, acho que sou um desse bichos novos aí sim…

PS: se a gravação realmente sair (pensando bem acho que não, fui muito mal) eu posto por aqui. Mesmo.

Valeu Steve Jobs!

É triste, mais o maior gênio de nossos tempos morreu. Seu legado continuará vivo em todos os lugares em que as pessoas conseguirem utilizar a tecnologia para facilitar sua vida, pois ali haverá um pedacinho das ideias do incansável Jobs. A única coisa digna a dizer é muito obrigado cara! Você mudou e continuará mudando o mundo com suas ideias!

Abaixo, alguns textos legais sobre a vida e obra do CEO mais querido do mundo: