26

26

Tem nem três mês

De vinte-seis

Viu cabelo branco

Primeira vez

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Descarrega emoções

Combustíveis

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Ultrapassa barreiras

Quase instransponíveis

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Fala mais que a boca

Economês

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Não pede desculpa

Nem deseja pêsames

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Sorri, serena

Conta até três

 

Tem nem três mês

De vinte seis

A vida é plena

De deveres

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Começa uma série nova

A cada mês

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Acumula paixonites

Uma por vez

 

Tem nem três mês

De vinte e seis

Insônia incomoda

Acorda às três

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Rugas, pé de galinha

Enfeitam a têz

 

Tem nem três mês

De vinte seis

Continua rimando

Tudo outra vez?

 

Tem nem três mês

De vinte seis

A vida é mais confusa quando se está mais perto dos trinta…

 

Anúncios

A Sociedade do Espetáculo

perfeitoLuz. Câmera. Ação.

Você, ser humano perfeito, acaba de acordar. O mundo gira a seu redor e você só precisa se preocupar em ser ainda mais perfeito. Você é uma novela, uma série, uma história sem fim que todo mundo tem que acompanhar e participar. Porque você é o ser mais importante do universo.

E porque você é assim tão importante? Ah, porque nasceu, lindo, maravilhoso e perfeito. Com essa “duck face” que aparece em todas as suas fotos, esse seu bronzeado que deixa todo mundo louco, ou esse cachecol que você usa nos dias de frio só pra fazer charminho. E você é um ser humano cheio de virtudes incríveis, que são as mesmas que estão na moda no momento, porque afinal de contas, você não quer criar polêmica. Você foi às manifestações do ano passado porque sua turminha foi, acha as Diretas Já o máximo mas não sabe em que ano aconteceram, digita #NãoVaiTerCopa por aí porque é statis, achou o beijo gay da novela sensacional, mas faz cara feia quando vê dois rapazes de mãos dadas na rua.

Mas a culpa não é sua. A culpa é dos seus pais, que não conseguiram te dizer um não sequer, seja quando você pediu de Natal o brinquedo da última moda e que eles ficaram pagando o ano inteiro, pra você enjoar em dois dias e chamar o Papai Noel de velho babão em seguida, seja quando você reclamou que a professora era uma idiota, apenas porque ela tinha corrigido sua prova do jeito certo ou porque te deu uma bronca na frente dos seus amigos. A culpa é dos seus amigos, que fizeram você acreditar que ser o machão ou a menina mais bonita te fariam ser bem sucedido (a) para todo o sempre. A culpa é do seu tio, que deixava você trabalhar a hora que quisesse no seu “primeiro estágio”. A culpa é do seu professor da faculdade, que não te disse que o seu diploma não valeria nada se você não trabalhasse duro para ser um bom profissional. A culpa é de todo mundo ao seu redor que não abriu seus olhos para a vida, que não é cor de rosa como o céu fica no final do desenho animado. E a culpa é sua sim, por se manter nesse Show de Truman até agora.

Você é esse ser humano que fica feliz a cada novo comentário te dizendo como você é lindo e que faz cara feia quando aquele seu amigo não dá like na 42ª foto que você postou no “Faice hoje”. Você é aquele que xinga seu chefe cada vez que ele te pede para corrigir um erro que você cometeu 495 mil vezes, que não olha na cara da empregada que te serve café, ou que deixa o banheiro do escritório limpo, ou que faz o almoço da galera. Esse ser humano cheio de virtudes que é você, ultrapassa o sinal amarelo porque “dá tempo”, que paga a habilitação porque “todo mundo paga”, reclama dos políticos que tem, mas sempre vota na mesma gente e se conforma em todos os dias levantar e ir para o trabalho chato, passar horas da vida com pessoas que você não gosta, voltar pra casa, ver novela e dormir. Mas nada disso importa porque você veste roupa de grife, gasta muito nas baladas do fim de semana e está sempre sorrindo nas Redes Sociais. Porque você é feliz.

Ou porque você é um bebê mimado, mal educado e cheio de problemas psicológicos. Que finge que tá tudo bem, afinal, a vida segue e você precisa mostrar sua felicidade pra aquela cambada de invejosos.

Corta!

PS: texto inspirado em um bocado de conversa com duas pessoas incríveis (Wendl e Dri, vocês são demais) e nessa matéria aqui.

Não se preocupe tanto assim…

screw-up O ano mal começou e já tem gente se arrependendo. Aí, comi aquele chocolate e estraguei minha dieta. Aí, deixei de cumprir duas das minhas metas pro ano no 3º dia. Aí, porque eu sou sempre tão quieta? Aí, tá vendo? Fala demais e sai bosta toda vez…

Cê jura pra mim que cê quer começar mais um ano se arrependendo? De verdade, o quadrinho acima é real: não tem ninguém no mundo preocupado em fazer as contas de quantas vezes você errou, quantas vezes você acertou, quantas vezes você falou bosta ou quantas vezes você fez qualquer coisa. Falando sério, nem você mesmo faz essa conta com precisão, porque tem coisas que simplesmente passam, são esquecidas, apagadas com o tempo. Então, pra quê ficar se preocupando?

Errar é humano. Essa é a máxima mais conhecida do universo, mas tem vezes que não é levada em consideração.  Não dá pra ser 100% incrível o tempo todo e também não dá pra ficar o tempo todo vivendo o passado, pensando no que se podia ter feito e não foi e no que foi feito e não devia ser. Se existe algo ou alguém que tem o poder de tirar o que há de melhor em você é você mesmo. Esse é um dos super-poderes mais perigosos que nós, heróis do dia a dia, possuímos.

Dos compartilhamentos

A vida em 2013 é muito mais social que antigamente.

Tudo está no Facebook. No Twitter. No Instagram. O Linkedin também divide com o mundo sua história. E aqui outra ferramenta para isso: um blog.

Todo o mundo tão conectado, tão próximo, tão sabedor das angústias e aflições da cabeça de cada um. Amigos no “feice” que nunca se viram “face a face” sabem segredos que seus mais próximos não conhecem. Ou não.

Porque no fim de tudo os melhores momentos da vida não estão no Instagram. Nem no Twitter. Nem em qualquer outra rede social.

Os melhores momentos da vida são flashes que só nosso íntimo captura. E não há câmera que consiga lidar com essa resolução.

É o olhar do melhor amigo que não se vê há tempos. É a lágrima que molha o rosto quando toca aquela música que te faz lembrar alguém que já se foi. É aquele minuto em que você para tudo o que está fazendo para refletir. É o olhar agradecido do mendigo que recebe um pão. É o sorriso de uma criança na fila do ônibus. É aquela história que você descobriu num livro empoeirado na prateleira.

O melhor da vida só é registrado por uma câmera, equipada com dupla objetiva e a melhor resolução do mercado: seus olhos.

Não deixar de viver cada dia com o melhor é uma arte a ser seguida.

Oh, Minas Gerais!

BHBom, como eu já disse por aqui, Abril foi um mês lindo. E uma das coisas que o fez mais lindo foi uma viagem que fiz para Minas Gerais.

Ok querido um leitor, você me conhece um pouco. Sabe que quando se trata de Minas Gerais eu sou uma completa apaixonada, certo? É a música (que vai quilômetros além de Skank), é a história, é a cultura. É o jeitinho lindo do povo de ser incrivelmente receptivo e companheiro, é a história por baixo daquela terra, é o cheiro do campo e das folhas que você sente até na Afonso Pena, em BH, a Av. Paulista deles. São as deliciosas comidas, o tradicional queijo, o pão de queijo, o doce de leite. E aí eu decidi conhecer melhor esse pedaço de chão que tanto me inspira e que tanto me faz bem. E não foi surpresa voltar de lá querendo ser mais e mais mineira.

Belo Horizonte foi meu destino inicial. E que cidade linda! Ela tem todas as qualidades e os defeitos da São Paulo da loucura, mas tem uma beleza não explicável. Sua Praça da Liberdade é tão simples e tão bela que não dá para descrever: tem que ir ver. O centro, as pequenas pracinhas e igrejas ao redor de escolas, a mistura do clássico com o moderno de Niemeyer, o Museu de Artes e Ofícios. Os encantos do Mercado Central e os lugarzinhos escondidos na infinita Rua da Bahia, que cruza a do Espírito Santo, a do Rio de Janeiro. O borbulhante comércio local e a barulheira do trânsito infernal estão lá. Mas a tranquilidade de uma vista para toda a cidade, o ar puro e a beleza também.

Fui recebida com um stand-up. Fui à Esquina do Clube, ao Bolão, ao Museu de Artes e Ofícios e a diversos pontos turísticos. Recomendo demais a visita ao Museu das Minas Gerais, que conta a história do Estado de um jeito que eu nunca tinha visto. Dá para passar um dia inteiro por lá e ainda assim não ver tudo (eu tentei!). É claro que fui ao Estúdio Máquina e, obrigada de novo Equipe Skank, por sempre me receber e me tratar tão bem, mesmo sabendo o quão pé no saco eu posso ser! Enfim, me despedi de BH com uma taxista achando que ia levar um “rack” no porta-malas e concluí que só lá eu passaria dias tão lindos.

Mas a viagem ainda não tinha acabado.

Ouro PretoDepois de BH o plano era conhecer parte das cidades histórias. Ir a Ouro Preto, Mariana, passar por Congonhas e Tiradentes no mínimo e se desse, ir à Diamantina. Tudo isso ficou para outra viagem no momento em que pus os pés em Ouro Preto. Eu já sabia que seria amor à primeira vista desde o planejamento do roteiro. Mas não dava para prever a emoção de pisar ali.

A cidade é inteira um museu. Todas as belezas de suas ladeiras, morros, casinhas e igrejas pode ser contemplada de qualquer lugar em que você esteja. É como se você estivesse pisando num gigante cenário de um filme de época, vivendo 1800, 1700 de novo. A beleza e o cuidado das construções restauradas, as casinhas com formato antigo, o “museu vivo”, que em pequenas plaquinhas explica a história da cidade para os turistas desprevenidos. A igreja do Carmo, a de São Francisco, a do Pilar, todas elas (visitei quase todas). Não dava para “só dormir” por ali. Eu precisava conhecer o comércio, os habitantes, as igrejas, os museus, os pontos turísticos e a vida da cidade, as pessoas, as árvores que escondem da paisagem a Universidade Federal de Ouro Preto (que tem arquitetura moderna e que “não combina” com a histórica fachada. Fiz apenas o passeio de Maria Fumaça até Mariana e, antes mesmo de o trem chegar para voltarmos já estava com saudade de Ouro Preto. Assim como estou até agora.

Terei mil outras viagens à Minas para fazer e tenho certeza que as cidades históricas estarão lá, lindas, me esperando. Mas Ouro Preto, ah e o café do Puro Cacau, a cerveja de menta, o Barroco, as ladeiras, a São Francisco, a feirinha de artesanato, a Praça Tiradentes… ah, vocês sempre me receberão quando eu voltar à Minas. Porque eu nunca vou cansar de ver toda a beleza que há ali.

Quem te conhece não esquece jamais. A música não está errada mesmo.

Papinho

Raquelline: E aí?

Rakky: E ai o quê?

Raquelline: Até quando isso, caralho?

Rakky: Poxa, pra quê essa ignorância?

Raquelline: Porque você tá precisando, só isso. Vai ficar aí com essa cara de bunda até quando?

Rakky: Não sei. Tô triste, arrependida, confusa. Normal do ser humano né?

Raquelline: Sim, claro, desde que você não fique fazendo das coisas um problema maior do que elas realmente são.  

Rakky: Do que você tá falando?

Raquelline: Cai na real, garota! Tá na hora de você parar de achar que é a única pessoa do mundo que tem problemas e pensar que os seus nem são tão graves assim. Olha ao redor… ou por acaso você quer se transformar no seu pai?

Rakky: Agora já deu! Pode parar de me falar merda! Eu não tenho nada a ver com o meu pai, nunca tive, não vou ter… tomanocú você também, caralho, para!

Raquelline: Uiiiiii! Merda mesmo? Ficou ofendidinha é? Então para e pensa: você tá culpando os outros pelos seus problemas. Exatamente do jeito que ele gosta de fazer. Se fazendo de boba enquanto o mundo gira, se atrasando e responsabilizando os outros pelos seus erros.

Rakky: Tomanocú!

Raquelline: Verdade doi né?

Rakky: —

Raquelline: Em primeiro lugar, você já tá pagando um analista. Não precisa discutir seus problemas com mais ninguém. Segundo, você tava indo muito bem até fevereiro… o que aconteceu?

Rakky: Entrei na terapia, ué. O médico disse que eu ia ficar zuada.

Raquelline: Zuada sim, louca não. Póparacompóaê que você já é muito grandinha pra essas coisas…

Rakky: Eu sei… mas ele disse que eu ia ficar esquisita e que eu sou madura demais pra umas coisas e infantil pra outras…

Raquelline: Desculpa de cego é muleta!

Rakky: Poxa, porque você tá me ofendendo assim?

Raquelline: Para ver se você cria vergonha nessa sua cara de anta! Escuta aqui uma coisa: vcê não é vítima, nunca foi vítima, sabe se resolver e sempre soube. Não importa o seu passado, para de olhar para lá como se você fosse morrer por causa disso… não vai.

Rakky: Mas eu podia ter feito as coisas serem diferentes…

Raquelline: Podia? É mesmo? Mas não fez! E porque não fez? Porque não pensou nisso, ô idiota. Agora você vai cair na real que aquele vira-tempo é da Hermione e parar de se arrepender por besteira?

Rakky: Besteira?

Raquelline: É, besteira. No fim das contas, a ordem dos tratores não altera o viaduto. E para de cú doce que eu já cansei das suas lamúrias.

Rakky: O que isso significa?

Raquelline: Que é pra frente que se olha, caralho! Agora qual é? Vai continuar guardando pra você o que te incomoda ou vai tirar essa bunda gorda da cadeira e fazer alguma coisa a respeito?

Rakky: Que opção que eu tenho?

Raquelline: E que opção que você não tem?

Rakky: Acho que continuar né?  

Raquelline: É! Boa garota!

Rakky: No fim das contas, eu sou né?

Raquelline: É sim meu. Cadê toda aquela autoconfiança? E aquele brilho nos olhos?

Rakky: Tô procurando, péra!

Raquelline: Não começa, que hoje eu não to boa!

Rakky: Tá bom, tá bom, uma injeção de otimismo daquelas que só a Rakky consegue dar em si mesma… é isso que eu to precisando…    

Raquelline: Isso! Você não precisa achar que tudo vai dar errado, porque não vai, cacete! Vai lá, manda seu melhor sorriso pro mundo e foda-se o resto! Tudo vai dar certo e a única pessoa que comanda isso é você!

Rakky: Tá bom!

Raquelline: Assim que eu gosto, menina!

 Livremente inspirado nos bate papos Maristelianos.

Das prisões que se cria

Eu me prendo. Sempre.

Sem amarras físicas. As minhas são mais densas. São amarras de espírito. De alma. De coração.

E elas fazem mal. Porque é difícil se desprender de coisas que você acredita que te fazem bem. De pessoas que te fazem sorrir. De gestos, palavras e ações. De gente bonita.

É ruim. É triste. É horrível. Mas, por vezes, é necessário.

Para libertar a própria existência, é necessário passar pelo sofrimento. Porque é nele que a vida está de verdade. É só quando você sai da sua zona de conforto que você vive de verdade. E a vida, de verdade, é difícil. As pessoas não estão acostumadas à vida de verdade, ao amor de verdade, à dor de verdade, ao dia a dia, de verdade.

Todos querem um sonho. Um motivo. Um alguém que se encaixe. Algo que possa ser olhado e percebido como alguma coisa que faz sentido. Como se ter algum sentido pudesse dar valor a uma existência. Todos estamos aqui, eternamente insatisfeitos, buscando algo que nos complete, que nos preencha, que nos faça pensar que não existe vazio.

Mas o vazio existe. Porque cada única pessoa nesse mundo está a procura de um sentido, de um momento que justifique, de uma forma concreta. Mas essa é a parte vazia. A procura, a eterna busca, é isso que é o vazio.

Se o mundo conseguisse simplesmente parar de procurar, seria simples ver que o vazio é o que incomoda. É a inquietude. É a falta de visão. São as algemas que a gente cria pra si próprio. É a zona de conforto.

O melhor da vida está fora da zona de conforto. Porque a vida é um risco, e a gente precisa correr. Todos os dias, um pouco de cada vez.